Para falarmos desses jovens é importante destacar sua participação na população e as alterações destes números nas últimas décadas, conforme refere Branco (2005): “O crescimento da população mundial de jovens entre 15 e 24 anos foi de 10,5% no período entre 1993 e 2003. Todavia, a oferta de empregos para esta faixa de trabalhadores se expandiu no mesmo período apenas 0,2%” (p. 130).
Portanto, a participação dessa população no mercado de trabalho ou a busca por fazer parte deste, também crescem proporcionalmente com o número de jovens na população, conforme demonstra Bastos (2008):
Nesse sentido, a dinâmica demográfica pode se constituir em elemento que contribui para pressionar o mercado de trabalho, pois um crescimento populacional elevado requer maior capacidade de geração de emprego pela economia para absorver produtivamente as pessoas que ingressam no mercado de trabalho.
Esse grupo de brasileiros representa uma parcela significativa da população economicamente ativa no país, sendo que, segundo estudo do Dieese (2006: 2), em 2005 existia, nas principais regiões metropolitanas do país, um contingente de cerca de 4,6 milhões de jovens fazendo parte dessa população, correspondendo mais de 25% dos trabalhadores do país.
A participação do jovem no mercado de trabalho, como colocado acima, foi sensivelmente alterada, não só pelo aumento de número de jovens em busca de uma
colocação profissional, e pelo aumento total das taxas de desemprego não só no Brasil - como em outros países da América Latina, EUA e Europa - mas, também, pelo aumento das taxas de desemprego nessa faixa etária. Segundo Ipea (2008), o percentual de desemprego entre os jovens na faixa entre os 15 e os 24 anos (tabela 1):
Tabela 1 - Fonte: Ipea (2008): Juventude e Políticas Sociais no Brasil -abril de 2008 p. 17
Apesar do número expressivo de sua participação na população, encontramos nestes dados outro ponto: dentro da população economicamente ativa (PEA), existem aqueles trabalhadores que se encontram desempregados e destes, mais de 1,5 milhão possuem idade entre 16 e 24 anos, segundo Dieese (2006:3), representando assim, cerca de 45% do número total de desempregados acima de 16 anos.
Se considerarmos o percentual da população ocupada por faixa etária, teremos18:
15 a 19 anos 7,4% 25 a 39 anos 37,7% 20 a 24 anos 12,4% 40 a 59 anos 34,1%
Quadro 1: percentual da população ocupada por faixa etária. Fonte: PNAD 2007.
Quanto à escolarização dos trabalhadores, verificou-se que o maior percentual da população ocupada se encontra entre os trabalhadores que possuem 8 a 10 anos de estudo (17,2%) e 11 anos ou mais de estudo (39,1%)19.
Estes dados nos mostram que, além da dificuldade que os jovens têm em se inserir no mercado de trabalho, a pouca escolaridade também demonstra ser fator preponderante, pois, ao analisarmos os dados acima veremos que um jovem na faixa etária dos 18 anos, por
18 PNAD 2007 disponível em : http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/ pnad2007/comentarios2007.pdf. Acesso em 01 dez 2008.
19 idem PAÍS em 1990: em 2005: Brasil: 7% 19% Argentina: 13% 24% México: 4% 7% EUA: 11% 11% França: 19% 23% Suécia: 5% 22%
exemplo, pode estar inserido nas estatísticas como parte de um percentual muito grande de desempregados, e sua escolaridade também possui muita importância, pois ao observarmos os dados da PNAD 2007 veremos que o número médio de anos de estudo no Brasil para jovens entre 18 e 19 anos é de 8,5.
Sendo assim, o jovem brasileiro, além de possuir o problema intrínseco à sua idade no tocante à colocação profissional, ainda esbarra na falta de escolaridade adequada para sua idade.
O desemprego juvenil tornou-se, nas últimas décadas, um problema mundial e, segundo o Ipea (2008), a proporção de jovens desempregados entre o total de desempregados nos países é de (tabela 2):
Tabela 2 - Fonte: Ipea (2008): Juventude e Políticas Sociais no Brasil -abril de 2008 p. 17
As altas taxas de desemprego no Brasil têm seu histórico baseado nas políticas econômicas mal sucedidas a que fomos sujeitos nas últimas décadas, principalmente a partir dos anos 80, quando a questão se torna ainda mais alarmante, devido às altas taxas de inflação, aumento da dívida externa, entrada das multinacionais no país, tecnologização da produção e globalização.
Os jovens das camadas populares também são vítimas da falta de políticas públicas próprias para sua faixa etária e condição sócio-econômica, assim como afirma Cohn (2004):
(...) na medida em que atualmente o crescimento econômico não gera trabalho em quantidade suficiente para promover a inclusão social dos segmentos sociais “em trânsito para a vida adulta”, e que portanto significam novos contingentes que buscarão oportunidade no mercado para obter fontes de renda que garantam sua subsistência de forma sustentável, o desafio que se coloca é como construir e implementar políticas de Estado que detectem as novas formas possíveis de inserção social dos indivíduos (...) (p. 170).
PAÍS em 2005: Brasil: 46,6% Argentina: 39,6% México: 40,4% EUA: 33,2% França: 22,1% Suécia: 33,3%
Segundo o mesmo estudo do Ipea (2008) chama atenção um fenômeno típico nas famílias das camadas populares em que os jovens passam a buscar colocação profissional para complementar os rendimentos familiares diante do desemprego de um (ou ambos) os pais. Desta forma, aumenta-se no mercado o número de pessoas em busca de emprego o que reflete na alta das taxas de desemprego. É o chamado “trabalhador adicional”.
Mas não são somente a economia brasileira e a falta de políticas públicas que levam às altas taxas de desemprego no Brasil e no mundo, principalmente entre os jovens. Veremos, como os novos modelos de sistema produtivo e a economia mundial também podem afetar a vida dos jovens em busca de colocação profissional, impactando nas relações trabalhistas e nas taxas de desemprego.
3.3 Transformações nos sistemas produtivos e globalização: o impacto nas taxas de