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Os conceitos acima expostos foram obtidos por visão, isto é, usando a psicologia da intuição que, como dissemos, para alguns indivíduos sensibilizados por evolução, pode constituir um verdadeiro método de investigação. A forma mental que fala nestes últimos dois capítulos é o ápice da curva da onda na oscilação da personalidade, fenômeno que já observamos. Seguindo a ascensão da onda na referida oscilação, obtivemos progressivas visões da verdade. Iniciamos este volume partindo do ponto mais baixo da depressão da onda, expondo, assim, uma verdade concebida com uma psicologia de involuído que permanece na superfície e, não vendo a mais profunda realidade das coisas, logo a nega. E aí está como alcançamos outra verdade.

Propomo-nos agora examinar os conceitos aqui mencionados, não com a psicologia da intuição com que foram alcançados, mas com a psicologia racional usada, hoje, pela ciência. Estamos no meio do caminho, o do intelecto normal, entre os dois extremos mencionados, na oscilação da onda da personalidade, e neste nível devo agora exercer a minha atividade, com a psicologia correspondente. Ora, em face justamente do plano evolutivo dessa psicologia, a ciência está ainda distanciada de uma síntese universal, possível somente em mais altos níveis mentais. Todavia, será muito útil observar os resultados obtidos por ela, enquanto se baseiam em dados experimentais controlados, o que lhes fornece uma segurança que o intelecto racional não sente nos planos mais altos. Porém, somente nestes é que se podem operar amplas sínteses, enquanto o campo da ciência é muito mais limitado. Faltam-lhe elementos de caráter espiritual e moral, que ignora, enquanto a intuída unidade do universo nos faz presumir a existência de relações ainda entre as coisas mais distantes, o que tende a fazer da ciência, filosofia, religião, moral, sociologia etc., uma só coisa. Justamente por este princípio de unidade, o mundo observado pela ciência, conquanto limitado, não deve contradizer no seu âmbito a mencionada visão universal, antes, por estar em seu nível, deveria confirmá-la. Agora observaremos o que diz a ciência, para ver se ela se dirige para aquela síntese ou dela diverge, e quais elementos indicadores ela pode fornecer para se dirigir naquela direção.

A ciência, com o seu método objetivo-indutivo, se nos apresenta como uma psicologia de prudência e de desconfiança, caminhando sem poder ver os grandes planos do ser, sobre um terreno infiel, que continuamente experimenta e controla. Caminha, assim, por tentativas e incertezas, lentamente, por hipóteses e teorias, mas, em compensação, os seus resultados são positivos, controlados, aplicáveis por todos. As últimas verdades que a intuição percebe em clarões de luz, fogem, constituem uma meta desconhecida e distante. Mas, conquanto ignorada, é a essa meta que a ciência tenta avizinhar-se através da descoberta e da

coordenação de verdades parciais, por aproximações sucessivas. Tal é hoje a forma assumida pelo pensamento humano no seu progredir. Forma relativa. Evite-se, pois, tomar como definitivos e como base de orientação filosófica, os últimos resultados, que são e foram sempre superados aos poucos. E a última verdade alcançada que modela o pensamento coletivo, porque mais o fere. A antigüidade foi dominada pela concepção platônica e aristotélica, em seguida pela agostiniana e tomística. Depois a ciência objetiva e experimental suplantou a especulação abstrata. Mas logo após, também a física clássica de Laplace, Galileu, Kepler e Newton e as concepções mecanicistas do mundo foram superadas pela física estatística e quantística (Planck) de hoje. E, assim, também esta será superada. Houve tempo em que se acreditava na lógica apenas e se desprezava a experimentação, como de um contato contaminado do pensamento puro. Todavia, conquanto perfeita em si mesma, somente a lógica não pode superar a função de coligação. Ela é uma corrente que se não está apoiada num ponto sólido, não sustenta nada. Assim, também na forma mais excelsa, a matemática. Caminhando, dessa forma a ciência materialista superou, desmaterializando a matéria, todo o seu materialismo. Ela mesma que é tão racionalmente positiva, não pode progredir senão confiando no método irracional da intuição, isto é, criando, além de toda lógica e método, ao encontrar relações impensadas entre os fatos e conceitos mais distantes. E na coligação entre experiências, e na visão do seu significado, que relampeja a intuição da lei que as regula; é no descobrir as relações, que a análise racional não basta E nisto consiste, muitas vezes, a descoberta. Desponta então a hipótese, como tentáculo lançado para sondar o mistério. Depois ela se desenvolve em teoria e, somente então, começa a trabalhar a psicologia racional da ciência, que controla com a observação e a experimentação para validar ou condenar. Se os fatos dão razão à nova teoria, então a velha rui e é abandonada. E, assim, lentamente, se dá a escalada para a verdade.

