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Levekår

In document Fattigdom og levekår i Norge (sider 33-39)

O aumento da procura por alimentos, impulsionada principalmente pelo crescimento da população e da riqueza, não só leva a preços mais altos e ao aumento da volatilidade do mercado, mas também coloca uma carga maior sobre os recursos naturais escassos como água limpa, terra e energia (Dobbs et al., 2011). Nasce portanto uma ameaça para o desenvolvimento sustentável, e é lançado um apelo urgente para novos modos de cadeia de fornecimento alimentar que desenvolvem um equilíbrio sustentável através do triple bottom line, considerando simultaneamente as questões económicas, ambientais e sociais (Eklington, 1998).

Segundo Zhu, Z. Chu, F. Dolgui, A. Chu,C. Zhou, W. Piramuthu, S., (2018) a gestão das cadeias de fornecimento de alimentos do tipo frescos e processados é geralmente muito diferente da cadeias de fornecimento industriais por causa de propriedades únicas, como perecibilidade, regulamentações governamentais rigorosas sobre a

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segurança alimentar, os consumidores dos produtos alimentares com alta variação de gostos, e constrangimentos operacionais consequentes da sua armazenagem, processamento, e de distribuição. As cadeias de fornecimento de alimentos de hoje, enfrentam questões como o alto consumo de energia, gás de efeito estufa (GEE), e outras preocupações económicas e sociais.

Zhu, Z. et al., (2018) explicam que o consumo de energia para controlo de temperatura é necessário para garantir a qualidade e segurança alimentar. Em primeiro lugar, o controlo da temperatura pode afetar significativamente a qualidade do alimento por influenciar o nível de deterioração de alimentos ao longo do tempo (por exemplo, a deterioração de produtos perecíveis) e segurança do produto por influenciando o crescimento de bactérias potencialmente nocivos. Em segundo lugar, o fornecimento destes alimentos é muitas vezes acompanhado de emissões de GEE. Em terceiro lugar, os produtos alimentares com vida útil curta requerem sistema de distribuição eficiente devido a seu risco de alta qualidade deterioração. Por último, as iniciativas de responsabilidade social, tais como comércio justo e local podem afetar a forma como qualquer cadeia de abastecimento alimentar (CAA) opera.

A produção sustentável de alimentos está a tornar-se popular devido ao aumento da consciência e visibilidade das questões ambientais, económicas e sociais da CAA geral. Como van der Vorst, Tromp, e van der Zee (2009) observaram, os consumidores depositam maiores expectativas sobre sustentabilidade alimentar com especifica ênfase em aspetos relacionados com a energia, emissões, qualidade e segurança alimentar, e responsabilidade social. Esta tendência mudou profundamente a configuração e o modo como os sistemas de abastecimento de alimentos atuam, resultando em mais tecnologias operacionais eficientes que são projetadas para otimizar cadeias de abastecimento alimentar sustentáveis (CAAS).

Uma cadeia de abastecimento alimentar sustentável envolve diferentes segmentos que colaboram para fornecer aos consumidores finais produtos à base de plantas que compreendem a produção agrícola, processamento de alimentos, distribuição, venda a retalho, e o seu consumo. Estes segmentos correspondem a agentes tais como os agricultores, processadores, distribuidores de alimentos, vendedores e consumidores.

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Enquanto cada ator na cadeia de abastecimento sustentável de alimentos usa recursos naturais que incluem água, solo, ar e energia como entradas, o objetivo ideal é criar uma cadeia reversa de fornecimento de alimentos com um feedback em todo o processo. Através de suas atividades de produção e consumo, as CAAS geram grandes questões ambientais, sociais e económicas (Zhu, Z. et al., 2018).

De uma forma geral as questões ambientais incluem emissões de GEE, consumo de energia, questões ecológicas, e o consumo de recursos naturais, incluindo a água e a terra, outras questões como a poluição relacionada com a produção agrícola, bem como o uso de fertilizantes e pesticidas (Zhu, Z. et al., 2018).Os principais problemas sociais das CAAS inclui a segurança alimentar, bem-estar animal, justiça e emprego/formação. As questões económicas estão muitas vezes ligadas com as questões ambientais e sociais, incluindo rentabilidade, eficiência, preços na qualidade, as preferências do consumidor, otimização de custos e gestão de receitas (Brandenburg et al., 2014).

