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Limitation of the Study and Future Research Areas

Obtiveram-se os início e final das vogais os quais foram usados para calcular a duração de cada vogal ou sequência de vogais (v) e de consoantes (c), bem como a duração compreendida entre inícios de núcleos consecutivos. Esta última medição é descrita na literatura como a equivalente perceptiva da duração silábica (sil), uma unidade fundamental para a percepção da fala (Barbosa, 2006). É, por isso, relevante considerarem-se estas três unidades de duração – v, c e sil -visto que as crianças são sensíveis a padrões silábicos. Uma

vez que estas unidades são particularmente distintivas durante o período inicial de aquisição da fala (Bertoncini, Floccia, Nazzi, & Mehler, 1995), espera-se que as mesmas possam surjir com características distintas quando condicionadas pelo estímulo que as provocou (isto é, “Conversa” ou “Canção”). Ao mesmo tempo, entende-se que a combinação entre medidas vocálicas e medidas silábicas poderá fornecer uma caracterização rítmica mais fidedigna das produções vocais das crianças em resposta às duas condições de estimulação.

As características das vocalizações foram observadas a dois níveis. Interessou, em primeiro lugar, descrever a estrutura geral de cada produção vocal da criança, observando a sua duração, bem como o número de elementos constituintes e a velocidade de articulação vocal nas duas condições, ou seja, olhando o comportamento dos elementos segmentais. Em segundo lugar, procurou-se conhecer a natureza melódica e rítmica das vocalizações produzidas, através da análise de diversos parâmetros tonais e duracionais.

Alguns destes parâmetros utilizados na caracterização melódia e rítmica exigem a prévia verificação de um determinado valor mínimo noutras variáveis, como se detalherá mais à frente. Assim, a análise efectuada desdobrou o universo das vocalizações em duas sub-amostras. Assim, na análise dos elementos segmentais constituíntes das vocalizações foi utilizada a totalidade da amostra (N=662). No estudo das características melódicas e rítmicas das vocalizações, a amostra considerada tem dimensão N = 518.

Abaixo discriminam-se as medidas que foram analisadas nas vocalizações recolhidas.

Elementos segmentais. Apuraram-se a quantidade de tempo, medida em segundos, do

total de uma vocalização – durvocal – e a quantidade de tempo de uma vocalização descontando pausas entre fonações – durfonal. Foram contabilizados o número de núcleos por vocalização – nnucleos – e a duração média (em segundos) dos núcleos – dnucleos. Foi ainda apurada a velocidade da produção de fala / canto – ratenucleos – calculada a partir da razão entre o número de núcleos e o tempo total de uma vocalização.

Caracterização da altura dos sons e aspectos melódicos. A caracterização da altura

dos elementos de uma vocalização designa a determinação objectiva da sensação provocada pela frequência fundamental (F0 - em Hertz), a qual permite ordenar os sons do grave ao agudo. Consideraram-se as seguintes medidas deste parâmetro: minF0, medF0, maxF0, que representam, respectivamente, as frequências fundamentais mínima, média e máxima de cada vocalização. A determinação destes três patamares de F0 interessam, na medida em que poderão relevar diferenças na extensão vocal usada, numa e noutra condição de estimulação.

Em termos melódicos, o estudo efectuou uma análise do contorno melódico, próxima da percepção da sensação de altura do ouvinte.

A medida intradinF0 representa a percentagem do tempo em que a variação da frequência fundamental num núcleo excedeu o limiar de glissando1, isto é, em que a variação da frequência foi entendida como movimento ascendente ou descendente (no caso de vogais em que a variação da frequência ficou abaixo daquele limiar foram-lhes atribuídas um nível tonal igual ao valor tonal mediano); intraabsF0 e interabsF0 são, respectivamente, a soma das variações absolutas de F0 dentro dos núcleos e entre núcleos; allabsF0 representa o somatório das variações absolutas de F0registadas em intraabsF0 e em interabsF0.

Foi ainda calculado o índice variabilidade dos intervalos melódicos presentes numa vocalização – MIV (melodic interval variability). Esta medida pode denunciar diferenças na forma como os intervalos melódicos se sucedem numa mesma vocalização, face às duas condições de estimulação. Na equação abaixo, MIV equivale a 100 vezes o coeficiente de variação (CV) de interabsF0.

MIV=100´ CV

interabsF0

De acordo com Patel (2008), multiplicar o valor do CV por 100 permite situar a medida MIV na mesma gama de valores absolutos de outras medidas como o nPVI, cujo cálculo permite uma caracterízação dos aspectos rítmicos, como seguidamente se apresenta. Visto o índice se basear na análise da variação de intervalos melódicos sucessivos, só é calculado quando existem pelo menos dois intervalos e, portanto, um mínimo de três núcleos (nnucleos = 3).

Ritmo. Foi calculado um índice de variabilidade de intervalos acústicos, nPVI

(normalized pairwise variability index) para os núcleos (nPVIv), para os intervalos consonânticos (nPVIc) e para intervalos silábicos, ou seja, para o intervalo entre inícios de núcleos consecutivos (nPVIsil), para medir o contraste entre sucessivas durações. Esta medida pode revelar mudanças no comprimento dos elementos (vogal, consoante ou sílaba)

1 Limiar de glissando - G - trata-se de um limiar auditivo para a percepção da variação da altura. Depende da

amplitude (extensão) e da duração da variação frequência da fundamental (F0). É normalmente expressa em ST /

constituintes das vocalizações. Na equação abaixo, m é o número de núcleos por vocalização e dk é a duração do núcleo de ordem k.

nPVI = 100 m- 1´ dk - dk+1 dk +dk+1 2 k=1 m- 1

å

Este índice poderá ser compreendido mais facilmente através da Figura 3.1, que representa esquematicamente duas sequências de núcleos de duração variável (o comprimento de cada barra corresponde à duração do evento) (cf. Patel, 2008). Na sequência A, núcleos vizinhos tendem a ter um grande contraste duracional e, portanto, a vocalização registaria um nPVI alto. Considere-se agora a sequência B, que tem o mesmo conjunto de durações que a sequência A, dispostas segundo uma ordenação temporal diferente. Agora, núcleos vizinhos tendem a ter um contraste duracional baixo, conferindo à sequência um índice nPVI baixo.

A nPVI alto

B nPVI baixo

Figura 3.1. Sequências de núcleos de durações variáveis, de duas vocalizações A e B, representativos do índice nPVI (barras longas correspondem a durações maiores)

Assim, as duas sequências têm uma diferença acentuada no contraste duracional dos seus núcleos, embora tenham exactamente a mesma quantidade total de variabilidade duracional, tal como poderia ser confirmado pelo desvio padrão das durações. Simultaneamente, foi também calculado um segundo índice de variabilidade para intervalos acústicos (rPVI) diferente do anterior por prescindir do termo de normalização do denominador, conforme a equação abaixo indicada:

rPVI = dk - dk+1 m- 1 k=1 m-1

å

é ë ê ù û ú

Tal como o anterior, este índice foi calculado para intervalos vocálicos (rPVIv), consonânticos (rPVIc) e silábicos (rPVIsil). O facto de se utilizarem estes dois índices – nPVI e rPVI – para medir variabilidade nas mesmas unidades de duração permite aferir, a partir da robustez dos resultados que se apurarem, qual dos dois melhor caracteriza o ritmo das produções vocais infantis. Este índice, analogamente ao MIV, exige a verificação de um pressuposto básico para o seu cálculo. Uma vez que reflecte a variação das durações dos elementos de uma vocalização, é necessário que esta seja constituída, no mínimo, por dois núcleos (nnucleos = 2).