A força do positivismo está neste manter-se em contato com a realidade, tornando-se exato observador Pede-se a resposta aos nossos quesitos, não á lógica, mas à experimentação. Pergunta-se tenazmente qual é o pensamento diretor que, escondido, rege os fenômenos, dado que não se pode deixar de admitir, em toda parte, um princípio diretor e ordenador. Nem a ciência pode interrogar Deus, uma vez que lhe são desconhecidos os contatos do místico. Não lhe resta senão segurar aquele divino pensamento através de sua manifestação concreta, nos fatos, lá que ele, ao menos no plano físico, não se exprime senão através das formas concretas e da ação. Certo é que, além da medida necessariamente sensória, portanto, relativa, embora aperfeiçoada, aí deve haver urna realidade verdadeira e profunda, que foge à ciência: e esta não pode fazer mais do que tornar mais poderosos e mais exatos os seus meios de investigação, mais abstratos e independentes destes e dos sentidos os próprios métodos (operações matemáticas puramente formais) menos antropomórficas as suas representações. Diante da realidade, uma medição é coisa bem outra do que um fato simples e objetivo, mas é a resultante de um processo de ações e reações entre fenômenos, meios de investigação, órgãos sensórios e psique do observador. Dessarte a ciência, progredindo, acaba por ter que negar a sua objetividade, devendo considerar cada observação como de um fenômeno entre tantos outros, todos em relação da interferência. Não que o fenômeno perca consistência objetiva e se reduza a um complexo subjetivo de percepções, de modo que, suprimidas estas, o fenômeno não exista por si mesmo. As próprias metas distantes da ciência, que ela ainda não vê, mas para as quais, também, tende porque estão no final do caminho, são de caráter filosófico, metafísico e espiritual, uma realidade incontrolável experimentalmente. Quantos limites, pois, à objetividade do positivismo, que incerteza no registro e interpretação das mensagens obtidas com a observação de um mundo real suposto na profundidade além das aparências sensórias! Como estabelecer exatas relações entre o mundo experimental dos sentidos e essa desconhecida e recôndita realidade? E como alcançar uma realidade absoluta, independente dos sentidos humanos?

Por outro lado, exprobrou-se essa ciência por ser, com prevalência, utilitária. Mas devemos, também, reconhecer que se a ciência nasceu, foi devido ao humano espírito utilitário. Foi a necessidade de orientar-se na navegação, de medir um terreno, de curar uma doença, de defender-se em todo campo que a originou. O que vale. mais que a exatidão e verdade de uma idéia. é muitas vezes. a sua fecundidade Da absurda procura de uma pedra filosofal para a transmutação dos metais em ouro, nasce a química; a procura do moto perpétuo fez descobrir os princípios da dinâmica. Mais tarde, a teoria de Einstein nasceu da idéia da velocidade absoluta da terra e a física atômica nasceu do conceito astronômico do átomo de Bohr. A história da ciência é

