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4. Findings

6.1 Limitations of the Sustainable Livelihood Framework, and Future

É importante situar, mesmo que em linhas gerais, alguns apontamentos sobre o surgimento da imprensa no Grão-Pará. Há estudos aprofundados sobre o tema situados tanto no campo da História como, por exemplo, Barata (1973), Coelho (1993), Rocque (1968) e Salles (1992) e no campo do Jornalismo tais como Veloso (2009 e 2014), Seixas (2011a e 2011b).

A primeira tipografia no Pará surgiu por volta de 1821. João Francisco Madureira produzia tipos e manejava o tipografo. Ele foi o responsável pela impressão da primeira edição de documentos oficiais da Junta Provisória do Governo da Província do Grão- Pará, o embrião do que viria a ser a Imprensa Oficial do Estado. (Pará, 1815). Contudo, Socorro Veloso (2009) frisa, a partir da leitura de Vicente Sales e Gerado Mártires Coelho, que João Francisco Madureira teria usado seu maquinário ainda em 1820 para imprimir o panfleto intitulado “O despotismo desmascarado ou a verdade denodada” (Veloso, 2009, p.2).

Já o primeiro jornal a circular com regularidade na província do Grão-Pará foi O Paraense (Figura 07), entre 1822 e 1823. Barata (1973), Veloso (2009) e Seixas (2011b) referem que o primeiro periódico surgido no Grão-Pará foi editado por Felippe Patroni e surgido no bojo dos ecos do movimento de 1920 ocorridos na cidade do Porto, em Portugal. Conhecido com movimento “Regenerador”72 ou “Vintista” surgido em 24 de agosto de

1820. De fundamentação nas ideias liberais que se originaram sobretudo no seio das Faculdades de Direito em Portugal e propondo uma nova ordem constitucional, os liberais desafiaram a ordem econômica e social do reino de Portugal, pondo em causa a autoridade de D. João VI e que a própria Independência do Brasil não fora senão “queda de braço” entres os liberais portugueses o monarca obrigado a retornar ao seu país (Malerba, 2006, p.34).

72 Sobre os ideais liberais do movimento regenerador ou vintista e seus reflexos no Brasil Cf: Costa,

Jaime Raposo (1997). O Liberalismo Vintista e o Brasil (1820-1822). In: Boletim da Biblioteca da Universidade de Coimbra, Vol 43, Coimbra. p. 47-66.

Figura 07 – Capa da Primeira Edição de O Paraense em 22 de maio de 1822

Fonte: Acerco da Biblioteca Nacional

As ideias vintistas refletiram-se no perfil do primeiro jornal da região amazônica. Felippe Patroni lançou fogo sobre pólvora com publicação de O Paraense, em 01 de março de 1822, cujo teor político viria a agitar os momentos que se seguiram. Nesse sentido, Veloso refere que:

O jornal de Patroni inaugura a imprensa no Norte do Brasil e antecede o surgimento de jornais nas províncias de Minas Gerais e São Paulo, onde os impressos só apareceriam pela primeira vez nos anos de 1823, com o Compilador Mineiro, e 1827, com o Farol

Paulistano. Também está na raiz dos acontecimentos que

conduziriam a uma das mais importantes rebeliões populares da história do país, a Cabanagem, movimento de independência deflagrado em 1835 (Veloso, 2009, p.2).

Entretanto, O Paraense não foi o único jornal a ter participação na mobilização da Cabanagem. O historiador Aldrin Figueiredo (2008) cita o acirramento entre as posições políticas no anos 1830 no Pará. Do lado governista havia o Correio Official Paraense, de propriedade do presidente da província Bernardo Lobo de Sousa; já o periódico

Sentinella Maranhense na Guarita do Pará empreendia forte oposição e era claramente

republicano. “ As severas críticas dirigidas por esse jornal ao presidente Lobo de Sousa, ocasionaram sua suspensão já na edição do seu segundo exemplar, mas consta que foi decisiva a sua contribuição para a agitação política que deu contornos ao movimento cabano” (Figueiredo, 2008, p. 37).

Mesmo sob censura e repressão, os jornais que circularam naqueles agitados anos 1830 na província representaram um marco na história da imprensa paraense, não só serem responsáveis pela introdução de ideias políticas de vanguarda – ao desempenhar parte dos anseios de uma camada intelectualizada sob influência do movimento vintista ( o caso de O Paraense), os anseios de liberdade, maior protagonismo de uma região relegada ao segundo plano pelo nascente império brasileiro e por aglutinarem em torno de seus propósitos camadas populares que se envolveram na Cabanagem.

