6. ESTRUCTURA DE LA INVESTIGACIÓ 1. METODOLOGIA
6.4 LES RÀDIOS EN CATALÀ A LES ILLES BALEARS
A leitura é uma habilidade de fundamental importância que o ser humano pode desenvolver. O domínio da leitura possibilita o acesso a várias informações, a aquisição de novos conhecimentos, a construção de opiniões, a compreensão das relações existentes entre pessoas ou fatos e, por conseguinte, a participação ativa no mundo letrado e mais consciente na sociedade.
O processo de aquisição de leitura e de seu desenvolvimento não é fácil. Constitui-se em algo bastante desafiador para a maioria dos alunos, professores, pais, entre outros. Comumente, esse processo inicia-se na escola, e desta espera- se que viabilize o ensino de leitura de forma eficiente. Porém, nem sempre a escola consegue realizar essa tarefa.
Britto (2003, p. 134) afirma que
Ler é uma maneira de estar informado e, neste sentido, de participar do espaço público; é um instrumento intelectual importante, articulando o domínio de discursos e formas de pensar bastante específicas; é uma ação tipicamente metacognitiva, já que no momento em que lê a pessoa não apenas explora um conteúdo como reflete sobre o texto que o apresenta de maneira muito mais intensa do que ocorre com outros meios; é uma situação que favorece o pensamento reflexivo e analítico, já que supõe monitoramento ativo e consciente da atividade intelectual; é uma possibilidade aguda de experiência estética sobre um objeto cultural intensamente elaborado e reelaborado.
Durante o ato de ler, são envolvidos não apenas os aspectos cognitivos e metacognitivos, mas também aspectos socioculturais, em que o leitor usa suas experiências para atribuir significado ao texto lido. Geraldi (2013) expõe que o leitor lê um texto escrito e, ao mesmo tempo, relaciona-o a conhecimentos que possui sobre o tema e, assim, atribui uma significação ao texto.
Segundo Britto (2003, p.116), devido ao fato de considerarmos que “o hábito da leitura é algo valioso e desejável”, acabamos por não refletir sobre alguns valores agregados aos discursos sobre leitura. Para o autor, essa é uma temática que envolve vários aspectos, entre eles, os aspectos éticos e políticos. Nesse sentido, o discurso da promoção de leitura é que essa seja ”uma forma de ampliar a
participação popular na vida pública e, desta maneira, aprofundar a democracia” (BRITTO, 2003, p.118). Essa é uma tese “parcialmente sustentável” (BRITTO, 2003, p.133), pois
(...) não são as habilidades pressupostas na leitura ou o gosto ou a determinação de ler que promovem a democracia e a participação social; ao contrário, é a possibilidade de participar da sociedade que permite o acesso à leitura. Dado que a sociedade capitalista, na forma em que se constitui, é estruturalmente excludente (...) (BRITTO, 2003, p. 134-135).
O autor assegura que a leitura, certamente, é um instrumento indispensável para a participação no espaço urbano-industrial e que ao sistema não interessa que o sujeito seja excluído socialmente, o que de fato interessa é “que a instrução (...) atue como forma de inclusão relativa” (BRITTO, 2003, p.136), capaz de tornar o sujeito mais produtivo, consumidor de produtos e respeitador de valores hegemônicos.
Embora o quadro que se apresente seja preocupante e desestimulante, ações são necessárias. Britto (2015, p 34) afirma que a escola “é lugar próprio de aprender e de aprender coisas que não se aprendem no trato da vida cotidiana”, portanto, a escola como um espaço privilegiado onde o conhecimento científico é divulgado e sistematizado, precisa direcionar um trabalho efetivo no ensino de leitura.
O desafio maior na formação do leitor está exatamente em produzir um ambiente e um movimento que, confrontando-se com objetos estranhos ou estranhando objetos conhecidos possamos progressivamente ampliar a crítica, a liberdade e a criatividade em nossas ações e escolhas (BRITTO, 2015, p. 50).