semelhante à história de todos os eventos humanos: acaba-se muitas vezes a um lugar em que nunca se havia pensado. Tudo passa e muda na vida. Muitas filosofias dominaram e caíram no olvido para depois renascerem mais amadurecidas. A metafísica dominante, há um século, faliu e assim será ultrapassado, amanhã, o positivismo de hoje. Tudo passa, desaparece e retorna como as ondas do mar, no entanto, se renova, e dessa maneira se lançam novos pontos de pensamento, se estabelecem novas conexões com fatos antes concebidos a distância e que, desse modo, se avizinham dos já conhecidos, refazendo no futuro, em novos campos, o que foi feito no passado para chegar até aqui, até o que hoje é conhecido, antes inexplorado. Uma descoberta não cria coisas novas, tudo já existe, mas estabelece novas relações entre as coisas, dando- lhes novos significados Muito da civilização moderna consiste na multiplicada possibilidade de trocas e de relações. É assim que, através de hipóteses de trabalho, fatos antes desconexos, vêm a formar uma teoria, isto é, uma coluna do pensamento validada pela experiência, e enfim um organismo lógico revelador de uma unidade diretriz, ou lei sempre mais ampla. É dessa maneira que a ciência, num caminho lento e prudente, mas seguro, procura reconstruir por graus no plano do conhecimento humano a profunda ordem que está nas coisas, numa sempre mais perfeita imagem científica do mundo. A ciência, através de sua cansativa investigação, cumpre com sacrifício o mesmo trabalho de reunificação do todo, que é a base das ascensões humanas. Assim, como tínhamos acima exposto para outros campos, também o progresso da ciência representa o retorno do ser à fonte una que tudo gerou. Neste sentido A Grande Síntese, que nunca pretendeu fazer novas descobertas particulares, fez a de coligar em unidade os fenômenos mais díspares. E fazer um organismo com o acúmulo de materiais diversos é verdadeira obra de criação, como o é a hodierna formação das grandes unidades sociais, em que os indivíduos componentes gozam de uma vida mais elevada em poder, utilidade e vastidão.

Vejamos, pois, o que nos diz a ciência, em relação à mencionada visão, enquadrando isto no sistema universal de A Grande Síntese, sem a qual tudo é compreensível apenas no particular. O princípio das unidades coletivas nela exposto (cap. XXVII) implica o de uma escala de formas hierarquicamente ordenadas no sistema do universo, em que a superior compreende a inferior, que se organiza, com outras semelhantes, em uma síntese mais elevada. Esta é uma unidade coletiva que tem a função de coordenar as atividades das menores unidades componentes para novos fins que transcendem os de cada uma delas isolada, e isto sempre segundo o conceito acima exposto do universo, princípio unitário, e da tendência unificadora que ele imprime em todas as coisas. Esta coordenação é uma questão de relação, pela qual os indivíduos componentes modificam o seu valor, se potenciam, como é lógico, pois que a unificação é retorno a Deus, isto é, volta para chegar perto do centro genético. Assim o reagrupamento coletivo tem ação amplificadora e o poder aumenta com a unificação, hierarquicamente de grau em grau, em unidades sempre mais vastas e orgânicas. Agora, vários cientistas já sobrepõem ao mundo físico-químico o mundo biológico e a este, o mundo psíquico e espiritual. Trata-se de planos de existência, em que as leis do plano superior dominam e guiam as dos inferiores. Todo plano tem um limite além do qual, num nível mais alto, as suas leis, mesmo permanecendo, não têm valor senão em função de uma lei superior e por si só não são suficientes para explicá-la, nem para dirigi-la a nova unidade.

Dada a estrutura hierárquica do universo, toda unidade é sempre coletiva, isto é, formada por menores unidades componentes coordenadas em organismo, de modo que a observação, toda vez que defronta uma individualização, acaba por decompô-la analiticamente nas menores unidades componentes. Toda unidade, pois, é sempre síntese, e é analiticamente decomponível em unidades menores, que por sua vez são sínteses maiores em face das unidades-sínteses menores, ao infinito de ambos os lados. A observação pode assim mover-se em duas direções: a analítica que vai para as sempre menores unidades componentes ou a sintética, que vai para as maiores unidades originadas. Ora, a ciência objetiva parte de um dado plano de unidades-sínteses, admitido por axioma e "a priori", que é o dado por meios sensórios da sua observação. O trabalho da ciência foi o de decompor as unidades desse plano nos seus elementos componentes. Por estas razões a ciência é analítica. Esta direção lhe foi dada pela própria estrutura das coisas. Partindo da matéria, unidade sensória para o homem, a ciência penetrou a sua estrutura molecular e atômica. Porém, não se percorreu com isto, senão um mínimo trecho em descida, enquanto o caminho é sem fim, seja em direção descendente de análise, seja na ascendente de síntese. Dizemos descendente porque é na direção da análise

