9 Forvaltningens strategi for bruk av sertifikattjenester
9.3 Leveranse av sertifikater til enkeltpersoner
Imprevistos fazem parte de um processo de investigação, mas acho válido comentar fatos que me surpreenderam, como o número de cidades onde foram realizadas as entrevistas e as observações, assim como a dificuldade de agendamento das entrevistas com os bailarinos.
A realização do trabalho de campo em nove cidades foi inesperada. As turnês, espetáculos e observações das instituições envolvidas me levaram a Berlim, Chemnitz, Cottbus, Darmstadt, Ingolstadt, Munique, Regensburg, Puttbus e Wiesbaden. Isso foi um desafio, mas tornou-se fator positivo dada a oportunidade de vivenciar a prática cotidiana dos artistas. Por exemplo, o Balé Estatal de Hessen (Hessisches Staatsballett) trabalha durante toda a temporada nos Teatros de Wiesbaden e de Darmstadt e observei a companhia nesses locais. A Escola Estatal de Balé de Berlim (Staatliche Ballettschule Berlin) realiza diferentes turnês e espetáculos durante o ano letivo e tive oportunidade de participar de eventos e espetáculos em Berlim, Chemnitz, Cottbus e Puttbus. O Balé Estatal da Baviera (Bayerisches Staatsballett), com sede em Munique, levou-me, em turnês, a duas cidades: Ingolstadt e Regensburg. Vivenciei o movimento no corpo, por meio do deslocamento espacial e constatei que os bailarinos são móveis não somente em sua arte, mas também em seu fazer arte. Acrescento que essas instituições também têm eventos e espetáculos no exterior; entretanto, a minha observação concentrou-se nas atividades na Alemanha.
Figura 27 – Espetáculo do Balé Estatal da Baviera (Bayerisches Staatsballett) Turnê em Ingolstadt
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Figura 28 – Representação geográfica dos locais das entrevistas e observações
No geral, o agendamento das entrevistas e das observações foi de fácil administração. Os participantes108 mostraram interesse pelo meu trabalho e concordaram em colaborar. Somente em duas ocasiões a data do encontro foi remarcada por causa de imprevistos.
Porém, a atitude dos bailarinos realmente surpreendeu-me. Dois fatos chamaram a minha atenção; dificuldade para marcar as entrevistas – de sete bailarinos contatados somente três agendaram um encontro – e percepção da existência de um receio em expor opinião própria – falar livremente do trabalho os constrangia. Isso foi curioso, pois os demais profissionais aceitaram, de imediato, participar da pesquisa. Refleti sobre qual seria o motivo desse bloqueio, e cogitei possíveis razões. O trabalho do bailarino é exaustivo, não apenas pela demanda do exercício corporal, mas também pela diversidade do trabalho realizado. O horário dos ensaios e aulas é muito variado o que impossibilita o estabelecimento de uma rotina diária, dificultando,
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assim, que os bailarinos tenham outras atividades extraprofissionais, tais como cursos e obrigações familiares. A carga horária de trabalho incluindo aulas, ensaios e apresentações é extremamente variada. Em alguns períodos do ano, pode chegar a dez horas diárias, somando sessenta horas semanais, e isso é especialmente extenuante, pois a atividade do bailarino envolve um grande esforço físico, mas também um significativo esforço intelectual e emocional, tendo em vista que, ao exercer sua profissão, ele faz arte. Além disso, o bailarino é dependente de contrato anual e não tem estabilidade no emprego. Em contrapartida, os depoimentos dos bailarinos foram esclarecedores e pontuaram questões ainda não mencionadas anteriormente pelos outros entrevistados. Embora de difícil agendamento, as entrevistas realizadas foram produtivas e os bailarinos se empenharam em responder de forma autêntica às perguntas feitas.
Durante o processo de coleta de dados, percebi outro ponto interessante. A fronteira existente entre questões administrativas e artísticas sempre foi muito rígida no mundo da dança. De acordo com o relato dos entrevistados, porém, essa divisão foi amenizada nos últimos anos, e profissionais da dança, cada vez mais, assumem responsabilidades administrativas. Isso traz novas perspectivas e pode abrir novos horizontes para a dança. Um entrevistado, o diretor geral Dr. Ralf Stabel, inclusive, vislumbrou a possibilidade de um profissional da dança tornar-se intendente geral109 de um teatro. Ele pensa que isso ocasionaria uma reflexão sobre o fazer teatro, sobre a ação teatral, o cerne do teatro, pois o intendente geral que não for uma pessoa do movimento, ou seja, que não for uma pessoa que trabalha com a dança, sempre vai pensar sobre as representações dramáticas e as partituras em termos de um livro texto. Stabel pensa que quando o intendente for alguém da área da dança, acontecerá algo marcante, pois ele visualizará as representações artísticas por meio de uma estrutura, que não segue uma sequência linear. Penso que um fato como esse, sem dúvida, pode transformar completamente a visão do que é fazer teatro.
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7 Análise dos Dados
Como comentado anteriormente, as palavras de Vaganova (2013) nortearam minha pesquisa, e procurei desenvolver uma metodologia orientada pela prática artística da dança na atualidade. Durante o percurso, percebi a necessidade de uma abordagem específica, que permitisse fazer adaptações de acordo com a realidade encontrada.
A análise dos dados e a descrição dos resultados foi dividida em três etapas, que serão descritas detalhadamente nesta seção. Apresento, a seguir, um esquema resumido, em forma de quadro (Quadro 2).
Quadro 2 – Etapas da análise dos dados e descrição dos resultados
1ª Etapa
•Preparo dos dados coletados. •Primeira leitura -
conhecimento do material coletado.
•Segunda leitura –
Agrupamento Primeiro das falas por temas.
•Terceira leitura – formulação dos Indicadores de Assunto, classificação dos Indicadores de Assunto em Grupos Temáticos e tabulação na Tabela Matriz.
•Quarta leitura - finalização da Tabela Matriz com os Indicadores de Assunto, os entrevistados, o exato momento das falas e a frequência.
2ª Etapa
•Organização dos dados pela frequência.
•Classificação e descrição dos Indicadores de Assunto em três grupos distintos: Fortemente Manifesto, Medianamente Manifesto e Fracamente Manifesto. 3ª Etapa •Evidência e descrição das
Tendências contemporâneas. •Elaboração e descrição das
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