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4.9 Oppsummering av funn, alle informanter

6.1.2 Implikasjoner

No site da Pinacoteca11 é possível verificar que seu objetivo principal é oferecer aos visitantes uma leitura a respeito do artista e da constituição do sistema de arte no Brasil do período colonial até os anos 1930, quando se estabeleceu no meio artístico brasileiro a distinção entre “belas-artes” e “arte moderna”. De acordo com a concepção de Ivo Mesquita, curador chefe da Pinacoteca, a exposição obedece a uma ordem cronológica com foco em dois

36 eixos temáticos essenciais na constituição e compreensão do desenvolvimento das práticas artísticas no Brasil. A primeira considera a formação de um imaginário social sobre o Brasil – o conjunto de imagens, suas relações e sentidos. A segunda aborda a formação de um sistema de arte no país – ensino, produção, mercado, crítica e museus – iniciados com a vinda da Missão Artística Francesa, com a criação da Academia Imperial de Belas Artes e do programa pensionato no Brasil.

O percurso expositivo12 se estende por 11 salas de longa duração e sua proposta apresenta os desdobramentos da história retratada acima como também os seus personagens e suas realizações:

Sala 1 – A tradição colonial: as obras contrapõem a tradição artística do Brasil colonial, tão estreitamente ligada à temática religiosa, à imaginação europeia com relação ao país. A breve ocupação holandesa no Nordeste daria origem às primeiras pinturas que procuram reproduzir o ambiente natural do país segundo as tradições da pintura de paisagem europeia.

Sala 2 – Os artistas viajantes: a sala reúne uma seleção de pinturas de paisagem executadas por artistas estrangeiros entre 1820 e 1890,

aproximadamente. São esses artistas, genericamente chamados “viajantes”, os

responsáveis por introduzir no ambiente artístico brasileiro gêneros já consagrados da arte europeia, como a paisagem e a natureza-morta.

Sala 3 – A criação da Academia: diz respeito às obras de Jean-Baptiste Debret, Nicolas Taunay e Zéphéryn Ferrez, artistas da Missão Francesa de 1816 que sinalizam a criação da academia de belas artes no Rio de Janeiro e a instauração, portanto, de um novo sistema artístico, baseado no modelo Francês. Esta academia forma gerações de artistas, representados por Agostinho José da Motta e Pedro Américo, entre outros, responsáveis pela difusão da regra acadêmica, que estabelece novos padrões de gosto ao ambiente artístico no Brasil.

Sala 4 – A academia no fim do século: apresenta obras de Rodolfo e Henrique Bernardelli, assim como de outros professores e alunos da Academia

12 Essa descrição foi feita com base no material de apoio (folder explicativo) que é distribuído

37 no período entre 1890 e 1915, como Zeferino da Costa, Belmiro de Almeida e Pedro Weingärtner.

Sala 5 – O ensino acadêmico: propõe uma reflexão a respeito do sistema de ensino nas academias de belas artes, abordando alguns de seus aspectos principais: o exercício do desenho, os estudos do corpo humano, as cópias de pinturas dos grandes mestres e a viagem à Europa como prêmio da principal competição proposta pela instituição.

Sala 6 – Os gêneros da pintura: reúne brasileiros dos quatro gêneros propostos pelo ensino acadêmico – natureza-morta, paisagem, retrato e pintura histórica – indicando o alcance e a longevidade do modelo francês difundido pelas academias do mundo.

Sala 7 – Realismo burguês: retrata a academia como base de um sistema artístico que pressupõe o mecenato. É inevitável que a produção acadêmica reflita, portanto, valores importantes para certas classes sociais. No final do século XIX, as obras de Almeida Junior, Eliseu Visconti e Oscar Pereira da Silva, entre outros, reunidas nesta sala, revelam a consolidação de um gosto tipicamente burguês no Brasil.

Sala 8 e 9 – Das coleções para o museu: reune obras oriundas de alguns dos grandes lotes de doação que vieram a constituir o acervo da Pinacoteca do Estado, como o da Família Azevedo Marques (1949), Família Silveira Cintra (1956), Alfredo Mesquita (1976/1994), entre outros.

