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2. Teori

2.6 Lean Implementering

Más allá188 de dizer que os animais (joões-de-barro, abelhas, etc.) não constroem casas é preciso dizer com toda certeza que eles não se relacionam, que suas “relações” não lhes lançam além do momento dado, que essas “relações” não lhes transformam. Enfim, que essas “relações” não lhes formam enquanto animais.

185 Leia-

se “totalidade” enquanto “integralidade”, e não como “absoluto”.

186 Palavra por nós introduzida.

187 MARX, K. e ENGELS, F. 2007, p.34 nota a. 188 Do espa

De modo radicalmente distinto os homens se fazem por meio da necessária e permanente relação entre si e com a natureza, realizadas sob determinadas condições. Por um lado, a relação de uma abelha com uma flor não expressa a relação entre ambas, ou melhor, dizendo, expressa tão somente a própria determinidade da abelha e da flor (MARX, K. 1994, p.67). Por outro lado, a relação

entre natureza e homem aparece de modo que a relação limitada dos homens com a natureza condiciona sua relação limitada entre si, e a relação limitada dos homens entre si condiciona sua relação limitada com a natureza.189

Esse relacionar (histórico-social) entre homens e natureza não é vazio, ou seja, desprovido de construção. Antes, possui uma estrutura determinada historicamente. Sabemos que a relação dos indivíduos com a natureza está marcada pela transformação e apropriação da natureza mediante a atividade produtiva, por isso é necessário dizer que as relações que lançam os indivíduos para além da natureza são ontologicamente as relações que se desenvolvem na produção da vida material dos homens – relações cujo desenvolvimento condiciona a vida dos homens. Sendo, para nossos autores, a produção posta pelos indivíduos e as relações (“forma de intercâmbio”) que esses desenvolvem na produção uma totalidade entendida como estrutura sócio-reprodutiva ou com outros términos, estrutura social, “base real da história” do mundo dos homens, sem a qual, como já falamos, a concepção marxiana da história dos homens, exposta nas obras por nós estudadas, é impensável de ser apreendida em sua integralidade (totalidade).

A história humana, dessa maneira não somente expressaria uma processualidade radicalmente distinta do devir próprio da natureza, mas, fundamentalmente, seria uma construção contínua. Seu vir-a-ser expressa a autoconstrução dos homens no tornar-se homem do homem que o trabalho, enquanto atividade mediadora entre homens e natureza, traz na qualidade de complexo fundamente do ser. Com razão, o mundo erigido pelos indivíduos se distanciaria radicalmente do ser natural, de maneira que a produção e as relações postas pelo processo produtivo que está na base do ser social se conformaria enquanto parte desse ser – com a qual não se confunde. Em conformidade com isso, Marx, nos Manuscritos de 44, nos diz que

O objeto do trabalho é, portanto, a objetivação da vida genérica do homem, na medida em que ele se duplica não só intelectualmente, como na consciência, mas também operativamente, realmente, e intui-se por isso num mundo criado por ele. 190

Já vimos que para Marx e Engels o mundo criado pelo ser social não se assemelha ao “mundo natural”. Sua processualidade expressa determinações propriamente humana. O que implica necessariamente que seu vir-a-ser não é condicionado por determinações que naturalmente escapem a ação dos indivíduos (exemplares). Contudo, a concepção marxiana da história humana que encontramos tanto nos Manuscritos econômico-filosóficos como n’A ideologia alemã, não para nessa primeira constatação ontológica, ela exige a compreensão de que a história dos homens se realiza historicamente de modo determinado, sob a base de uma determinada estrutura sócio-reprodutiva, conforme o desenvolvimento histórico alcançado.

Encontramos nas páginas d’A ideologia alemã a expressão profunda da concepção de nossos filósofos acerca da história humana.

