• No results found

5.1 Metodologiske betraktinger

5.2.1 Ledere er bevist sin rolle i arbeidet med kvalitet og pasientsikkerhet

A formação geográfica e geológica da Serra Taperapuã revela que essa é constituída de extenso planalto basáltico, rocha vulcânica, entalhada no interior da Bacia Hidrográfica do Rio Sepotuba. Atinge uma altura média de 680 metros do nível do mar, e divide os municípios de Tangará da Serra e Nova Olímpia.

De acordo com Oliveira (2004), essa serra sempre fora território tradicional do grupo Paresi e que, a partir do adensamento das frentes modernas de colonização centradas nas décadas de 1950-70, foi destinada à reocupação por famílias de lavradores vindas particularmente das regiões nordeste e sudeste do Brasil e formação de novos núcleos urbanos.

O historiador ressalta que o grupo Paresi, anterior aos projetos de colonização do século XX, já mantinham contato efetivo com os poaeiros e seringueiros, e com outros grupos indígenas, como ao sul com os Umutina, ou Barbado, habitantes da região abaixo da Serra de Taperapuã, e ao norte com Nambiquara, via Chapada dos Parecis, e outros grupos habitantes do Vale do Guaporé.

O caráter dessas relações era pautado por rivalidades de ocupação de territórios, sobretudo com os Umutina, que de tempos em tempos insistiam em subir a Serra, o que era motivo de disputas de espaços físicos. Já a animosidade com os Nambiquara, geralmente, devia-se, em parte, pela mobilidade deste grupo em seus territórios, que a partir da intensificação das frentes de expansão, iam perdendo os espaços, sendo empurrados para os territórios paresi. Em ocasiões de aproximação, aconteciam os confrontos, que resultavam na maioria das vezes, em roubos de mulheres e crianças paresi e mortes aos homens.

O pesquisador recupera em sua historiografia os relatos do padre salesiano Nicolaó

8 Conforme anotações do Pe. Nicolaó Badariotti Taperapuã significa “região das antas”. A anta (Tapirus

terrestris), habitante comum da região da Serra de Taperapuã, ao longo das caminhadas produzia trilhas que

levavam ao cume da serra, facilitando a ação dos “picadeiros” na abertura de passagem pela região do cerrado e campos. (OLIVEIRA, 2004).

Badariotti9, realizados em 1898, tido como precursor da abertura do platô do Taperapuã, em período anterior aos projetos de colonização moderna dos anos de 1960-70, que resultaria na criação dos atuais municípios de Tangará da Serra, em 1976, local em que o grupo Kozarini passou a frequentar e se relacionar. Já nos anos de 1988, foi a vez da criação do município de Campo Novo dos Parecis, local que o grupo Waimaré escolheu, pela maior proximidade com suas terras, para se relacionar e frequentar. A aldeia Rio Verde se situa exatamente no meio do caminho entre esses dois municípios, cuja distância é de 150 km.

A expedição chefiada pelo salesiano Nicolaó Badariotti partiu de Cuiabá, passando por Barra do Bugres, ultrapassou a Serra de Taperapuã, chegando a Serra dos Parecis. Teve uma duração de cinco meses e foi financiada pelo Banco Rio Mato Grosso, com objetivo de ampliar a exploração da região do Rio Juruena e Alto do Tapajós, afluente do Rio Amazonas (OLIVEIRA, 2004).

Os relatos produzidos por Badariotti apresentam uma riqueza de detalhes sobre a região, sobre os animais e os indígenas, destacando as riquezas naturais que poderiam ser exploradas. A expedição chegou quando a poaia10 (Cephaelis Ipecacuanha), e a borracha (Hevea brasiliensis), já estavam sendo extraídas na região - ao que o missionário concentrou maior esforço, registrando o encontro com a propriedade de um grande explorador, Marcelino Prado. Este era comerciante, que residia por lá desde oi final do século XIX, e contava com uma grande propriedade, fazendas, armazéns e farta munição, como espingardas e ferramentas para uso nas atividades de exploração do sertão, o que o missionário classificou como um “espaço de civilização no meio do sertão” (OLIVEIRA, 2004).