Diante dos desafios que estão associados com o uso intensivo de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos e outros recursos poluentes no sistema agrícola convencional, a produção agrícola de base ecológica ganhou maior atenção. Outros aspetos importantes de efeitos ambientais nas CAAS, devido às características de produção de alimentos, incluem a redução de resíduos alimentares, fatores biológicos (Abedi e Zhu, 2017), as condições meteorológicas (Borodin et al., 2014), e desperdício de alimentos (Sgarbossa e Russo, 2017).

Como Zhu, Z. et al., (2018) profere, de forma resumida, em primeiro lugar, os estudos que combinam questões ambientais e sociais, bem como questões económicas para alcançar a melhor compensação entre as diferentes dimensões sustentáveis, são muito limitados. Em segundo lugar, ainda há uma surpreendente falta de foco sobre a dimensão social, embora tenha atraído crescentes preocupações públicas. Em terceiro lugar, das emissões de GEE e consumo de energia são os temas ambientais mais populares, enquanto as questões ecológicas e os recursos naturais relacionados estão relativamente pouco focados. Em quarto lugar, dentro da dimensão social, a segurança alimentar é o aspeto mais investigado enquanto bem-estar animal e justiça

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foram abordados o mínimo embora estejam intimamente associadas com as características típicas de CAAS. Além disso, a segurança alimentar está estreitamente relacionada com a temperatura controlada através do uso de energia que é geralmente acompanhada de emissão de GEE.

A análise de Zhu, Z. et al., (2018) mostra que os estudos sobre processadores, distribuidores, bem como setores da indústria são muito populares, enquanto atores importantes nas CAAS, tais como clientes e agricultores são raramente considerados. Em primeiro lugar, surpreendentemente, nenhum artigo discute a preferência dos consumidores por atributos sustentáveis de produção e consumo de alimentos, especialmente a responsabilidade social do consumidor, o que pode afetar significativamente a otimização do CAAS. Em segundo lugar, toda a literatura revista sobre os agricultores se concentra principalmente nas suas decisões de produção agrícola. No entanto, não há nenhum estudo publicado sobre como proteger o seu lucro justo em toda a rede de abastecimento de alimentos.

Os autores supracitados afirmam ainda que muitas vezes as questões ambientais e sociais são sentidas como uma restrição ao objetivo custo / receita. Minimizar o custo total da logística e a quantidade total de GEE das operações de transporte é um dos objetivos da GCAS.

A incerteza sustentável das CAAS envolve os dois lados, o da oferta e o da procura. Do lado da oferta, a incerteza sustentável vem do risco de condições meteorológicas adversas, doenças de culturas e pragas, entre outros (Borodin et al., 2016). Do lado da procura, a incerteza sustentável vem da multiplicidade de preferências dos consumidores para os atributos sustentáveis e a sua vontade de pagar por esses atributos. Por exemplo, existem enormes diferenças na preferência do consumidor por atributos orgânicos e comércio justo o que pode afetar a produção de alimentos e até mesmo todo a CAA. Além disso, os riscos de segurança alimentar ao longo de toda a cadeia de abastecimento trazem consigo grandes desafios de incerteza para tomada de decisões de gestão (Zhu, Z. et al., 2018).

No geral, do ponto de vista da sustentabilidade, Zhu, Z. et al., (2018) insiste que é urgente desenvolver outras estratégias que sejam capazes de integrar questões

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económicas, ambientais e sociais, com atenção específica às preferências do consumidor e à cadeia de abastecimento de alimentos global e regional sustentável, considerando o armazenamento, transporte e distribuição sustentáveis com temperatura controlada. A segurança alimentar, o bem-estar dos agricultores, o bem- estar dos animais e a cadeia de abastecimento alimentar altamente integrada e orientada para a rastreabilidade4 pertence ao aspeto social.

As preferências do consumidor pelo consumo sustentável de alimentos é um tópico importante na cadeia de abastecimento alimentar. Embora existam alguns estudos empíricos a esse respeito, não se conhece nenhum estudo publicado pela CAA que considere a preferência do consumidor pelo consumo sustentável de alimentos.

