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3. LEGEMIDDELMARKEDET I NORGE

3.1 Legemiddelmarkedet

primeira pessoa e apresentarei o percurso metodológico realizado nesta pesquisa junto ao campo de investigação e aos participantes.

Trabalho há doze anos como psicóloga escolar deste campo de pesquisa e a minha história de formação e atuação enquanto profissional da psicologia ligada à educação tem a idade de dezessete anos. Nestes jovens anos, meu foco de intervenções, pesquisas e práticas esteve ligado às questões educativas, assim como às suas formas de interação e os fatores sociais, históricos e políticos que as influenciam.

Diante da oportunidade de realizar este Mestrado, continuei voltando os meus interesses para as questões educativas, agora com o enfoque da Sociologia da Educação. Escolher a temática de pesquisa não foi tarefa fácil, diante das inúmeras e atrativas possibilidades que a escola em que atuo possui e que fariam um ótimo diálogo com as

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questões sociológicas. Porém, o espaço das “rosquinhas” sempre foi alvo de minha atenção. Nas circulações que fazia pelo Campus Natal-Central, enquanto profissional técnica- administrativa e principalmente enquanto educadora, as “rosquinhas” foram alvo de meu interesse não somente pela grande concentração de alunos no espaço, mas pelo caráter das relações sociais lá presentificadas, dotadas de afeto e espontaneidade.

Além disso, as relações sociais, no caso desta dissertação - as relações sociais no espaço escolar, tem sido uma temática que possuo muita identificação. A vivência escolar, através das diversas experiências de interação proporcionadas, foi algo que também construiu minha identidade, enquanto cidadã e enquanto pessoa ativa, que valoriza a força coletiva, o debate e as decisões participadas horizontalmente.

Outra motivação que tive para a pesquisa foi a necessidade de dar voz e representatividade a esse espaço que percebia enquanto educativo. No desenvolvimento da pesquisa, houve então para mim um sentimento de intercâmbio: na medida em que a instituição em que trabalho permitiu que pudesse ser desenvolvido este trabalho acadêmico e que os estudantes se dispuseram a participar da construção desta pesquisa, as duas instâncias também puderam adquirir reflexões advindas do próprio processo da pesquisa.

Enquanto eu trocava diálogos com estudantes, seja nas conversas informais, seja nos grupos de discussão (focus group), percebia que eles refletiam acerca de seus papéis enquanto estudantes participantes do espaço das “rosquinhas”. Do mesmo modo ocorria com a instituição escolar. Era comum os profissionais com os quais trabalho ou até mesmo aqueles que não possuía muita proximidade, ao encontrar-me comentarem sobre alguma atividade ou situações ocorridas no espaço, sabendo que era o campo de pesquisa em que eu estava atuando. Assim, dialeticamente, a pesquisa foi ganhando sentido em que pesquisadora e participantes foram re-significando os seus papéis.

Percebi, inclusive, que ações destinadas aos estudantes realizadas pelos profissionais da instituição tiveram como espaço escolhido “as rosquinhas” com maior frequência. Nos meios de comunicação da escola já se faz referência a este espaço como “rosquinhas” ou “praça das rosquinhas”, o que não era costume fazer esta denominação, pois os canais de comunicação eram antes destinados a divulgar prioritariamente atividades formais nos espaços formalizados da instituição.

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Como o método da pesquisa possuía um caráter de cariz etnográfico, necessitando de um tempo maior para observação e interação com o campo, o início da recolha dos dados se deu concomitante com escrita da fundamentação teórica. De início, conversei informalmente (coincidentemente no espaço das “rosquinhas”) com a Direção da escola acerca da pesquisa em sua forma inicial e seus objetivos. Obtive boa receptividade não somente por parte do diretor, mas de todos os profissionais que pude partilhar um pouco das pretensões da investigação. Em seguida, obtive uma declaração escrita do Orientador científico emitida pela Universidade do Minho para dar conhecimento formal à Direção escolar acerca da recolha de dados na instituição. Outro procedimento a nível formal foi a abertura de processo solicitando autorização da Instituição em suas instâncias superiores, como Reitoria e Pró-Reitoria de Pesquisa, a fim de dar conhecimento do projeto da pesquisa e solicitação de anuência para realização das técnicas de recolha dos dados.

Meus momentos iniciais no espaço das “rosquinhas” me causavam uma certa estranheza e eu me perguntava: o que devo observar? O que devo registrar? O que é relevante para a pesquisa? A partir de então, em cada observação, eu ia amadurecendo o olhar para ver os fatos além do que demonstravam aparentemente. De início, o exercício de observação com viés etnográfico era desconhecido para mim e por mais que eu fizesse leituras sobre o método, só pude compreendê-lo na prática. Precisei exercitar sair do impulso inicial de descrever o que os estudantes faziam e os fatos que aconteciam no espaço das “rosquinhas” e passar para o olhar etnográfico, de saber que eu estava presente em campo, mas com o objetivo de compreender a percepção dos jovens estudantes, frequentadores daquele espaço.

