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3. Methods

3.2 Lifespan studies

81 Hermann Gunkel, Introducción a los salmos, p.199.204. 82 Hans-Joachim Kraus, Los salmos – Salmos 1-59, p.471. 83 Artur Weiser, Os salmos, São Paulo, Paulus, 1994, p.21.

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Neste momento tentamos abranger a possível data de origem do Salmo 23. Esta possibilidade não se refere à origem dos termos que nele se utilizam, e sim o nascimento da composição literária como poema.

Desde os primórdios, Israel possuía cânticos que eram utilizados nas festas nacionais (Ex 15,1-18; Sl 68). Estas canções eram entoadas no santuário central, ou seja, nas liturgias celebradas em Jerusalém após a construção do templo.84 É possível que para estas ocasiões se utilizassem livros de cantos próprios para o momento.

Anterior a essa concentração de material litúrgico reconhece-se o papel que desempenharam as pequenas comunidades locais na origem dos salmos e no processo de sua canonização. Foi destes grupos simples e familiares que mais tarde os santuários, o templo e as sinagogas herdaram as poes ias, maioria delas nascidas como hinos de ação de graças ou de lamentações em prol de um individuo ou de uma coletividade.85

Não obstante, um dos problemas que apresenta o livro dos salmos é o de determinar a data e a circunstâncias que deram origem a cada uma destas poesias. Isso pelo motivo de que sua linguagem poética fornece poucos dados em relação a sua situação histórica.

A possibilidade de que a coleção de salmos tenha sido agrupada no decurso de seis ou mais séculos nos confronta com uma diversidade literária produzida e contextualizada em épocas distantes. O controle histórico escapa de nossas mãos. Neste sentido, o saltério só representa uma pequena porção desses escritos, pois se reconhece a existência de salmos extrabíblicos.86

Esta situação, sabida pelos estudiosos do saltério, dá- nos a tarefa de explorar o texto com o objetivo de indagar sobre sua gênese. Nesta exploração, apóiam- nos, especialmente, os sinais históricos fornecidos pela análise literária e semântica.

84 Erhard Gerstenberger, Os gêneros dos salmos no Antigo Testamento – Introdução e salmos de lamentação – Salmos 22 e 88, p.7.

85 Erhard Gerstenberger, Os gêneros dos salmos no Antigo Testamento – Introdução e salmos de lamentação – Salmos 22 e 88, p.8.

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Alguns autores consideram que a maior parte dos salmos foi composta na época pré- exílica. Entre eles está Artur Weiser, apoiando-se no fato de que a coleção de salmos atribuída a Davi pertencia à tradição davídica do culto no templo antes do exílio.87 Erhard Gerstenberger também co nsidera que a coleção de salmos está destinada ao uso litúrgico, um fato que faz alusão à época anterior ao exílio.88

Um outro autor que vem a reforçar a nossa proposta de datação é Hans Strauss. Ele considera o Salmo 23 como uma confissão muito antiga, pré-exílica, de alguém que obteve asilo vitalício no santuário de Jerusalém.89

Além do mais, consideramos que a expressão “Javé pastor” (v.1) mostra um título que, em Israel, podia designar o rei.90 Neste sentido, não se pode comprovar a titulação de Javé como rei antes do período da época monárquica.91 Como o Salmo 23 também faz referência à “casa de Javé” (v.6), nos faz pensar que se trata do templo de Jerusalém, porque o texto evoca a tradição davídica.92

Além disso, com a expressão “casa de Javé” designa -se, no Primeiro Testamento, o templo de Javé em Jerusalém.93 As referências acerca desta “casa” mostram vinculação ao santuário terreno (Sl 26,8; 27,4). Mesmo que “casa de Javé” seja uma fórmula utilizada em textos exílicos e pós-exílicos (Is 2,3; 56,5; Mq 4,1), afirmamos que essa expressão, no Salmo 23, fala da época anterior ao exílio.

87 Artur Weiser, Os salmos, p.14.66.

88 Erhard Gerstenberger, Psalms – Part 1 with an introduction to cultic poetry – The forms of the Old Testament literature, p.29.

89 Hans Strauss, Comentário a salmos escolhidos, p.82.

90 John Mackenzie, Pastor, em Dicionário bíblico, São Paulo, Paulinas, 5a edição, 1997, p.697.

91 Antonius Gunneweg, Teologia bíblica do Antigo Testamento – Uma história da religião de Israel na perspectiva bíblico-teológica, São Paulo, Teológica/Loyola, 2005, p.191.

92 Consideramos que o principio dinástico nunca foi implantado no Reino do Norte, enquanto que em Judá foi

observado. Aqui, alguém era rei pela graça de Deus. Conferir: Roland de Vaux, Instituições de Israel no

Antigo Testamento, São Paulo, Paulus, 2003, p.127.

93 Ernst Jenni, Casa, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, Madrid, Cristiandad, vol.1,

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Queremos afirmar que o Salmo 23 mostra indiretamente uma época anterior à destruição do templo e anterior ao desterro. Isso, pelo fato que o texto carece da linguagem própria do momento do desterro ou do retorno. O texto, como vimos, não tem sentido de súplica nem mostra a nostalgia de quem está longe de sua terra ou com anseio de restauração. Tudo indica, na análise textual, que as celebrações litúrgicas no santuário central, chamado “casa de Javé”, não foram interrompidas pela potência babilônica.

Com estas alusões, queremos situar o Salmo 23 num período concreto da história, naquele que transcorre desde a monarquia até antes do exílio babilônico. Pelas circunstâncias, vemo- nos limitados a sugerir que o texto é pré-exílico.

Tendo em conta que, no contato com o Primeiro Testamento, os livros que se destacam em mencionar o termo “pastor” são do fim do período pré-exílico, exílico ou pós- exílico (Zacarias, Ezequiel, Isaías e Jeremias), poderíamos pensar que o Salmo 23 nasce num período não muito distante do exílio. Sendo assim, o título designado a Javé, “pastor”, seria uma terminologia empregada no momento.