Como o aumento da consciencialização sobre sustentabilidade, os consumidores consideram questões mais sustentáveis (por exemplo, baixo consumo de energia, baixa emissão, comércio justo) enquanto fazem as suas escolhas alimentares, e estão dispostos a pagar preços diferentes para diferentes níveis sustentáveis de alimentos (Zhu, Z. et al., 2018). Quase todos os estudos existentes sobre cadeia de abastecimento de alimentos consideram a procura do consumidor como um único conceito, sem considerar as diferenças nas preferências dos consumidores em relação ao consumo sustentável de alimentos. No entanto, as preferências do consumidor em relação a alimentos sustentáveis estão intimamente relacionadas com a procura de alimentos, conforme comprovado por sua disposição em pagar, e afetará outras decisões em toda a CAA.

Assim os autores acima mencionados explicitam que, exemplos destes incluem os métodos de produção dos agricultores (orgânicos ou tradicionais), as decisões de transporte dos distribuidores (baixo / alto consumo / emissão de energia) e a decisão da rede global de fornecedores (por exemplo, comprar café de países em desenvolvimento considerando o comércio justo). Portanto, incorporar as preferências sustentáveis dos consumidores, bem como sua disposição em pagar no formato da CAA, é uma direção de pesquisa promissora e relevante para esta temática.

4 Rastreabilidade é um conceito que surgiu devido à necessidade de saber em que local é que um

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A expansão sem precedentes e generalizada das cadeias de abastecimento alimentar em locais distantes e internacionais, como resultado da globalização, resultou no aumento da complexidade dos problemas de sustentabilidade. Do ponto de vista ambiental, o uso de recursos hídricos e as emissões geradas pela produção agrícola e pela logística global estão intimamente ligados à distribuição de alimentos ao longo da cadeia de fornecimento global. Do ponto de vista social, as iniciativas de comércio justo que ligam os pequenos produtores nos países em desenvolvimento a consumidores socialmente conscientes nos países desenvolvidos cresceram rapidamente durante a última década (Zhu, Z. et al., 2018).Portanto projetar e modelar a CAA globalmente sustentável, integrando características de alimentos (por exemplo, perecibilidade, consumo de recursos naturais, poluição de emissões) e as questões (sociais) sustentáveis associadas devem ser alvos de pesquisa profunda.

Zhu, Z. et al., (2018) dizem que apesar de alguns estudos considerem a relação entre temperatura e segurança / qualidade dos alimentos, faltam estudos que integrem mais consumo de energia, emissão e segurança / qualidade em modelos gerais de otimização da cadeia de abastecimento de alimentos. Por exemplo, são necessários estudos detalhados sobre como equilibrar a meta do consumo de energia, que é uma base para garantir a segurança / qualidade dos alimentos, controlando a temperatura, a emissão e o custo durante o armazenamento, transporte e distribuição de produtos alimentares.

Os autores acrescentam ainda que, embora os agricultores desempenhem um papel significativo na CAAS, eles são frequentemente negligenciados em pesquisas publicadas que otimizam a produção e o fornecimento. Os agricultores, especialmente pequenos agricultores, geralmente têm fraco poder de mercado em comparação com os seus concorrentes. Deve-se considerar o bem-estar dos agricultores como estratégia da cadeia de fornecimento de alimentos, para que os pequenos agricultores possam receber tratamento justo por parte do mercado e do governo, sendo esta uma importante questão social.

A rastreabilidade, que inclui rastreabilidade de produtos, rastreabilidade de processos, rastreabilidade genética, rastreabilidade de entradas, rastreabilidade de doenças e

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pragas e rastreabilidade de medições, desempenha um papel importante no controle de vários problemas ambientais de CAAS (Piramuthu e Zhou 2016). Embora vários trabalhos de pesquisa publicados tenham discutido aplicações de rastreabilidade em CAA, ainda há muitos elementos em faltam. Por exemplo, com a ajuda da visibilidade gerada por IRF (Identificação por radio frequência), uma empresa alimentícia é capaz de obter fluxo de stocks de produtos alimentícios em tempo real, bem como informações sobre contaminação em toda a sua rede de produção e distribuição. Como projetar e otimizar a rede de fornecimento de alimentos com base em tais informações em tempo real é um problema valioso a ser abordado (Zhu, Z. et al., 2018).