Nas primeiras observações, preferi não dialogar diretamente ou fazer abordagens aos estudantes, apesar de estar sempre à mostra, ocupando a posição consciente de meu papel de observadora. Alguns poucos estudantes vinham à minha procura perguntar-me o que eu fazia ali, ou “porque a psicóloga está nas rosquinhas”. Este era um bom momento em que eu expunha o motivo da minha presença nas rosquinhas e que o meu lugar naquele momento não era da profissional da instituição já conhecida por alguns, mas sim de pesquisadora numa investigação de caráter qualitativo. Assim, fui me tornando “conhecida” como pesquisadora e minha presença foi se tornando natural e tranquila, gerando um campo de confiança. Por vezes, sentia necessidade de fotografar os momentos do cotidiano que observava, mas não tive a pretensão de fotografar rigidamente cada momento ou evento que acontecia nas

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“rosquinhas”, seja por não ser possível a minha presença em todos os eventos ocorridos lá, seja por preferir ater-me mais à observação e ao diálogo informal com os estudantes..

No decorrer das idas ao espaço das “rosquinhas”, comecei a abordar os grupos de estudantes que ficavam lá reunidos, conversava com casais de namorados, com duplas, com estudantes sozinhos, com grandes e pequenos grupos. Neste momento de campo, buscava trazer questões abertas e flexíveis que estivessem relacionadas com os objetivos do projeto da pesquisa. Às vezes, apenas um estudante em um grupo se detinha a dialogar comigo, outras vezes, todo o grupo se empolgava a dar suas opiniões, ao mesmo tempo, permeadas por brincadeiras e piadas ou tomando forma de uma discussão amadurecida. Nessas conversas informais, as chamadas entrevistas etnográficas, pude recolher variadas e ricas informações, acerca dos pontos de vista e percepções que os estudantes tinham do espaço das “rosquinhas”. O método de cariz etnográfico possibilitou, através das conversas informais, não somente a captação de informações, mas uma reflexão dos estudantes, pois ao mesmo tempo que se dispunham a contribuir com as questões trazidas iam misturando seus discursos e refletindo sobre o significado do espaço das “rosquinhas” e seus papéis enquanto frequentadores.

A postura ética foi-se tornando não mais uma preocupação exagerada, mas uma postura natural em que busquei ver os costumes, os comportamentos, as gírias, os “palavrões”, a forma de tratamento e de interação dos estudantes como sendo próprias deles, isentando-me de julgamentos, de surpresas ou constrangimentos diante do que eu observava.

A partir de um momento de observação em campo, fui percebendo que as informações que os estudantes partilhavam começavam a se repetir. Considerei que era o momento de saturação e voltei-me para a estruturação das já escritas notas de campo e para a continuidade da pesquisa teórica, que foi dialogando com os dados recolhidos.

Em diálogo com meu orientador científico e a partir dos dados das observações de viés etnográfico fui elaborando o guia para os grupos de discussão direcionada (focus group), sendo a próxima técnica do processo da pesquisa para completar a recolha dos dados qualitativos. Neste guia, fui abordando tópicos de discussão que não tivessem sido suficientemente trabalhados nas “rosquinhas” assim como temas relevantes que estivessem alinhados com a proposta teórica e o objeto da pesquisa.

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Definido o guia para a realização dos focus group em caráter de grupos de discussão, entrei em contato com o observador que estaria presente durante os grupos, para discutirmos acerca de questões pertinentes à pesquisa, características dos grupos de discussão, e questões éticas envolvidas. Combinamos que ele estaria presente no primeiro grupo e, caso percebêssemos constrangimentos ou receios advindos da sua presença, os grupos seriam realizados somente entre pesquisadora e estudantes. Após a realização do primeiro grupo percebemos espontaneidade por parte dos jovens e, assim, os grupos seguintes foram constituídos por mim, enquanto moderadora, pelo observador e pelos estudantes.

Organizamos uma sala em que pudesse haver privacidade e com acústica necessária para gravação. A sala escolhida foi uma sala de reuniões da Instituição, não diretamente ligada a um setor específico. As cadeiras foram organizadas em círculo, com uma pequena mesa no centro, especialmente para acomodar o gravador. O observador ficou sentado em outra mesa, numa distância suficiente do grupo, dispondo de outro equipamento de gravação para garantirmos que não perderíamos nenhum momento das discussões.

