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Laserskanning av Brosundet

4 RESULTATER .1 Mulighetsstudie

4.2 Laserskanning av Brosundet

Um importante segmento dos terapeutas de família de base psicanalítica partiu de conceitos das teorias dos grupos elaboradas por W. Bion, D. Anzieu, R. Kaës e colaboradores, onde se inserem Eiguer, Ruffiot e Kaës (Eiguer, 1985).

Para este estudo utilizaremos os aportes de Eiguer, relativos à identificação dos organizadores inconscientes do grupo familiar, aos aspectos do processo evolutivo da adolescência e à família de psicóticos.

3.2.1 Organizadores familiares inconscientes e o processo evolutivo

Eiguer (1985) fala do processo evolutivo do ser humano, sendo a psicose uma negação dessa evolução. Enfatiza a passagem da adolescência para a maturidade como processada por situações de crise, rupturas, com suas virtualidades próprias da mudança de ciclo de vida. Explica a incidência nessa fase das psicoses, principalmente da esquizofrenia, como resultado do fracasso da crise, da impossibilidade dessa transição, e

observa que outros membros da família também vivem este modelo mítico da negação do processo de evolução.

Ele aponta três organizadores na formação da família responsáveis pela maturação psicológica de seus membros: o eu familiar, a escolha do objeto e a interfantasmatização. A relação entre esses organizadores indica, para o autor, três tipos de família, a saber: a normal, estruturada pela castração; a depressiva baseada no temor do objeto; e a narcísica, ou psicótica, regida pelo vazio e ilusão.

O autor indica que o eu familiar é formado pelo sentimento de pertença, pelo habitat interior e ideal de ego coletivo e que na família do psicótico o sentimento de pertença é fragilizado.

A relação de objeto para o autor refere-se à escolha inconsciente do parceiro conjugal a partir de vivências da fase edipiana, que podem ser narcísica, edípica ou anaclítica. Ele observa na família de psicóticos uma organização a partir de escolha objetal narcisista, tendo os pais também predominantes traços de narcisismo patológico em relação aos filhos. Sinaliza que fica prejudicada a percepção e sensibilidade em relação às necessidades e demanda do outro, acrescida de rejeição às mudanças, de forma a manter o espelho narcísico relacional – só é aceita uma imagem idêntica, o outro existe para seu próprio reflexo. São ameaçadoras as diferenças na forma de pensar, agir, sentir, e muitas vezes – “seus filhos não podem existir fora de seu próprio desejo nem de sua ambição” (EIGUER, 1985, p. 86).

Considera ainda a negação de diferenças esterilizante para o desenvolvimento dos indivíduos e cita Ruffiot que identifica este fenômeno como uniformização, resultante do temor das diferenças de gerações, de sexos ou mesmo de temperamentos, a partir de fantasias inconscientes de aniquilação e despedaçamento. Comenta que várias situações

podem decorrer da negação de diferenças: paternalização, quando os filhos passam a ocupar o lugar e desempenhar os papéis de adultos, infantilização, acentuando-se a dependência e vulnerabilidade, entre outras. Observa que há um controle onipotente dos pais, que evitam sofrimento de luto e perda pela independência e partida dos filhos.

Em relação à interfantasmatização, Eiguer (1985) faz uma diferença entre famílias não psicóticas e famílias psicóticas. Nas primeiras as dificuldades são mais visíveis, a vida interfantasmática produz conflitos mais abertos enquanto na família de psicóticos há uma negação dos problemas que passam a ser direcionados para o paciente designado ou, quando os problemas são explicitados e comentados, não conseguem fazer a ligação com a patologia de um dos seus membros, estando comprometida a capacidade de simbolização, o que aumenta a atividade fantasmática. Diz que os fantasmas são de natureza mais primitiva, de devoração, cerceamento. Explica que não há separação e existência de “barreiras-pele” entre os membros da família, e sim uma relação fusional, propícia à dinâmica de invasão e interpenetração; os fantasmas são vivenciados como invasores e a solução defensiva encontrada é a formação de sintomas psicóticos em um de seus membros.

