Delutredning 1 Styring og ledelse av endringsprosesser
4 Ledelse av endring – innenriks og utenriks
4.6 Ledelsen og omverden
O termo “megaevento esportivo” se tornou, nos últimos anos, bastante popular. No Brasil, o termo muito se tem sido utilizado, especialmente com a confirmação do país como sede da Copa do Mundo FIFA 2014 e dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016.
Seja para apresentar os benefícios econômicos trazidos para localidade ao sediar acontecimentos de tamanha magnitude, seja para trazer à tona os mais diversos impactos sociais deles decorrentes, muito se tem usado, não somente no Brasil, como em todo o mundo, o termo “megaevento esportivo”.
Percebemos que os megaeventos esportivos, internacionalmente chamados de méga- événements sportifs, sport mega-events, mega eventos deportivos, ou mega eventi sportivi, entre algumas de suas traduções mais usadas, são um fenômeno mundial, algo intimamente relacionado às mudanças implementadas internacionalmente no esporte e na ampla capacidade desses espetáculos de mobilizar a sociedade mundial em torno de si.
Dessa forma, necessário se torna, para uma análise adequada de tal fenômeno mundial, que se aborde a inicialmente abrangência do termo, analisando as condições que permitem que um determinado evento seja considerado megaevento, para que assim se possa realizar uma abordagem dos diversos aspectos de tal fenômeno.
Pretendemos, no presente Capítulo, partindo de uma análise dos eventos considerados de forma ampla, até atingirmos o âmbito dos megaeventos, seguir nossa análise até os megaeventos esportivos e verificar suas condições de existência, seus aspectos simbólicos e as repercussões de sua ocorrência nas mais diversas localidades do globo terrestre.
Inicialmente, ao utilizamos o termo “evento”, nos referindo a um acontecimento. Isso significa que, considerando o referido termo em seu sentido amplo, poderíamos incluir na categoria “evento” o nascer do sol, a promulgação de uma lei, o nascimento de um animal, entre infinitas outras situações que entendemos como acontecimentos.
Ocorre que tal abordagem é por demais vaga e não contribui para o objeto de estudo do presente trabalho. Superando então essa inicial concepção generalista que se pode ter a partir do termo evento, que englobaria fenômenos da natureza, ações praticadas por animais ou mesmo ações humanas de caráter involuntário, no presente estudo partiremos da apreensão do termo
“evento” como acontecimentos promovidos voluntariamente pelo homem em seu viver em sociedade.
Nesse sentido, entendendo um evento não como um acontecimento provocado pelas forças da natureza ou por animais, ou algo que pudesse permanecer restrito à individualidade do homem, Zanella (2006, p. 13), entende um evento como:
[...] uma concentração ou reunião formal e solene de pessoas e ou entidades realizada em data e local especial, com objetivo de celebrar acontecimentos importantes e significativos e estabelecer contatos de natureza comercial, cultural, esportiva, social, familiar, religiosa, científica. (ZANELLA, 2006, p. 13).
De acordo com a proposta apresentada pelo autor, tais acontecimentos, ao serem organizados pelo homem, assumiriam um caráter de especialidade no meio social em que esse homem estaria inserido. Também entendendo um evento como um fenômeno social, e que aconteceria devido à articulação promovida pelos indivíduos organizadores que, no seio de uma vida em sociedade buscariam na realização dos eventos os mais diversos objetivos, Kunsch (2006, p. 130) propõe um conceito no qual o termo corresponderia a
[...] um acontecimento excepcional previamente planejado, que ocorre em determinado tempo e local e gera grande envolvimento e mobilização de um grupo ou comunidade, buscando a integração, difusão e sensibilização entre os participantes para os objetivos pretendidos (KUNSCH, 2006, p. 130).
Partindo-se do entendimento dos eventos como fenômeno social, passamos a um segundo aspecto que os envolve, que é o fato de, ao serem realizados, os eventos quebram a rotina e a normalidade dos grupos em que ocorrem. Essa quebra da normalidade partiria do elemento mobilização que é necessário para a sua realização, seguindo essa ruptura com a rotina com os efeitos produzidos nessa comunidade durante os eventos e, finalizando esse ciclo dos eventos, com as interferências que nesse grupo serão sentidas quando esse acontecimento tiver sido finalizado.
Ressaltando o aspecto do planejamento dos eventos, que são estratégias traçadas para se alcançar os objetivos de sua realização, Poit (2006, p. 19), propõe uma conceituação do termo na qual um evento seria “um conjunto de ações profissionais previamente planejadas, que seguem
uma sequência lógica de preceitos e conceitos administrativos, com o objetivo de alcançar resultados que possam ser qualificados e quantificados junto do público-alvo”.
