• No results found

Passados alguns meses depois de se ter recolhido as informações que acabámos de apresentar, elaborámos um outro questionário (questionário 2 em anexo) destinado a recolher a opinião dos professores e educadores do Agrupamento de Pedra Branca sobre a articulação do Ensino Básico. O questionário apresentava 3 questões abertas e foi entregue a 40 professores e educadores, tendo-nos sido devolvidos apenas 17.

A partir de uma análise cuidadosa das respostas obtidas formulámos as seguintes categorias de análise: constrangimentos de ordem organizacional/funcional, constrangimentos de ordem profissional, condições facilitadoras de ordem organizacional/funcional e condições facilitadoras de ordem profissional. Com base nestas categorias de análise, constatámos que o que dificulta a articulação entre os diferentes ciclos da formação básica, prende-se com constrangimentos relacionados com a organização e o modo como funciona a escola, sendo referidos pelos inquiridos os horários dos professores, os horários não contabilizarem espaços para reuniões, a grande

mobilidade dos professores, a falta de condições das escolas e o número elevado de turmas de alguns professores. Associado aos constrangimentos que se relacionam com o modo como os professores desenvolvem a sua actividade, foram referidos a falta de comunicação entre professores, a falta de disponibilidade, a pouca abertura para mudar e a falta de hábito de trabalhar em grupo. Associadas à organização e ao modo como funciona a escola, foram referidas pelos inquiridos, e consideradas por estes, condições facilitadoras a necessidade de reuniões multidisciplinares, de reuniões com professores de diferentes níveis de ensino, professores coordenadores/dinamizadores de projectos, responsáveis pela divulgação do Projecto Educativo e Projecto Curricular de Escola/Agrupamento, horários com espaços para realizar reuniões e a fixação do corpo docente nas escolas. Ainda na perspectiva das condições facilitadoras, mas agora relacionadas com a actividade docente, foram referidas pelos inquiridos a comunicação entre professores de diferentes escolas, a partilha de experiências, envolver a comunidade no processo educativo, procurar a colaboração de técnicos e conhecer o Projecto Educativo e o Projecto Curricular.

No quadro IX sistematizamos a frequência com que são referidas pelos inquiridos as categorias de análise identificadas e que nos dão conta das representações dos professores sobre a articulação entre ciclos.

Quadro IX - Categorias de análise e respectiva frequência

Categoria Frequência Constrangimentos de ordem organizacional / funcional 12 Constrangimentos de ordem Profissional 34 Condições facilitadoras de

ordem Organizacional / funcional 14 Condições facilitadoras de

ordem profissional

Pode concluir-se, através da leitura do quadro IX, que, no que diz respeito a uma formação básica articulada, o maior número de opiniões sobre os constrangimentos foi incluído na categoria de constrangimentos de ordem profissional (34), enquanto que o maior número de opiniões sobre as condições facilitadoras diz respeito às condições facilitadoras de ordem profissional (18). Poderemos, então, inferir que os professores são, ou podem ser, o motor para uma formação básica que articule os diferentes ciclos.

Por último, aos inquiridos foi perguntado se defenderiam uma escola básica única para os 9 anos de ensino obrigatório (questionário 3). Da leitura atenta das respostas obtidas, formulámos as seguintes categorias de análise: uma escola básica única favorece a articulação entre ciclos, promove o sucesso, melhora o trabalho docente, rentabiliza os recursos e exige/necessita que se proceda à fixação dos professores.

A partir da análise das respostas, foi elaborado o quadro X que dá conta da frequência das menções inseridas nas categorias de análise identificadas e, portanto, das representações que estes professores fazem sobre uma escola básica única.

Quadro X - Categorias de análise e respectiva frequência

Categoria Frequência

Favorece a articulação 10 Promove o sucesso 12 Melhora o trabalho docente 7

Rentabiliza os recursos 9 Exige / necessita fixação

Professores 4

Opinião favorável 42 Opinião contrária 3

Podemos, então, constatar, como se visualiza no quadro X, que à excepção de 3 dos inquiridos, que têm uma opinião contrária, não defendendo uma escola básica única, todos os outros (42) têm uma opinião favorável, defendendo uma escola básica para os 9 anos de ensino obrigatório. Cada um dos inquiridos, indicou uma ou mais razões para mostrar a sua posição. Assim, segundo os inquiridos uma escola básica única favorece a articulação entre ciclos, promove o sucesso, melhora o trabalho docente, rentabiliza os recursos, mas também exige/necessita que se promova a fixação dos professores nas escolas. Entretanto, os 3 inquiridos que dizem não concordarem com uma escola básica única para os 9 anos do ensino obrigatório referem como razão a diferença etária dos alunos, o que nos poderá levar a pensar que se estavam a referir a uma escola básica integrada e não a um agrupamento de escolas com os diferentes estabelecimentos de ensino separados, embora algumas vezes, mais ou menos próximos uns dos outros.

Ainda com base no quadro X, poderá inferir-se algumas das potencialidades dos Agrupamentos Verticais na construção de uma escola básica única: promovem o sucesso (12), favorecem a articulação (10), rentabilizam os recursos (9) e melhoram o trabalho docente (7). Também a exigência/necessidade de promover a fixação dos professores nas escolas (4) poderá ser entendida como um dos reflexos sociais /profissionais dessa organização escolar. E, como já atrás dissemos, ao analisar o quadro IX, os professores são ou podem ser o motor para uma formação básica que articule os diferentes ciclos.

