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Ledernes handlingsrom

4. Analyse

4.2 Delanalyse 2 – Ledelse og endring sett fra ledernes perspektiv

4.2.4 Ledernes handlingsrom

A epistemologia, enquanto ciência positiva, estuda o “conhecimento” e, consequentemente, os problemas relativos à aquisição do mesmo por parte do ser pensante, isto é, o ser humano.422 O termo “conhecimento” figura aqui destacado tendo em vista que também é considerado um problema científico. Zagzebski423 acentua que o conhecimento é “relação”, como algo apropriado ao seu processo. E acrescenta: “De um lado da relação está um sujeito consciente, do outro está uma porção da realidade com a qual o conhecedor está direta ou indiretamente relacionado”424. E assim conclui: “conhecimento é crença resultante

dos atos de virtude intelectual”425, ou ainda: “é o contato cognitivo com a realidade resultante

dos atos de virtude intelectual”426.

Também chamada de “teoria do conhecimento”427, a epistemologia desenvolverá suas

problematizações em relação constante ao processo filosófico ocidental e ao método científico moderno, assim constituído.428 De ambos universos conceituais advirão questionamentos

sobre a sustentabilidade do conhecimento, isto é, suas bases e a garantia da verdade: estando o seu humano no centro do processo de conhecimento da realidade, e relacionando-se ele com todas as coisas através da razão, o único conhecimento com garantia de sustentabilidade será aquele advindo da experiência com a natureza e da interpretação racional dos conteúdos adquiridos.429 Logo, a objetividade da experiência ou experimentação científica da natureza acabará determinando a subjetividade das conclusões e das teorias científicas, como garantia de verdade.430 E disto, amparada nas proposições da filosofia clássica, advirá a formulação de

422 Cf. GRECO, John. O que é epistemologia? In: GRECO, John; SOSA, Ernest (Org.). Compêndio de epistemologia. SP: Loyola, 2008, p. 16.

423 Cf. ZAGZEBSKI, Linda. O que é conhecimento? In: GRECO, John; SOSA, Ernest (Org.). Op. cit., p. 153- 189.

424 Cf. Ibid., p. 153. Acrescente-se: “Partindo do pressuposto de que a relação direta é uma questão de grau, torna-se conveniente pensar no conhecimento de coisas como uma forma direta de conhecimento, em comparação ao conhecimento sobre as coisas, que é indireto” – cf. Id.

425 Cf. Ibid., p. 182. 426 Cf. Ibid., p. 183.

427 Sobre a história sintética da teoria do conhecimento, cf. HESSEN, Johannes. Teoria do conhecimento. SP: Martins Fontes, 1999, p. 14-16. Acrescente-se a respeito da posição da teoria do conhecimento no sistema da filosofia, segundo Hessen, que a ela seria adequada uma tripla qualificação: é uma teoria da ciência, do valor e da visão de mundo, cf. Ibid., p. 12-14.

428 É difícil distinguir a ciência da filosofia dos pensadores nos tempos ditos modernos. Estão profundamente relacionados nos questionamentos, como nas suas elucidações, como ainda nos princípios formulados. Não apenas a ciência e a filosofia, mas também a história, a literatura e a política. É o que sustenta Rossi, cf. ROSSI, Paolo. A ciência e a filosofia dos modernos. SP: UNESP, 1992.

429 Cf. HESSEN, Johannes. Op. cit., p. 119-129.

430 Cf. Ibid., p. 70-92. Hessen recorda que a resposta do “teísmo cristão” à questão da verdade do conhecimento reside formalmente na divindade como “princípio comum”, tanto do sujeito como do objeto do processo cognitivo, e assim: “Como causa criadora do universo, Deus coordenou de tal modo os reinos ideal e real que ambos concordam entre si, existindo, portanto, uma harmonia entre pensamento e ser. Assim, a solução do problema do conhecimento reside na idéia da divindade enquanto origem comum do sujeito e do objeto, da

uma “lei de causalidade” na natureza, capaz de determinar mecanicamente suas características e realidade.431

