Os 122 INCTs estão localizados em todas as regiões do país, sendo nove na Região Norte, 18 no Nordeste, quatro no Centro-Oeste, 76 no Sudeste e 15 no Sul.
Conforme previsto nos Procedimentos metodológicos (p. 32), realizamos pesquisa quantitativa, com aplicação do questionário aos 53 institutos nacionais com o objetivo de identificar como os pesquisadores entendem o seu papel como agente público na divulgação científica para o cidadão.
Obtivemos 27 respostas ao questionário, o que representa 50,9% da amostra. A primeira questão solicitou ao pesquisador que identificasse a região onde estava localizado o instituto. Oitenta e um por cento dos respondentes são da Região Sudeste, 14,8% do Sul, 3,7% do Nordeste e não obtivemos respostas de quaisquer institutos das regiões Norte e Centro-Oeste, como pode ser conferido no Gráfico 1. Dois pesquisadores-coordenadores justificaram os motivos pelos quais não puderam participar do levantamento.
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Correio do Povo, O Popular, Valor Econômico, Gazeta de Ribeirão, O Globo, Diário de São Paulo, Diário do Grande ABC, Folha de São Paulo, Jornal da Tarde, Estado de São Paulo, Agora São Paulo, O Povo, Gazeta do Povo, Agência Brasil, Band News, TV Senado, TV Cultura, , Globo News, TV dos Trabalhadores, TV News, Rede Globo, Record,.Jornal do Brasil on line, Portal IG, G1, Terra, Folha on line, R7, Jovem Pan, UOL, Blog do Noblat, Portal Luís Nassif, Portal MS, Gazata Web, CBN, Rádio Eldorado, Rádio Gazeta AM, Eldorado, Rádio Web Jornal do Campus, UnB Agência, Jornal da USP etc.
Gráfico 1 - Localização geográfica dos participantes da pesquisa
Cerca de 70% da mediação dos INCTs com jornalistas são realizadas pelos pesquisadores, sendo 55,6% pelos próprios coordenadores ou vice-coordenadores dos institutos e 14,8% por algum integrante da equipe (Gráfico 2). Nesta segunda questão, tivemos a intenção de identificar quem atua como mediador na comunicação entre os sistemas ciência e mídia.
Em torno de 30% das interlocuções são mediadas por agentes de comunicação, sendo 14,8% por meio das assessorias de imprensa dos institutos e 11%, pela área de imprensa da universidade à qual o instituto se encontra vinculado. As respostas indicam que todos os INCTs que cooperaram com a pesquisa tiveram contato com a mídia de alguma forma, pois não houve sinalização ao item “não houve contato”. Também não há estagiário de comunicação ou outro profissional na equipe para desempenhar a mediação.
Gráfico 2 – Interlocutores dos INCTs com a mídia
De Oliveira (2007) declara que o modelo de comunicação da área científica segue a relação emissor-receptor, tendo a “ciência como uma avenida de acesso a fatos comprovados, e os cientistas - na divulgação desses fatos - como as fontes primeiras" (DE OLIVEIRA, 2007, p. 15). Esta relação, que a autora designa como “posicionamento hierarquicamente superior da comunidade científica em relação à jornalística”, causa o problema da tradução para linguagem mais simples e o sensacionalismo na exposição das notícias de ciência e tecnologia, as duas maiores distorções no processo de divulgação científica para o cidadão.
Por outro lado, há uma interdependência entre ciência e mídia, no sentido que os pesquisadores são considerados fontes de informações para os jornalistas e precisam destes profissionais para assumir seu papel de agente da esfera pública, “mas quem controla a chave do processo de interpermutação é o jornalista” (DE OLIVEIRA, 2007, p. 15).
Os pesquisadores-coordenadores dos INCTs foram convidados ainda a opinar sobre como entendem o papel de agente público na divulgação científica para o cidadão, como percebem a qualidade do que é publicado na mídia sobre ciência e tecnologia e se encontram alguma dificuldade para informar o resultado das suas pesquisas para a sociedade (Gráfico 3 – perguntas “a” a “e”).
