5. Discussion
5.1 The Sodium butyrate study
Fechando a segunda estrofe, deixamos claro que esta sub-unidade de sentido está intimamente coesa com a primeira. Revela-se, com mais clareza, a simbologia do Salmo, que parece ser mais acentuada na primeira estrofe. Observamos que as frases de ambas se correspondem em assuntos de conteúdo, o que contribui à harmonia textual.
Nesta segunda estrofe, manifesta-se a confiança do salmista, baseada na presença de Javé. E também se observa que vão juntos na mesma caminhada, aquela que implica os trilhos da verdade em atenção ao nome de Javé. A presença do pastor mostra indícios de justiça. Justiça que tem a ver com a assistência a um pobre que busca amparo na casa de Javé, o pastor que ele considera seu rei.
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Uma vez no pátio do templo, que também pode ser considerado como o palácio de Javé, o salmista sente consolo. Esse consolo de Javé se torna eficaz porque se transmite mediante ações justas que libertam o pobre de seu tormento. Então Javé é um bom pastor. O consolo do salmista lhe vem com a abundante comida e a transbordante bebida, no lugar da fome que passava, e da certeza de saber-se fora do alcance das mãos criminosas com as quais ele estava endividado. Os agressores do salmista não podiam fazer- lhe nada porque ele estava refugiado no território de Javé, instituição sagrada.
As mostras de festas litúrgicas indicam um ambiente de alegria. O possível oráculo de salvação, que declara inocente o pobre refugiado, implica a toda a comunidade cultual. A cena mostra sinais messiânicos que evocam a comunhão dos justos.
Como conclusão da travessia, o salmista faz voto de manter vinculação e sintonia com seu pastor. Expressa que só a “bondade” e a “solidariedade” de Javé, experimentada na sua própria vida, são dádivas recebidas que lhe perseguirão enquanto exista. Pressupõe-se, neste sentido, uma repercussão comunitária. Pelas circunstâncias e a realidade que lhe envolve, o salmista também faz voto de morar para sempre na casa de Javé, porque onde poderá servir e onde de nada carecerá, nem nada temerá. O fato permitirá garantir sua vida, sua estabilidade e sua paz, longe dos inimigos.
CONCLUSÃO GERAL
Neste momento, convém deixar claras as principais convicções, assim como as dúvidas, que ficaram e que desafiam futuras investigações.
Este trabalho contém dois capítulos. No primeiro, fizemos uma pesquisa sobre a interpretação bíblica do Salmo 23 na América Latina. Situamos esta investigação dentro do
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contexto de nosso continente. Percebemos que uma das principais características do trabalho bíblico-científico latino-americano é a conjugação do rigor acadêmico com o mundo pastoral.
Apesar de que a América Latina possuir pouca bibliografia sobre o Salmo 23, consultamos alguns trabalhos concernentes a nosso objeto de estudo. Os autores: José Fonseca, Fidel Oñoro, Luís Stadelmann, Leonardo Boff, José Bortolini e Hans Strauss foram representantes do mundo acadêmico latino-americano cujo trabalho e pesquisa sobre o Salmo foram pontos de referência para nossa investigação.
Observamos que estes autores tinham finas intuições com relação ao Salmo 23, especialmente no que concerne a assuntos hermenêuticos. Em outro sentido, suas diversas interpretações sobre o mesmo objeto de estudo nos desafiaram. A situação provocou ainda necessidade de estudar o texto com rigor científico para poder oferecer uma proposta de leitura autônoma e, ao mesmo tempo, acreditada.
Com este panorama começou o segundo capítulo. Elaboramos uma exegese sobre o Salmo 23. Neste momento integramos vários autores europeus para que, em diálogo com alguns autores da comunidade acadêmica latina, contribuíssem com nossa investigação. Entres estes europeus se encontram: Erhard Gerstenberger, Hans-Joachim Kraus, Luis Alonso Schökel e Cecília Carniti. Como resultado percebemos que os dois campos acadêmicos contribuíram no desenvolvimento de nossa temática.
Esta segunda parte da pesquisa tentou ser uma contribuição exegética sobre o Salmo 23, um texto tantas vezes visitado. Pelo tipo de investigação, de caráter exegético, nos apoiamos principalmente no método histórico-crítico. Um método que facilitou tornar a interpretação do Salmo compatível com nossa circunstância latina.
Para lograr que este texto pudesse falar de si mesmo, com o maior realismo possível, fizemos vários passos. O ponto de partida foi traduzir o texto do hebraico para o português. Para esta tradução tentamos conjugar ser o fiel ao sentido original/literal ao
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fornecer uma tradução compressível à língua portuguesa. O resultado desta tradução permitiu uma melhor compreensão de cada um dos vocábulos do Salmo, aqueles que compõem cada uma de suas frases.
Quando estudamos a crítica textual do Salmo, a partir do aparato crítico da Bíblia Hebraica Stuttgartensia, pudemos ampliar nossa visão com relação ao texto objeto. Descobrirmos que o Salmo 23 tem termos que podem ser submetidos à crítica pelo fato que sua redação atual passou primeiro por vários copistas. As diferentes hipóteses entre os diversos manuscritos, especialmente na LXX, nos desafiaram no momento exegético.
