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Kapittel 3: Metode

3.5 Forskningsspørsmål

3.6.3 Utvalg

Estudos abrangendo estereótipos e suas relações com o comportamento humano são bastante freqüentes na área de Psicologia. Ainda que o enfoque, no que tange a estereótipos, seja majoritariamente voltado para análises e estudos de grupos em situações específicas, acreditamos que o embasamento teórico que subjaz muitos estudos dessa área pode contribuir para a compreensão de estereótipos e seus desdobramentos para ação / reflexão na sala de aula.

Para Bourhis & Leyens (1994), imagens estabilizadas de cultura representam

crenças compartilhadas por um grupo de pessoas a respeito de características (pessoais,

comportamentais) de indivíduos de outro grupo.

Nesse caso, o conceito de estereótipo está relacionado a informações gerais, provavelmente obtidas por meios genéricos (televisão, cinema, internet) que podem apresentar percepções distorcidas da realidade. Essas percepções desenvolvem-se, tornando- se crenças e, possivelmente, estereótipos.

Um exemplo da proximidade dos conceitos de crenças e estereótipos, apontada por Bourhis & Leyens (1994), consiste em estudo realizado por outros autores expoentes na área da Psicologia.

Carr & Steele (2009) descrevem um estudo19 no qual aplicaram uma tarefa de decisão léxica: 50 estudantes de graduação participaram dessa investigação, e deveriam observar uma lista de inúmeras palavras; em seguida, deveriam apontar as palavras que são comumente associadas a mulheres que trabalham / estudam matemática. Como resultado, as palavras mais apontadas foram: inferior, fraco, devagar, burro, estúpido, mulher, feminino, minoria, deficiente e inadequado.

Podemos notar, por meio desse caso, que as palavras mais mencionadas representam senso-comum no imaginário social não apenas dos estudantes que representaram a amostra do estudo, mas provavelmente de outras pessoas também. Assim, ideias gerais assemelham-se a crenças que, por sua vez, podem conduzir à estabilização / fossilização de imagens estereotipadas.

Os mesmos autores mencionam a importância de adaptação a novas situações por meio do uso de novas abordagens e métodos. Segundos eles, não é benéfico o uso das mesmas estratégias para problemas distintos. Entretanto, novas soluções geralmente não são efetivadas devido à inflexibilidade de muitos indivíduos. Para Carr & Steele (2009):

(...) como processadoras de informação imperfeitas, as pessoas são geralmente propensas à inflexibilidade: por exemplo, nós aplicamos experiências passadas não- relevantes a situações do presente, nós tentamos confirmar hipóteses pré-existentes e persistimos em blocos enraizados na mente. (p. 2)

A existência de inflexibilidade pode levar à elaboração e estabilização de estereótipos, além de contribuir negativamente para a possibilidade de sensibilização cultural, porque por definição, exclui o advento do novo, do diferente, não-usual.

Na medida em que concebemos inflexibilidade como conceito distante de multiplicidade e pluralidade, podemos vislumbrá-la como propulsora à criação de estereótipos unidimensionais (que discutiremos a seguir), isto é, rigidamente negativos ou positivos.

19 Carr, P.B., & Steele, C.M. Stereotype threat and inflexible perseverance in problem solving. Journal of Experimental Social Psychology (2009).

1.1.3.1 Estereótipos unidimensionais

Cuddy et al. (2009) reconhecem a existência de estereótipos unidimensionais:

O termo estereótipo geralmente implica antipatia uniforme em relação a um grupo social (Allport, 1954; Crosby, Bromley, & Saxe, 1980; Sigall & Page, 1971). Sob esse ponto de vista, estereótipos são unidimensionais, enquadrando-se em uma única dimensão geral: a dimensão do bom-ruim20. (p.3)

Essa descrição aborda imagens estabilizadas sob um aspecto maniqueísta, estabelecendo dois pólos: o bom e o ruim; o estereótipo se enquadrará em um dos dois. Nesse sentido, a concepção de dimensão única de estereótipos é, também, inflexível na medida em que não permite espaço para variações entre ambos os pólos.

Ainda que reconheçamos a existência de imagens estabilizadas unidimensionais (tão frequentes no convívio social), acreditamos que há a possibilidade de ressaltar / reconhecer pontos positivos em instâncias negativamente estereotipadas, e vice- versa.

Cuddy et al. (2009) desenvolveram um modelo de conteúdo para estudo de estereótipos21 fundamentado em duas grandes dimensões: receptividade22 e competência23. De acordo com os autores, ambos os conceitos abrangem percepções sociais e pessoais clássicas, como orientação de valor social, avaliação e observação dos comportamentos alheios, e até mesmo opiniões de votantes acerca de candidatos políticos (Cuddy et al., 2009).

20 The term stereotype often implies uniform antipathy towards a social group (Allport, 1954; Crosby, Bromley, & Saxe, 1980; Sigall & Page, 1971). In this view, stereotypes are unidimensional, falling along a single general goodness–badness dimension.

21 SCM – Stereotype Content Model. 22 No original, warmth.

1.1.3.2 Estereótipos ambivalentes

Fundamentando-se nos conceitos de receptividade e competência, Cuddy et. al (2009) acreditam que em grande parte das ocorrências de estereótipos, um indivíduo emitirá um julgamento de valor referente às características emocionais, empáticas de outro (receptividade); ou, por outro lado, poderá salientar traços referentes às habilidades, técnicas e capacidades de outra pessoa (competência).