No mesmo sentido, Matias (2001, p. 61) destaca num evento o caráter de sua organização, pois ele seria uma “ação do profissional mediante pesquisa, planejamento, organização, coordenação, controle e implantação de um projeto, visando atingir o seu público-alvo com medidas concretas e resultados projetados”.
Nesse ponto, compreendendo os eventos como fenômenos sociais, percebemos neles as suas relações com a própria sociedade em que ocorrem, de forma que a história, política, a economia e, de modo geral, as relações de poder que se passam nessa mesma sociedade, repercutem de forma intensa no significado, na realização, e nos objetivos dos eventos.
Os eventos, ao serem organizados numa determinada sociedade podem ter uma multiplicidade de causas, motivos e objetivos, dependendo do indivíduo ou grupo de indivíduos que os planeja, do modo de sua realização e de seus destinatários. Como dito no trecho destacado da obra de Luiz Carlos Zanella, esse planejamento pode ser realizado com objetivo de atingir finalidades de natureza comercial, cultural, esportiva, social, familiar, religiosa, científica, entre diversas outras.
A partir das propostas de conceituação apresentadas, entendemos que a compreensão do termo evento, bem como a de seu alcance numa determinada sociedade, muito depende do seu agente organizador, pois cabe a ele a definição de seus objetivos e das formas de se alcançá-los. Tal fato não significa que os eventos seriam sempre algo imposto, verticalizado, fabricado pela organização e pronto para ser consumido pelo público-alvo, mas que, dependendo dos objetivos desses agentes organizadores, um evento poderia assumir características emancipatórias ou ressaltar as condições de dominação existentes num grupo social.
Diversas classificações já foram realizadas no sentido de agrupar os diversos tipos de eventos, nas quais cada tipo apresentaria características comuns e interesses específicos que os distinguiriam uns dos outros. Considerando seu âmbito de alcance numa determinada localidade, os eventos poderiam ser classificados em locais, regionais, nacionais ou internacionais. Tomando-se em conta sua periodicidade, os eventos poderiam ser esporádicos, que acontecem em intervalos de tempo descontínuo, ou periódicos, que possuem regularidade no tocante ao período de sua ocorrência. Considerando as restrições que podem ser feitas ao acesso de participantes aos eventos, poderíamos dividi-los em públicos ou privados. Além das citadas,
considerando-se os mais variados critérios, poderíamos obter as mais diversas classificações dos eventos.
Ocorre que uma das classificações de eventos mais adotadas é a que utiliza como critério a quantidade de indivíduos que eles podem concentrar em um determinado local durante um determinado intercalo de tempo. De acordo com o que estabelecem por Britto e Fontes (2002, p. 57-61), em um pequeno evento haveria no máximo 200 (duzentos) participantes; em um evento de porte médio haveria de 200 (duzentos) a 500 (quinhentos) participantes; e em um grande evento haveria mais de 500 (quinhentos) participantes.
Nesse sentido, abordando os aspectos quantitativos no tocante à quantidade de pessoas envolvidas nos eventos, Contrera e Moro (2008)10 utilizam a partícula “mega” para caracterizar
os eventos que, indo muito além dos grandes eventos, seriam capazes de envolver milhares de pessoas com um determinado objetivo. Para as autoras, um megaevento seria aquele capaz de mobilizar mais de 10.000 (dez mil) participantes. Trata-se de uma abordagem que consideramos limitada, pois a despeito do alto número de participantes e da importância econômica que poderiam assumir alguns dos megaeventos para as autoras, não seria adequado a inclusão de um evento na categoria “megaevento” tomando-se em conta unicamente o número de participantes.
Para DaCosta e Miragaya (2008, p. 33), além de considerarmos na classificação de um evento como “mega” o número de participantes, devemos considerar o processo em que ocorrem, o modo como se dá a mobilização a eles relacionada, que muitas vezes envolveriam longos períodos de preparação e um curto intervalo de tempo de duração.
A abordagem que Maurice Roche (2001, p.1) desenvolveu, ao relacionar outros aspectos além do grande número de participantes, como o intenso apelo popular e o caráter internacional que os megaeventos assumem, pode ser um acréscimo de relevância ao presente estudo. Segundo o autor:
Megaeventos são eventos de larga escala cultural (incluindo comerciais e esportivos) que tem uma característica dramática, apelo popular massivo e significância internacional. Eles são tipicamente organizados por combinações variáveis de governos nacionais e organizações internacionais não governamentais e ainda podem ser ditos como importantes elementos nas versões “oficiais” da cultura pública (ROCHE, 2001, p.1, tradução nossa).11
10 CONTRERA, Malena Segura e MORO, Marcela. Vertigem mediática nos megaeventos musicais. Disponível
em: <http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/221/262>. Acesso em: 02 de dezembro de 2013.
