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5.1 Metodologiske betraktinger

5.2.2 Involvering av pasienter i arbeidet med kvalitet og pasientsikkerhet er

A Chapada dos Parecis é composta por três aspectos geográficos: o alto espigão – a Serra dos Parecis, também conhecido como campos limpos; o cerrado, uma composição mais densa que faz o entorno, cujos limites se estende até a divisa com o estado de Rondônia, e as

várzeas, onde se localizam os leitos dos rios. A Chapada ou Chapadão dos Parecis apresenta uma extensão de 2,1 milhões de hectares, sendo considerada a maior área de terras planas do planeta, e, portanto, próprias para a agricultura de larga escala.

A Serra dos Parecis está localizada a 500 metros do nível do mar. Conforme registrou em seus escritos, a imagem da serra, seguida pelo imenso chapadão, levou o salesiano Badariotti a se remeter ao “tempo dos dinossauros”, temas e ideias científicas que povoavam e instigavam a imaginação da época, pela sua imensidão azul. O religioso dedicou especial atenção ao descrever a vegetação, o relevo, tecendo algumas considerações sobre a presença dos seringueiros e poaeiros, não deixando de enfatizar e mencionar a relação cosmológica do grupo paresi com as pedras, os animais e a vegetação, e destacou o ambiente como lugar ideal do grupo para construir aldeias (OLIVEIRA, 2004).

Badariotti descreveu a preferência dos Paresi em montarem as aldeias nas cabeceiras dos rios, com ampla visão - em lugares abertos, campos limpos, onde se pode ver ao longe, características utilizadas até hoje pelo grupo Kozarini, já que a preferência do grupo Waimaré é pelas áreas próximas às matas. Ele caracterizou os paresi habitantes da Chapada como

“briosos, hospitaleiros, fieis, leais (...)”, nada muito diferente dos escritos por seus

antecessores, mas completamente destoantes da visão que as famílias de lavradores teriam, cinquenta anos mais tarde, quando rotularam o espaço da Chapada dos Parecis como “espaço perigoso, terra de índio”, em parte, possivelmente, influenciadas pela imagem dos grupos

indígenas veiculadas na época, em que a televisão e o cinema exibiam os filmes e series do

far west norte americano, cuja temática central eram as diligências ocupadas pelos brancos

colonizadores, sendo atacadas por índios “selvagens” e “ferozes” (OLIVEIRA, 2004).

Seguindo os rastros da expedição Badariotti, o pesquisador e etnólogo alemão Max Schmidt empreendeu duas viagens à região dos Paresi, uma em 1910 e outra em 1927. Os relatos dessas viagens resultaram num farto material etnográfico fundamental, para entender o modo de vida do grupo. Nos relatos da primeira viagem, Schmidt destacou a rivalidade entre os grupos, como os Kozarini e Cabixis, denominação dos grupos habitantes do norte.

Na segunda viagem o pesquisador conheceu os Waimaré, ao que ele destacou que este grupo, por já ter convivido com a Comissão Rondon (especialmente aqueles da região do Utiariti e Estação Rondon, próximo a Diamantino), “já havia perdido a maior parte dos costumes e bens de sua cultura”, e fala da forte “amizade” que unia esses grupos a Rondon, ao ponto de considerá-lo “parente” (MACHADO, 1994; OLIVEIRA, 2004).

Outro pesquisador que produziu um farto material sobre a região e o grupo Paresi foi o médico e antropólogo Roquette-Pinto, que partiu da então cidade de São Luiz de Cáceres-MT,

hoje conhecida somente como Cáceres, em direção à Chapada dos Parecis, em 1912. No seu percurso, descreveu com ricos detalhes o Vale do Sepotuda, já devastado pela extração da poaia, chegando até o posto de abastecimento Taperapuã, da Comissão Rondon, atualmente conhecido como Aldeia Queimada11, na Terra Indígena Formoso. Descreveu a vegetação, os animais, destacando a abundância de tipos de insetos e mosquitos, ao ponto de representar o ambiente Paresi como o “país dos insetos” (OLIVEIRA, 2004).

O período pós essas grandes expedições continuou a ser trilhado por seringueiros e poaeiros, até final da década de 1950/70, quando as famílias originadas das regiões centro-sul do país, chegaram para ocupar os loteamentos rurais de pequenas propriedades privadas (glebas), e formou-se a colonizadora privada SITA - Sociedade Imobiliária Comercial Tupã para a Agricultura, com objetivos de reocupar o ambiente rural e o espaço urbano de Tangará da Serra.

Oliveira (2004) destaca que até o final da década de 1970, os Paresi não costumavam frequentar o espaço de Tangará da Serra, onde 53% das terras do município são terras indígenas, majoritariamente dos Paresi pertencentes ao grupo Kozarini.

A presença paresi começa a ser frequente em Tangará da Serra, depois da abertura da estrada (hoje rodovia MT-358), que liga o município à Fazenda Itamarati – num percurso de 75 km, lugar de entrada para a aldeia Rio Verde, nosso ponto de partida. Até então, os Halití não desciam a serra, e tiveram seu espaço concentrado e reduzido aos limites dos cerrados da imensa planície, ou Chapada dos Parecis, que em tempos contemporâneos se tornaria alvo dos investimentos das grandes lavouras de monocultura, que hoje mantêm as grandes empresas do cenário do agronegócio.

