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Ledelse og innovasjonsledelse

Antes de iniciarmos a análise mais aprofundada das informações coletadas durante a aplicação dos grupos focais, mostraremos alguns dados referentes à região em questão. Através de dados estatísticos e estudos sócio-ambientais, tentaremos montar um perfil sócio-econômico-cultural dos jovens a quem nos referimos nesta pesquisa e, mais especificamente, dos jovens com quem conversamos durante os grupo focais.

Nossa intenção é deixar claro quem são estes jovens, onde vivem e qual o ambiente sócio-cultural em que estão inseridos. Este levantamento fará parte da entrada no campo de pesquisa e será de suma importância para a análise dos dados no decorrer do trabalho pois, conforme coloca González Rey (1999: 33): “La epistemología de las ciências sociales tiene que asumir em todas sus consecuencias el carácter histórico-cultural de su objeto y del próprio conocimiento como construccíon humana”.

Optamos por usar o Mapa da Exclusão Social28 como fonte das informações estatísticas que necessitamos para montarmos o perfil sócio-econômico-cultural dos jovens participantes desta pesquisa. O Mapa da Exclusão Social foi desenvolvido com base na cidade de São Paulo e revela onde estão presentes, dentro desse município, os locais de maior e menor vulnerabilidade à exclusão social.

Segundo Sposati (1996), o Mapa teve por objetivo acabar com as “médias genéricas” em uma cidade tão grande e tão repleta de diferenças sociais e:

A presença da exclusão precisa se transformar numa manifestação de indignação da sociedade, o que implica uma estratégia para além de um conceito acadêmico, a fim de que a provisão de mínimos sociais de responsabilidade da lei nacional de assistência social, se efetive com legitimidade social.

Os índices utilizados e pesquisados para a concepção do mapa nos trazem um pano de fundo para a formação do perfil da região onde nossos jovens residem e estudam e a que níveis de vulnerabilidade social estão expostos.

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Prefeitura de São Paulo. Mapa da inclusão/exclusão social município de São Paulo

Nosso objetivo nesta pesquisa não é a de classificar os jovens como pertencentes à esta ou àquela classe, mas de traçar o perfil deste jovem definido como sujeito colaborador desta pesquisa. Com o auxílio do Mapa de Exclusão Social, fica claro que os jovens dessa pesquisa são moradores de uma região com razoáveis índices de vulnerabilidade social, o que os deixa numa situação de quase exclusão e, ainda, o fato de serem estudantes de escola pública nessa região da cidade faz com que sua situação se mostre ainda mais delicada. Portanto, chamá-los de jovens de camadas populares é caracterizá-los de forma simples e abrangente.

Segundo a autora, o impacto das políticas neoliberais nos países latinoamericanos se caracteriza pelo aumento da exclusão social: “-pelo desemprego; - pela ausência de oportunidades geradas aos jovens; - pela discriminação resultante de modelos políticos elitistas e formas de governo que ainda se assemelham a ditaduras civis e não propriamente democracias; - pelo não acesso universal à educação e à linguagem digital; - pela ausência de incentivo às expressões culturais populares” (SPOSATI, 2000), portanto, “o Mapa é uma ferramenta a serviço do processo civilizatório de modo a formar opinião crítica da sociedade e fomentar a indignação com a exclusão, e ao mesmo tempo mostrar que é possível caminhar na direção da inclusão social” (idem).

O Mapa da Exclusão Social utiliza um índice chamado de Iex (Índice de Exclusão/Inclusão Social). Este índice abrange de 1 à -1, sendo que sua escala completa seria: 1 (melhor índice de inclusão); 0,75; 0,50; 0,25; 0 (padrão básico de inclusão); - 0,25; - 0,50; - 0,75; - 1 (pior índice de inclusão social)29.

Seguindo este critério, verificamos que na região onde se encontram nossos jovens (Vila Jacuí – Zona Leste), o Iex medido em 2002 está dentro de uma faixa entre – 0,50 a – 0,6030. Estes dados colocam esta região dentro de uma faixa preocupante de exclusão social.

Além do Iex, existem outros dados levantados sobre esta região que nos dão uma noção bastante completa da situação sócio-econômico-cultural dos jovens desta pesquisa e

29 Mapa da Exclusão Social. Disponível em: http://www.dpi.inpe.br/geopro/exclusao/oficinas/mapa2000.pdf.

Acesso em: 20 nov 08.

30 Município em mapas – série temática – índices sociais. Disponível em: http://www9.prefeitura.sp.gov.br/ sempla/mm/index. php?texto=corpo&tema_cod=5. Acesso em: 20 nov 08.

nos mostra em que ambiente estão inseridos e como este ambiente pode influenciar o futuro e as escolhas destes jovens.

Verificamos então, o Mapa da Exclusão Social segundo algumas dimensões importantes para esta pesquisa como a vulnerabilidade social e a vulnerabilidade juvenil e constatamos que, segundo o mapa de 2004, a região a que nos referimos neste projeto (Vila Jacuí – Zona Leste) possui de 25% a 50% de seus chefes de família com apenas o ensino fundamental completo e, de 20% a 30% dos responsáveis da casa, pessoas do sexo feminino com, no máximo, o ensino fundamental completo.

Segundo o mapa de 2000, a região possui um índice de 57,60% a 61,90% no que diz respeito à dimensão “vulnerabilidade juvenil”. Esta dimensão engloba aspectos como: a taxa anual de crescimento demográfico; a participação de jovens de 15 a 19 anos na população do distrito; a taxa de morte por homicídio na população entre 15 e 19; participação das mães entre 14 e 17 anos no total de nascimentos e rendimento mensal médio do chefe do domicílio.

Além dos aspectos acima citados, a dimensão “vulnerabilidade juvenil” também engloba mais dois aspectos que merecem maior atenção, pois são de suma importância nesta pesquisa: o percentual de jovens entre 15 e 17 anos que não freqüentam a escola, que no caso deste distrito fica em torno de 27,78% a 29,47% e o percentual de jovens entre 18 e 19 anos que não concluíram o ensino fundamental que, no caso do distrito em questão, permanece entre 48,85% e 53,84%.

Portanto, trata-se de uma região com índices bastante negativos com relação à população jovem, o que coloca os garotos e garotas que participaram dessa pesquisa numa situação bastante desvantajosa com relação à seus vizinhos de outros bairros com índices de exclusão não tão altos. Porém, devemos parabenizá-los por, mesmo nestas condições adversas, ainda estarem cursando ensino médio e manterem viva a esperança e a busca por melhores condições de vida.

Porém, antes de iniciarmos a análise mais aprofundada dos discursos dos jovens, é mister deixar claro que a época refletida pelos dados apresentados acima está concentrada num período onde o país buscava sair de uma situação de crise gerada por políticas neoliberais. A partir de 2005, surge no país políticas voltadas para a diminuição da pobreza

e dispostas a enfrentar a crise em que nos encontrávamos, mas a concentração de dados estatísticos e material de discussão sobre esse período ainda é escassa. De qualquer forma, apesar de nos encontrarmos atualmente num momento de crescimento do país, o IDH de 200831 mostra o Brasil no mesmo septuagésimo lugar do IDH de 2006, o que atesta que qualquer reflexo desse crescimento aparecerá somente em alguns anos.