Gráfico 3 - Perfil da relação ciência e mídia
A maioria dos pesquisadores dos INCTs (96,3%) entende “como senso de dever” fazer divulgação científica pela mídia e apenas 3,7% discordaram parcialmente desta proposição, conforme apontado no resultado da pergunta “a” do Gráfico 3. A divulgação neste segmento compõe os objetivos dos institutos nacionais e pode ser compreendida como comunicação pública da ciência, iniciativa em que agentes da sociedade divulgam ações de interesse público com foco no cidadão (MATOS, 2007). O senso de dever ainda não se materializou em comunicação ao cidadão porque ainda há institutos que não realizaram divulgação científica, conforme levantamento dos relatórios, se compararmos o indicado nas respostas da pergunta “a” do Gráfico 3 com os dados da Tabela 5 (p. 108). As notícias publicadas em veículos de comunicação para massa ainda são reduzidas.
Gráfico 3 - pergunta a
Cerca de 85% dos pesquisados procura encontrar tempo para atender os jornalistas, tendo 26,7% para os que concordam totalmente, 57,7% concordam, 11,5% discordam parcialmente e 3,8% não acham que devem sempre abrir espaço para atender a mídia, de acordo com o resultado da pergunta “b” do Gráfico 3.
Gráfico 3 - pergunta b
Duas perguntas buscaram identificar se havia algum impedimento de capacitação ou competência e falta de infraestrutura profissional que se transformassem em obstáculo ao instituto no processo de comunicação pública da ciência.
Como podemos constatar no resultado da pergunta “c” do Gráfico 3, 76% dos institutos afirmaram saber como fazer divulgação científica e 24% indicaram ter algum tipo de dificuldade. Um participante da pesquisa ressaltou que alguns resultados envolvem sigilo o que impossibilita a divulgação.
Gráfico 3 – pergunta c
Já na pergunta “d” do gráfico 4, a questão buscava levantar se “não realiza ainda divulgação para o público leigo pela imprensa porque não tem estrutura profissional para desenvolvê-la adequadamente”, 68,7% discordaram da pergunta, portanto dispõe de profissionais, embora podem ser os próprios integrantes da equipe de pesquisa e não os jornalistas; 27,2% concordam não ter estrutura profissional adequada e 4% discordaram parcilmente da afirmativa.
Gráfico 3 – pergunta d
Ao examinar os relatórios, resolvemos investigar se os institutos nacionais já estavam presentes na internet e identificamos que 42 INCTs tinham sites próprios. Um site estava vinculado ao laboratório da universidade, um segundo em construção, outro optou pelo formato blog e seis ainda não possuíam o veículo.
Diante do número expressivo de sites institucionais, tivemos a intenção de verificar, por meio do questionário, se os institutos nacionais preferiam publicar os resultados das pesquisas em seus sites próprios a contatar a imprensa. Em torno de 45% discordaram parcialmente desta afirmativa (pergunta “e" Gráfico 3), o que nos levou a inferir que tanto publicam os resultados no site quanto fazem a divulgação pela mídia.
Gráfico 3 – pergunta e
No entanto, entendemos que a avaliação tem pouca profundidade e carece de elementos para determinar uma tendência, principalmente quando nos deparamos com o índice de 27,3% de respondentes que priorizam divulgação na mídia e igualmente 27,3% que divulgam preferencialmente nos seus sites próprios.
Para Bueno (2010, p. 5), os cientistas têm “dificuldade em se comunicar com o público leigo, porque isto implica alterar o nível do discurso e/ou simplificar certos processos ou conceitos”.
Com a popularização da internet, os agentes públicos passaram a construir conteúdos, num ambiente em que pode sair do anonimato para a visibilidade em rede, a esfera privada se funde à pública, criam-se novos espaços de debates e quebram-se barreiras de espaço, tempo e geografia (BARBOSA; CASTRO, 2005). Estes autores afirmam que estamos diante de uma nova ordem tecnológica, em que os sujeitos se manifestam por meio da interatividade nos meios de comunicação, internet ou mídias móveis.
Chaparro (2004) afirma que os agentes considerados fontes agora são capazes de produzir notícias e que a força deles não está na quantidade de releases distribuídos e na frequência de entrevistas concedidas. Para este autor, o jornalismo enfrenta a quarta grande transformação na profissão, a revolução das fontes, e
acrescenta que “o poder das fontes está na capacidade adquirida de produzir conteúdos noticiosos, embutidos em acontecimentos recheados de ingredientes jornalísticos”. Sobre as transformações no jornalismo, o autor enfatiza:
[...] cada uma delas vinculada a um determinado momento tecnológico ou político-cultural da civilização moderna: a revolução da notícia, que o telégrafo viabilizou; a revolução das tiragens, na fase da industrialização, com a rotativa, a linotipo e a zincogravura; a revolução da reportagem literária, nos ventos democráticos do pós-guerra; e, agora, a revolução das fontes, sob o impulso das tecnologias de difusão (as tais que criaram a possibilidade da notícia em tempo real, com instantaneidade universal) e da acelerada institucionalização das sociedades. (CHAPARRO, 2004).
