PRODUTIVOS
Cirlei Marieta de Sena Corrêa72
Marcia Gilmara Marian Vieira73
Amanda Clemente Schlindwein74
Eixo Temático e Tema: EIXO 1: Educação Ambiental na construção das sociedades
sustentáveis.
Palavras-chave: Jardins produtivos; Mulheres na agricultura; Agroecologia.
Resumo Expandido: Este resumo tem o objetivo de socializar uma prática realizada no
projeto de Extensão da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. Sob a denominação
Educação para a Transformação: meio ambiente, saúde e gênero, o projeto assume a vanguarda de discussões e experiências sobre os temas que constam em sua denominação. A prática a ser socializada é sobre mulheres agricultoras da zona rural de Itajaí e seus jardins produtivos. A palavra jardim traz a memória um terreno onde se cultivam flores e plantas ornamentais. Conta a história que nos jardins suspensos da Babilônia também haviam inúmeras árvores frutíferas. Conjecturamos que este é um autêntico exemplo de jardim produtivo, pois nele visualiza-se a beleza das plantas ornamentais bem como a luz do sol e o alimento que sacia a fome do homem. Encontramos em Mendes (S/D), a corroboração desta hipótese quando ele afirma que, historicamente, o espaço denominado quintal ou terreiro era concebido como espaço produtivo dos alimentos consumidos pela família. O tempo passou e o modelo de agricultura convencional passou definir as áreas para produção de alimentos. Surgem as hortas convencionais, onde a simetria das formas e espécies define os arranjos produtivos. Os canteiros de alfaces ou de couves organizados em grandes áreas retangulares são irrigados por água, mas também por substâncias agrotóxicas. A harmonia dos espaços e cores, embora aparentem, deixam em dúvida a segurança alimentar. Porém uma experiência realizada no projeto de extensão Educação para a Transformação: meio ambiente, saúde e gênero, evidencia que algumas famílias da zona rural de Itajaí, ainda concebem a ideia de jardins produtivos na organização de suas hortas. Em 30 de abril de 2016 realizou-se uma oficina sobre jardins produtivos na propriedade de uma agricultora, localizada no bairro Rio do Meio. O protagonismo da mulher se destaca entre as ações deste projeto de extensão encontrando respaldo no viés histórico dos primórdios da agricultura. Para De Biase (2007), a compreensão da produção de alimentos no enfoque da agroecologia passa pelo entendimento do papel da mulher na agricultura. Para o autor não há como se referir a agricultura sem referenciar o papel da mulher. Ela é provedora de vida, a representação simbólica da fertilidade da terra, a mãe terra, e identificação direta da prática agrícola, momento este em que o humano percebe a possibilidade de germinação da semente em contato com o solo (DE BIASE, 2007, p. 6). Mesmo que as práticas atuais de agricultura se afastem desta concepção, resolvemos referenciá-la em homenagem as mulheres protagonistas do
72 Universidade do Vale do Itajaí. E-mail: [email protected]
73 Universidade do Vale do Itajaí. E-mail: [email protected]
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o revista brasileira deeducação
ambiental
projeto Educação para a Transformação da UNIVALI. A oficina foi ministrada por parceiros componentes do Laboratório de Educação do Campo e Estudos da Reforma
Agrária – LECERA, da Universidade Federal de Santa Catarina. Acadêmicos e
professores da UNIVALI, maridos e filhos das mulheres também estavam ali para descobrirem o que era este tal de jardim produtivo. A manhã iniciou com uma roda de conversa sobre a vivência de cada agricultora. Cada uma contou sua história, evidenciando a forte relação delas com o compromisso na produção do alimento familiar. “Fazer a comida” é uma ação que todas conhecem. Aproveitando esta ação inerente a quase todas as mulheres do grupo, a palestrante conversou sobre a agroecologia enfatizando que seus praticantes têm o objetivo de aliar uma vida e alimentação saudável. Para Altiere (2008) a agroecologia é o tema central e o princípio daqueles que hoje praticam a agricultura sustentável. Uma nova abordagem que integra os princípios agronômicos, ecológicos e socioeconômicos à compreensão e avaliação do efeito das tecnologias sobre sistemas agrícolas e a sociedade como um todo (ALTIERE, 2008, p. 23). No diálogo com as mulheres, a palestrante esclareceu que para agregar tais princípios há necessidade de produção de alimentos sem agrotóxicos. Destacou que estes acontecem, efetivamente, quanto se tem jardins produtivos nos quintais de casa. Nestes espaços há o encontro entre a beleza, o lazer e produção de alimentos necessários para o consumo da família. A diversidade de espécies plantadas num jardim produtivo, também chamado por quintal produtivo por (PEREIRA, S/D) permite a harmonia de diversos seres vivos. Ervas medicinais, vegetais, frutas, legumes, flores e até animais constituem a paisagem destes espaços que, durante muito tempo, faziam parte dos quintais das casas nas zonas rurais. Após o diálogo a palestrante solicita que as mulheres desenhem as hortas que elas têm em casa. Sob o tema minha horta é assim, os desenhos foram feitos em papel pardo. A análise permite inferir que os modelos de hortas existentes nas casas podem ser caracterizados como jardins produtivos. A agricultora D, desenhou um lago com aves delimitado por uma cerca de madeira e muito próximo havia um canteiro de flores e verduras. Outra agricultora, representou sua horta de cebolinha e salsinha ao lado de um pé de urucum. A agricultora MTR fez questão de escrever que sua horta dá lucro e para justificar a frase desenhou um jardim com muitos elementos: esterco de gado, plantas medicinais, vagem, chás, cebola, repolho, brócolis, abacateiro e um jardim de flores estão plantados em seu jardim ao redor da casa. Mulheres da região rural de Itajaí continuam a plantar suas ervas medicinais junto com as flores e alfaces. Este modelo, denominado de jardim produtivo, oriundo das zonas rurais e que chegam agora aos ideais da cidade, ainda fazem parte das comunidades locais. Nas considerações finais destacamos a importância da ação desenvolvida no projeto de extensão. Ao permitir que as agricultoras fizessem um simples desenho de suas hortas analisando-os sob a ótica dos jardins produtivos, a Universidade valoriza os saberes locais utilizando-os como elementos estruturantes para o conhecimento científico.
Referências
DE BIASE, Laura. A condição feminina na agricultura e a viabilidade da
agroecologia. In: Revista Agrária, São Paulo, n.7, pp 4-36, 2007
ALTIERE, Miguel A. Agroecología: principios y estratégias para uma agricultura
sustentable em América Latina del siglo XXI. Tradução de Francisco Roberto Caporal.
In: O desenvolvimento rural como forma de aplicação dos direitos no campo: Princípios e
tecnologias ( MOURA, E.G. e AGUIAR, A. C. F., São Luís, UEMA, 2006. pp. 83 – 99). Brasília, 11 de novembro de 2006.
PEREIRA, Antônio Roberto Mendes. Quintal Produtivo. SERTA – Serviço de Tecnologia Alternativa, S/D.