7 CONCLUSIONS
2.2 Soil profiles in Chonta and Porcon Basins (Stratus 2004)
3.1 – INTRODUÇÃO
A região estudada está localizada nas proximidades do município de Capelinha, no estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil. Engloba uma área de aproximadamente 900 km2 a norte do Bloco de
Guanhães, entre o Corredor Traspressivo de Minas Novas e o interior da Zona de Cisalhamento Chapada Acauã, onde esta última descreve em planta uma concavidade de direção E-W voltada para sul, entre as latitudes 17°30’e 17°45’S, e longitudes 42°45’ e 42°15’W (figura 3.1).
Figura 3.1: Mapa geológico da região de Capelinha, enfatizando as assembléias litotectônicas e estruturas tectônicas (modificado de Marshak et al. (2006) e Pedrosa-Soares et al. (2008). Faixa de Dobramentos Capelinha (CFB), Zona de Cisalhamento Chapada Acauã (CA), Corredor Transpressivo de Minas Novas (MN), Bloco Guanhães (GB), Capelinha (Cp), Araçuaí (Arç), Governador Valadares (GV).
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A partir do mapeamento em escala 1:25.000 (figura 3.2) da região de Capelinha, postula-se neste trabalho que a sucessão litoestratigráfica, da base para o topo, é composta por rochas gnáissicas do Complexo Guanhães, que por sua vez são recobertas por um espesso pacote de origem metavulcanosedimentar, atribuído à Formação Capelinha, constituída por uma sequência basal metapsamítica composta por quartzitos, puros ou micáceos, os quais contem corpos concordantes de rocha metamáfica, mica xistos e xistos quartzosos. A unidade de topo, essencialmente metapelítica é caracterizada por xistos peraluminosos granatíferos, às vezes com estaurolita e/ou cianita. Toda a pilha é cortada por granitos e pegmatitos atribuídos a Suíte Mangabeiras (G4).
A estruturação das unidades pré-cambrianas é resultante da sobreposição de dobramentos e empurrões com transporte tectônico dirigido para sul, típico de um terreno polideformado. O contato tectônico das rochas metassedimentares neoproterozóicas com o Bloco Guanhães possui caráter normal destral, de modo que, a Formação Capelinha assenta-se diretamente sobre o embasamento.
Nas próximas seções será apresentada uma descrição estratigráfica, estrutural e metamórfica do segmento do Orógeno Araçuaí exposto na região de Capelinha (figuras 3.1 e 3.2). O magmatismo associado à unidade metapsamítica é tratado com maior detalhe nos itens 3.2.2.1, 3.5, 3.6 e 3.7.1 e no capítulo 4, devido a sua intrínseca implicação para a evolução da bacia Macaúbas, precursora do orógeno Araçuaí.
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3.2 – ESTRATIGRAFIA
As unidades envolvidas no arcabouço litoestratigráfico da região de Capelinha são: embasamento Arqueano, rochas metassedimentares e metamáficas Neoproterozóicas e rochas graníticas da Suíte Mangabeiras de idade Cambriana (figuras 3.2 e 3.3).
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3.2.1 – Unidades Pré-Estaterianas (Complexo Guanhães)
As rochas do Complexo Guanhães ocupam a parte sul da região mapeada (figura 3.2) onde são representadas predominantemente por gnaisses migmatíticos (figuras 3.4-A e 3.4-B) e subordinadamente por rochas máficas, formação ferrífera bandada e rochas graníticas com textura pegmatítica.
Os gnaisses do Complexo Guanhães são centimetricamente bandados e compostos por quartzo, plagioclásio, feldspato potássico, biotita, e granada, e como acessórios, opacos, apatita e zircão. Apresentam porções localizadas de migmatização, com resíduos quartzo-feldspáticos e textura nebulítica. A textura predominante é granoblástica inequigranular ou granolepidoblástica nas bandas mais ricas em biotita. Microscopicamente os grãos de quartzo se apresentam subédricos, bastante fraturados e mostram contatos interlobados com bordas côncavo-convexas. O plagioclásio geralmente apresenta macla polissintética. Os cristais de microclina ocorrem comumente sob a forma de porfiroclastos tabulares e apresentam maclação característica em grade (tartan). As palhetas de biotita aparecem com coloração acastanhada e marcam a foliação metamórfica. Clorita pode-se formar a partir da biotita. O zircão encontra-se no interior dos cristais de biotita, formando halos pleocróicos.
