1.2 La formación de los directivos públicos
1.2.6 Las Escuelas de Administración Pública Autonómicas
114 A visibilidade que o fotógrafo constrói sobre esta avenida conflui no sentido de difundir a noção de um espaço privilegiado, alvo prioritário de “melhorias”. Nesse sentido, o recorte sobre a cidade oculta a existência de outros espaços diferentes deste, produzindo o significado geral de uma cidade beneficiada pelos serviços públicos.
A evidência de uma imagem de cidade nas fotos de Naguettini como sendo um espaço urbano “ideal” para circulação, com ruas e passeios pavimentados é contraditória com a cidade revelada nos decretos-leis, a partir dos quais apreendemos espaços públicos diferentes daqueles das fotos. Assim se explicita as contradições inerentes ao processo de constituição do município, no qual as intervenções no espaço urbano, na seleção dos lugares que deveriam ser transformados, revelam as segregações sociais na cidade.
Vale salientar que a narrativa produzida sobre a cidade nas fotografias ganha força na circularidade que adquirem nos circuitos de difusão. As fotos 13 e 14 foram reproduzidas na revista Uberlândia Ilustrada em outubro de 1953.
Embora os usos destas imagens pareçam simplesmente ilustrativos, no modo como foram utilizadas, junto a um artigo falando sobre o primeiro batizado ocorrido no município, elas constituem os interesses gerais da revista na promoção de uma imagem de Uberlândia. No modo como a Avenida Afonso Pena foi fotografada nestes clichês prevalece a noção de movimento, em razão da quantidade de pessoas, carros, carroças, bicicletas e etc. registrados na imagem. Além disso, a tomada da Avenida em perspectiva, em ambas as fotos, produz o sentido de amplitude não só da região central, como também da própria cidade.
O uso destas imagens de modo isolado do conjunto da cidade e/ou de qualquer contextualização busca significar na referência deste espaço selecionado toda a vivência da cidade, ocultando as diversidades dos espaços.
Embora, como afirmamos anteriormente, no modo como as fotos 13 e 14 foram reproduzidas na revista, junto ao artigo “O 1º Batizado feito na Igreja Matriz de Uberlândia”, elas pareçam desconectadas da narrativa da Uberlândia Ilustrada, as fotos compõem o sentido geral da revista na produção de uma memória sobre a cidade que busca destacar o seu “desenvolvimento”.
Dessa forma, foi estratégico a Revista, na página sequente às fotos do espaço público da Avenida Afonso Pena, uma das mais movimentadas da cidade, por aglomerar muitos estabelecimentos comerciais e, também, prioritariamente beneficiada pelos serviços públicos de infraestrutura, publicar um artigo sobre as obras públicas em andamento:
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Apenas dez anos passados, do início desse volumoso e carissimo serviço de melhoramento dos logradouros públicos do centro da cidade. Dentre os grandes serviços municipais, empreendidos agora na atual administração do prefeito Tubal Vilela (...) fazendo abaloamento, sarjetas e alinhamento dos canteiros centrais, bueiros de escoamentos das águas pluviais (...). (Revista Uberlândia Ilustrada, Uberlândia, outubro de 1953, nº17, p. 15)
Na narrativa do trecho reproduzido a revista destaca as transformações que estavam sendo empreendidas no espaço público. A partir deste campo, no modo como as fotos foram usadas adquirem a função de comprovar e difundir estes “melhoramentos”, ao explicitar o espaço da Avenida calçada, com os passeios alinhados, aparentemente asséptico e “organizado”.
Segundo Barthes, a noção da fotografia enquanto documento comprobatório ocorre porque:
A fotografia não fala (forçosamente) daquilo que não é mais, mas apenas com certeza daquilo que foi. Essa sutiliza é decisiva. (...) a essência da fotografia consiste em ratificar o que ela representa. (...) ela não inventa; é a própria autentificação; (...) Toda fotografia é um certificado de presença. (BARTHES, 1984, p. 127-129) Nesse sentido, a capacidade da fotografia de reproduzir o seu referente tal como ele é,
induz a considerá-la como espelho do “real”, bem como usá-la como poderoso instrumento na
comprovação e produção de sentidos e significados pretendidos.
O uso das fotos 13 e 14 em um tempo diverso daquele no qual foram produzidas (as fotos foram publicadas na revista na década de 1950, entretanto, foram produzidas na década de 40) instiga a refletir sobre o processo de manipulação da linguagem fotográfica na produção da memória, descontextualizando-as. Ou, em outras palavras, tirando-as do contexto original na qual foram produzidas e usando-as em outros.
Na análise do conjunto de fotografias das avenidas, reproduzindo cenas do quotidiano, foi perceptível a evidência da intensificação das transformações materiais nos lugares privilegiados pelo foco do fotógrafo. Nesse sentido, a leitura destas imagens, juntamente com a investigação de outros materiais, revelou indícios de uma conjuntura, na década de 1950, a partir da qual compreendemos não só a “continuação”, mas a acentuação das transformações em determinados lugares da cidade.
A partir deste campo é relevante considerar que a intensificação destas transformações sinalizou, sobretudo, as intervenções empreendidas na administração do prefeito Tubal Vilela
(1951-1954)52. Este, enquanto empresário da região no ramo imobiliário, diretor proprietário
52 Em fevereiro de 1951 o Jornal O Repórter publicou um artigo sobre a posse do governo de Tubal Vilela no
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da Empresa Imobiliária Uberlandense53, acumulando as funções de prefeito e empresário no
tempo de sua administração, privilegiou modificações urbanas em espaços selecionados, conferindo à cidade um mapa social, a partir do qual determinadas regiões eram mais valorizadas que outras e, consequentemente, também imbuídas de determinados sentidos e significados.
Na confluência destas discussões, passemos para a análise da Foto 16, que reproduziu a Avenida Floriano Peixoto, bastante privilegiada na produção do fotógrafo.