Para as quatro modalidades apresentadas é possível conseguir o apoio de pessoas de maneira individual (BELLEFLAMME et al, 2013a) ou por meio de plataformas. As plataformas funcionam como um intermediário entre o dono do projeto, ou o criador, e o financiador (BUYSERE et al, 2012; BELLEFLAMME e LAMBERT, 2014). Elas são responsáveis por serviços como: apoio jurídico e envolvimento na formatação de contratos, análise de prazos de campanha14 e conteúdo, o uso de contas de depósito e gestão de métodos de pagamento. Além disso, devem fornecer páginas dedicadas a um projeto específico (as páginas dos projetos), análise e monitoramento do projeto e tutoriais antes e durante a campanha (GERBER e HUI, 2014). Seu objetivo é tornar-se uma portadora de conduta ilibada e, assim, efetivamente garantir a qualidade e confiabilidade dos projetos que apresentam para o público. De acordo com Greenberg et al. (2013), especificamente, as plataformas de crowdfunding devem permitir: 1) que muitos indivíduos possam apoiar financeiramente a realização de um projeto, 2) que indivíduos levantem e recebam fundos entre a idealização e realização do projeto, e 3) contribuições financeiras voluntárias. As plataformas têm parceria com sistemas de pagamento online (como Paypal, Pagseguro, etc) para facilitar a transação de recursos entre os criadores e os apoiadores e utilizam as redes sociais e plataformas de compartilhamento de vídeos para divulgar os projetos (HUI et al, 2012). Em outras palavras, as plataformas criam uma infraestrutura para facilitar interações entre o grupo de pessoas que participam e os sujeitos que propõem projetos ou causas a financiar (ORDANINI et al, 2011).
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Primeiramente, as plataformas recebem pedidos de criadores de projetos no site da plataforma. Na proposta devem constar descrição do projeto, preferencialmente um vídeo convidando as pessoas a apoiarem, meta a ser alcançada e recompensas que serão oferecidas. Algumas plataformas fazem uma pré-seleção dos projetos com base em seus próprios critérios, enquanto outras publicam qualquer ideia. Em seguida, após aprovado, o projeto será disponibilizado na plataforma e estará pronto para receber colaborações dos apoiadores. Dá-se início à divulgação por meio de redes sociais e o boca a boca.
Para garantir o sucesso do projeto ao longo da campanha, o dono do projeto deve manter seus financiadores/fãs atualizados sobre todo o processo e a divulgação deve ser constante (MOLLICK, 2013), por meio de redes sociais e meios offline (HELMER, 2014). Essa dinâmica acontece de forma um tanto informal, “(...) um fala para o outro, que divulga em sua rede social cujos ‘amigos’ tomam conhecimento e, os interessados também comunicam em suas redes ou comentam com amigos” (COCATE e JÚNIOR, 2012, p.138). Essa acaba sendo a principal vantagem do crowdfunding, em que os financiadores também são embaixadores do negócio que eles apoiam e eles irão ajudar a comercializar e promover esse projeto por meio de suas próprias redes (BUYSERE et al, 2012; SCHWIENBACHER e LARRALDE, 2010). Portanto, consumidores são peças fundamentais para: ativar o processo, promover as iniciativas, influenciar os resultados de financiamento. Eles criam valor para o projeto: validando-os para as outras pessoas (ORDANINI et al, 2011). Desta maneira, aumenta o grau de confiança entre doador e projeto e forma-se uma inteligência coletiva que pode favorecer na formação de novos doadores.
Geralmente, o projeto publicado tem de um a três meses para mobilizar os recursos necessários para sair do papel. Se essa meta for atingida, o criador do mesmo recebe os recursos arrecadados e entrega as recompensas prometidas aos apoiadores. Caso contrário, o dinheiro volta para a mão de quem contribuiu. Não atingir uma meta pode ser um indício de que o produto/serviço pretendido talvez não fosse uma boa ideia, ou ainda não esteja madura o suficiente para ser produzida (SCHWIENBACHER e LARRALDE, 2010; LAMBERT e SCHWIENBACHER, 2010). Outras vezes, o projeto não consegue financiamento por meio da plataforma, mas devido à visibilidade alcançada, consegue financiar a ideia por outros meios (BENFEITORIA, 2014a).
Plataformas de crowdfunding empregam basicamente dois modelos de financiamento diferentes: o tudo ou nada (all or nothing), ou o tudo e mais (all and more) (GERBER e HUI, 2014). No modelo tudo ou nada, que é o utilizado pelas plataformas selecionadas para este estudo, ou o projeto arrecada tudo que solicitou ou não leva nada. O criador do projeto só
consegue ficar com o dinheiro arrecadado se o financiamento atingir a meta estipulada. Caso contrário, o dinheiro será reembolsado aos apoiadores. Vale atentar que nesses casos é importante que o criador continue mantendo contato com seus apoiadores para tentar entender as razões pelo fracasso do financiamento do projeto e assim trabalhar no aperfeiçoamento do seu serviço/produto. Já o modelo tudo e mais permite que os criadores apoderem-se dos fundos angariados mesmo que o projeto não atinja a meta. Ainda, existem plataformas que trabalham com as duas opções de modelo.
Além disso, a maioria das plataformas de crowdfunding cobra uma comissão percentual sobre os recursos captados, que variam de 5% a 15% (BENFEITORIA, 2014b), como fonte de renda. Cada projeto, ao atingir sua meta, deve pagar a comissão à plataforma. A comissão é normalmente calculada sobre o total captado, ou com base na realização de um objetivo "totalmente financiado". No entanto, existem algumas plataformas que não cobram comissão alguma, como é o caso da Benfeitoria (BENFEITORIA, 2014b).
É importante destacar que para este trabalho as plataformas Queremos, Catarse e Benfeitoria foram escolhidas pelos seguintes motivos: maior tempo de atuação no mercado de crowdfunding no Brasil e relevância de projetos. Na seção Abordagem Metodológica será apresentada uma explicação mais detalhada de cada uma delas.
2.2.3 Vantagens Adicionais e Trabalho Árduo
Quando analisamos o modelo de crowdfunding baseado em recompensa do ponto de vista dos criadores, dos donos dos projetos, observamos que além de mobilizar recursos, as plataformas de crowdfunding possibilitam outras vantagens interessantes (MOLLICK, 2013; BELLEFLAMME et al, 2010). Existe mais em crowdfunding do que simplesmente o financiamento. Crowdfunding também pode ajudar as empresas a testar ideias novas, na promoção e comercialização dos seus produtos, a ter um melhor conhecimento dos gostos dos seus consumidores, ou na criação de novos produtos ou serviços de modo geral (BELLEFLAMME et al, 2010, 2013a, 2013b). A seguir, são apresentados de forma rápida alguns desses aspectos:
Engajamento do público – Ao oferecer recompensas criativas, os colaboradores se envolvem mais profundamente com o projeto e se sentem parte fundamental da sua