Contudo, mesmo com a crescente popularização da internet, a publicação dos resultados de pesquisas em ciência e tecnologia em sites próprios dos INCTs não atinge o objetivo definido na chamada de projetos no que se refere à divulgação científica para o cidadão. Os sites institucionais são uma mídia restrita, mas também os agentes públicos vinculados à ciência e tecnologia são pouco conhecidos pela população brasileira para serem transformados em fontes via web.
A pesquisa Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil (2010), já mencionada, mostrou que apenas 12% dos entrevistados citaram o nome de algum cientista brasileiro e somente 18% mencionam o nome de uma instituição científica nacional. Os cientistas mais lembrados são Oswaldo Cruz, Carlos Chagas e as instituições mais citadas são:
Tabela 5 – Conhecimento sobre instituição científica no país
Fonte: Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil (2010).
Para os pesquisadores-coordenadores dos INCTs, os jornalistas brasileiros hoje estão mais bem preparados para lidar com assuntos de ciência e tecnologia, na visão de 60% dos participantes da pesquisa, embora 34,8% tenham afirmado que
Butantã 23,5 %
Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz 12,1 %
Petrobrás 8,8 %
USP 6,9 %
UNICAMP 3,9 %
Fundação Carlos Chagas 3,5 %
EMBRAPA 3,4 %
estão parcialmente capacitados e 4,3% não estão em condições de realizar a atividade, de acordo com o resultado disponível na pergunta “f" do Gráfico 3.
Gráfico 3 – pergunta f
A pergunta aos participantes tinha como objetivo verificar o que a literatura aponta como problema na interação ciência e mídia, centrado na deficiente capacitação dos jornalistas. Embora a pesquisa tenha indicado tendência pela credibilidade nos jornalistas em razão do aporte de 60% dos pesquisadores já confiarem na melhor competência, convém ressaltar que os que ainda não computam credibilidade podem se situar no que aponta Bueno (2010), em concordância a De Oliveira (2007), que o problema está na falta de capacidade para desenvolver o processo de decodificação ou recodificação do discurso especializado. Outro fator pode estar também no processo de produção jornalística, que opera de acordo com os critérios de noticiabilidade e valores-notícias (WOLF, 2003) com inclinação para “privilegiar a espetacularização da notícia, buscando mais a ampliação da audiência do que a precisão ou completude da informação” (BUENO, 2010, p. 4).
Quando estávamos na fase de análises dos dados desta dissertação, tivemos a oportunidade de acompanhar o 4º Encontro Mídia e Ciência Jornalismo Científico e a Popularização da Ciência, no final de novembro de 2011, em Brasília. Observamos que as diferentes terminologias utilizadas para designar a comunicação pública da ciência por meio da divulgação para o cidadão tinham surgido no discurso dos presentes e chegou a ser mencionada, embora sem aprofundamento, por um dos jornalistas palestrantes, assunto exposto no nosso estudo em 2.1 - CONCEITOS E DEFINIÇÕES.
O presidente do CNPq, Glaucius Oliva, também palestrante no evento, apresentou o novo módulo que será incorporado ao Currículo Lattes56, segundo ele em 2012, com o objetivo de "valorizar e avançar na divulgação científica, como parte da atividade integral do trabalho do pesquisador" (OLIVA, 2011). Além do registro da
56 A Plataforma Lattes é a base de dados de currículos, instituições e grupos de pesquisa das áreas
produção científica, tecnológica e artística, informado pelos integrantes da base de dados, quem for preencher ou atualizar o Lattes se deparará com a "aba" Popularização de Ciência e Tecnologia, cujo conteúdo será considerado pelas agências de fomento na avaliação das solicitações de bolsas e auxílios à pesquisa. Neste espaço, poderão ser inseridas informações sobre a publicação de artigos completos, livros e capítulos de livros de divulgação científica para o público leigo; textos em jornais e revistas; entrevistas na mídia; produção audiovisual; desenvolvimento de material didático, organização de eventos de divulgação científica; produções cênicas e de artes, com link para o produto, entre outras.