11 Mega-events are large-scale cultural (including commercial and Sporting) events which have a dramatic character,
Seixas (2010) apresenta como principais características dos megaeventos o seu aspecto global, que diversas vezes na história já foi usado de forma política pelos governos que os organizaram, no sentido de demonstrar ao mundo o seu poder político-econômico e cultural, e desse modo, exibir a suposta superioridade de um povo, de uma ideologia ou da economia de um país no cenário mundial.
Nesse mesmo sentido, Hall (apud Tavares, 2006, p. 17) insere na categoria dos megaeventos esportivos outras características que lhes são próprias e que permitiriam a sua distinção das demais espécies de eventos. Tais características seriam o envolvimento financeiro do setor público das localidades que os recebem, a grande cobertura pela mídia nacional e internacional e os profundos impactos econômicos e sociais nessas sociedades anfitriãs.
Utilizando os conceitos trabalhados por ambos os autores, a título de exemplo, poderíamos ilustrar como megaeventos a Exposição Mundial, a mais importante feira de negócios do mundo; a Jornada Mundial da Juventude, evento promovido pela Igreja Católica, ou o carnaval brasileiro, conhecido como “o maior show da Terra”, entre inúmeros outros eventos capazes de mobilizar milhões de pessoas no curto intervalo de tempo que ocorrem, contando com projeção internacional e sendo exibidos nos mais diversos meios de comunicação de uma mídia mundial. No Anexo F do presente trabalho, apresentamos alguns outros megaeventos, como o concurso Miss Universo, os Jogos Asiáticos, a Copa América, a Eurocopa e as Conferências do Banco Mundial-FMI.
Ocorre que, na categoria dos megaeventos, destacamos aqueles que envolveriam a prática de esportes, os chamados megaeventos esportivos, pelo intenso apelo popular que alguns desses eventos são capazes de alcançar na atualidade, pelas inúmeras repercussões na sociedades em que ocorrem, e que também serão oportunamente analisadas no presente trabalho.
Entre os megaeventos esportivos, compreendemos que as diversas organizações esportivas promovem anualmente eventos que tomam grandes proporções em termos de participantes ou de audiência internacional. Natação, Basquete, Vôlei, Handebol, Ginástica Artística, Boxe, e Atletismo, entre diversas outras modalidades esportivas, são praticados todos
national governmental and international non-governmental organizations and thus can be said to be important elements in “official” versions of pubic culture (ROCHE, 2001, p. 1).
os anos em eventos internacionais onde atletas de várias partes do mundo disputam inúmeros títulos mundiais.
No entanto, percebemos que algumas competições se destacam como verdadeiros megaeventos esportivos, como estabelecemos, pela intensa cobertura da mídia mundial, fator que se repercute na elevada audiência de tais eventos, pelos fatores econômicos que envolvem, e pelos fatores mobilização e repercussão social. Nessa categoria de megaeventos incluiríamos os Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno, a Copa do Mundo FIFA de Futebol, a Volvo Ocean Race, o Super Bowl, o Tour de France, o Rally Dakar, o torneio de Wimbledon e a Fórmula 1, por exemplo.
Ocorre que, entre esses megaeventos citados, alguns se destacam claramente entre os demais, como os Jogos Olímpicos de Verão e a Copa do Mundo FIFA. Sobre esses dois megaeventos esportivos, os maiores do planeta, nos deteremos no decorrer deste Capítulo, de modo a atingir os fins do presente trabalho.
Os Jogos Olímpicos de Verão são os maiores eventos esportivos do mundo. As competições que eram realizadas na Grécia Antiga ressurgiram em 1896, com a realização em Atenas, dos primeiros Jogos Olímpicos da era Moderna. Os Jogos Olímpicos passaram a ser organizados a cada quatro anos pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), uma organização não- governamental criada em 1894 pelo barão Pierre de Coubertin com o objetivo de reestruturar a prática dos Jogos Olímpicos da Antiguidade.