Sala 10 – Um imaginário paulista: propõe uma reflexão sobre a imagem

que São Paulo busca projetar sobre si a partir do final do século XIX. As telas em que Almeida Junior propõe a tipificação do caipira paulista são contrapostas a imagens da transformação da paisagem urbana de São Paulo.

Sala 11 – O nacional na arte: Reunião de obras de diferentes períodos, a sala destaca uma questão que perpassa todo o século XIX brasileiro, permanecendo como indagação ainda para artistas e intelectuais do modernismo paulista: a criação de um ideário nacional nas artes.

Em algumas salas é possível contar com a proposta educativa “Arte em

diálogo”, ou seja, uma proposição diferenciada de leitura e interpretação. Trata- se de obras de diferentes autores e épocas previamente selecionados pelo

38 Núcleo de Ação Educativa (NAE) no intuito de estabelecer uma relação entre assuntos diversos. Na Sala de Leitura, por exemplo, encontra-se material bibliográfico e documental sobre a história da Pinacoteca. A Sala de Interpretação oferece a possibilidade de explorar aspectos da memória do lugar e do indivíduo, das visitas ao museu e a exposição a partir de elementos interativos (vídeos, multimídia). Segundo a idealizadora do NAE:

As propostas educativas desenvolvidas como parte da exposição Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo apresentam, assim, diferentes estratégias de aproximação ao público, com o intuito de permitir uma maior apropriação da cultura e da arte, o que, acreditamos, constitui-se em experiência única, intensa e transformadora. (CHIOVATTO; LIMA, 2011, p.3)

Nos corredores encontra-se um conjunto de vitrines que pontuam e comentam peças singulares do acervo. Neste mesmo espaço está a Galeria Tátil de Esculturas Brasileiras, composta por 12 obras que foram escolhidas e elaboradas especialmente para que visitantes com deficiências visuais possam apreciá-las de forma autônoma, tocando-as e recebendo informações por meio de etiquetas e textos em dupla leitura (tinta e Braille), além do áudio-guia. A seleção das obras considera a indicação do público com deficiências visuais e/ou mobilidade reduzida, que participou de visitas orientadas ao acervo nos últimos cinco anos. A dimensão, a forma, a textura e a diversidade estética das esculturas facilitam sua compreensão e apreciação.

Nas extremidades do edifício concentram-se quatro salas que abrigam exposições temporárias e oferecem perspectivas sobre artistas, períodos históricos ou contrapontos contemporâneos. Também fazem parte do acervo as esculturas do Parque da Luz, espaço criado como horto botânico por uma Ordem Régia da Coroa Portuguesa em 19 de novembro de 1798 e conta com aproximadamente 113 mil m². O ambiente foi aberto ao público em 1825 como Jardim Botânico no período do Brasil Imperial, o primeiro espaço de lazer da população paulistana. E em 1981, o parque foi tombado como patrimônio histórico e atualmente abriga cerca de 50 esculturas que integram o acervo da Pinacoteca. Entre os artistas apresentados estão Victor Brecheret, Leon Ferrari, Amílcar de Castro, José Resende, Marcelo Nietsche e muitos outros.

39 Figura 1 - Disposição do espaço da Pinacoteca

40 E, finalmente, a Estação Pinacoteca que é uma extensão do programa de exposições temporárias da Pinacoteca, onde está instalado o espaço do Memorial da Resistência de São Paulo que apresenta quatro eixos temáticos: O edifício e suas memórias; controle, repressão e resistência: o tempo político e a memória; a construção da memória: o cotidiano nas celas do DEOPS/SP e da carceragem ao Centro de Referência.

Para a museóloga Cury (2012), os museus são instituições que comunicam o patrimônio cultural por meio de exposições. Desse modo, cada exposição valoriza um determinado tipo de patrimônio, revela objetivamente, ou subjetivamente uma determinada decisão e seleção das obras, e por isso, o pesquisador precisa fazer o exercício de crítica na tentativa de compreender os discursos estabelecidos em cada espaço.