Como Zhu, Z. et al., (2018) explica, as informações perfeitas raramente estão disponíveis na maioria dos cenários de gestão de cadeia de abastecimento e de processos de negócios. Na realidade, apenas uma fração de itens pode ser identificada e as informações imperfeitas de gestão de processos de negócios podem ser obtidas. O IRF tem a capacidade de rastrear e delinear itens em tempo real no nível do item. No entanto, devido a restrições técnicas e monetárias, nem todos os componentes da cadeia de abastecimento podem ser identificados e rastreados exclusivamente com IRF. É especificamente o caso das CAA, devido aos desafios técnicos associados à colocação de etiquetas IRF em produtos de cadeia de frio. Do ponto de vista financeiro, a adoção da tecnologia IRF em nível de item pode ser cara para os fornecedores do setor alimentício devido às margens operacionais precárias. Como resultado, a maioria das aplicações de IRF na indústria de alimentos permanece no nível de palete, e não no nível de item. Para que a cadeia de abastecimento alimentar orientada para a rastreabilidade se torne uma realidade, é necessário abordar estes problemas práticos.

A otimização do planeamento sazonal é um importante problema de pesquisa ambiental. A terra torna-se estéril depois de várias estações agrícolas com a mesma cultura. Zhu, Z. et al., 2018 informa-nos que as práticas atuais bem como as pesquisas não são de certo modo otimizadas, para não dizer completamente muito "insustentáveis", como o uso excessivo de fertilizantes, produtos químicos para controle de pragas e água limpa. A otimização do planeamento de longo prazo,

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portanto, deve se tornar uma parte muito importante da pesquisa de sustentabilidade da CAA.

As novas tecnologias digitais estão a criar grandes oportunidades para a indústria de alimentos e reformularam a CAA, e por isso Zhu, Z. et al., (2018) desenvolve que as mesmas estão a conectar produtores de alimentos e consumidores de muitas maneiras novas. A produção de alimentos está a localizar-se cada vez mais em torno das cidades, impulsionada pela procura por alimentos locais. As tecnologias digitais, como IoT5 (Internet of Things), têm o potencial de permitir que os mercados localizados prosperem, enviando sinais em tempo real dos consumidores para os produtores e retornando ao longo da cadeia de valor. Novas abordagens digitais na indústria de alimentos mudaram muito os processos operacionais e de negócios, necessitando de revisões de modelos analíticos existentes neste domínio para acomodar as mudanças.

Outra grande força na transformação das CAA digitais é a análise de dados, em que Zhu, Z. et al., (2018) decide ir mais longe a chega mesmo a exemplificar que, aproximar-se das preferências do consumidor é vital para as empresas em mercados em rápida evolução. Atualmente, uma empresa pode aproveitar a tecnologia digital e os dados para otimizar onde e o que eles vendem. Os dados de transação adquiridos em tempo real capacitam o negócio de retalho de alimentos para vender o que os consumidores querem, quando e onde eles querem, a preços competitivos. Eles podem controlar o seu inventário para reduzir o desperdício, o que também reduz os custos. Zhu, Z. et al., (2018) verificou que a sua análise de dados é inestimável, no mínimo, na redução do desperdício de alimentos, se não na prevenção do desperdício de alimentos, ao longo de toda a cadeia de fornecimento de alimentos.

A gestão de riscos é crítica devido às incertezas presentes na CAAS. Como modelar os riscos sustentáveis na CAAS tanto do lado da oferta (por exemplo doenças e pragas) quanto do lado da procura (por exemplo evolução das mudanças nas preferências do consumidor) bem como o risco de segurança alimentar em toda a cadeia de fornecimento é de grande importância. Apesar disto, Zhu, Z. et al., (2018) evidenciam

5 A Internet das coisas (IoT) é a rede de dispositivos físicos, veículos, eletrodomésticos e outros itens incorporados à eletrónica, software, sensores e conectividade que permitem que essas coisas se conectem, coletem e troquem dados, criando oportunidades para mais integração direta do mundo físico.

