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INNLEDNING

In document HELSEØKONOMISK FORSKNINGSPROGRAM (sider 5-9)

Na abordagem qualitativa existe uma diversidade de técnicas de recolha de dados. O pesquisador realizará a escolha e analisará a aplicabilidade acerca da técnica em sintonia com a problemática, com os objetivos da investigação, com o contexto da pesquisa, assim como em adequação aos participantes.

Em harmonia com a abordagem qualitativa e com a proposta de cariz etnográfico já descrita acima, a técnica do focus group integrará a recolha de dados desta investigação. Sendo uma técnica de dinamicidade e circularidade (Backes & Col, 2011), favorece à investigação a compreensão das “concepções grupais acerca de determinada temática” (p.

4 Para ilustrar este aspecto, ver apêndice VIII que compreende uma recolha fotográfica acerca do espaço das

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439). Para estes autores “o grupo focal representa uma técnica de coleta de dados que, a partir da interação grupal, promove uma ampla problematização sobre um tema ou foco específico” (p. 438). Backes e Col (2011) referem-se à técnica como uma entrevista onde a característica marcante é presença da interação. Trata-se de uma técnica que gera interações reflexivas, que vai além de uma entrevista em grupo, na qual todos devem responder individualmente às mesmas perguntas. Para Carrano (2017, p. 222) a interação social “torna- se um objeto específico de observação no grupo focal” e através desta interação, os discursos tornam-se entrelaçados entre os participantes.

A técnica do focus group diferencia-se de uma entrevista estruturada, pois o foco não reside em ouvir de cada participante do grupo as suas respostas individuais, ao invés disso, a técnica propõe:

o debate entre os participantes, permitindo que os temas abordados sejam mais problematizados do que em uma situação de entrevista individual. Os participantes, de modo geral, ouvem as opiniões dos outros antes de formar as suas próprias e, constantemente, mudam de posição, ou fundamentam melhor sua opinião inicial, quando envolvidos na discussão em grupo (Backes & Col, 2011, p. 439).

Nesta perspectiva, a técnica do focus group revela não somente a emissão de opiniões individuais, mas um pensar coletivo, reflexivo e dinâmico através da discussão em grupo. Backes e Col (2011), colaboram com este entendimento, quando afirmam que “o grupo focal tem como uma de suas maiores riquezas basear-se na tendência humana de formar opiniões e atitudes na interação com outros sujeitos” (p. 439). Na discussão promovida em um focus group, a divergência ou mudança de opiniões não deve ser cerceada, mas sim “legitimada pelo moderador” (Carrano, 2017, p. 222), não sendo necessário que todos os participantes possam ter igual ponto de vista em relação aos temas de discussão propostos, mas prioritariamente a possibilidade de se expressarem livremente em seus pontos de vista.

A técnica do focus group está assemelhada ao chamado grupo de discussão. Segundo Santos (2009, p. 94), o grupo de discussão tem sido “uma ferramenta muito importante ao serviço da investigação qualitativa, particularmente no estudo de situações onde as subjectividades e a intersubjectividades se cruzam, nomeadamente no universo escolar”.

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A concepção do focus group para Carrano (2017, p. 223) está relacionada a “uma técnica de pesquisa qualitativa concebida para gerar uma discussão focalizada dentro de um grupo sobre um tema proposto”. Segundo o autor, o grupo deve conter de seis a dez participantes e será convidado a discutir coletivamente sobre um tema proposto por um moderador. Ainda segundo Carrano (2017), o tema de um grupo focal deve “suscitar uma discussão, ter um perfil minimamente problemático, ao qual a argumentação dos presentes, possa por assim dizer, agarrar-se” (p. 225). O tema de discussão é proposto ao grupo pelo moderador, que terá o papel de instigar e facilitar o debate.

O moderador do grupo de discussão poderá assumir diversas formas quanto a condução do grupo, desde a postura de maior diretividade até a não-diretividade, limitando- se apenas a introduzir o tema e informar as regras do processo da discussão. Neste sentido, ilustra Santos (2009) acerca do papel do moderador na condução da técnica:

um processo não directivo, no qual se vai desenvolvendo uma conversa assente num guião, estruturalmente maleável, basicamente constituído por uma "lista de temas". No entanto, todo este processo acaba por exigir do investigador/moderador determinadas características pessoais e humanas para não se impor em demasia exercendo apenas um controlo “suave e não intrusivo” (p. 98).

Diante da complexidade das relações humanas, assim como no tocante aos processos pertencentes às situações educativas e aos ambientes escolares, Santos (2009) afirma que o papel do moderador deve estar voltado a

promover a confiança de todos os participantes, estimular, compreender e aceitar as ideias de todos de modo a integrá-las sem manipular ou cortar o discurso dos actores envolvidos e, em segundo lugar, manter uma postura que, gradualmente, passe de uma não directividade explícita a uma directividade implícita (p. 97).

Algumas habilidades são importantes ao moderador no processo de condução dos grupos de discussão. Dentre elas podemos elencar: postura cordial e leve, a flexibilidade para improvisação no momento da discussão, a capacidade de escuta e abertura às diferentes opiniões, assim como informar com clareza aos participantes quanto às questões éticas da pesquisa, assim como o resguardo quanto ao sigilo e utilização dos dados da pesquisa. Para Santos (2009) ao moderador possui “uma função essencial, particularmente no que respeita

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à responsabilidade de criar um bom ambiente alicerçado na confiança e na confidencialidade que permita o desabrochar natural das intervenções de todos os participantes” (p. 99).

Para Carrano (2017), na prática do focus group, além do moderador, que possui a tarefa de conduzir a discussão, também está presente a figura do observador. A este cabe a observação da interação entre os participantes e destes com o moderador, além dos aspectos gestuais presentes no momento da discussão. Backes e Col (2011, p. 440) ressaltam o papel do “observador no registro da dinâmica grupal, no monitoramento do equipamento de gravação e na realização de anotações que favoreçam a transcrição dos dados”.

Para Carrano (2017), a configuração dos focus group numa investigação está associada “às perguntas a partir das quais se move o estudo” (p. 232). Para o autor, o grupo poderá ser natural, constituído por pessoas que já tinham algum vínculo anteriormente à realização da técnica, ou artificial, “constituído por pessoas reciprocamente estranhas” (p. 226). Além disso, sugere-se que o grupo tenha certa familiaridade com o tema proposto para discussão (homogeneidade). Para Backes e Col (2011), ao menos uma característica em comum é recomendável na formação do grupo, além disso, o critério da homogeneidade poderá “potencializar as reflexões acerca de experiências comuns” (p. 440).

Assim, diante do exposto, a técnica do focus group, dotada de caráter interativo e reflexivo, torna-se uma importante ferramenta para a recolha de dados no contexto da presente investigação. Propiciará desta maneira uma maior aproximação e envolvimento dos participantes ao enfocar as questões de socialização e aprendizagens não-formais e informais no contexto educativo. Diante do objeto e participantes da investigação, a técnica do focus group receberá a designação de Grupos de Discussão, por apontar para uma proposta mais flexível, aberta e adaptada para o trabalho com os jovens estudantes. Mais à frente deste trabalho e ainda neste capítulo, no tópico nomeado “percurso metodológico reflexivo – carcterísticas e repercussões”, será explorado com detalhes como esta técnica foi operacionalizada.

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3.2.1.3. Registro fotográfico e textos produzidos pelos participantes

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