As rochas máficas associadas ao Complexo Guanhães são classificadas microscopicamente como anfibolitos de textura nematoblástica (figura 3.4-D), compostos majoritariamente por anfibólio (hornblenda), plagioclásio, quartzo, epidoto, opacos e titanita.
As formações ferríferas apresentam bandas claras compostas por quartzo e anfibólio da série da cummingtonita-grunerita, e bandas escuras formadas por magnetita e hematita. Essas formações ferríferas foram reconhecidas anteriormente por Noce et al. (2007). A magnetita é mais abundante em relação à hematita. Vários grãos de magnetita apresentam-se martitizados, com incipiente transformação para hematita nas bordas dos cristais. Notam-se vários estágios desse processo, desde grãos de magnetita pura até grãos com apenas núcleo magnetítico.
Os granitoides pegmatíticos do Complexo Guanhães são compostos basicamente por quartzo, feldspato potássico, biotita e muscovita. Esses granitóides possuem foliação metamórfica marcada por minerais micáceos e são pontualmente mineralizados em berilo. Apófises centimétricas ou métricas intrudem os gnaisses de maneira concordante com o bandamento.
Encontram-se ainda, associados às rochas do embasamento, quartzitos grosseiros recristalizados, tratados aqui como hidrotermalitos. Essas rochas marcam o contato entre gnaisses e as rochas metassedimentares da Formação Capelinha no sul da área estudada, posicionando-se sempre acima das rochas do Complexo Guanhães por cinemática normal destral (figuras 3.2 e 3.16). Os hidrotermalitos são rochas compostas quase que totalmente por quartzo, além de muscovita e opacos
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como acessórios (figura 3.4-C). Eles se caracterizam pela heterogeneidade de espessura que chegam a variar de alguns centímetros a vários metros. A textura é grosseira com aspecto de “sal grosso”, possivelmente relacionada aos processos hidrotermais. Nessas rochas, grãos de quartzo em mosaico, livres de strain, resultaram da cristalização a partir de um fluido.
Figura 3.4: A) Gnaisse migmatítico do Complexo Guanhães. B) Bandamento em gnaisse do Complexo Guanhães. As bandas leucocráticas são compostas basicamente por quartzo, k-feldspato e plagioclásio; as bandas melanocráticas possuem biotita e raro anfibólio. C) Quartzito grosso (hidrotermalito) que marca o contato entre as rochas pré-Estaterianas do Complexo Guanhães e os metassedimentos da Formação Capelinha. D) Fotomicrografia de anfibolito do Complexo Guanhães. A textura é nematoblástica com a foliação metamórfica marcada pela orientação dos cristais de hornblenda e plagioclásio.
3.2.2 - Unidades Neoproterozóicas (Formação Capelinha – Unidade Inferior)
Durante o mapeamento de detalhe realizado na região de Capelinha, as rochas atribuídas à formação homônima foram subdivididas em duas unidades informais: unidade metapsamítica, basal, e unidade metapelítica, de topo.
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A unidade inferior, dominantemente metapsamítica (figuras 3.2 e 3.3) é constituída por alternâncias de quartzitos puros (figura 3.6-C) e micáceos (figura 3.6-B) com rochas metamáficas associadas, mica-xistos, mica-quartzo xistos (figuras 3.6-F e 3.5-B), níveis de xistos carbonosos, milonitos, metagrauvacas e raro quartzito ferruginoso.
O litotipo dominante nessa unidade metapsamítica é o quartzito puro (figuras 3.6-C e 3.6-E), compondo um espesso pacote, chegando a ultrapassar os 1000 metros. As melhores exposições estão nas adjacências do Rio Fanado e Ribeirão Fanadinho, a leste de Capelinha, onde se estruturam nos núcleos de grandes sinformes e antiformes. As estruturas primárias são raras e, quando ocorrem, são representadas por estratificações plano-paralelas ou cruzadas, com cunhas pequenas, marcadas pela presença de níveis ricos em sericita e/ou óxidos de ferro.
