2 El context tècnic
2.3 La toponímia com eina territorial
2.3.2 Les etimologies dels topònims
Segundo Bourdieu, o ofício do cientista social constitui-se na construção de um objeto a ser estudado, sendo que o seu maior mérito seria “constituir objetos socialmente insignificantes em objetos científicos, ou... reconstruir cientificamente os grandes objetos socialmente importantes, apreendendo-os de um ângulo imprevisto” (Bourdieu, 1989, p. 20), ou seja, o Cientista Social deve atentar mais para os procedimentos metodológicos na construção de um objeto de estudo, do que para a importância social ou política do objeto em si.
Bourdieu dá continuidade à sua reflexão sobre o ofício do Cientista Social lançando a problemática de que o próprio Cientista Social é fruto da sociedade e, consequentemente, acabará por reproduzi-la e perpetuá-la, mesmo que inconscientemente. Como um possível contrafogo a esta armadilha, o autor lança mão da necessidade de se construir uma história social das coisas, quer dizer, “do trabalho social de construção de instrumentos de construção da realidade social... que se realiza no próprio seio do mundo social, no seu conjunto, neste ou naquele campo especializado e, especialmente, no campo das ciências
sociais” (Bourdieu, 1989, p. 36). Tendo isso em mente, o Cientista Social poderá evitar o
problema de ser “objeto dos problemas que se tomam para ser objeto” (Bourdieu, 1989, p. 37). Mais adiante Bourdieu detalha sua proposta de análise, afirmando que
é preciso fazer a história social da emergência desses problemas, da sua constituição progressiva, quer dizer do trabalho coletivo – frequentemente realizado na concorrência e na luta – o qual foi necessário para dar a conhecer e fazer reconhecer estes problemas como problemas legítimos, confessáveis, publicáveis, públicos e oficiais (Bourdieu, 1989, p. 37).
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Desde os clássicos ao cenário atual. Considera-se aqui como clássico a gênese do pensamento das Ciências Sociais contida nas obras de Karl Marx, Max Weber, Émile Durkheim. No cenário atual considera-se as abordagens mais recentes contidas nas obras de Peter L. Berger, Clifford Geertz, Pierre Bourdieu, ademais de outros autores expressivos do quadro das Ciências Sociais.
O autor busca chamar a atenção sobre o fato de que os problemas são socialmente
produzidos, “num trabalho coletivo de construção da realidade social” (Bourdieu, 1989, p.
37), lembrando que este processo de construção é contínuo e submerso em conflitos e disputas socialmente travadas. Após expor sua percepção o autor traz à tona a questão do cientista como perito da verdade, contudo ele problematiza a suposta autoridade da ciência para garantir ou afiançar a universalidade, a objetividade, o desinteresse da representação burocrática dos problemas. Ao problematizar a legitimidade da ciência, Bourdieu coloca em cheque a sua própria legitimidade, contudo afirma que o Cientista Social
digno deste nome, que faz o que é preciso fazer, em meu entender, para ter alguma probabilidade de ser verdadeiramente o sujeito dos problemas, que se podem por a respeito do mundo social, deve tomar para objeto a construção que a sociologia, os sociólogos, quer dizer, os seus próprios colegas, dão, com toda a boa fé, para a produção dos problemas oficiais (Bourdieu, 1989, p. 38)
Assim, o autor demonstra, mais uma vez, que até mesmo o conhecimento científico está submetido às influências da realidade social e que, por isso, em alguns momentos, para que se pratique a dúvida científica dentro da própria ciência, o cientista deve se colocar “um pouco fora da lei” (Bourdieu, 1989, p. 39), no sentido de romper com as “crenças fundamentais do corpo de profissionais, com o corpo de certezas partilhadas que fundamenta a communis doctorum opinio” (Bourdieu, 1989, p. 39). Com efeito, o autor também demonstra que os peritos acabam por acumular em suas mãos um determinado capital simbólico específico de sua área, logo, eles acabam por deter uma espécie de monopólio de exercício de poder através da dominação exercida pelo uso justamente do monopólio do seu capital simbólico específico.
Nesse sentido, em outra obra sua, Bourdieu (1983, p. 122), ao comentar sobre a construção do conhecimento científico, mais uma vez afirma que “O universo “puro” da mais “pura” ciência é um campo social como outro qualquer, com suas relações de força e monopólios, suas lutas e estratégias, seus interesses e lucro”, ou seja, mesmo a ciência, revestida da mais “pura” teoria e armada com o mais “neutro” dos métodos, está sujeita às condições sociais da qual emerge. Levando a cabo esta idéia, Bourdieu estrutura o campo científico, ou seja, ele descreve qual a estrutura da ordem estabelecida dentro desse campo. Para tanto, este autor conceitua campo científico como
o lugar de uma luta, mais ou menos desigual, entre agentes desigualmente dotados de capital específico e, portanto, desigualmente capazes de se apropriarem do produto do trabalho científico que o conjunto dos concorrentes produz pela sua colaboração objetiva ao colocarem em ação o conjunto dos meios de produção científica disponíveis (Bourdieu, 1983, p. 136)
O que se pretende demonstrar com a exposição das reflexões de Bourdieu é que mais uma vez retorna-se à idéia de que a realidade social é algo socialmente construído, consequentemente os campos específicos também o são. É assim que Bourdieu afirma que os peritos são um determinado corpo de agentes que detém capital simbólico de seu respectivo campo como ferramenta de manutenção desse capital simbólico em suas mãos (seja ele jurídico, científico, artístico, etc). Então eles só continuam exercendo o poder advindo do capital simbólico que lhes é caro, em função de deterem o monopólio deste capital, ou seja, em função de serem seus experts. Em outras palavras, são peritos de determinado campo, logo detêm o capital simbólico para dar continuidade à estrutura já concretizada nesse espaço de disputa, mesmo que inconscientemente. Contudo, mais uma vez é imperioso lembrar que existem desigualdades dentro do próprio campo, no sentido de existir uma estrutura hierárquica deste que está submersa cotidianamente a disputas e conflitos sociais.
Assim, Bourdieu coloca à disposição para estudo um leque de campos específicos, entre eles o campo jurídico. Dentro destes campos também existem peritos que estão em contínua disputa e conflito pelo acúmulo de capital simbólico, ajudando, assim, a perpetuar o sistema de dominação já estabelecido em seu campo, mesmo sem disso se darem conta. Com isso, utiliza-se , a seguir, como ferramenta de análise, a discussão específica do campo jurídico, dos seus agentes e seus respectivos modus operandi44.