Outra medida anunciada pelo CNPq será a inclusão do campo "Divulgação do projeto" nos relatórios técnico-científicos que os bolsistas e pesquisadores do CNPq precisam apresentar sobre atividades desenvolvidas. Os cientistas terão que informar a importância da pesquisa que estão realizando em linguagem simples em até 4 mil caracteres. Esta parte do relatório ficará disponível em banco de dados aberto à consulta pública e a intenção é que seja uma opção de fonte de informação para os jornalistas, pois há necessidade de "formar o cientista para falar com as pessoas” (OLIVA, 2010).
Assim, considerando o estudo aqui apresentado, podemos afirmar que há um esforço de comunicação pública da ciência por parte dos INCTs e dos atores sociais envolvidos, contudo não ainda o suficiente para que a ciência se incorpore à agenda pública da sociedade e aumente a sua presença junto ao cidadão, contribuindo com a alfabetização científica da população.
Os dados demonstraram que ações na mídia ainda são muito tímidas entre os INCTs. Observamos ainda que o entendimento conceitual sobre o que é comunicação pública da ciência não é um consenso entre os estudiosos e, por conseguinte, esta dificuldade estende-se entre os atores da ciência, principalmente os pesquisadores quando classificam atividades de divulgação da ciência com ações atinentes à educação superior.
Por outro lado, foi possível identificar uma multiplicidade de iniciativas de divulgação científica desenvolvidas por alguns INCTs destinadas ao público leigo. É importante ressaltar que o cidadão, em concordância com Luhmann (2005), deve ter a “oportunidade de extrair da oferta aquilo que lhe convém ou aquilo que em seu meio acredita precisar saber”.
6 CONCLUSÕES
“Uma das maiores recompensas do meu trabalho tem sido aprender, tentando ensinar. E uma das maiores alegrias é quando escrevo por sugestão do leitor, o que não é raro, mesmo quando a pergunta está longe de minha imediata cogitação; isso me obriga a enveredar por um caminho novo, fazer meu aprendizado e transformá-lo depois em ensinamento.” José Reis (1982) Como vimos nesta dissertação, a disseminação do conhecimento em diversos momentos esteve na pauta de muitos pensadores e cientistas, seja por questões vinculadas ao poder, intra ou extramuros da academia, seja devido a situações econômicas.
No século XVIII, a aristocracia e classe média tinham interesse nas descobertas da ciência e, portanto, a comunicação também era realizada nos "palácios, na corte, nos cafés e nos bares". Os cientistas faziam divulgação científica para legitimar suas pesquisas porque a ciência experimental para ser aceita precisava de testemunhas. A partir daí, a ciência passa a assumir funções como força produtiva e mercadoria e assume papel estratégico não somente na formação cultural, mas também política e econômica.
A expansão da ciência e tecnologia caminha paralelamente a iniciativas de divulgação científica. No Brasil, há registros destas atividades nos últimos dois séculos, intensificadas paulatinamente a partir de 1920. Da chegada da família real ao país, no século XIX, até os primeiros anos do XXI, indicadores apontam que o Brasil apresenta uma estrutura de desenvolvimento da ciência e tecnologia e já alcança patamares de qualidade, como vimos no capítulo 2 (ver p. 37).
Observamos também que, ao delinear alguns marcos da divulgação científica no Brasil, foi possível constatar que o Estado, instituições públicas e pesquisadores, mesmo que de forma isolada, esporádica e sem organização, procuraram fomentar ou executar ações para levar a ciência à sociedade. Contudo, de acordo com o apresentado no nosso estudo, somente a partir dos anos 2000 o governo federal incluiu em seus documentos de políticas de ciência e tecnologia ações de melhoria e
ampliação da educação e divulgação científica para a sociedade. Já se consegue identificar que há sinalização de classificação da popularização da C&T e melhoria do ensino de ciências como ação estratégica para o desenvolvimento social da ciência, tecnologia e inovação.