A textura predominante dos quartzitos é a granolepidoblástica (figuras 3.5-C e 3.5-D), com o quartzo formando agregados granoblásticos de contatos irregulares ou retilíneos, poligonizados, com raras palhetas de sericita orientadas na direção da foliação metamórfica. A assembleia mineralógica inclui quartzo (93-97%), opacos (1-5%) e sericita (0-2%). Biotita em geral é ausente, embora possa aparecer. Os acessórios incluem zircão, epidoto, titanita, apatita, rutilo e turmalina. Esta litologia grada, em direção ao topo, para quartzitos impuros intercalados com lentes de muscovita xisto e xisto carbonoso, marcando o contato com um xisto peraluminoso e em termos geomorfológicos ocupa o topo das grandes serras da região formando extensos paredões.
As rochas metamáficas estruturam-se concordantemente (vide item 3.2.2.1 e figuras 3.7 e 3.8- A) com quartzitos puros (figura 3.6-D), quartzitos micáceos e raro metapelito, apresentando, em todas suas exposições, contatos abruptos com os metassedimentos sotopostos ou sobrepostos.
Os mica xistos são compostos por biotita, sericita-muscovita (figura 3.5-A), feldspato, quartzo, granada e cianita, com turmalina aparecendo como acessório comum. A textura é granolepidoblástica, porfiroblástica e poiquiloblástica. Os porfiroblastos são majoritariamente de granada, ou ainda mais raramente de cianita. A xistosidade é definida pelo arranjo planar preferencial das micas e pode se mostrar anastomosada. O acamamento é marcado esporadicamente por alternâncias de bandas mais micáceas com bandas quartzo-feldspáticas pobres em micas. Uma segunda foliação define o plano axial de crenulação, bem incipiente nesta unidade. As intercalações de quartzitos, mica xistos e xistos grafitososos são muito bem representadas pela coluna C-C’ (figura 3.12).
Os xistos carbonosos (figura 3.10-G, vide figura 3.12) são compostos essencialmente por material carbonoso, muscovita, biotita, quartzo e quantidades variáveis de plagioclásio. Hematita aparece sempre em pequena proporção (± 5%). Localmente, essas rochas são representadas por muscovita-quartzo- cianita xisto, com conteúdo moderado de material carbonoso.
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As rochas miloníticas possuem granulação variável de média a grossa, com textura porfiroblástica e matriz granolepidoblástica. A sua composição é dada basicamente por quartzo, biotita, muscovita e feldspato. A foliação milonítica é muito bem marcada por cristais de muscovita e biotita que se moldam aos blastos de quartzo e feldspato.
Alguns dos xistos descritos são particularmente enriquecidos em plagioclásio, e são aqui interpretados como metagrauvacas. Em geral, possuem um bandamento bem preservado, marcado por alternâncias de composição variada entre níveis mais ou menos ricos em biotita e muscovita e de granulação variada. Embora esse bandamento provavelmente represente o acamamento original das rochas, não são reconhecidas estruturas originais sedimentares.
Os quartzitos ferruginosos são formados essencialmente por quartzo, mica branca e minerais opacos, ou ainda podem ocorrer sem a presença de minerais micáceos. A textura é granoblástica ou milonítica, os mineais opacos preenchem as anisotropias e alguns grãos de quartzo estão impregnados por óxido de ferro. O rutilo aparece sempre associado aos opacos.
Os protólitos das rochas metassedimentares da unidade metapsamítica são possivelmente arenitos puros, arenitos impuros, pelitos e pelitos carbonosos.