A formação sociocultural dos Paresi sempre fora descrita como organizada em grupos,

11Por que se chama aldeia Queimada? Existem dois episódios envolvendo essa aldeia. O primeiro: foi a

instalação, nas proximidades da Aldeia Koteroko, em 1907, do primeiro posto das Linhas telegráficas, Posto

Taperapuã, que funcionava como posto de abastecimento e acompanhamento. Naquele tempo, chamava -se aldeia Kotérôko. Certo dia, um paresi que trabalhava no posto, foi acusado de ter pegado uma lima, usada para fazer fogo, pelos soldados da Comissão Rondon. Os saldados prenderam o paresi e o humilharam, bateram nele. O pessoal da aldeia ficou preocupado e vieram s aber o porquê prenderam o halití. Os soldados contaram que o paresi havia roubado uma lima. Passado o tempo, um soldado revelou que havia dado a lima para o paresi, esclarecendo a questão. O paresi foi solto, retornou para a aldeia, mandou a mulher fazer chicha e biju, saiu pra caçar e pediu a Enorê, que o vingasse das acusações e da humilhação pelas quais passou. O paresi era um pajé muito forte e fez os oferecimentos. Enorê mandou um raio muito forte que atingiu a região do acampamento. Começou um grande incêndio que destruiu tudo. Após aquele episódio, Rondo n abandou a aldeia Kotérôko. Rondon fez uma seleção de Waimaré e Kaxiniti para ir trabalhar na Comissão. Aqueles que aceitaram foram com Rondon para a região do Utiariti, os que não aceitaram, retornaram para a aldeia Formoso. Rondon reuniu as tropas e mudou-se para o local da Ponte de Pedra. As tropas foram transportadas num tonowi – tipo de carro ou carroça – puxado por cavalo e boi, assim era o carro de marechal Rondon. Muitos paresi trabalhavam no acampamento. O segundo episódio: outro incêndio foi no período dos seringueiros (década de 1940). Houve desentendimento por parte dos seringalistas, devido a suspeita de roubo de látex. Contrariados os seringalistas colocaram fogo no barracão de borracha e na aldeia.

oriundos de um mesmo local mitológico conhecido como Ponte de Pedra, localizada no Rio Sucurui-winã, atualmente sob a jurisdição do município de Campo Novo dos Parecis, fundado em 1988, em partes dos antigos territórios históricos, e que é palco de vários empreendimentos como grandes armazéns, grandes plantações de soja, girassol, cana-de- açúcar e algodão, pequenas centrais hidrelétricas.

A fundação do município de Campo Novo dos Parecis está intimamente ligada à história da passagem do Mal. Rondon em 1907, em direção ao Rio Juruena. Nessa ocasião, o Marechal conheceu o Rio Verde e ao norte o Salto do Utiariti. Esta passagem histórica norteou o traçado das Linhas Telegráficas, definindo a direção de um traçado para o lado oeste, em direção ao Utiariti, local em que erigiu um Posto Telegráfico, e a leste desembocaria em Capanema e Pontes e Lacerda, em direção ao território dos Nambiquara e atual estado de Rondônia.

A ocupação efetiva dessa região se deu na década de 1970, com a chegada de famílias sulistas, e, em 1988 passou a ser chamada oficialmente de Campo Novo dos Parecis, em referência à forte presença deste grupo indígena na região. Não por acaso, o potencial hidrográfico do município é constituído pelos principais rios que deságuam ou nascem em terras paresi, como é o caso do Rio Verde, Rio Sacre, Rio Papagaio, Rio Sucurui-winã, e 32% das terras que pertencem ao município, são terras indígenas, como a TI Utiariti e TI Ponte de Pedra. Os Paresi são o cartão-postal da região, utilizados como propaganda para vender as riquezas naturais do município e dos antigos e atuais territórios, como é o caso dos Saltos Belo e Utiariti, ambos localizados na Terra Indígena Utiariti.

Apresento abaixo, um quadro com a atual situação fundiária do grupo:

Terra Indígena Área em hectares Situação Jurídica Localização

1 – Terra Indígena Paresi 563.586,5 Homologada Tangará da Serra Sapezal

2 - Terra Indígena Utiariti 412.304,2 Homologada Campo Novo dos Parecis 3 – Terra Indígena

Rio Formoso

19.794,5 Homologada Tangará da Serra 4 – Terra Indígena

Juininha

70.537,5 Homologada Tangará da Serra 5 – Terra Indígena

Estivadinho

2.031,9 Homologada Tangará da Serra 6 – Terra Indígena

Figueiras

9.858,9 Homologada Tangará da Serra Pontes e Lacerda 7 – Terra Indígena

Uirapuru

21.700,0 Homologada Campos de Julho e Conquista D‟Oeste 8 – Terra Indígena

Ponte de Pedra

17.000,0 Identificada/ Delimitada

Campo Novo dos Parecis 9 – Terra Indígena Estação Paresi 3.620,8 Delimitada/ Sob Júdice Diamantino/Nova Marilândia Tabela 1 - Relação das Terras Indígenas do grupo Indígena Paresi. Total: 1.120.369,5 hectares