Como exemplo, podemos descrever uma situação hipotética: uma pessoa descreve outra como “muito habilidosa e inteligente, porém seca, antipática”; nesse caso, ressalta-se a competência e despreza-se a emoção. Na situação oposta, alguém pode dizer que um colega é “atencioso, dedicado e simpático, porém limitado e ineficaz”.

Estereótipos ambivalentes são recorrentes nos discursos de alunos de LI quando se referem aos Estados Unidos e / ou norte-americanos. Estudos revelam que muitos exaltam o desenvolvimento tecnológico e político do país (até mesmo destacando desejo de viver nesse país em busca de desenvolvimento profissional), porém fazem ressalvas em relação à visão de “superioridade” e “arrogância” dos cidadãos norte-americanos.

Cuddy et al. (2009) sistematizam estereótipos ambivalentes da seguinte forma: - princípio de avaliação de superioridade24: referente aos grupos habilidosos e competentes, porém deficientes em relacionamento e afetividade social;

- princípio de avaliação de inferioridade25: relacionado aos grupos com habilidades limitadas, porém ricos em empatia, isto é, facilmente adorados pela máxima da pena: gosta-se, pois se comisera.

No contexto deste trabalho, verificaremos no capítulo referente à análise de dados que, na maior parte dos depoimentos dos alunos, estereótipos fundamentados no princípio de avaliação de superioridade são frequentemente associados aos Estados Unidos. Muitos alunos reconhecem o sucesso dos Estados Unidos em áreas como política, educação, ciência e tecnologia, porém têm a percepção de que esse sucesso está atrelado a um sentimento de superioridade por parte de muitos norte-americanos. Desse raciocínio, surgem estereótipos como “metidos”, “arrogantes”, “pensam que são os melhores”.

É importante reconhecer que muitos estereótipos sobre os Estados Unidos fundamentados no princípio de avaliação de superioridade surgem como contraponto à

24 No original, envious prejudice. 25 No original, pitying prejudice.

imagem que os alunos têm sobre sua própria cultura. Em várias menções aos norte- americanos, os participantes comparam as culturas de Estados Unidos e do Brasil, deixando implícita a noção de que o aspecto “receptividade”, naquele país, poderia ser parecido com o que se observa nos cidadãos brasileiros.

O crescimento do Brasil nos mais diversos âmbitos (econômico, social, político, e muitos outros) nos últimos anos parece dar aos brasileiros legitimidade e credibilidade a críticas de países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Nesse sentido, verificamos a percepção de um Brasil que alia a tradicional “receptividade” à “competência” adquirida com o desenvolvimento do país nas áreas já mencionadas.

Essa imagem ilustra que muitos estereótipos sobre a cultura-alvo são derivados de estereótipos sobre a cultura-materna, isto é, auto-estereótipos. Não raro, encontramos imagens da cultura brasileira mencionadas por vários participantes, evidenciando-se, assim, que auto-estereótipos existem (ainda que dificilmente sejam notados por aqueles que os concebem) e estão intimamente ligados ao desenvolvimento de outras imagens estabilizadas de cultura.

Os estereótipos embasados no princípio de avaliação de inferioridade são associados a países menos influentes e pouco representativos no cenário político-econômico atual. Existe, nesse caso, um sentimento de comiseração em relação a eles.

Embora não produzam conhecimento na área de Psicologia, apresentamos neste subitem a concepção de estereótipos de Preiswerk & Perrot (1975), citados por Zarate (1986). Esses autores também estudaram imagens estabilizadas pautando-se em estrutura ambivalente: simplificação e generalização.

A simplificação ocorre quando elementos essenciais para a compreensão de uma realidade são omitidos, tanto inconscientemente quanto frutos de meros esquecimentos. Segundo os autores, apenas em uma segunda análise é possível avaliar se a cognição seletiva é voluntariamente orientada ou não26.

A generalização compõe estereótipos na medida em que o mesmo conceito é aplicado a todos os elementos de uma categoria, desconsiderando-se exceções em prol da generalização de características tanto positivas quanto negativas. Segundo Preiswerk & Perrot (1975):

No domínio do estereótipo, não há lugar para a nuance. Aquilo que serve para um grupo serve também para o indivíduo e para todos os membros desse grupo, de modo que o indivíduo termina por representar o grupo inteiro, incorporando-o, graças ao estereótipo. É o aspecto generalizador que domina27. (p. 237-238)

Ambos os conceitos nos parecem bastante apropriados para a abordagem de questões culturais no ensino de LI, pois os visualizamos não somente nos discursos de alunos (e, às vezes, até de professores), mas também estampados nas páginas de materiais didáticos. Em muitos casos, os livros elaborados para o ensino de LE simplificam e generalizam a cultura da língua-alvo tratando-a como “franja cultural”, isto é, apenas um anexo breve com informações triviais sobre a cultura-alvo (ALMEIDA FILHO, 2002).

Nos casos de materiais didáticos voltados para o ensino de LI, cultura é reduzida (e, portanto, simplificada) a “curiosidades culturais”, que podem contribuir para o desenvolvimento de imagens estabilizadas na medida em que deixam de oferecer oportunidades para avaliação crítica da cultura-alvo, consequentemente distanciando o aluno da sensibilização cultural fundamental para a problematização de estereótipos culturais.

No próximo item, introduzimos alguns conceitos de cultura que julgamos pertinentes para o escopo deste trabalho.