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Arkiv og langtidslagring

In document Uten penn og blekk (sider 134-137)

11 Forslag til regulering av bruk av digitale signaturer og dokumentkryptering i forvaltningen

11.2 Signering og autentisering

11.2.4 Arkiv og langtidslagring

O foco na técnica em detrimento da representação artística traz um debate desafiante. Esse assunto faz parte da prática da dança há alguns séculos e envolve estudiosos e artistas – do passado, do presente e provavelmente do futuro – na busca do equilíbrio entre criação, técnica e representação artística.

O domínio de técnicas é imprescindível para a criação e a representação. Porém, o foco exagerado na performance técnica do artista dificulta uma representação natural e verdadeira. A dança volta-se para a realização do artista, uma realização individual de certos elementos específicos, enfatizando uma função utilitarista da dança e impedindo a realização da arte para o outro.

Como harmonizar as relações técnico-artísticas na prática da dança, sem limitar e/ou bloquear os coreógrafos, os bailarinos e os professores nos processos de criação, formação e representação? Como conceber uma relação fecunda e produtiva entre a criação, a técnica e a representação estética?

Noverre contextualizou e fundamentou a relação necessária entre os elementos da composição artística e pontuou a importância da relação entre técnica e representação artística na prática da dança. Sua meta era uma representação natural e verdadeira e a técnica e o virtuosismo deveriam auxiliar uma performance harmônica do bailarino de acordo com a dramaturgia da obra. A atualidade de seus textos surpreende. Para Noverre (1807), o bailarino “deve desistir de todos os passos demasiados complexos122”, pois “’uma representação difícil e

movimentos complicados’ privam a dança de sua linguagem123”. Complementou que “os bailarinos devem guardar as dificuldades para o seu treino e aprender a esquecê-las no seu realizar artístico124”. Disse: “é bom conhecer [as cinco] posições [dos pés], mas melhor ainda esquecê-las e a arte do grande bailarino consiste exatamente em afastar-se delas convenientemente125 (DAHMS, 2010, p. 92, tradução minha). Para o autor, a técnica é um

elemento fundamental no desempenho funcional, mas caberia ao bailarino uma ação reflexiva no exercício de sua arte.

122 Alle Schritte, die zu kompliziert sind, aufzugeben.

123 (…) diese schwierige Ausführung, diese komplizierten Bewegungen den Tanz seiner Sprache berauben. 124 Die Tänzer sollten die Schwierigkeiten für ihr Training beibehalten, aber sie sollten lernen, sie bei Ausübung

ihrer Kunst wegzulassen.

125 (…) dass es gut ist, diese Positionen zu kennen, und dass es noch besser ist, sie zu vergessen, und dass die

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Pensamento idêntico tem Plegge, quando diz que as regras técnicas devem ser aprendidas para serem quebradas e não devem engessar o artista. Ele prefere trabalhar com bailarinos que consigam se libertar de regras e determinações técnicas em seus processos criativos.

Posições específicas e ideias padrões são hoje um importante fator na realização artística. Mas a busca por posições perfeitas e padrões específicos, elaborados no limite físico, realizados impecavelmente, não necessariamente fazem a dança. A concentração exagerada em detalhes técnicos pode levar a um equívoco artístico na formação e na criação em dança.

A crença de que o aprendizado detalhado de elementos específicos proporciona um melhor resultado é fatal. Na dança o todo não é igual a soma das partes e isso pode comprometer a essência vital da dança, que acontece com os movimentos entre as posições e as formas. Na prática da dança, o professor tem importante papel; como bem colocado por Collein, ele deve ter bom senso para realizar um trabalho pedagógico direcionado, com cautela de apreender as relações emocionais-técnicas no trabalho artístico.

Do ponto de vista buberiano, a educação não se reduz a um conjunto de princípios ou normas gerais previamente determinadas. O lugar da educação é na relação como uma palavra-ato que instaura uma realidade relacional pautada no diálogo. Isso significa ultrapassar socioculturalmente os limites da sala de aula e do mero treinamento de habilidades técnicas (TUNES, 2015, p. 8).

O exagero técnico impossibilita uma apreciação estética plena, como relatado por Vigotski em resenha crítica de 1922, sobre a turnê da bailarina Geltzer. No contexto dessa crítica ele recorda e elogia a dança expressiva e autêntica de Anna Pavlova que, ao interpretar a Morte do Cisne de Fokine, foi sublime em sua interpretação. Para Vigostki, essa dança foi especial e inesquecível e de forte caráter emocional. Esses momentos de apreciação estética são para o autor singulares (JASNISKIJ, 2011).

É evidente como a relação entre técnica e representação artística está implicitamente interligada com a apreciação estética do espectador. Segundo Vigotski (2010), sob a perspectiva do espectador, é salutar considerar o sentido educativo de uma formação estética ampla para a realização artística.