Propõe uma fórmula: “Assim como o sintoma neurótico é um compromisso entre duas instâncias do aparelho psíquico individual, o sintoma psicótico é uma formação de compromisso empregada pelo funcionamento inconsciente familiar” (EIGUER, 1985, p.89). O compromisso, adverte o autor, leva a carga fantasmática a recair em um membro e propiciar um alívio econômico nos outros, que ficam então protegidos do conflito; mesmo que o sintoma psicótico possa ser entendido a partir do funcionamento inconsciente individual, há uma inscrição familiar no funcionamento psicopatológico do paciente.

3.2.2 A família enquanto estrutura inconsciente

Berenstein (1988) entende a família como uma estrutura inconsciente e toma como base não só a psicanálise como também o estruturalismo desenvolvido por Lévi-Strauss.

Berenstein (1988) também adota as noções da teoria dos sistemas e da comunicação como totalidade, não somatividade, homeostase, eqüifinidade, autoregulação, a partir da qual considera a eclosão da psicose como uma tentativa de autoregulação e de busca de homeostase diante de situações de grande tensão ou angústia familiar. Utiliza também a noção de sistema do ponto de vista da lingüística, ao citar Saussure (1968, em Berenstein, 1988), afirmando que da mesma forma que o sistema lingüístico com seus signos é indicado pela relação entre os elementos e não pelos elementos individuais, os integrantes da família ganham significado em relação ao sistema. Refere-se ao corte metodológico entre língua e fala daquele autor e propõe então que na família a língua refere-se “ao conjunto de regras inconscientes, a maior parte das vezes, que regulam o funcionamento do grupo familiar, e a fala às realizações individuais dessas regras inconscientes” (BERENSTEIN, 1988, p. 57).

Considera haver dois tipos de regras inconscientes: as mais genéricas que obedecem às prescrições sociais e antecedem à formação de famílias específicas, como o complexo de Édipo e ideal de Eu, e as regras que podem tornar-se conscientes. Explica que estas se referem às regras provenientes das pautas de interação entre os membros de uma determinada família. Lembra que há também as regras conscientes formadas na inter- relação entre as regras inconscientes e sua expressão concreta, que surgem a serviço de contradições que apareçam entre o sistema inconsciente e sua manifestação concreta.

Aponta que a partir da noção de sistema chega-se à noção de estrutura inconsciente:

A estrutura inconsciente corresponde a um modelo no qual combinam-se os membros, de acordo com um projeto, geralmente eficaz, e que tem prescrições para a passagem de um estado ao outro da estrutura. O conhecimento dos diversos estados permite-nos traçar regularidades e desvios da regularidade em relação ao sistema familiar. Na verdade, os estados em que se manifesta a estrutura correspondem ao nível das relações sociais e são descontínuos e diferentes. É ao nível de estrutura, reconstruída depois de aplicar a noção de sistema, que podemos estabelecer a continuidade. A estrutura inconsciente constitui a armação elementar e básica que organiza diversas ordens de produção e suas transformações (BERENSTEIN, 1988, p.60).

O autor assim nos mostra que a estrutura inconsciente cria os modelos de família, com suas formas próprias e que este funcionamento familiar mantém na maioria das vezes sua significação inconsciente e pode ser apreendido pela reconstrução histórica da família. Para o autor, os aspectos explícitos como as normas, por exemplo, que regulam o grupo têm muitas vezes sua origem desconhecida, assim como as condições responsáveis pela manutenção dessas normas. Os núcleos históricos são transmitidos por meio das narrações, dos símbolos e mitos familiares, e possuem coesão apesar de freqüentemente incongruentes com a organização familiar. Ele conclui que os determinantes históricos são formadores do inconsciente e este por sua vez da estrutura familiar.

A estrutura inconsciente para este autor pode ser conhecida e examinada por meio das dimensões espacial e temporal da família, e da escolha dos nomes próprios e suas combinações como relatadas a seguir:

a) nomes próprios – a indicação do nome próprio pode estar relacionada a diversos fatores como identificações religiosas, históricas, outros membros da família, moda, praticidade, e sempre indica uma relação significativa e inconsciente entre o doador e o receptor do nome. Indica a origem da estrutura familiar e o equilíbrio na família entre o lado paterno e materno.