No que toca especificamente O Paraense, convém mencionar que antes mesmo da Independência advogava manutenção da ligação do Grão-Pará com Portugal – o que ficava claro já na primeira página onde se localizavam os escudos de armas de Portugal, Brasil e Algarve (Barata, 1973). Outros jornais surgiriam na mesma linha de defesa do atrelamento do Pará ao Reino de Portugal, é o caso do Luso Paraense, em 1823, e do seu substituto, O Independente.

Ao longo da primeira metade do século XIX surgiram na imprensa paraense panfletos e folhetins de cunho político, entretanto, foi após 1870 que a atividade se ampliou, segmentou e se modernizou. De acordo com Aldrin Figueiredo (2008), nessa época,

chegou a circular no Pará aproximadamente 300 jornais, incluindo capital e municípios do interior, o que para o historiador contribuiu para encurtar as grandes distâncias entre as cidades da região amazônica.

Como já mencionado no capítulo anterior, a economia da borracha atraiu um grande número de pessoas para o Pará. Veloso (2104) assinala que o contingente de imigrantes vindos da Europa e os nordestinos que fugiam da seca contribuíram para a criação de espaço se as questões sociais nos jornais do Estado. Foi nesse contexto que surgiu a imprensa operária paraense.

A imprensa operária surgiu no Pará em 1870, por meio de A

Tribuna. Este jornal exprimiria a inquietação reinante nas relações

sociais. Ideias republicanas e nativismo estavam presentes em suas páginas, a exemplo dos jornais comandados pelo cônego Batista Campos quatro décadas antes. Inspirado pela Comuna de Paris, em 1871. (...) Outros jornais de tendência republicana circulavam no Pará como o Tira-Dentes (1871-1872) e O Futuro (1872-?) (Veloso, 2014, p. 57).

No começo do século passado, a modernização técnica da imprensa também chegou ao Pará, entretanto, como frisa Veloso (2014, p. 59), no Estado, “até a primeira metade do século XX, a luta política seria a principal razão da existência da maioria dos veículos”. Nessa altura, jornais como A Província do Pará e Folha do Norte representavam os polos de disputas políticas no Pará O primeiro pertenceu ao intendente de Belém, Antônio Lemos, notabilizado por implementar reformas urbanas importantes na capital paraense. Barata (1973, p. 250) registra que o primeiro número do jornal foi publicado em 25 de março de 1876. Teve como fundado por Joaquim José de Assis - também foi o primeiro redator do periódico – e como diretor Francisco de Souza Cerqueira. A Folha do Norte surgiu em 1 de janeiro de1896 sob o comando de Cipriano Santos e Enéas Pinheiro. Veloso (2014) afirma que o jornal foi lançado para dar apoio ao Partido Republicano Federal, ao qual pertencia o político Lauro Sodré.

A Folha do Norte foi o mais influente jornal do Pará. O diário liderou as maiores campanhas já promovidas na imprensa paraense contra homens públicos, dentre eles o intendente Lemos e o interventor Magalhães Barata. À frente dessas campanhas, primeiro como redator, depois como proprietário, estava Paulo Maranhão, um modesto revisor de originais que, depois de

assumir a chefia do jornal, conseguiu adquiri-lo em 1916. O próprio Enéas Martins, após eleger-se governador do Pará em 1914 e de vender sua cota na Folha, passaria a ser alvo da pena ferina de Maranhão. O motim que, em 1916, derrubaria Martins teve apoio decisivo do jornalista (Veloso, 2014, p.62).

A partir da primeira década e começo da segunda do século XX o Pará presenciou o surgimentos de gazetas, panfletos, revistas e diários não só na capital, mas também nas cidades do interior. Alguns tiveram vida longa como é o caso do Estado do Pará, da

Província do Pará e da Folha do Norte, outros, contudo, se limitaram a apenas um

exemplar, o caso do A Nação (1906). No interior, a cidade de Santarém teve entre 1855- 1906 cerca de 23 jornais73 que surgiram e deixaram de circular nesse período. Ao longo

da Primeira Guerra mundial dois grandes jornais paraenses se destacaram na cobertura,

Folha do Norte e Estado do Pará. Além deles, surgiram jornais circunstanciais em torno

de um lado ou outro do conflito. O A Tarde é um desses exemplos.