Dentro de uma refinaria há diversas unidades de processo e setores administrativos que se inter-relacionam. Eles são diferentes no que concerne a tecnologia, ao tempo de existência, a representação estratégica de cada um e ao tipo de produto que cada um recebe e produz.
O laboratório de análises químicas possui ampla importância dentro desse contexto, já que todos os produtos finais da refinaria, assim como produtos intermediários e o próprio petróleo bruto, que chega por meio de dutos, passam por análises de certificação de qualidade, com o intuito de assegurar as propriedades físico-químicas do produto que será vendido ou que será utilizado em outros processos de produção dentro da refinaria.
33 Os técnicos químicos também são petroleiros, e são os responsáveis pela realização das análises e certificação. Eles são funcionários contratados pela companhia e são certificados pelo Conselho de Química. Além da responsabilidade de produzir certificações absolutamente confiáveis eles trabalham com vários equipamentos caros e sofisticados durante os ensaios de certificação de qualidade dos produtos, o que exige deles conhecimentos, responsabilidades e cuidados especiais, aumentando o grau de dificuldade da tarefa e, assim, a carga de trabalho.
Segundo Ferreira (2003) os técnicos químicos que trabalham no laboratório conhecem os perigos iminentes gerados pelo trabalho em uma refinaria de petróleo. Entretanto, preocupam-se mais com os riscos de intoxicação que existem dentro do próprio laboratório. Devido, principalmente, à constante exposição à atmosfera fechada do laboratório, na qual podem estar presentes vapores de hidrocarbonetos e diversos produtos químicos utilizados durante os ensaios.
2.4.1. Características do trabalho em laboratório de análises químicas
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) utiliza a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), para descrever e classificar as diversas profissões existentes. Ela é elaborada a partir do padrão da Classificação Internacional Uniforme de Classificação (em espanhol CIUO e em inglês ISCO) e é usada na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), cujas funções são: o suprimento às necessidades de controle da atividade trabalhista no País, o provimento de dados para a elaboração de estatísticas do trabalho, e a disponibilização de informações do mercado de trabalho às entidades governamentais (RAIS, 2010).
Segundo essa classificação, os empregos são organizados em grupos ocupacionais segundo o grau de similaridade entre o nível de competências e a especialização das competências e das tarefas que comportam.
A classificação das ocupações é formulada segundo uma estrutura hierárquica formada por 10 grandes grupos de nível mais alto de agregação, subdivididos em 28 subgrupos principais, 116 subgrupos e 390 grupos de base.
34 Segundo essa classificação o trabalho em laboratórios de análises químicas se encontra no grande grupo de Profissionais das ciências e das artes, no subgrupo técnicos, desenhistas técnicos e trabalhadores assemelhados, no grupo de base: técnicos de química e trabalhadores assemelhados. A CBO número 0-36.15, que tem como título - Técnico de laboratório de análises físico-químicas (petróleo) - mostra a descrição resumida e detalhada que se aproxima grandemente das tarefas executadas em laboratórios de análise físico- químicas presente na refinaria (MTE, 2009).
A descrição detalhada, dada pelo CBO, engloba a realização de estudos, ensaios e experiências, desenvolvimento de processos novos ou aperfeiçoamento dos existentes, por meio de testes de laboratório e de outros tipos, para ajudar nas pesquisas destinadas a criar e melhorar instalações e/ou procedimentos de fabricação; execução de esboços e desenhos técnicos especializados, orientando-se pelo original ou seguindo especificações técnicas, com o intuito de representar graficamente detalhes sobre as instalações e os processamentos previstos; estimativas de materiais e mão-de-obra, baseando-se nas metas previstas e na tecnologia empregada, para avaliar as despesas que incidem no custo operacional da produção; inspeção das instalações de transformação química, observando-as em funcionamento e efetuando as regulagens necessárias, para assegurar que elas obedecem aos padrões técnicos requeridos; controle do resultado do processo de transformação química, acompanhando desse processo em laboratório especializado ou durante a fase de fabricação, para assegurar a observância das normas e especificações recomendadas; acompanhamento dos trabalhos de construção, montagem, manutenção e reparo das instalações de produção, inspeção e prestação de assistência técnica, para assegurar que se ajustam às especificações técnicas e de segurança; articulação com a direção técnica especializada e os agentes de mestria, entrando em contato com eles pessoalmente ou por meio de relatórios escritos, para assegurar a execução da programação traçada; identificação e resolução de problemas técnicos que surgem no decorrer da fabricação, aplicando seus conhecimentos teóricos e práticos de química, para garantir o desenvolvimento normal dos trabalhos; relata as experiências efetuadas e o desenvolvimento normal dos trabalhos, elaborando registro e relatórios, para tornar possível uma apreciação por parte da direção técnica responsável.
O objetivo primordial de todas as ações de trabalho no laboratório de análises químicas em uma refinaria de petróleo é, através das diferentes atividades concatenadas,
35 emitir relatórios confiáveis. Dessa forma percebe-se, tendo como referência o laboratório estudado, que para as práticas prescritas pela CBO se concretizarem eficazmente, é necessário que haja longo tempo de aprendizagem na área, devido ao grande número de tarefas e saberes que se sobrepõem. Para tanto, é necessário que haja interação entre os sujeitos e a divisão das tarefas.
Segundo Teixeira e Valle (1996), uma das principais preocupações no trabalho em laboratórios, em geral, é despertar a consciência dos profissionais em relação aos riscos aos quais estão expostos. Para os mesmos autores os trabalhadores devem conhecer as substâncias manuseadas e o perigo que cada uma delas representa.
Tal condição é satisfeita dentro do laboratório estudado por meio de treinamentos corriqueiros e através de atividade semanal de apresentação e discussão chamada Diálogo Diário de Segurança (DDS), no qual um técnico é escolhido, de acordo com um cronograma pré-agendado, para apresentar as substâncias específicas manuseadas em um determinado local de trabalho, as precauções ao manuseá-las e também as recentes descobertas sobre elas.