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que as publicações de pesquisa existentes fizeram contribuições importantes para o campo da CAAS, no entanto existem muitos desafios significativos e valiosas questões de pesquisa que merecem consideração.

Posto isto, e observados todos os desafios e obstáculos existentes na revisão de literatura que estão associados à sustentabilidade da CAA, há que criar uma convergência entre as mesmas e o seu impacto particularmente no negócio da castanha de modo a realçar as ameaças que podem pôr em causa uma gestão da cadeia de abastecimento da castanha.

Figura 7 – Desafios/Problemas

Como se pode verificar na figura supracitada, as problemáticas surgem de diversas origens, podendo elas ser de dimensão social, económica e ambiental. Onde nasce o problema foi o que foi identificado, as consequências que arrastam para as outras dimensões é que vão ser abaixo mencionadas.

45 Alterações climáticas - as alterações climáticas são importantes de visualizar em dois níveis: a alteração do clima em que cada vez mais se denota a septoriose6, bem como a falta de precipitação e consequentemente a seca que provoca uma diminuição abrupta na qualidade do fruto, ficando este mais propício ao desenvolvimento de bicho, já para não falar na falta de brilho e ainda um calibre bem menor. Noutro nível, o impacto deste calor na época de colheita desincentiva o consumo da castanha, que é um fruto consumido com o frio, e não com condições propícias para comer gelados.

As alterações climáticas constituem uma das maiores ameaças à sustentabilidade da castanha, uma vez que induz a uma maior debilidade das árvores, ficando estas mais suscetíveis às pragas e doenças, favorecendo ainda flutuações avultadas na produção anual, em função da quantidade de precipitação do ano e deslocalizando a cultura para zonas de maior altitude no interior de Portugal. A UTAD tem vindo a realizar diversos estudos com o intuito de conhecer as potencialidades desta espécie, de forma a criar e promover a utilização de estratégias para apaziguar o impacto destas ameaças. São já o caso da utilização do silício na fertilização como elemento indutor de tolerância ao calor e às doenças, e da utilização do Cillus Plus, bio produto que acelera a mineralização do fósforo orgânico no solo e por esta via a proteção dos castanheiros contra a doença da tinta, ou ainda a utilização de zeólitas, para aumentar o poder de retenção de água do solo.

Escassez de mão-de-obra - Outro fator real e existente é o facto de que os mais entendidos sobre a cultura do castanheiro são pessoas com mais de 50 anos e com um nível de instrução baixo, que dedicaram grande parte da sua vida a isso. Aqui é suscitada uma dúvida preocupante pelo facto dos agricultores, na sua maioria, terem uma idade avançada, o que os impossibilita de realizar algumas tarefas, que era usual realizarem e que o sabem fazer melhor que ninguém. A possível solução passará então pela procura de mão-de-obra que possa fazer esse trabalho, porém, surge aí novamente a incerteza de conseguir encontrar ou não alguém, visto que a falta de mão-de-obra no interior do país é uma lacuna gigantesca que carece urgentemente de

6 A septoriose é um fungo que ataca fortemente os castanheiros, e que é provocado pelas anormais condições meteorológicas, originando uma intensa e prematura queda das folhas e o aborto dos frutos.

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ser preenchida. E assim se cria um ciclo vicioso que provoca complexidades e que pode pôr em causa a sustentabilidade desta cadeia de abastecimento.

Roubo nos soutos - Uma vez que a castanha é um fruto com elevado valor económico, os roubos são uma realidade no período da sua colheita. Apesar da presença de roubos provindos de pessoas da própria região ou arredores, a verdade é que cada vez mais a maioria dos furtos são elaborados por mão estrangeira, essencialmente Búlgaros. Estes indivíduos instalam-se nas aldeias produtoras de castanha e são muitas vezes a solução face à escassez de mão-de-obra para a apanha, mas o problema é que juntamente com esta solução é arrastada a ambiguidade dos roubos, abuso perante os produtores e ainda causam enormes distúrbios socias.

Dependência do mercado externo – Portugal apesar da abastada produção de castanha ainda se encontra essencialmente no consumo da castanha a fresco. A

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