O autor conduz suas análises e chega à constatação de que é preciso pensar uma educação de atitude, que fuja dos discursos fáceis e da adesão tranquilizante ao já conhecido.
Geraldi (2006, p. 90) defende que a leitura é uma das três práticas em que deve ser centrado o ensino e aprendizagem de LP. O autor sustenta que “Na escola não se lêem textos, fazem-se exercícios de interpretação e análise de textos. E isso nada mais é do que simular leituras”, portanto, a leitura analisada a partir das práticas escolares, não se enquadra no conceito sustentado por Marisa Lajolo (1982ab, p.59 apud GERALDI, 2006, p.90)
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir
relacioná-lo a todos os outros textos, significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria verdade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista.
Confirmando o que postula a autora, Geraldi (2006) afirma que a leitura é um processo de interação entre leitor e autor mediada pelo texto, momento em que o leitor assume um papel ativo na busca de significações para aquilo que lê. Nesses termos, uma questão fundamental a ser respondida é como associar uma concepção de leitura, concebida como processo de interlocução, com as práticas de leitura nas aulas de LP. Para o autor, a resposta depende da forma como se compreende e interpreta o fenômeno da linguagem.
Ao questionar a postura de leitores ante o texto, Geraldi (2006), sem querer estabelecer uma tipologia de vivências de leituras, recorda de sua experiência concreta de leitores algumas possíveis posturas e as destaca: a leitura como busca de informações; a leitura como estudo do texto; a leitura como pretexto e a leitura como fruição do texto. Atesta que o leitor, diante de qualquer texto, pode manter qualquer uma dessas relações de interlocução com o texto/autor.
Na leitura como busca de informações, o objetivo do leitor é extrair alguma informação do texto. O aluno, ao ler um texto apenas para responder as questões de interpretação, participa de um processo de simulação de leitura. No entanto, esse tipo de leitura, sendo norteado pela questão “para quê?”, pode ser orientada de outras formas, como: ler o texto para responder as perguntas estabelecidas em forma de roteiro e ler o texto para extrair as informações nele contidas sem seguir um roteiro. Nessa direção, é possível ir além das informações superficiais do texto, chegando até suas informações mais profundas.
Já para a leitura como estudo do texto, o autor apresenta um roteiro, o qual classifica como amplo e útil, que consiste em especificar no texto: a tese, os argumentos, os contra-argumentos e a coerência entre tese e argumentos. Nesse direcionamento, é possível que o leitor dialogue com texto e que essa interlocução seja mais efetiva.
A leitura do texto como pretexto serve para a produção de outros textos, como por exemplo, ler uma narrativa para depois dramatizá-la. Geraldi (2006) defende a utilização desse procedimento devido à interlocução que se estabelece. Na leitura como fruição do texto, o autor tenta recuperar uma experiência que está
praticamente distante das aulas de LP que é o ler por ler, sem se preocupar com o controle do resultado.
Ler por prazer é fundamental para o esforço do incentivo à leitura. Para esse fim, faz-se necessário recuperar três princípios básicos da vivência de um leitor. O primeiro é o percurso como leitor – o contato com o primeiro livro e os passos realizados enquanto leitor. Em seguida, as escolhas dos livros que lerá - motivada pelas indicações de amigos, curiosidade etc. Enfim, a quantidade de livros lidos – implica na qualidade da leitura, pois a profundidade atingida diante um texto depende das leituras anteriores.
Concebemos que todas essas posturas são possíveis de serem adotadas no processo de ensino e aprendizagem de leitura, considerando as necessidades apresentadas pelos alunos-leitores, o contexto em que estão inseridos e as condições de trabalho oferecidas ao professor. No entanto, para desenvolvê-las, o docente, a partir de seu embasamento teórico a respeito das concepções de linguagem e de leitura, precisa propor um trabalho pedagógico que promova o desenvolvimento de habilidades, ampliando o nível de proficiência leitora dos aprendizes.