De uma pretensa e optada “lei de causalidade” para a concepção da natureza na ciência moderna, a filosofia da ciência co-optou certa “causalidade” no processo de construção sistemática do discurso científico, o que acabou por tornar a ciência, menos objetiva no sentido estrito da natureza.432 E assim, o método científico que originalmente tendeu a zelar pela representação da natureza, objeto de pesquisa e teorização, acabou perfazendo-se teoria da teoria, ou manutenção da abstração já teorizada, desvinculando-se daquilo que no início do processo científico da humanidade, sempre foi fundamental na aquisição do conhecimento.433

Esta “irrupção irresistível do formal”434 na lógica do pensamento moderno legou um

cenário de crise para a epistemologia científica, que, por sua vez, também dá forma metodológica à expressividade e comunicabilidade da ciência teológica – pois seu objeto de conhecimento não pode mensurado experimentalmente, no sentido expresso pelo método moderno, e sua objetividade não reside numa realidade da natureza, mas propriamente “metafísico”, pois se projeta para além desta realidade material e histórica, embora seja evidenciado nela.

Este cenário de crise não invalida o processo científico de busca do conhecimento, antes suscita a possibilidade de novos ambientes, com novos objetos, para o investimento da racionalidade ou dos, acima citados, “atos de virtude intelectual”, inclusive a divindade, na amplitude das manifestações religiosas, como Deus no estrito sentido cristão-católico.435 E assim, o método científico, dito positivo, também se inclina para a necessidade de um diálogo

ordem do pensamento e da ordem do ser” – cf. Ibid., p. 94. E ainda, cf. ABRANTES, Paulo. Imagens da natureza, imagens de ciência. Campinas: Papiros, 1998, p. 53-72.

431 Cf. HENRY, John. A revolução científica e as origens da ciência moderna. RJ: Zahar, 1998, p. 66-81. E ainda, cf. ABRANTES, Paulo. Op. cit., p. 73-108. É conveniente frisar que esta concepção causal e determinista vê-se criticada durante atualmente, inclusive por cientistas, que tem procurado enxergar o processo científico a partir de uma atitude intelectual diferenciada, cf. PRIGOGINE, Ilya. O fim das certezas. Tempo, caos e as leis da natureza. SP: UNESP, 1996.

432 Cf. HESSEN, Johannes. Op. cit., p. 148-159. Hessen situa esta problemática no horizonte de uma teoria especial do conhecimento, explicando que “a teoria geral do conhecimento investiga o relacionamento de nosso pensamento com os objetos de maneira geral”, enquanto a teoria especial do conhecimento o faria com “os conteúdos de pensamento” que se expressam nos relacionamentos com os objetos do conhecimento – cf. Ibid., p. 133-148.

433 Abrantes afirmaria que conforme a humanidade transformou sua visão de mundo e de natureza, também a ciência, enquanto método de abordagem, também o fez. Esta transformação na imagem da natureza e na imagem da ciência, ao longo da história de desenvolvimento do pensamento ocidental acabou determinando a obtenção e a sistematização do conhecimento – cf. ABRANTES, Paulo. Op. cit., p. 9-28.

434 Cf. OMNÈS, Roland. Filosofia e ciência contemporânea. SP: UNESP, 1996, p. 9. O autor aplica esta expressão “irrupção irresistível do formal” às ciências fundamentais desmembradas no processo moderno e contemporânea da história do conhecimento ocidental, a saber: a lógica, as matemáticas e a física, e à sua visão de mundo legada à metodologia científica, cf. Ibid., p. 9-10.

435 Sobre o lugar epistemológico da religião, cf. WOLTERSTORFF, Nicholas. Epistemologia da religião. In: GRECO, John; SOSA, Ernest (Org.). Op. cit., p. 469-502.

com outros métodos, ou modelos de ciência, já evidenciados ao longo da história da humanidade. O processo epistemológico que aqui se evidencia, mostra-se aberto para a criatividade da racionalidade humana na sua busca de conhecimento.