Atualmente o COI organiza os Jogos Olímpicos de Verão, os Jogos Olímpicos de Inverno e os Jogos Olímpicos da Juventude. Na edição dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012, sediados em Londres, 38 (trina e oito) modalidades esportivas se fizeram presentes. Segundo o COI, os objetivos institucionais do “movimento olímpico” são:
1. Incentivar e apoiar a promoção da ética no desporto, bem como a educação dos jovens através do esporte e dedicar seus esforços para garantir que, no esporte, o espírito de fair play prevalece e a violência é proibido;
2. Incentivar e apoiar a organização, o desenvolvimento e a coordenação do esporte e das competições desportivas;
3. Assegurar a celebração regular dos Jogos Olímpicos;
4. Cooperar com as organizações e entidades públicas ou privadas competentes no esforço para colocar o esporte a serviço da humanidade e, assim, promover a paz; 5. Agir, a fim de fortalecer a unidade e de proteger a independência do Movimento Olímpico;
6. Agir contra qualquer forma de discriminação que possa afetar o Movimento Olímpico; 7. Incentivar e apoiar a promoção das mulheres no desporto a todos os níveis e em todas as estruturas, com vistas à aplicação do princípio da igualdade entre homens e mulheres; 8. Liderar a luta contra o dopping esportivo;
9. incentivar e apoiar medidas que protejam a saúde dos atletas;
10. Opor-se a qualquer abuso político ou comercial do desporto e atletas;
11. Incentivar e apoiar os esforços das organizações desportivas e as autoridades públicas que prevejam o futuro social e profissional dos atletas;
12. Incentivar e apoiar o desenvolvimento do desporto para todos;
13. Incentivar e apoiar uma preocupação responsável por questões ambientais, para promover o desenvolvimento sustentável no esporte e para exigir que os Jogos Olímpicos sejam realizados de forma adequada;
14. Promover um legado positivo dos Jogos Olímpicos para as cidades-sede e os países de acolhimento;
15. Incentivar e apoiar iniciativas que articulam o esporte com a cultura e a educação; 16. Incentivar e apoiar as atividades da Academia Olímpica Internacional (AOI) e de outras instituições que se dedicam à educação olímpica (COI, 2013) 12.
Como veremos oportunamente, essa rearticulação do esporte e do “movimento olímpico” ocorreu em consonância com o momento histórico e das mudanças que foram implementadas na concepção do esporte na modernidade, de modo que, nem sempre os nobres objetivos do olimpismo moderno puderam se verificar.
A Copa do Mundo FIFA, por sua vez é a maior competição internacional de esporte único do planeta, sendo disputada pelas seleções masculinas de futebol das 208 federações que compõem internacionalmente a FIFA. Tal megaevento é a o evento esportivo de maior audiência do mundo. Os números relacionados a tal megaevento impressionam, pois chegam até mesmo a superar o dos Jogos Olímpicos em alguns pontos.
Segundo a FIFA13, Cerca de 715.100 (setecentas e quinze milhões e cem mil) pessoas
assistiram à final da Copa do Mundo FIFA 2006, ocorrida na Alemanha. O mundial de 2010 sediado na África do Sul, foi transmitido a 204 (duzentos e quatro) países por 245 (duzentos e quarenta e cinco) canais de televisão diferentes. O megaevento de 2010 foi visto por 3.200.000.000 (três bilhões e duzentas milhões) de pessoas, o que representa 46% (quarenta e seis por cento) da população mundial14.
Ainda considerando a edição realizada na África do Sul, a entidade apresenta que dentro dos estádios africanos, 3.170.856 (três milhões, cento e setenta mil, oitocentos e cinquenta e seis)
12 The International Olympic Committee. The Organization. (Comitê Olímpico Internacional. A organização,
tradução livre). Disponível em: <http://www.olympic.org/about-ioc-institution>. Acesso em 03 de dezembro de 2013.
13 FIFA. Sobre a FIFA. Copa do Mundo FIFA. Disponível em: <http://pt.fifa.com/aboutfifa/worldcup/index.html>.
Acesso em: 03 de dezembro de 2013.
14 COPA da África do Sul foi vista por 3,2 bilhões de telespectadores. Portal 2014. A arena dos negócios da Copa.
11 de julho de 2011. Disponível em: http://www.portal2014.org.br/noticias/7506/COPA+DA+AFRICA+DO+SUL +FOI+VISTA+POR+32+BILHOES+DE+TELESPECTADORES.html
espectadores compareceram às 64 (sessenta e quatro) partidas, o terceiro maior público da história das Copas do Mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (1994) e da Alemanha (2006).
Dessa forma, nos propomos a analisar os principais aspectos desses maiores megaeventos do planeta, o modo como esses campeonatos se tornaram tão imponentes e de que forma esses a esses impressionantes números oficiais também se somam outros impressionantes números, aqueles que se referem às estatísticas e dados referentes às violações de direitos humanos relacionados à ocorrência de espetáculos de tamanha magnitude.
2.2. O fenômeno dos megaeventos esportivos e a atual sociedade de espetáculo