Figura 3.5: Fotomicrografias de rochas metassedimentares da unidade metapsamítica da Formação Capelinha com ênfase nas assembléias mineralógicas e microestruturas: A) Textura granolepidoblástica em xisto. A foliação metamórfica (Sn) é marcada por minerais como biotita (Bt) e muscovita (Ms). B) Quartzito impuro de
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textura granoblástica. Essa rocha é composta basicamente por quartzo (Qz), plagioclásio (Pl) e biotita (Bt). C) Textura granoblástica em quartzito. D) Textura granoblástica em quartzito. Nicóis descruzados.
Figura 3.6: A) Quartzito micáceo da unidade metapsamítica, base da Formação Capelinha. B) Variação composicional em quartzito da Formação Capelinha. As finas camadas escuras são compostas essencialmente por biotita e mica branca. C) Quartzito puro. Os planos de foliação são incipientes nessa rocha e são marcados por mica branca. D) Rocha metamáfica (anfibolito) da Formação Capelinha (unidade metapsamítica) que aflora nas proximidades do rio Fanado (figura 3.2). E) Quartzito puro que aflora na margem do rio Fanado. F) Quartzo xisto rico em biotita.
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3.2.2.1 - Rochas metamáficas da unidade inferior da Formação Capelinha
A unidade metapsamítica apresenta corpos de rocha metamáfica que se estruturam concordantemente com quartzitos puros, quartzitos micáceos e raro metapelito, apresentando, em todas suas exposições, contatos abruptos com as rochas metassedimentares sotopostas ou sobrepostas, os quais pertencem ao Grupo Macaúbas, Formação Capelinha. Levando-se em conta a complexidade estrutural, metamorfismo e condições de exposição, apresentam-se neste trabalho três colunas de empilhamento litológico com destaque para os corpos de rocha metamáfica (figura 3.7, vide perfis estruturais para contextualização – figura 3.16).
Figura 3.7: Colunas tectono-estratigráficas da região de Capelinha (vide figura 3.2 para localização) com destaque para os corpos de rocha metamáfica.
As maiores expressões laterais e verticais dos corpos metamáficos foram catalogadas nas adjacências do rio Fanado e ribeirão Fanadinho e no Campo do Boa (figuras 3.2 e 3.8-B), onde as relações com as encaixantes estão espetacularmente expostas. Alongadas nas direções E-W e WNW- ESE, com exceção da região de São Caetano onde possuem direção NE, as exposições de anfibolito da região de Capelinha refletem o arcabouço estrutural da região, caracterizado por um acervo típico de
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um terreno polideformado, resultante de dobramentos e empurrões com transporte tectônico dirigido para sul, ortogonal ao movimento global do orógeno Araçuaí direcionado para oeste.
As rochas metamáficas são representadas por corpos de geometria tabular com granulação variável de fina à média, coloração verde escura (figura 3.8-C), com espessuras que ultrapassam os 150 metros. Sempre se encontram intercaladas aos quartzitos puros ou micáceos da unidade inferior (metapsamítica) da Formação Capelinha (figuras 3.7 e 3.8-A). Localmente, essas rochas podem ser bandadas, mostrando uma alternância de bandas em tons de verde escuro e branco. As bandas melanocráticas mostram granulação mais fina e são dominantemente constituídas por anfibólio (honblenda). As bandas leucocráticas, em geral, pouco espessas, apresentam granulação mais grossa e possuem composição dominada por plagioclásio. O contato entre as bandas é abrupto, e em seus interiores predomina granulação homogeneizada pelo metamorfismo.
Figura 3.8: A) Contato entre quartzito micáceo e rocha metamáfica da unidade inferior (metapsamítica) da Formação Capelinha. B) Localidade do Campo do Boa onde foram exploradas titanitas gemológicas associadas às rochas metamáficas da unidade inferior da Formação Capelinha. C) Rocha metamáfica composta por anfibólio e plagioclásio. Este último pode aparecer na forma de porfiroblastos. A segunda fase de deformação (Fn+1) originou uma clivagem do tipo espaçada (Sn+1) nessas rochas.