Um outro passo que demos foi delimitar o Salmo 23. Aqui percebemos que o texto possui um lugar dentro do saltério e que esse lugar não é um acaso. O Salmo tem que ser entendido dentro de sua circunstância, dentro do conjunto dos salmos visinhos que lhe rodeiam. Entre os salmos que encontram certa relação com nosso objeto de estudo estão: Salmos 20; 21; 22 e 24. No entanto, deixamos claro que o Salmo 23 pode ser estudado como uma unidade literária independente.
Estudamos o Salmo na sua divisão interna. Descobrimos que, pela sua forma verbal, ele pode ser dividido em duas partes. Estas são os v.1-4a e 4b-6. Além do mais, percebemos que cada uma dessas sub - unidades possuía pequenas quebras, mas que não alteravam sua coesão textual.
Dedicamos tempo a estudar a poesia do texto, ou seja, o seu estilo. Aqui assinalamos também duas partes, que chamamos estrofes, (v.1-4a) e (4b-6). Percebemos que essas duas estrofes estão formadas por frases que se inter-relacionam significativamente. A poesia do Salmo se caracteriza, como as de seu gênero, pelo caráter de repetição de sentido de suas frases.
Após o estudo poético, consideramos o gênero literário. Afirmamos que o texto pertence ao gênero de canto de ação de graças: o Salmo 23 é um canto dedicado a Javé pastor por um motivo de agradecimento.
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Tentando nos aproximar do contexto vital do Salmo, percebemos que seu lugar imediato é o litúrgico. Seu nascimento tem a ver com uma comunidade litúrgica. Na busca de sua origem descobrimos uma situação de asilo. Uma pessoa pobre que tinha encontrado no pátio do templo de Jerusalém um lugar para refugiar-se.
Pela difícil condição que apresentam os salmos com relação aos sinais históricos, tentamos demonstrar que o texto apresenta possibilidades de ser pré-exílico. Entre estas possibilidades, assinalamos que o templo era utilizado como lugar de refúgio, fato que manifesta uma época anterior ao desterro babilônico e, por sua vez, que o Salmo carece de linguagem de súplica ou de nostalgia, próprias dos tempos de exílio ou pós-exílio.
Também foi difícil nos referirmos ao assunto da autoria. Mas, apresentamos o cabeçalho do texto, “salmo para Davi”, como um título colocado posterior à redação do Salmo. Sendo assim, deduzimos que o texto foi escrito por algum membro da comunidade litúrgica, de sensibilidade poética, inspirado na vida do asilado.
Como sentimos a necessidade de oferecer uma breve ambientação histórica que nos permita compreender melhor o texto, estudamos o templo de Jerusalém como lugar de refúgio. Aqui expressamos claramente que o santuário servia como lugar para asilar a pessoas que eram perseguidas por assuntos de vingança. O templo, como instituição sacra, era inviolável e nele não podiam entrar pessoas para agredir aos refugiados.
Depois, nos aproximamos dos assuntos de conteúdo. A exegese, neste momento, revelou o conflito específico que circunda o texto, afastando qualquer tipo de leitura fundamentalista do Salmo 23. Dar com essa controvérsia foi o ponto chave da interpretação, por ter fornecido várias linhas de pesquisa. Estas são: por que o salmista está no vale de trevas? Que acontece ali? Quem são os seus agressores? Por que ameaçam a vida do salmista? Qual é o verdadeiro significado das belas pastagens, as águas de descansos, assim como de todo o simbolismo que o texto apresenta? Como se inter-relacionam as
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diversas frases entre si? Foram perguntas como estas as que nos fizeram ir a busca e construir nosso conteúdo.
A partir desta perspectiva, percebemos que no interior do texto está a presença de um pobre perseguido, carente e desamparado, que no santuário de Javé encontra seu refúgio e sua salvação. Javé é pastor do salmista e, ao mesmo tempo, é seu rei. O templo é apresentado no texto como o palácio de Javé, o rei dos pobres.
Uma vez no território de seu rei o salmista não carece de nada, nem teme mal algum nem de necessidades vitais nem de agressores particulares. Pelas considerações experimentadas, e pela sua realidade pessoal, o salmista deseja morar na casa de Javé. De agora em adiante, só a bondade e a solidariedade lhe seguirão pelo resto de sua vida, e não os inimigos. Elas, talvez lhe sirvam como ponto de referência para sua estadia no templo, onde possivelmente se dedique ao serviço comunitário.
Em suma, o protótipo de pastor apresentado no Salmo é exigente. Denota uma acentuada diferença entre pastores que buscavam lucro, tentando servir-se das ovelhas, comer a sua carne e vestir-se com sua lã (Ez 34,9). O Salmo 23 revela para nós que Javé é o pastor dos pobres. Javé é o rei do consolo, do desamparado, que remedia, mediante ações concretas, o estado de carência e de tormento que lhe ameaça. Mas também este rei/pastor é quem dirige o seu protegido, pelos caminhos de justiça, em consideração a seu nome. Javé e o salmista compartilham, na suas andanças, os mesmos trilhos.
Resta-nos a indagação sobre os sinais messiânicos que o texto apresenta. Também fica pendente a tarefa de aprofundar a seqüência textual entre o Salmo 23 e seus textos vizinhos.
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