O modelo colaborativo de produtividade PLM2M, que considera as ferramentas de manufatura digital do PLM, é visto como um sistema de informação abrangente, que envolve novos modelos colaborativos de negócios e várias soluções de software. Muitos são os autores que articulam sistemas de informação e modelos de colaboração em várias abordagens. Um exemplo está no trabalho de Prasad e Tata (2005), onde confirmam que esses novos modelos de negócios englobam o uso de sistemas de informação e necessitam de formas de organização que são distintas das hierarquias tradicionais. Devem oferecer aspectos como comércio eletrônico (e-commerce), gerenciamento da cadeia de fornecimento SCM (Supply Chain Management), terceirização (outsourcing), gestão do conhecimento e globalização, que necessitam, ao contrário de ações individuais e isoladas, ações em grupo para trabalhar de forma efetiva.
Embora Prasad e Tata (2005) tenham sua pesquisa fundamentada em regras de equipes e grupos nas literaturas de sistemas de informação, a linha de raciocínio coincide com a de Wang e Nee (2009) que conceituam o PLM como uma abordagem integrada que inclui uma série de métodos, modelos e ferramentas com foco na informação e gerenciamento de
processos, durante os diferentes estágios do ciclo de vida de um produto. As ferramentas PLM, de maneira básica, desempenham as funcionalidades para a gestão do conhecimento, o gerenciamento de dados e informações, e o gerenciamento do fluxo de trabalho (workflow), necessárias para os ambientes de colaboração. Wang e Nee (2009) ainda citam que a abordagem PLM é composta de ferramentas do tipo ‘groupware’ - categoria de aplicativos destinados a auxiliar grupos de usuários que trabalham juntos em rede ou de forma corporativa.
Prasad e Tata (2005) revisaram - no período de 1990 a 1999 - 28 journals de renome, que ajudaram na identificação de 220 artigos relacionados a sistemas de informação e equipes/grupos de trabalho (teams/groups). Os autores classificaram esse conjunto de artigos em 22 áreas e subsequentes referências cruzadas e identificaram que o pico de publicações aconteceu na metade da década de 90, onde as principais áreas de interesse foram classificadas da seguinte forma: tomada de decisão, sistemas de suporte a decisão, fatores humanos, sistemas intra-organizacionais, gerenciamento de projeto, telecomunicações e software, além de ligações entre temas como psicologia de comportamento social nas organizações e o foco da pesquisa (teams/group) em sistemas de informação. Foi no mesmo período que surgiu, segundo Grieves (2006), a abordagem PLM - na metade dos anos 90 - com a evolução do uso das interfaces gráficas GUIs (Graphical Users Interfaces) dos computadores pessoais e tomou força no início dos anos 2000.
Gama (2011) destaca que, segundo a CIMdata (2010), no final dos anos 90, início dos anos 2000, a forte expansão e adoção da Internet e ferramentas baseadas na Web tiveram um grande impacto no desenvolvimento e utilização do PDM (Product Data
Management) e sistemas relacionados com o reuso da informação. Além disso, as novas
tecnologias de colaboração e o e-commerce - comércio eletrônico via Internet - facilitaram muito o trabalho colaborativo sincronizado e em tempo real, envolvendo equipes de pessoas amplamente dispersas através de sistemas interligados em rede. A CIMdata ainda afirma que este mercado - continuamente em expansão - é chamado de ‘gerenciamento colaborativo das definições do produto’ - cPDm (collaborative Product Definition management).
O termo cPDm, adotado pelo mercado profissional e muito pouco visto na literatura acadêmica, nasceu por volta dos anos 2000 como parte da abordagem PLM -
Product Lifecycle Management - e reconhece a natureza estendida de soluções mais novas,
trabalho colaborativo, comércio colaborativo de produtos, integração de fornecedores, integração de aplicações corporativas e um grande número de abordagens baseadas na Web. O cPDm não é apenas um conjunto de soluções de tecnologia e aplicações, é uma abordagem de negócios estratégica e aplica um consistente conjunto de soluções de negócios para gerenciar colaborativamente o ciclo de vida das definições do produto através da empresa estendida (CIMdata, acesso em fevereiro de 2010). Suítes de software como o Teamcenter da Siemens PLM, Enovia e MatrixOne da Dassault Systèmes e Windchill da PTC representam a classe de produtos cPDm do PLM, entre dezenas de outros produtos existentes no mundo, a maioria deles com soluções customizadas para problemas mais específicos. No final de 2011 foi anunciado o Autodesk PLM 360 que, além das características básicas do cPDm, trabalha no conceito ‘cloud computing’ (computação na nuvem) e na forma de entrega SaaS (Software
as a Service) - software como serviço (GAMA, 2011).
Gama (2011) ainda afirma que o cPDm é a base do modelo de produtividade PLM2M, que engloba as aplicações de manufatura digital do PLM. Conforme segmenta a CIMdata (www.cimdata.com), as ferramentas cPDm estão entre os três sub-setores do mercado de PLM (cPDm, ferramentas de autoria CAE/CAD/CAM e manufatura digital) e colaboram na definição do produto para sustentar toda uma estrutura de dados - na forma de um único repositório de informações - para que a área de engenharia de processos, a produção, o chão de fábrica, a área de qualidade, as áreas de gestão e logística, áreas afins, fornecedores e clientes possam colaborar os dados de desenvolvimento de produto na forma de empresa estendida. Para reforçar, Grieves (2006) destaca o início do ciclo de vida digital com ênfase no desenvolvimento colaborativo do produto. Afirma que, apesar do PLM se preocupar com todo o ciclo de vida do produto, isso só faz sentido se desde o início forem implementadas técnicas e aplicações adequadas. Destaca o uso do desenvolvimento colaborativo nas necessidades de análise e planejamento do produto, projeto e engenharia. Afirma que se existir um objetivo em comum - principalmente o da redução de custos - todas as áreas funcionais podem se beneficiar da colaboração da informação. O autor batiza a colaboração da informação do produto de cPD (collaborative Product Development) e define o cPD como a primeira fase do ciclo de vida do produto. cPDm ou cPD traduz a necessidade da colaboração da informação tanto das empresas como do mercado.