b) espaço familiar – a projeção da família no seu espaço habitacional nos permite, a partir dos aspectos sincrônicos, chegar às dimensões psicológicas da família. Tem efeito de comunicação, sendo a distância, a proximidade e o uso

do espaço um reflexo das configurações vinculares e sua tonalidade afetiva. Está ordenado segundo o modelo das relações familiares inconscientes, mas pode também ser um encobridor da estrutura inconsciente quando organizado de acordo com o modelo consciente das relações.

c) tempo familiar – o tempo permite uma visão diacrônica da estrutura familiar e representa também um objeto semiótico. A dimensão temporal inclui o tempo convencional, cronológico, mítico e inconsciente, e permite a leitura da sucessão e da regularidade dos acontecimentos significativos para uma família, revelando a sua estrutura inconsciente. O tempo convencional do relógio e do calendário obedece a normas e acordos, é sempre presente. O tempo biográfico ou cronológico, evolutivo, refere-se ao passado a partir do qual a família agrupa seus acontecimentos significativos, havendo períodos mais importantes, mais lembrados e outros mais esquecidos. O tempo mítico contém, além da relação temporal antes-depois, a explicação causal dos acontecimentos, a perspectiva teórica, formando relações constantes e invariáveis em que situações semelhantes podem desencadear os mesmos acontecimentos. “Está determinado pela confluência de desejos e conflitos que unem seus membros” (BERENSTEIN, 1988, p.194). Um membro ou alguns membros da família tem a função de marcar o tempo mítico de forma que os acontecimentos se reproduzem na mesma ou em diferentes gerações. O tempo inconsciente por sua vez é não evolutivo, a sucessão de acontecimentos não obedece a um tempo cronológico, são invariáveis como no tempo mítico, mas diferencia-se por ser atemporal, portanto reversível, e refere-se ao sentido dado aos acontecimentos. Vários acontecimentos de épocas diferentes podem agrupar-se em uma mesma significação, sendo a relação sempre atual, e, portanto, o tempo inconsciente sempre presente.

Analisando famílias com membros com adoecimento psíquico, Berenstein (1988) nos mostra uma dinâmica de cisão entre sãos e doentes, o que chama de uma organização cindida entre doente e família. A noção de saúde e doença passa a ter um valor natural e

absoluto, apagando o código de valores subjacentes a estas próprias noções, com determinantes culturais, e que traz a diferenciação entre normal e anormal, adaptação e desadaptação. Este modelo dualista oculta outro modelo com pautas de interação inconscientes. Propõe que a doença mental seja examinada como resultante de intercâmbios no sistema familiar, afastando-a como uma questão individual, a exemplo da psiquiatria tradicional, ou com perspectivas de causalidade linear como mãe ou pai esquizofrenogênicos, por exemplo. Os sintomas devem ser vistos em função do contexto sócio-familiar, que por sua vez indica as normas vigentes e os pontos considerados desvios.

O autor cita Lévi-Strauss (1969) lembrando que no sistema dualista a exemplo de grupos divididos em uma comunidade as relações vão desde hostilidade declarada à intimidade estreita, desde rivalidade à cooperação, e que o sistema dualista regula o princípio geral de reciprocidade. O autor continua dizendo que nas metades divididas são mais comuns os traços de rivalidade e solidariedade. Por exemplo, os cuidados e gastos com um filho doente por um lado desencadeia rivalidade e inveja nos outros filhos. As duas metades formam uma oposição, formam um sistema indissolúvel em que uma parte só é compreendida a partir da outra. Outras interações que existem entre os subsistemas da família passam a ficar encobertos nessa divisão entre sadios e doentes. A organização dualista é resultado de uma sucessão de interações e toma lugar quando outros recursos não conseguem resolver situações anômalas dentro da família. O próprio modelo explicativo da família em relação a essa organização não é plausível, faz parte do sistema e encobre suas contradições e anomalias.

Finalmente, frente a esta organização dualista, Berenstein (1988) indica que a intervenção familiar requer um lento processo de apagar as diferenças entre doentes e seus familiares, definindo sua homogeneidade e apreendendo seus significados latentes.

Assinala que a compreensão do contexto sócio-cultural é imprescindível assim como o rastreamento dos determinantes históricos responsáveis pela estrutura inconsciente, passíveis de reconstrução pelo tempo familiar, escolha de nomes e aspectos sincrônicos ligados ao espaço familiar.