Essa concepção da história consiste, portanto, em desenvolver o processo real de produção a partir da produção material da vida imediata e em conceber a forma de intercâmbio conectada a esse modo de produção por ele engendrada, quer dizer, a sociedade civil em seus diferentes estágios, como o fundamento de toda a história, tanto a apresentando em sua ação como Estado como explicando a partir dela o conjunto das diferentes criações teóricas e formas de consciência – religião, filosofia, moral etc. etc. – e em seguir o seu processo de nascimento a partir dessas criações, o que então torna possível, naturalmente, que a coisa seja apresentada em sua totalidade (assim como a ação entre esses diferentes aspectos).191

Segundo esse modo de conceber as coisas, a história dos homens é um processo de autoconstrução, de construtividade, que enquanto totalidade, se realiza sob determinadas condições em que o tornar-se homem do homem se dá historicamente em “diferentes estágios”, tanto com uma determinada estrutura social – “produção material da vida” <=> “forma de intercâmbio” –, como com uma “ação como Estado” e “conjunto das diferentes criações teóricas e formas de consciência” (superestrutura), em que um momento age mutuamente sobre o outro. Dessa forma,

190 MARX, K. 1994, p.68.

não há nessa concepção um modo de considerar o mundo dos homens como fruto de um movimento retilíneo que vai da estrutura social à superestrutura (o Estado, política, formações ideais, formas de consciência, etc.).

Para Marx e Engels a história dos homens não é um processo linear que marcha inexoravelmente rumo a um fim determinado.

A história nada mais é do que o suceder-se de gerações distintas, em que cada uma delas explora os materiais, os capitais e as forças de produção a ela transmitidas pelas gerações anteriores; portanto, por um lado ela continua a atividade anterior sob condições totalmente alteradas, por outro, modifica com uma atividade completamente diferente as antigas condições [...] 192

Pelo que até aqui foi alcançado por nós, seguindo os passos dados por nossos filósofos, pensamos poder responder mais uma das inquietações suscitadas no início deste capítulo, a saber: Seria o devir do mundo dos homens marcado por

um determinismo fatalista?

Pelo que podemos ver por meio das palavras de nossos pensadores, nos parece que não, não existe esse suposto determinismo fatalista na concepção marxiana. Antes, pelo contrário, a história dos indivíduos está condicionada pela totalidade que implica a relação entre estrutura sócio-reprodutiva e superestrutura. Essa totalidade não tem seu desdobramento dado a priori, os estágios históricos não são consequências necessárias das ações de gerações distintas de indivíduos distintos que conscientemente transmitem “os materiais, os capitais e as forças de produção” as gerações de estágios posteriores. É preciso destacar que em nenhuma ocasião vemos Marx e Engels falarem de que a história caminha para um fim já estabelecido. Nas considerações acerca do comunismo, enquanto a superação do estado de coisas vigentes, expostas em A ideologia alemã, por exemplo, não encontramos nenhuma projeção de tipo “isso vai acontecer assim”.

O comunismo não é para nós um estado de coisas [Zustand] que deve ser instaurado, um Ideal para o qual a realidade deverá se direcionar. Chamamos de comunismo o movimento real que supera o estado de coisas atual. As condições desse movimento [devem ser julgada segundo a própria realidade efetiva.] resultam dos pressupostos atualmente existentes.193

192 Ibidem, p.40. 193 Ibidem, p.38 nota a.

Com razão, após haver alcançado em todo seu significado a differentia

specifica do ser social frente ao ser natural, nos faltava demarcar as características

constitutivas dessa diferença radical. Segundo o que foi por nós analisado, podemos dizer que para além da processualidade histórica do ser social não ser dada sobre seus exemplares, mas realizada por eles, feita por eles, é preciso entendê-la como sendo posta em desdobramento por gerações distintas que por um lado “continua a atividade anterior sob condições totalmente alteradas, por outro, modifica com uma atividade completamente diferente as antigas condições”, condições que estão inseridas nos marcos de determinado estágio produtivo (modo de produção). Esta

differentia specifica da história dos homens implica relações dos homens entre e si e

com a natureza que não encontraremos no mundo natural. Relações de construtividade, ou seja, que gestam todo um complexo de produções, condições, contradições, relações, etc., que são criadas e reproduzidas dia-a-dia como condição necessária da existência do ser social.