que se procede para a pulverização periférica centrífuga do uno na forma, e dizemos ascendente porque é na direção da síntese que se procede para a reunificação centrípeta no uno da substância. E o caminho sem fim pode ser percorrido, não somente em direção analítica como faz a ciência, mas em sentido oposto, em di- reção sintética. E, então, em vez de penetrar na estrutura atômica da matéria, podemos conhecer as unidades sínteses superiores, como pode ser, por exemplo, o organismo múltiplo humanidade e sociedade de humanidades e a sua alma coletiva.

Agora o observador não é exterior ao fenômeno e distinto dele, mas é um fenômeno no fenômeno. A sua posição está num dado nível de hierarquia ou escala evolutiva, e deste ele pode olhar em torno no próprio plano, ou para os superiores, de baixo, ou para os inferiores, do alto, isto é, a sua investigação pode hierarquicamente descer por via de análise no particular, ou subir, por via de síntese, no universal. O pensamento humano há tentado umas e outras vias, as primeiras com o método indutivo e as segundas com o método dedutivo. Agora, o princípio de Einstein da relatividade, em dependência do sistema de referência escolhido, é aplicável pelo observador também a este caso, enquanto além da trajetória típica de um desenvolvimento fenomênico, há ainda a do transformismo evolutivo dele, como há um semelhante transformismo também no fenômeno representado pelo observador. Então a descoberta científica se pode operar, não somente pela projeção do olhar indagador em um outro plano, mas pela transformação evolutiva, isto é, biológica, do próprio observador. Eis assim justificada a afirmação, muitas vezes feita nestes escritos, de que o maior progresso no conhecimento resultará sobretudo da transformação do homem atual no superpsíquico tipo biológico do porvir. E assim a ciência poderá avançar ainda pelo desenvolvimento das qualidades sensórias e psíquicas do homem. É evidente que toda a perspectiva do conhecimento atual poderá mudar quando o ponto de vista houver mudado, pela diversa posição biológica do observador.

É certo que o nosso mundo sensível de onde deriva também a sua interpretação científica, é um mundo sensório e relativo. Sentimos axiomaticamente que, além dele, deve existir uma realidade, diante da qual o que registramos é ilusório. Indagando em todo campo e evoluindo, procuramos chegar sempre mais perto dessa realidade, com uma interpretação sempre mais exata. Analiticamente decompondo, com a observação, uma unidade-síntese nos seus elementos, a ciência transfere ao relativo grandezas antes con- sideradas últimas e absolutas. Assim, à medida que se conquista o absoluto, este retrocede. Todo registro, ainda que pareça o último em profundidade, é sempre um registro de síntese, atrás do qual se esconde a possibilidade de ulteriores registros de análises reveladoras de outras leis mais particulares. Mas se a nossa registração é progressiva e verdadeira em relação à realidade, ela é relativa e nos dá uma realidade relativa; é por isto ilusória? Não. No âmbito do seu campo relativo, ela é absoluta, no sentido que é uma exata representação de uma dada unidade-síntese no seu plano e verdadeira somente nesse plano. É saindo desse plano e quando vista de outros pontos, que ela se torna ilusão. Quando de fato os filósofos indianos falam da grande Maya, é porque eles se põem em um ponto de observação espiritual acima do plano da matéria, que então parece ilusão. Mas. para os materialistas e os seres materiais, a matéria é realidade absoluta, ao menos enquanto eles fiquem naquele campo e vejam com os olhos daquele plano. Porém, logo que se passam os seus limites, aquela se torna relativa e desaparece, como ilusão. Todo o mundo torna-se ilusório, logo que é olhado de um mundo mais alto. E então procuramos realidades mais elevadas, próprias de unidades-sínteses mais amplas que, superando-as, abraçam esta nossa realidade de relação. E é de fato na unidade-síntese maior que podemos encontrar a lei compreensiva das menores, em que elas se coordenam e onde as diferenças que as tornam reciprocamente relativas e ilusórias, são superadas e conciliadas. Tudo isto não pode ser senão uma tendência, um caminho para uma última realidade ampla ao infinito, que compreende todas as outras. Mas ela é infinita e não é alcançável pelo nosso atual concebível, em razão de suas dimensões.