É impossível penetrar em uma obra de arte até o fim sendo inteiramente alheio à técnica da sua linguagem. Por isso o mínimo conhecimento técnico da estrutura de qualquer obra deve integrar forçosamente o sistema de educação em geral, e neste sentido agem de forma integralmente pedagógica aquelas

165 escolas nas quais o domínio da técnica de cada arte se torna condição indispensável da formação (VIGOTSKI, 2010, p. 350).

Schiller (2014) discorreu sobre a apreciação e a composição,

o artista tem de superar não apenas as limitações que o caráter específico de sua arte traz consigo, mas também aqueles inerentes à matéria que elabora. Numa obra de arte verdadeiramente bela o conteúdo nada deve fazer, a forma tudo; é somente pela forma que se atua sobre o todo do homem, ao passo que o conteúdo atua apenas sobre forças particulares (SCHILLER, 2014, p. 107).

A importância da forma é incontestável para a representação artística. Na realização da dança isso é peculiar. O corpo que dança é o que incorpora a forma, ao mesmo tempo ele é a realização emocional da dança e a representação de formas específicas. O artista faz sua técnica moldar seu corpo para dançar, carrega consigo seu material, molda-o, treina, explora o movimento e dança. Artista e obra não se separam. Na dança as questões sobre técnica e representação artística são complexas. A forma, a técnica, o conteúdo e a representação artística são importante na realização da obra. Mas, na prática da dança torna-se essencial compreender como se dão as relações entre a técnica, a forma, o conteúdo e a representação emocional do artista.

O relacionamento do bailarino com a técnica é um elemento central no processo de criação. Para Vigotski (2001), as técnicas estão a serviço do artista e não o artista submisso à realização técnica. O procedimento técnico se orienta para uma representação estética específica. Por isso, uma técnica específica permite que diferentes autores criem obras singulares e inconfundíveis. Por exemplo, no contexto atual a técnica da dança clássica é utilizada como meio de expressão de diferentes coreógrafos contemporâneos.

Não se pode admitir que alguns procedimentos se devessem exclusiva e integralmente à sua necessidade técnica, por que isso significaria admitir o poder da técnica pura da arte. De fato, a técnica evidentemente determina de modo indiscutível a construção da peça, mas no âmbito das possibilidades técnicas cada procedimento técnico e cada fato parecem promover-se a critério de fato estético (VIGOTSKI, 2001, p. 217).

O conhecimento do espectador é essencial na apreciação estética. Schiller (2014) escreveu: “Nem sempre, entretanto, o efeito exclusivo do conteúdo prova a ausência de forma numa obra; pode provar, igualmente, uma ausência de forma de quem julga” (SCHILLER, 2014, p. 108). Se o espectador

166 está acostumado a apreender apenas com o entendimento ou apenas com os sentidos, mesmo ante o todo mais perfeito e ante a forma mais bela deter-se-á apenas nas partes e na matéria. Receptivo apenas ao elemento grosseiro, tem primeiro de destruir a organização estética de uma obra antes de nela encontrar alguma fruição e esgaravatar cuidadosamente o individual que o mestre, com arte infinita, havia feito desaparecer na harmonia do todo. Seu interesse é simplesmente ou físico ou moral; somente não é o que deve ser: estético (2014, p. 108, cursivo do autor).

Reforçando, a formação estética do espectador possibilita uma apreciação plena e uma experiência diferenciada. Collein acrescenta que a produção artística é responsável pela educação do público. As obras apresentadas ao espectador, ao mesmo tempo, educam e proporcionam uma experiência estética, por isso, elas devem se cautelosamente elaboradas e representadas, considerando aspectos técnicos e artísticos.

Aparentemente retornamos ao ponto de partida. A percepção do profissional de hoje evidencia haver um foco excessivo na técnica em detrimento da representação artística. A contextualização desse tema enfatizou a ligação entre a técnica e a representação artística, que devem ser equilibradas na produção da obra.

A produção artística é produto de seu meio social, a apreciação estética é o vínculo entre a produção da obra e a sociedade e garante um fluxo contínuo de troca de experiências entre as pessoas. (VIGOTSKI, 2001). A importância da forma para a apreciação estética justifica a busca do equilíbrio entre técnica e expressão artística na dança.

A proporção entre técnica e expressão artística na prática da dança variou em diferentes períodos históricos. Por exemplo, visualizo um ápice da valorização do domínio técnico no período do balé clássico126com Marius Petipa. E percebo que, no início do século XX, Isadora Duncan enfatizou o movimento expressivo do corpo e deu início a reflexão sobre as formas de criar com a dança considerando uma representação expressiva. A produção artística se orienta pela relação entre a técnica e a expressão. Essas questões movem a prática da dança – ontem e hoje.

126 Descrição de Stabel da essência do período do balé clássico “ [...] uma forma autossuficiente fechada em si

mesmo capaz de satisfazer os mais elevados padrões de estética. O sentido do Clássico não está em uma ação lógica provável, mas sim em uma manipulação perfeita da forma. O virtuoso perfeito imaculado reprimiu a sensibilidade emocional do palco” (STABEL, 2010b, p. 75, tradução minha).

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