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Serão aqui brevemente descritos os ambientes de pesquisa. As descrições serão divididas como apresentado acima, em estudos, sendo assim tem-se:

Estudo 1

A Universidade Federal de São Carlos está localizada em um dos principais sistemas rodoviários do Brasil, a Rodovia Washington Luis, portanto fora do perímetro urbano do Município.

A UFSCar possuía em 2003, 5.798 alunos de graduação matriculados no primeiro semestre e 5.466 também alunos de graduação no segundo semestre do mesmo ano. O Campi de São Carlos apresenta uma área total de 6.450.000 metros quadrados de área disponível e 106.029 metros quadrados de área construída.

Embora a cidade de São Carlos possa ser considerada pequena, se comparada à média dos municípios do Estado de São Paulo, os estudantes das

escolas públicas têm muito pouco conhecimento das instalações universitárias (UFSCar e USP) e sobre o que nelas se faz ou se produz.

Os locais escolhidos para este estudo foram os dois Laboratórios de Química Geral e um anfiteatro, pertencentes ao Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Por se tratar de instalações que fazem parte da infra-estrutura de dois cursos de química, entende-se ser dispensável discutir os recursos disponíveis para a realização de atividades experimentais ou de aulas teóricas, uma vez que nenhuma das escolas de origem dos participantes dispõe de infra-estrutura planejada (e específica) para o aprendizado de química. Considera- se, no entanto, que universidade e escola pública de ensino médio são e devem ser naturalmente ambientes de aprendizagem diferenciados.

O Laboratório localiza-se a aproximadamente quinhentos metros da Biblioteca Comunitária da Universidade, em um edifício próprio para abrigar aulas do curso de graduação.

Estudo 2

A ESCOLA X, localiza-se na periferia da cidade de São Carlos, em um vale onde os bairros ao seu redor, sem nenhuma infra-estrutura, são caracterizados por possuírem habitações bem precárias. Esta escola está localizada em um diversificado centro comercial do bairro, onde se observa a predominância de um grande número de bares, situação esta comum nas regiões periféricas da maioria dos municípios brasileiros. Por atender a uma população de baixa renda familiar, observa-se que muitos alunos vão para a escola atraídos pelas possibilidades de comer, ter o que vestir e, em alguns casos, até para não ficar em casa e ter que trabalhar. Estas informações foram fornecidas pela direção da escola e foram confirmadas por muitos dos alunos, quando questionados sobre os motivos pelos quais estudavam. Muitos dos alunos não possuem material básico (caderno e lápis) para freqüentar as aulas e até os cursos extracurriculares que são oferecidos na própria escola. Embora apresente estes problemas, é sempre possível encontrar alunos que ainda alimentam o sonho de se tornar um profissional qualificado, cursando preferencialmente uma universidade pública de qualidade.

A instituição, que possui apenas um pavimento e, em 2003, contava com 223 alunos matriculados no período da manhã e 191 no período noturno. A biblioteca é coordenada por alunos em sistema de escala de horários, funcionando desde a

manhã até o período noturno. Possui uma sala ambiente de informática (SAI) bem equipada onde os alunos podem fazer seus trabalhos escolares. Há uma quadra nos fundos da escola onde são realizadas as aulas de educação física e um pátio considerado razoável para o número de alunos, bem arejado e iluminado. Quanto às salas de aula, estas se encontram em estado muito precário, pois estavam permanentemente sujas, com vidros quebrados, paredes pichadas ou rabiscadas, carteiras quebradas ou em péssimo estado de conservação.

Quanto ao laboratório, este apresentava condições de uso razoáveis, com poucos reagentes, quantidade de vidraria reduzida, carente de limpeza e também com vários vidros das janelas quebrados. É um local bem arejado e bem iluminado, o laboratório apresenta uma bancada na forma de “V”, o que facilita muito o trabalho do professor na realização das práticas (ANEXO 1) e uma lousa, onde eram passadas as orientações aos alunos.

Nesta escola, foi possível constatar que a direção não tem medido esforços para conseguir do Estado os recursos necessários ao bom funcionamento. Desta forma é que foram conseguidos recursos financeiros para a construção da biblioteca, da SAI (Sala Ambiente de Informática) e do laboratório. A direção da escola realiza ainda um grande esforço para que a comunidade participe de atividades esportivas (e outras) nos finais de semana, como forma de integrar os profissionais que ali trabalham com esta comunidade, além de valorizar o ensino ali praticado. Medidas como esta têm sido adotadas em diversas escolas de periferia por todo o país e tem mostrado resultados muito bons, apesar do pouco (ou nenhum, em alguns casos) apoio oficial.

Estudo 3

A ESCOLA Y, como foi atribuído o nome à escola localizada em uma região mais central do Município, localiza-se em uma região caracterizada por habitantes da classe média e média alta do município. A escola é atendida também por diversas linhas de ônibus e está muito próxima a um importante centro comercial da cidade. Desta forma, o aluno que freqüenta a escola possui uma condição socioeconômica melhor do que os alunos da ESCOLA X. O perfil dos alunos desta escola é bastante diferenciado daquele que caracteriza o aluno da ESCOLA X.

Como são oriundos da classe média, em sua maioria, não precisam trabalhar e por esta razão era de se esperar que os mesmos fossem mais motivados para

estudar, além de disporem de mais tempo para isso. Esta é de fato uma realidade da escola, que tem um dos maiores índices de aprovação em vestibular, dentre as escolas públicas da região.

A Instituição possuía, em 2003, 746 alunos matriculados no período diurno e 538 no período noturno. A biblioteca conta com um bibliotecário e tem uma quantidade maior de livros em seu acervo do que a ESCOLA X. Dispõe ainda de uma Sala Ambiente de Informática e uma de vídeo, que é constantemente utilizada pelos professores. No que diz respeito às salas de aula (ANEXO 2), estas encontravam-se também em estado de conservação ruim, porém melhor do que o local do Estudo 2. Aqui, as salas eram maiores e com iluminação natural melhor que a anterior.

As atividades foram realizadas no laboratório que atende as disciplinas de química, física e biologia. O local apresenta melhores condições de uso que o anterior, pois possui uma variedade maior de reagentes e vidraria a disposição. Apresenta o mesmo esquema da bancada em forma de “V” sendo um laboratório bem iluminado e arejado.

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