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Nesta dimensão, foram considerados os seguintes elementos: importação e exportação de arroz. Os resultados encontrados para esses elementos de análise são descritos a seguir.

A importação de arroz foi apontada, de maneira uníssona pelos respondentes, como influenciadora direta no processo de comercialização de arroz. Além disso, como as quantidades e as épocas de importação são consideradas de difícil previsibilidade por parte dos produtores, esse quesito dificulta ainda mais a previsão do comportamento do mercado. Isso pode ser inferido na resposta abaixo:

(...) Afeta quando nós não temos nenhum controle e ela entra em momentos de dificuldade. No momento em que o mercado está querendo reagir, ou seja, apresentar alguma remuneração ao produtor, o arroz externo, muitas vezes subsidiado (...), tanto do Mercosul quanto de terceiros mercados, entra com valores aviltados em relação ao nosso custo Brasil (...) (ENTIDADE 2).

Normalmente a importação de arroz determina uma redução no preço interno do produto, incrementando a sua oferta e dificultando a efetivação dos planos de comercialização daqueles que postergam a época de venda para conseguir preços maiores. Esse fato é exemplificado abaixo:

A importação compromete notoriamente a formação dos preços internos do produto. No momento em que o mercado interno sobe para um patamar acima de 10 dólares (...) no mês imediatamente seguinte, os preços caem, porque aumentam as importações (...) (ENTIDADE 5).

Parte da responsabilidade do problema ocasionado no mercado interno pela importação é atribuída ao Governo Federal e sua política agrícola. Isso porque o produto importado possui, em seus países de origem – normalmente Uruguai e Argentina –, custos menores de produção em função da menor incidência de impostos proporcionada por aqueles países sobre sua produção. Assim, ocorre no mercado interno brasileiro uma competição dita desleal, que prejudica em muito a competitividade do produto gaúcho, derrubando qualquer tipo de planificação estratégica de médio prazo.

Complementando a análise, é entendido que o país é auto-suficiente na produção do cereal, portanto o arroz importado só vem somar excedentes, como é evidenciado a seguir:

Afeta a comercialização diretamente, porque o nosso país produz a nossa capacidade de consumo e ainda excede isso aí. No momento em que entra mais produto para dentro do país, afeta a comercialização diretamente, ocasiona a baixa de preço (PRODUTOR 3).

Quanto à exportação de arroz, a idéia geral é de que ela é ou pode vir a ser muito importante para o processo de comercialização do cereal, principalmente devido ao fato de colocar em países terceiros os excedentes da produção brasileira. Com isso, a precificação no

mercado interno poderia alcançar patamares um pouco melhores e mais estáveis. É o que se denota abaixo:

(...) a exportação pode nos ajudar a equilibrar o mercado interno, na medida em que nós tivermos excedente de produção, como está acontecendo no mercado brasileiro nos últimos dois anos (...) (ENTIDADE 1).

O incremento da exportação é tido como uma das alternativas estratégicas para o desenvolvimento da orizicultura e é um caminho que vem sendo seguido pelo setor, a exemplo do preconizado por Henkin, Rucatti e Kayser (2005) em trabalho sobre o arroz no Mercosul.. Na atualidade, o Brasil exporta mais o grão quebrado para países normalmente pobres ou em desenvolvimento. A exportação do grão quebrado, embora este possa ser considerado um produto de qualidade inferior, auxilia na desova dos excedentes de estoques. Veja-se:

No Brasil, fazia vinte anos que não havia exportação significativa de arroz. Nesses dois últimos dois anos é que nós conseguimos chegar ao número de 400 mil toneladas, com ênfase principal em quebrados. A exportação é um item importante, ela tira muito quebrado do mercado, só que é ainda muito incipiente em nível de Brasil, tanto é que esse número não chega a 5%, 6% da produção nacional (...) (ENTIDADE 2).

Por fim, o panorama observado na internacionalização do arroz em casca não é diferente do quadro geral vislumbrado no agronegócio basileiro. Conforme descrito por Jank e Nassar (2000), a inserção internacional dos produtos agrícolas brasileiros está em consonância à chamada globalização no agronegócio. Fato que, a despeito das reivindicações setoriais para o bloqueio de importações e incremento das exportações, parece ter de fazer parte do cenário futuro da atividade. Ressalta-se, no entanto, que o produto arroz em casca possui um comportamento muito deficitário na balança comercial, e a busca por uma reversão pode ser objeto de esforços estratégicos mais concentrados por parte dos produtores e entidades representativas da classe.

8.2.8.1 Resumo dos principais resultados encontrados na análise da dimensão internacionalização do produto

Elemento de análise Resumo dos resultados

Importação de arroz

- A importação de arroz é considerada de maneira uníssona como influenciadora direta no processo de comercialização de arroz por dois motivos. Primeiro, por denegrir preços e, segundo, por incrementar a oferta interna.

- As quantidades e as épocas de importação são consideradas de difícil previsibilidade por parte dos produtores, tornando mais difícil a previsão futura do comportamento do mercado.

- Outro agravante da importação diz respeito à questão tributária, já que o produto importado entra no país com menor carga tributária do que aquela cobrada sobre o produto nacional.

Exportação de arroz

- A exportação de arroz é ou pode vir a ser muito importante para o processo de comercialização do cereal, principalmente para os excedentes de produção.

- O cenário atual da exportação demonstra que o país vem exportando, para países pobres ou em desenvolvimento, mais o grão de arroz quebrado, que é um produto de baixo valor agregado..

Figura 22 – Quadro resumo dos principais resultados encontrados na análise da dimensão internacionalização do produto

Fonte: Elaborado pelo autor