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Summary and Conclusion

6.1 Limitations and Areas of Further Research

Gostaríamos de iniciar este último capítulo relembrando cada um dos objetivos traçados e apresentando todas as considerações e conclusões a que pudemos chegar após a realização de todas as etapas desta dissertação. Discutiremos, primeiramente os objetivos específicos conforme as respostas que esse trabalho nos permitiu alcançar, para, posteriormente, verificarmos se o objetivo geral foi, também, devidamente contemplado. Lembramos que o objetivo geral dessa pesquisa era apresentar uma análise, à luz da Teoria da Otimalidade, do comportamento das vogais médias em posição pretônica nos dialetos das regiões Sul e Norte de Minas Gerais.

Isso posto, passamos a discutir, primeiramente, as conclusões a que as análises dos dados nos permitiram chegar. Na região Sul, podemos ter duas situações que determinam a escolha do falante, ou seja, ou o falante preserva a estrutura dada pelo input, e assim temos a presença de vogal média-alta, ou o falante alça a vogal média-alta em posição pretônica, e assim temos a ocorrência de vogal alta. Esse alçamento parece ser determinado por um processo de redução vocálica, uma vez que não é necessária a determinação de um ambiente fonológico para que haja a aplicação de tal processo. Nesse dialeto não se verifica a presença de vogal média-baixa em posição pretônica. Isso se deve ao fato de o falante ordenar a restrição IDENT [ATR] na posição mais alta do ranqueamento e, desse modo, evitar a

produção desse tipo de vogal. A escolha entre a preservação da estrutura e a redução vocálica é determinada pela interação entre as restrições IDENT (HEIGHT)e*MID.Na primeira situação,

a restrição IDENT (HEIGHT)deve ser ordenada acima de *MID, e no segundo caso, ordenada abaixo.

Na região Norte, a variação entre as produções dos falantes é maior. Para um input como ‘m/o/eda’, por exemplo, poderemos ter até três outputs possíveis, ou seja, m[o]eda, m[u]eda e m[]eda. Nesse caso, atuam, respectivamente, a preservação da estrutura, a redução vocálica e a harmonia vocálica. Assim como ocorre em relação à região Sul, para os dois primeiros processos, observam-se os mesmos ordenamentos.

Já em relação à harmonia vocálica, esta ocorre somente quando na sílaba tônica do input observa-se a presença de uma vogal média-baixa. Nesse caso, a vogal média-alta da sílaba pretônica assimila o traço [-ATR] da vogal média na sílaba tônica, tornando-se média- baixa. Atua na determinação desse processo a restrição AGREE,ranqueada acima de todas as

demais, uma vez que esse processo, na região Norte, é bastante produtivo.

A neutralização, por sua vez, não apresenta a mesma produtividade da harmonia, estabelecendo-se, também a partir de contextos fonológicos bem delimitados, que são os seguintes: o fato de a vogal da sílaba subseqüente à da vogal média ser baixa; o fato de a sílaba pretônica ser fechada pelo arquifonema /R/; sílaba tônica constituída de /eN/ ou /oN/.

Esse processo teve uma recorrência menor que a preservação da estrutura, mesmo nos contextos observados acima. Ainda assim, constitui-se como elemento importante para a análise, uma vez que na região Sul, não se observa a ocorrência de vogal média-baixa em posição pretônica, qualquer que venha a ser o ambiente fonológico. Ao realizar vogais médias-baixas nesses contextos, o falante ordena a restrição *e/o abaixo apenas de AGREE,

embora, onde vier a ocorrer a neutralização, não virá a ocorrer a harmonia e vice-versa.

Contemplada devidamente a discussão dos dados, assim como a determinação dos contextos fonológicos que interferem na presença de uma ou de outra vogal, gostaríamos, agora, de ressaltar os diferentes tipos de variação encontrados. Interessantemente, tanto a região Sul, quanto a região Norte apresentam um nível de variação intradialetal que não poderia ser desconsiderado e, por isso, embora não fizesse parte, inicialmente, do trabalho a

ser realizado, esse fenômeno foi devidamente discutido à luz da TO, seja através da vertente clássica, seja através das abordagens variacionistas. Percebeu-se que, na região Norte, o nível de variação intradialetal é maior que o da região Sul.

A análise da variação interdialetal ficou prejudicada essencialmente pelo fato de as regiões em estudo possuírem sistemas diferentes, em que as restrições não eram totalmente compartilhadas pelos dois dialetos.

Em relação à aplicação da TO clássica aos dados de variação, depreendeu-se que a vertente clássica da teoria não é capaz de explicar devidamente esse fenômeno, por esbarrar em problemas que ferem princípios básicos, tais como a necessidade de estabelecer dois outputs e a dificuldade de fazê-lo a partir de um ordenamento estrito das restrições.

A abordagem proposta por Anttila & Cho (1998), por sua vez, estabelece uma flexibilidade maior a partir dos ‘ranqueamentos múltiplos’, permitindo contemplar todas as possibilidades apresentadas pelos dados. Tem, todavia, como problema principal, o fato de não determinar a freqüência diferente de ocorrência entre duas variantes, por exemplo. Assim, a obtenção de dois outputs através dessa vertente parece estabelecer que o nível de ocorrência de cada um deles é de 50%, o que não é verdade.

A abordagem de Coetzee (2005), por sua vez, apresenta mais defeitos que virtudes. Essa versão propõe um ordenamento entre os candidatos, buscando estabelecer uma colocação entre todos os candidatos possíveis numa determinada língua. Embora tenha a virtude de não ferir nenhum princípio básico da teoria, essa abordagem se mostra tão “engessada” quanto a TO clássica, especialmente por dois aspectos. O primeiro deles refere- se ao ‘ponto de corte’ que pode apresentar diferença de posição em nível intradialetal. Veja-se o caso, por exemplo, de sua posição no dialeto da região Sul de Minas. Além desse aspecto, quando a variação se dá entre três candidatos e a determinação de um deles, no caso da pesquisa em questão, daquele com vogal média-baixa, se dá através de dois processos

fonológicos distintos, essa abordagem não é capaz de apresentar uma explicação adequada para as escolhas do falante.

Embora tenhamos, ao final, apresentado a abordagem de Lee & Oliveira (2006a; 2006b) como uma proposta possível, não era intenção dessa pesquisa esgotar as discussões em torno dessa proposta. Ainda assim, pudemos observar que a mesma parece apresentar um poder explicativo maior que as anteriores, tendo em vista o fato de conseguir traduzir todas as possibilidades de variação através da produção de cada falante.

Sobre a teoria, concluímos que a alternativa dos ranqueamentos múltiplos demonstrou ser a mais eficaz para explicar fenômenos de variação como os discutidos nesta dissertação. Contudo, verifica-se a necessidade de abordagens ainda mais consistentes nesse campo e, ao que nos parece, a proposta de Lee & Oliveira (2006a; 2006b) caminha nesse sentido.

Finalmente, dado o objetivo geral, pudemos verificar que esse foi devidamente contemplado, ou seja, realizou-se neste trabalho uma abordagem da variação existente em relação à vogais médias em posição pretônica nas regiões Sul e Norte de Minas Gerais, devidamente pautada pela Teoria da Otimalidade. Ressaltamos, apenas, a importância de que outras pesquisas se realizem através de dados de fala natural, para apresentar uma freqüência mais precisa de alguns fenômenos, em especial, da redução vocálica.