A comunicação, ao mesmo tempo verbal e não verbal, constitui uma vasta rede que liga os indivíduos entre si, valendo considerar a sincronia ou a sinergia das forças que agem na vida social. O indivíduo não pode existir isolado, estando ligado pela cultura, pela comunicação, moda ou lazer a uma comunidade (Mafesoli, 2006).
Em grande parte do período em que permanecem on-line, os jovens frequentam as redes sociais. São sites onde as pessoas criam perfis ou páginas pessoais para interagir com outros. Recuero lembra que essa perspectiva reforça a dinâmica de uma sociabilidade em rede.
A grande diferença entre redes sociais e outras formas de comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulação das redes sociais, a manutenção dos laços sociais estabelecidos no espaço off-line. (2009, p. 102)
O interesse pelas redes sociais vem crescendo no decorrer dos anos. A revista Veja (05-10-2011), em sua capa, provoca os leitores sobre o rápido crescimento da rede social Facebook, chamando seus usuários de “Geração F”. A matéria afirma que o Facebook vem crescendo sem parar; os 598 milhões de usuários mundiais que, em agosto de 2010 passavam em média quatro horas e 27 minutos, evoluíram para 753 milhões em agosto de 2011 e já ficavam em média seis horas e 16 minutos online no site. Só no Brasil, em agosto de 2010, havia nove milhões de internautas e, um ano depois, o número cresceu para 28,6 milhões de usuários.
A pesquisa da Revista Veja (ver anexo) também garante que diariamente os usuários do Facebook publicam 250 milhões de fotos, comentam ou curtem dois bilhões de posts e interagem com 900 milhões de páginas individuais, eventos e comunidades.
As redes sociais são ferramentas de relevante papel nos processos comunicacionais, por possuir capacidade informacional, interativa, colaborativa e viral16. Existe a possibilidade de a informação trafegar pela Web e formar conteúdos colaborativos, que são construídos coletivamente em rede e mais tarde pode sem difundidos, compartilhados e, ainda, passar por um processo de viralização, por sujeitos que acham interessantes as postagens e as distribuem por suas redes de contatos.
Além disso, as redes sociais também apresentam a capacidade de atualizar o interesse pela interação na discussão sobre “cooperação online e comunidades virtuais”. Esses grupos têm a capacidade de agregar sujeitos que se conheciam previamente ou não e que podem trocar ideias, além de intercambiar informações sobre diversas problemáticas (PRIMO, 2007). Já Cardozo (2008, p.6) entende que as redes “representam um conjunto de participantes autônomos, unindo ideias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados”.
As comunidades que emergem dessas redes, muitas vezes, sem uma autoridade central, possibilitam interação, mesmo que anônima, e talvez até cooperação ou também algum tipo de conflito.
Primo (2007), sob a luz de Irving Janis, nos traz o conceito de
Groupthink17, definido como:
“um modo de pensar em que as pessoas se engajam quando estão profundamente envolvidas com um grupo muito coeso e, quando os membros buscam unanimidade, passam por cima de sua motivação de avaliar realisticamente alternativas de curso de ação” (PRIMO, 2007, p. 209).
Os sintomas do Groupthink são, principalmente, a racionalização coletiva, ilusão de unanimidade e visão estereotipada sobre oposições externas. Buscando aproximar o conceito de sociabilidade mediada pelas redes digitais,
16 A viralização de conteúdos corresponde à utilização das redes sociais para a realização de distribuição de maneira exponencial de conteúdos, correspondente a uma epidemia.
remetemo-nos à ideia de que o que nos parece ser uma opinião individual é, de fato, a opinião de tal grupo ao qual pertencemos (Mafesoli, 2006).
No espaço das interações mútuas, há a possibilidade de embate de ideias mediado pelo computador. O palco das manifestações da livre expressão de ideias pode ser blogs, chats, MSN18, ou até as redes sociais. Há, nesse espaço, embora não seja obrigatória, a possibilidade de contestar, discordar e dar impressões pessoais a respeito de qualquer assunto. A interatividade permite que, mediante comentários, as opiniões sejam discutidas por outros internautas que acessam diariamente as redes ou os blogs, criando fóruns de discussões sobre diversos assuntos (PRIMO, 2007).
Ao nos apropriarmos o conceito de Groupthink, propomos o seguinte exemplo: se antes do advento das redes sociais, um aluno para informar- se sobre uma Instituição de nível superior necessitava realizar uma chamada telefônica, esperar o atendimento, deslocar-se até a faculdade; ou ainda, por email, esperar que o mesmo fosse respondido em outro momento, atualmente a comunicação é imediata e com amplitude coletiva. Utilizando de mídias como
Twitter ou Facebook a mesma mensagem enviada a uma universidade é replicada
a todos os seguidores do autor da questão, provocando reações em cadeia, cujo volume e relevância podem ser avaliados ao mesmo tempo por emissores e receptores. Dessa maneira, conseguimos visualizar como o “pensamento do grupo” pode ser reconhecido e dissipado pelos contatos.
Tanto a agilidade quanto o envolvimento coletivo são primordiais para o modelo de participação do ator social que navega na internet e interaje em redes sociais. Diferentes dos modelos analógicos de comunicação que não garantiam a convergência dos meios e que atualmente abrem caminho para a participação dos públicos.
18 O Messenger (MSN) é um programa que permite visualizar contatos cadastrados em uma lista pessoal e que possuem o mesmo programa instalado. Para conversação, é necessário estar conectados e disponíveis. Existem outros programas que também têm o mesmo modo de ação, Google Talk, ICQ e também no bate-papo do Facebook, entre outros. Esses programas se diferem dos emails, pois permitem conversas instantâneas.
