Kapittel 2: Teoretisk rammeverk
2.1 Ledelse
2.1.1 Ledelse i skolen
Para Kramsch (1998), “Estereótipos culturais são signos estáticos que afetam tanto aqueles que os usam quanto aqueles a quem servem para caracterizar.” 15 (p. 22). Em
sua perspectiva, portanto, estereótipos culturais revelam uma relação entre a identidade do Eu e do Outro, possivelmente apontando para a necessidade de melhor conhecimento acerca da cultura do Eu para que a do Outro possa ser vista como diferente, isenta de julgamentos discriminatórios.
As percepções possivelmente estereotipadas de um indivíduo sobre cultura(s) diferente(s) da sua estão intimamente relacionadas à compreensão que ele tem sobre sua
13 Grifo nosso. 14 Grifo nosso.
15 Cultural stereotypes are frozen signs that affect both those who use them and those whom they serve to characterize.
própria cultura. Assim, imagens estabilizadas sobre a cultura do Outro podem ser originadas a partir de concepções idealizadas da cultura do Eu que, em comparação à cultura alheia, possivelmente será a cultura base, isto é, o grupo de referência, aquele que é tomado como padrão para possíveis comparações interculturais.
Cuddy et al. (2009) discorrem sobre esse conceito:
Definidos como „psicologicamente significantes para as atitudes e comportamentos de uma pessoa‟ (Turner, 1991, p.5), grupos de referência são aqueles com os quais um indivíduo se identifica, e são geralmente, mas nem sempre, grupos internos. (…) Grupos de referência têm servido, teoricamente, como padrões normativos para comparação social16 e, mais comumente, aspiração social. 17 (p. 6)
Neste trabalho, portanto, a cultura brasileira pode ser classificada como “grupo interno” ou “grupo de referência”, pois é invariavelmente aquela na qual os informantes se baseiam (e a qual tomam como referência) para emitir seus relatos, por meio dos quais apresentam, em certos casos, julgamentos de valor (estereotipados ou não) acerca da cultura do Outro – no caso deste trabalho, os Estados Unidos e seu povo.
Corroboramos, portanto, a posição de Cuddy et. al. (2009) no que concerne a comparação entre culturas distintas. Nesses casos, geralmente tendemos a observar a cultura do Outro enviesados pela cultura do Eu, e os estereótipos tecidos sobre a cultura-alvo (no caso de ensino-aprendizagem de LE) partem de estereótipos aos quais já estamos condicionados em nossa própria cultura. Nesse sentido, nossa percepção da identidade social de alguém é fundamentalmente determinada pela cultura (KRAMSCH, 1998).
A percepção da cultura do Outro sob a ótica do Eu é, grosso modo, a maneira como Marc (1992) define etnocentrismo. Segundo ele, o etnocentrismo constitui traço cultural universal e processo psicológico de natureza discriminatória que faz com que a percepção do estrangeiro se dê por meio de um prisma: o nosso próprio quadro de referências (nossos códigos, rituais, valores). Inconscientemente, o indivíduo rejeita tudo aquilo que não reconhece como seu. Por essa razão, apesar de discriminatório, etnocentrismo não é uma
16 Grifo nosso.
17 Defined as „psychologically significant for one‟s attitudes and behaviour‟ (Turner, 1991, p. 5), reference groups are those with which an individual identifies, and are often, but not always, in-groups. (…) Reference groups have theoretically served as normative standards for social comparison and most often, social aspiration.
patologia ou deformação da alteridade, mas uma operação normal, que, ainda assim, merece ser considerada (MARC, 1992).
Motta-Roth (2003) abordou a intricada relação entre Eu e o Outro examinando a possibilidade de desenvolvimento de estereótipos culturais diante dessa associação. Para essa autora, a sensibilização intercultural (e, por conseguinte, a busca pela problematização de estereótipos interculturais) deve pautar-se pela ciência a respeito da identidade do Eu. Segundo a autora:
Essa tendência a ler quase que exclusivamente o discurso do „Outro‟ ao invés de nos debruçarmos sobre textos produzidos por nós mesmos, sobre nossos problemas, em cima de nossas próprias teorizações, afeta nossa percepção e nossa capacidade de sermos interculturais, pois ao desenvolvermos competências comunicativas interculturais devemos almejar não só a sensibilização e a apreciação pelo Outro, mas também por nossa própria identidade. (p. 5)
A autora ainda sugere, com base em Shi-xu & Wilson (2001), um programa educacional intercultural segmentado em duas etapas: inicialmente, deveríamos ensinar nossos alunos (e professores) a avaliar criticamente a própria língua e cultura para que posteriormente, em uma segunda etapa, possamos estimulá-los e procurar engajá-los em atividades significativas que promovam o desejo de comunicação e ação intercultural com o Outro (MOTTA-ROTH, 2003).
Assim, levando em conta a importância do conhecimento da cultura materna, vislumbramos a abordagem da cultura-alvo em dimensão interacional e intercultural como fator fundamental visando a sensibilização sobre estereótipos acerca da cultura do Outro.
Monaco (1986) retrata a relação da cultura do Eu versus a do Outro sob um viés diferente: o medo da assimilação da imagem estereotipada. Segundo ele:
Colocado de uma forma simples, as imagens sobre uma cultura amplamente compartilhadas em outra cultura refletem certos auto-medos que estão sendo projetados no „Outro‟. Esse mecanismo está, claramente, em ação na psicologia do preconceito e no ato de criar bodes expiatórios, ambos dos quais têm muito a ver com a questão de estereótipos e clichês.18 (p. 161)
18 Put simply, the widely-shared images in one culture of another reflect certain self-fears which are being projected onto the „other‟. This mechanism is clearly at work in the psychology of prejudice and in scapegoating, both of which have much to do with the issue of stereotypes and clichés.
Assim, podemos compreender que imagens negativas acerca da cultura-alvo são “temidas” no sentido de que tais traços negativos não são desejados (por aqueles que estudam línguas e culturas estrangeiras) na própria cultura materna.
Apesar de visualizarmos essa associação como complexa e distante, acreditamos na possibilidade de sua existência, especialmente se nos pautarmos na hipótese de que, como aponta Monaco (1986), clichês e estereótipos advêm – a longo prazo – da falta de auto-conhecimento cultural, que conduz à concepção de imagens estabilizadas negativas sobre o Outro em comparação com a cultura materna. Esta, geralmente idealizada, é, portanto, circundada por clichês e, possivelmente também, por estereótipos.