Nas suas descrições, a região é apresentada como um “inóspito sertão”, muito longe

9 Nicolaó Badariotti, padre salesiano que no final do século XIX, acompanhou durante cinco meses uma expedição de exploração das matas de borracha, percorrendo o território dos Paresi no noroeste de Diamantino. Os seus dados demonstram que os índios ocupavam um vasto território, que limitava “ao sul, com a Serra de Tapirapuãn e a nação dos Barbados [os Umutina]; a leste, com o município de Diamantino e a bacia do rio Arinos; ao norte com o território dos Cabexins e dos Tapanhunas, a oeste com o rio Juruena e o território dos Cabaçaes”. Foi o viajante que mais s aproximou dos Paresi, e neste caso, do grupo Waimaré, devido à localização dos territórios. Sua função na expedição era, justamente, contatar os índios, facilitando assim a penetração da frente da borracha. Não por acaso, uma década depois, os Paresi seriam encontrados pelo Marechal Rondon, na construção das linhas telegráficas. A expedição de Badariotti foi promovida por um Banco (Banco “Rio-Mato Grosso”), com um o propósito de explorar e mapear as riquezas e elaborar cartografia da região norte da então província de Mato Grosso, principalmente. (BADARIOTTI, 1898)

10A poaia é uma planta arbustiva (atinge uma altura entre 25 a 30 cm, com folhas verde -vivo, flores branca- arroxeadas, mas é na raiz onde se concentram as propriedades curativas), da família da Rubiácea, também é conhecida por outras denominações: cagosanga, cipó-emetico, ipeca-cinzenta, ipeca-de-Cuiabá, ipeca-do-rio,

ipeca-oficial, ipeca-preta, ipecacoanha, entre outras. Principais ações terapêuticas: modificadora das secreções,

cardíaca, emética, expectorante, antidesinterica, sedativa, diaforética, hemostática, leishmaniose, dispneia, difteria, envenenamento, catarro crônico intestinal, cólicas, tenesmo, infecção intestinal, desinteira amebiana , irritação da garganta e brônquios, pulmões, febres gástrica e biliosa. A região da poaia em Mato Grosso se situava entre os paralelos 14 e 16. (Oliveira, 2004).

da civilização em relação a Cuiabá, mas, cuidadosamente, registra os diversos aspectos do ambiente, pronto para serem abertos pelos “picadeiros”, homens contratados para seguir na frente abrindo a região para os extrativistas da poaia.

A extração da poaia ganhou vulto no início do século XX. Nos anos de 1914, as notícias propagandeavam a extração da poaia e da seringa como as riquezas de Mato Grosso, como tentativas de atrair as atenções para a região que se encontrava mais uma vez, num “isolamento” econômico (OLIVEIRA, 2004).

As notícias dão conta que o período da extração da poaia, iniciara-se no começo da Primeira Guerra Mundial (1914), estendendo-se à década de 1970, passando por diversas maneiras e formas de exploração, e em outros momentos teve interação com a exploração da borracha.

Muitos autores (COSTA, 1985; MACHADO, 1994; OLIVEIRA, 2004; COSTA FILHO, 1996) defendem que as atividades extrativas da poaia e da borracha se revezavam nas épocas sazonais. A borracha era extraída nos meses secos (de março a outubro), e a poaia, na temporada de chuvas (outubro a março). Essa dobradinha complementar, alavancou a economia regional por um longo período, fundou os principais municípios da região, como foi o caso de Barra do Bugres, em 1943, e contribuiu para a quase dizimação do grupo indígena Umutina, ou Barbado, grupo Bororo, família Macro-Gê, em meados do século XX. Seu antigo território foi transformado por Rondon num Posto de Fraternidade Indígena, que abrigava (e abriga) indivíduos de diversos grupos indígenas desterritorializados, resultados do convívio com as frentes das Linhas Telegráficas, cujo destino era serem transformados em “agricultores”, trabalhadores rurais.

A região de concentração poaeira se localizava a margem direita do Rio Paraguai (paralelos 14 e 16 – direção norte-sul), estendendo-se até o Rio Guaporé, sendo que a região em que ficou mais conhecida e explorada foi o Vale do Sepotuda, parte do território histórico Waimaré. Depois de conhecer e relatar as riquezas de Taperapuã, a expedição Badariotti seguiu em direção à Serra dos Parecis. A distância que separa esta serra do atual município de Tangará da Serra é de 50 km.