Sobre essa construção coletiva de conteúdos, Jenkins propõe a “cocriação” como mais uma instância que interfere na criação de conteúdos, para o autor:
Na cocriação, as empresas colaboram desde o início para criar conteúdos considerados adequados a cada um dos setores, permitindo que cada meio de comunicação gere novas experiências ao consumidor e aumente os pontos de acesso à franquia. (JENKINS, 2009, p.149)
Poderíamos, aqui, mostrar um exemplo de como a cocriação pode ser aplicada para mobilizar os pré-vestibulandos a interagir dentro de comunidades ou redes, expondo opiniões acerca de suas escolhas, de qual curso prestar vestibular e em qual instituição e, assim, mobilizar o grupo a entrar em sites e interagir em rede com as IES, propondo aos amigos, que o sigam também de maneira presencial, acompanhando suas escolhas e escolhendo as mesmas instituições.
A interação do público “cliente” com a instituição ocorre por meio da oportunidade de os futuros estudantes inserirem conteúdo ou comentários nos blogs e redes sociais das IES, uma vez que ao participar, fazem uma divulgação da faculdade/universidade de forma simultânea e gratuíta.
Dessa maneira, o uso das redes sociais tem relevante função na disponibilização e uso dos recursos interativos. Contribuem para aumentar a agilidade na comunicação e facilitar o monitoramento das audiências. Mas têm ainda uma função mais importante: por meio delas, é possível não apenas avaliar a repercussão imediata das comunicações das instituições, mas também acompanhar as reações do público e, se a dinâmica permitir, sugerir variações nos cursos e outros departamentos da organização, em resposta aos apelos ou recusas da audiência. De alguma forma, poderíamos concluir que se trata de uma inversão (ainda que temporária) de poderes, quando se permite ao público receptor interferir e propor novos conteúdos midiáticos.
Discutir o conceito e as vantagens do uso de recursos interativos, principalmente em redes sociais é importante para este trabalho, adverte-se que ela deve ser considerada num contexto de convergência midiática capaz de aprofundar interações entre receptores e produtores, a ponto de torná-los “parceiros” num processo de comunicação que tem este viés mercadológico e
deve debater as novas formas de comunicação das faculdades/universidades para com seus futuros alunos.
Como o foco específico desta pesquisa são as interações nas redes sociais Twitter e Facebook, acredita-se ser necessária maior compreensão das características destas redes.
A rede social Twitter (www.twitter.com.br), criado nos Estados Unidos, em março de 2006, e lançada no mercado em 2007, é um dos microblogs mais populares no Brasil.
Sua principal característica é a simplicidade de comunicação, que permite postagens de mensagens de no máximo 140 caracteres, além de admitir a divulgação de links, fotografias e até vídeos. A mensagem neste microblog é chamada de twett, é distribuída do emissor, para todos os que o seguem e estes possuem a capacidade de compartilhar a informação para outros contatos (retwett), podendo inclusive “viralizar” até mesmo para outras redes sociais.
É possível, no Twitter, que pessoas que não tenham relacionamento direto com a pessoa ou empresa possam seguir seu perfil, e que este seja alimentado pelos conteúdos desta marca ou sujeito.
A facilidade de utilização, formato simples e potencial de viralização, faz com que grande parte das instituições de ensino superior de Brasília, recorra ao Twitter, um canal que caiu na preferência dos jovens. As instituições ao utilizar este canal podem criar um importante meio de comunicação com seus públicos, e possivelmente consiga uma interação mais ágil com formadores de opinião, seus consumidores e futuros clientes.
O Facebook também é outra rede social onde atuam as IES da capital federal. Esta rede, criada em 2004 por Mark Zuckerberg na Universidade de Harvard nos EUA, tinha como objetivo principal a interação entre os alunos desta instituição estadunidense. O resultado foi além do esperado. O Facebook caiu no gosto popular e tornou-se a rede mais utilizada atualmente no Brasil.
Essa mídia social possibilita a interação via troca de mensagens instantâneas entre amigos, conhecidos, colegas, familiares, etc. O Facebook,
assim como o Twitter, permite a inserção de fotografias, vídeos, músicas e mensagens escritas que podem ser “curtidas” e compartilhadas pelos contatos.
O usuário tem a possibilidade de personalizar a interface (Linha do tempo) e utilizar-se no mesmo ambiente de diversos aplicativos, como os de jogos. As páginas são criadas conforme a preferência de cada sujeito, que adiciona e forma grupos conforme sua vontade.
O Facebook pode ser utilizado como uma ferramenta de estratégia de comunicação organizacional, uma vez que une uma série de ferramentas e que se aplica a fixação de marca, divulgação de mensagens, acontecimentos, fotografias, conteúdo colaborativo e vídeos institucionais e principalmente como instrumento para o relacionamento com os diferentes públicos.
“A partir do momento que uma organização abre seu canal e estabelece comunicação com outras pessoas o monitoramento se torna fundamental para sua marca. Isso permite mensurar, por meio de análises quantitativas e qualitativas, traçar o perfil dos usuários, identificar oportunidades dentro dos ambientes virtuais e prever ameaças às marcas é parte importante na tomada de decisão fundamental para organizações que buscam espaço na rede” (GOMES, 2011, p.82).
No âmbito empresarial, as instituições podem utilizar-se do
Facebook para promover-se e criar discussões sobre suas informações.
Ao imaginarmos que os dispositivos móveis tão utilizados pelos adolescentes permitem que, quando conectados a internet, os jovens possam atualizar a qualquer tempo as redes sociais e compartilhar conteúdo, no caso das IES, permite-se uma forma de comunicação muito próxima do público consumidor, que pode, por exemplo, “curtir” as postagens das faculdades e de certa maneira influenciar o seu grupo de contatos, tudo isto em tempo real.