Ao mesmo tempo que foi passado o questionário 2 aos professores / educadores do Agrupamento de Pedra Branca, foi passado um outro (questionário 3 em anexo) aos docentes responsáveis pelos estabelecimentos de ensino. Este questionário, que apresentava 3 questões abertas, tinha como objectivo recolher a opinião dos elementos responsáveis pela direcção das escolas do Agrupamento Vertical de Pedra Branca sobre as vantagens e desvantagens dos agrupamentos verticais em geral e deste em particular. Nesse sentido, o questionário foi entregue às 2 educadoras responsáveis pelos infantários, às 3 professoras responsáveis pelas escolas do Io ciclo e a 3 professoras dos

São referidas, pelos inquiridos, como vantagem dos Agrupamentos Verticais em geral o facto destes:

- favorecerem o intercâmbio entre escolas,

- promoverem o trabalho entre professores de diferentes níveis de ensino, - facilitarem a transição dos alunos entre ciclos,

- permitirem acompanhar o processo do aluno até ao 9o ano,

- possibilitarem o enriquecimento do currículo do Io ciclo com outras áreas

disciplinares/não disciplinares, - rentabilizarem os recursos,

- favorecerem a implementação do Projecto Curricular, - possibilitarem um melhor Projecto Educativo,

- favorecerem a articulação e a sequencialidade do ensino, - melhorarem o conhecimento sobre o aluno,

- facilitarem o conhecimento/trabalho com a família, - facilitarem a ligação à comunidade,

- facilitarem a resolução de problemas,

- facilitarem a resolução de problemas administrativos e

- aumentarem o envolvimento dos pais nos problemas da escola.

E, como desvantagens dos Agrupamentos Verticais em geral são referidas pelos inquiridos:

- a distância entre as diferentes escolas,

- o individualismo que caracteriza o trabalho docente,

- a falta de disponibilidade dos professores para outras tarefas que não sejam a prática lectiva,

- a falta de comunicação entre as escolas, - a falta de recursos,

- o orçamento da EB2,3 ser aquém das necessidades,

- dificuldades acrescidas na gestão, pois passa a tratar-se de um grupo de escolas de um grupo de escolas,

- a grande mobilidade docente, - o aumento do número de reuniões, - os horários dos professores,

- os professores das diferentes escolas não se conhecerem, - não existir a cultura de trabalho de grupo entre professores, - a dificuldade de concretizar projectos comuns,

- a dificuldade de encontrar consensos e

- estar "tudo" centralizado na escola-sede, o que obriga todos a deslocarem-se para tratar dos diferentes assuntos.

Entretanto, em relação ao Agrupamento Vertical de Pedra Branca as opiniões dos inquiridos dividem-se entre a satisfação e a descrença neste tipo de organização. Assim, consideram que se verificaram melhorias no que respeita:

- à cooperação entre as escolas,

- ao trabalho entre professores de diferentes ciclos, - à ligação com a comunidade,

- aos alunos,

- à formação contínua dos professores,

Mas, consideram que a constituição do Agrupamento Vertical de Pedra Branca não levou à resolução de outros problemas do Ensino, pois continuam a existir professores que:

- não conhecem o Projecto Educativo, - não se envolvem na sua concretização,

- não trabalham, ou trabalham pouco, com professores de outras escolas.

Entretanto, uma mensagem é-nos deixada por estes inquiridos: faça-se a avaliação desta organização de escolas.

Assim, e porque no Agrupamento de Pedra Branca houve vontade, por parte de um grupo de professores, de realizar a avaliação das escolas, através de uma acção de formação, no âmbito da formação contínua de professores, inscrevemo-nos para a frequentar. Nesse sentido, o órgão de gestão (do qual já não fazemos parte), deu continuidade ao que era já tradição e fez os contactos necessários para que a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação dinamizasse a acção de formação "A avaliação das escolas - construção e desenvolvimento de um processo de auto-avaliação". Esta acção foi concretizada na escola-sede do Agrupamento de Pedra Branca, na modalidade

de projecto e os formandos, organizados em grupos de trabalho, assumiram o papel de professores/avaliadores para que, de acordo com os interesses pessoais/profissionais e condições para a realização da avaliação, trabalhassem um dos (6) temas que o conjunto dos formandos considerou importante avaliar.

Os temas considerados de maior interesse, pelo conjunto de formandos, para se proceder à avaliação foram: "Recursos existentes na escola/agrupamento e na comunidade educativa que possam ser mobilizados para a promoção do sucesso dos alunos"; "Razões/factores que possam justificar o interesse e o sucesso apenas de alguns alunos"; "Práticas pedagógicas, de sala de aula, que estão a gerar mais ou menos satisfação de professores e de alunos e que estão a gerar mais ou menos sucesso educativo e sucesso escolar"; "Procedimentos de mobilização da comunidade escolar para intervir ao nível das situações de disciplina/indisciplina"; "Procedimentos de mobilização de participação das famílias" e "Relações entre as escolas do agrupamento".

IV.3. Representações de professores sobre a comunicação/interacção