Vejamos o que diz a ciência a este propósito, no campo mais concreto da física. Ela confirma plenamente estes conceitos. Acima assinalamos o sobrepujamento da concepção mecanicista clássica do mundo pela moderna física estatística e quantística. Descobrindo a estrutura atômica da matéria e concebendo-a, não mais segundo as leis dinâmicas, mas conforme as leis estatísticas, a ciência moderna, que parece haver invertido as suas concepções precedentes, confirmou plenamente os conceitos mencionados,

isto é, o princípio das unidades coletivas, de unidades-sínteses analiticamente decomponíveis, de hierarquia de unidades e de leis, de pulverização no particular da unidade do universo, de uma progressiva divisão e complexidade no relativo, ao polo oposto do outro extremo do simples e uno no absoluto. A teoria da relatividade de Einstein e a hipótese dos "quanta" de Planck, que revolucionaram a ciência, confirmam estes conceitos. Expliquemo-nos.

Os movimentos brownianos, descobertos em 1827 pelo botânico inglês Brown, são devidos, provou- se recentemente, à estrutura molecular da matéria pela qual as invisíveis moléculas de um líquido ou de um gás são as que chocando-se com as mais microscópicas partículas aí suspensas, lhes comunicam um movimento irregular. Este depende da distribuição assimétrica dos choques impressos por aquelas moléculas. Pode-se, assim, pouco a pouco, provar o caráter descontínuo de quantidades antes tidas como contínuas. Chegados, assim, a conceber a estrutura atômica da matéria, a física clássica pareceu ruir para dar lugar a uma física quantística ou estatística, em que dominam, não mais leis dinâmicas, mas leis estatísticas ou de probabilidade, não mais reguladoras de um caso particular, mas de inumeráveis processos particulares; leis que governam uma multidão de acontecimentos. em que o indivíduo desaparece. Desse modo a ciência superou a sua antiga interpretação mecanicista do mundo. Não mais propriedades que definem deterministicamente, mas probabilidades que regulam as variações no tempo, conforme leis estatísticas relativas a grandes agregações de indivíduos.

O

refinamento alcançado pela técnica experimental moderna permitiu descobrir esse mundo que, sem destruir o precedente conhecido, aparece novo porque está além dele, mais profundo no seu intimo. O que formava o objeto da física clássica não eram senão as mencionadas unidades-sínteses, das quais uma análise mais progressiva acabou por revelar a composição. Antes se havia tomado como princípio único e definitivo, irrevogável e absoluto, aquele que depois se revelou ser a resultante de inumeráveis irregularidades livres compensadas, de modo a revelar, não as características do caso singular, mas as dominantes na massa. Estamos na primeira fase de penetração analítica da unidade-síntese e, portanto, o caso individual não foi ainda alcançado como indivíduo. A observação na física usa hoje o método estatístico das coletividades, em cuja conformidade se calculam os valores médios prováveis, em vez daqueles exatos para cada momento ou partícula.

Se tomarmos para exame o caso de um centímetro cúbico de ar, não poderemos calcular, conforme na velha dinâmica, a trajetória e os choques de cada um dos 25 trilhões de moléculas (oxigênio e azoto). Isto requereria enorme tempo, depois elas são tão pequenas, numerosas e em tão rápido movimento que

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