Local organizado, fui em busca dos possíveis participantes. A seleção foi em forma de convite aos estudantes que estavam nas próprias “rosquinhas”. Eu chegava nos grupos, informava acerca da pesquisa e da técnica do focus group e convidava os estudantes para a realização de um debate na sala de reuniões próxima às “rosquinhas”. Alguns aceitavam de imediato e outros não, em média quarenta minutos se faziam necessários para recolher a quantidade mínima de seis estudantes. Também os deixava livres para convidarem algum amigo para participar. As únicas condições para participação nos grupos de discussão eram ser aluno do Ensino Técnico Integrado e ter alguma proximidade com as “rosquinhas”. O número mínimo de participantes eram seis. Porém, uma situação interessante ocorreu. Na realização do último focus group, além dos seis convidados que aceitaram participar, mais dois estudantes apareceram pouco antes do início da discussão, pois tinham ficado sabendo através dos amigos sobre a atividade e perguntaram-me se podiam participar, ficando então o último grupo com oito estudantes.

Durante o convite, algumas questões como anonimato, confidencialidade, participação voluntária e utilização dos dados da pesquisa já eram adiantadas, pois poderiam ser informações necessárias para o estudante decidir ou não participar. Ao adentrarem na

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sala, um pequeno lanche fora ofertado a cada grupo em forma de acolhimento e receptividade. Após esse momento, sentávamo-nos no círculo e eu começava me apresentando e apresentando o observador e perguntava se alguém teria alguma consideração a fazer acerca da presença do observador. Os participantes se mostravam tranquilos quanto a isso.

Em seguida, prossegui com as orientações acerca do caráter do grupo, especialmente no incentivo à livre discussão, na qual os pontos de vista emitidos estariam isentos de julgamentos e não existiriam respostas certas ou erradas. Encaminhei-me então para o recolhimento de assinaturas dos estudantes acerca da autorização para participar da pesquisa, assim como a gravação das falas. Os estudantes menores de dezoito anos levavam os termos de consentimento para os responsáveis assinarem e me devolviam em seguida. Buscava não dar um lugar de destaque a esse momento formal e documental, para prosseguirmos para a discussão em grupo. Tendo sido dadas as informações necessárias e retiradas todas as dúvidas, iniciávamos a discussão em grupo. De maneira geral, todos os grupos foram bastante participativos e envolvidos com as temáticas apresentadas. O meu posicionamento esteve a favor de suscitar questionamentos acerca das temáticas do guião para que o grupo livremente emitisse seus pontos de vista e reflexões.

A técnica do focus group, sendo tomada em caráter de grupo de discussão direcionada, possibilitou reflexões coletivas, não sendo uma entrevista estruturada dirigida “um a um”, mas sim uma técnica instigadora da fala em grupo, em que os participantes eram influenciados mutuamente, numa dinâmica de expressões tanto variadas quanto semelhantes. Ao final dos grupos de discussão, agradecia aos estudantes e ficávamos eu e o observador anotando algumas impressões acerca das expressões não-verbais dos grupos ou outras situações pertinentes.

Após a realização dos grupos, partíamos para a transcrição, num árduo exercício de transcrever as falas literalmente, incluindo as pausas emitidas nas falas assim como os “erros ortográficos” ou de concordância característicos dos discursos orais. A cada escuta dos grupos, ideias para a análise a luz da literatura escolhida para este trabalho iam surgindo.

Tendo em mãos todos os dados recolhidos, a escrita da análise e interpretação dos dados continuará à luz da literatura apresentada, que será o próximo tópico desta dissertação.

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Ninguém educa ninguém, ninguém educa si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. (...) Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo, em que crescem juntos e em que os “argumentos de autoridade” já, não valem. (Paulo Freire. Pedagogia do oprimido. 1987, p. 39)

Este capítulo se propõe a trazer reflexões acerca dos dados recolhidos nesta investigação qualitativa. A análise que se segue está ancorada a partir das observações de cariz etnográfico em campo e da realização dos grupos de discussão (focus group) com estudantes frequentadores do espaço das “rosquinhas” do Campus Natal-Central do IFRN. Além disso, para compor o cenário de análise, algumas fotos realizadas durante o percurso de observação em campo e um apanhado de produções escritas dos estudantes também integrarão este momento de escrita.

Inicialmente, será exposto o perfil do público da pesquisa que são os estudantes do Ensino Técnico Integrado, sendo abordado primeiramente o perfil de caráter amplo e em seguida, o perfil dos participantes dos grupos de discussão (focus group).

4.1. Estudantes do Ensino Técnico Integrado

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