Nesta linha, uma das iniciativas do governo federal quando da implantação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, coordenados pelo CNPq e apoiados por diversos parceiros, foi a inclusão na chamada de projetos que estes grupos de pesquisas deveriam estabelecer programas que contribuíssem para a melhoria do ensino de ciências e com a difusão da ciência para o cidadão comum. Estas ações de difusão deveriam ser conduzidas pelo próprio INCT.
Nossa dissertação teve o objetivo geral de conhecer como se processa a comunicação pública da ciência na relação entre os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e a sociedade por meio de um estudo de caso, previsto nos Procedimentos Metodológicos (ver p. 32).
Neste sentido, iniciamos o trabalho procurando caracterizar conceitualmente a atividade do pesquisador em divulgar ciência como esforço de comunicação pública, conforme discussão apresentada no capítulo 3 (ver p. 55).
A comunicação pública coloca-se no espaço de socialização entre todos os segmentos da sociedade como produtores ativos do processo que se realiza na esfera pública, ambiente de expressão e de mediação em que ocorrem as trocas de informação, os conflitos, as negociações, as relações entre emissor e receptor.
Apresentamos uma atualização ao conceito de esfera pública, proposta por Breese (2011), que se refere ao termo “esferas públicas” para definir a multiplicidade de públicos, instituições, grupos e meios de comunicação, que atuam na sociedade por meio de seus discursos, ações, representações e críticas.
A autora classifica o termo em esfera pública política e esfera pública civil. Na primeira, inclui os movimentos sociais, meios de comunicação que monitoram e criticam o Estado e grupos que atuam politicamente. Já na civil, incluem-se associações e organizações não-governamentais.
Independentemente de adotar o conceito "esfera pública" ou "esferas públicas política e civil", este último defendido por Breese (2011), compreende-se que há espaço na sociedade para incorporar a diversidade de públicos e atores, culturas, convicções e ideologias, transitando entre o campo político e civil, e que podem
eventualmente migrar de um grupo a outro. O elemento que os põem em relacionamento é a comunicação.
Identificamos ainda que os emissores da comunicação da ciência na sociedade são vários, como os cientistas, as instituições às quais estão vinculados, os educadores, os agentes públicos (dirigentes e comunicadores), os jornalistas e o próprio cidadão entre outros. Mediante esta diversidade de agentes, compreendemos os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia como agentes públicos da comunicação da ciência por terem como pré-requisito realizar a educação e divulgação científica para a sociedade, podendo assim colaborar na ampliação do debate sobre as políticas e projetos a serem apoiados para o setor.
Parece consenso que a comunicação pública da ciência, segundo a discussão apresentada neste estudo, contribui para a formação cultural, educacional e política dos cidadãos, como também se coloca como uma necessidade da própria ciência. Entretanto, o conceito e os campos de abrangência do que é a comunicação entre ciência e sociedade precisam estar mais bem estabelecidos entre os especialistas da área.
Encontramos diversos termos para identificar a comunicação da ciência para o público. Apontamos, entre eles, a alfabetização, alfabetização científica, compreensão pública da ciência, comunicação científica, comunicação pública da ciência, cultura científica, difusão científica, disseminação científica, divulgação científica, educação científica, jornalismo científico, popularização da ciência, percepção pública da ciência, vulgarização da ciência, entre outros.
Para fins deste estudo, adotamos o termo divulgação científica caracterizada como comunicação pública da ciência, como processo de levar o conhecimento para o cidadão, tendo em vista ser o mais utilizado no governo federal, nas instituições científicas e universidades.
A falta de entendimento em relação aos termos pode estar levando os pesquisadores-coordenadores dos INCTs a juntar comunicação científica para intrapares e extrapares, que são finalidades do ensino superior - ao indicar, por exemplo, a apresentação de trabalhos ou resultados em eventos científicos e publicação de artigos em revistas especializadas - como educação e divulgação da ciência para o público leigo, o cidadão não especialista. Consideramos que esta dificuldade vai ao encontro de uma de nossas hipóteses iniciais, pois a indefinição
do que representa a atividade de comunicar a ciência para o cidadão pode contribuir para gerar obstáculos no relacionamento com a mídia e os demais públicos.
Nosso estudo buscou tratar como sistemas o mundo da ciência, da mídia, que também são atores sociais, e também da sociedade, tendo em vista que o governo toma a C&T como um sistema – o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia - como vimos na p. 50. Procuramos entender o processo de comunicação entre os atores da ciência, envolvendo agências de fomento, universidades, instituições de centros de