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Os anfibolitos da unidade inferior da Formação Capelinha são constituídos por hornblenda (30-70%), plagioclásio (15-35%), epidoto (5-30%) (figura 3.9-A) e subordinadamente por clinozoisita, quartzo, titanita, rutilo, apatita, minerais opacos e raramente clorita. A textura predominante é granonematoblástica com a foliação metamórfica (Sn) marcada pela orientação de cristais de hornblenda e/ou plagioclásio e/ou titanita (figuras 3.9-A, 3.9-B e 3.9-C). Essa foliação apresenta-se sub-horizontalizada com mergulhos suaves para norte ou para sul. De maneira subordinada foram distintas texturas nematoblástica, granoblástica inequigranular e porfiroblástica/poiquiloblástica (figuras 3.9-D e 3.9-E), esta última preservando algumas feições que possivelmente foram herdadas do protólito ígneo. A textura reliquiar é subordinada, sendo definida por grandes cristais de plagioclásio emersos em uma matriz granonematoblástica composta majoritariamente por hornblenda, epidoto e plagioclásio e sugere protólitos plutônicos, tais como gabros e diabásios.
A hornblenda (figuras 3.9-B, 3.9-C e 3.9-F) possui, em geral, hábito prismático, com seções basais losangulares ou com seis lados e cores sempre em tonalidades fortes de verde. A clivagem é típica dos anfibólios, com duas direções fazendo ângulos de 124° ou 56° entre si. As cores de interferência variam do final da primeira ordem ao início da segunda ordem, sendo às vezes mascaradas pelas fortes cores de absorção do mineral.
Alguns plagioclásios se apresentam com maclação polissintética e/ou do tipo Carlsbad (figura 3.9-E). Outra feição importante, característica principalmente dos porfiroblastos de plagioclásio é o zoneamento químico normal, onde a borda dos grãos é mais enriquecida em Na e o núcleo em Ca. Sinais de deformação nos plagioclásios, como extinção ondulante e maclas curvadas ou interrompidas, são raros. Poucos grãos de quartzo apresentam extinção ondulante, subgrãos ou novos grãos, sendo estas feições mais comuns em agregados de textura inequigranular granoblástica. O mineral epidoto é secundário, gerado por processos de saussuritização (epidoto + albita = plagioclásio cálcico), ou seja, o teor de anortita é inversamente proporcional à quantidade de epidoto.
A titanita (figura 3.9 -C) aparece sempre alongada segundo a direção da foliação metamórfica, possui relevo e cores de interferência muito altas, característica essa que não permite sua extinção completa devido à dispersão dos eixos ópticos. Seções acastanhadas comumente associadas a minerais opacos também são características. Titanitas associadas ao evento metamórfico principal que atingiu a região de Capelinha foram exploradas economicamente, fato que explica as inúmeras galerias abertas nas associações metamáficas. Esse mineral apresenta-se, geralmente, na cor verde levemente amarelado e ocorre em geral nos eixos dos boudins de pegmatitos e veios de quartzo alojados no contato entre os anfibolitos e os quartzitos.
A clinozoisita possui propriedades semelhantes com as do mineral epidoto, exceto pelas cores de interferência anômalas em tons azulados (azul de Berlim).
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A clorita ocorre como alteração metamórfica de hornblenda, possui cores de interferência anômalas azuladas e/ou aroxeadas. Os minerais opacos (figura 3.9-F) ocorrem majoritariamente em cristais euédricos, comumente associados aos porfiroblastos de hornblenda e/ou titanita (figura 3.9-F).
O rutilo (figuras 3.9-B e 3.9-C) aparece em algumas amostras, sempre associado aos minerais opacos e com cores de interferência mascaradas pela cor de mel característica desse mineral.
Figura 3.9: Fotomicrografias de rochas metamáficas com ênfase nas assembléias mineralógicas e microestruturas: A) Textura granonematoblástica em anfibolito. A foliação metamórfica (Sn) é marcada por minerais como hornblenda (Hbl) e plagioclásio (Pl). B) Cristais de rutilo (Rt) em anfibolito da região de Capelinha. C) Cristais de rutilo (Rt) associados a titanita (Ttn) e orientados ao longo da foliação metamórfica (Sn). D) Textura porfiroblástica/poiquiloblástica edificada por grandes cristais de plagioclásio (Pl) emersos em matriz granonematoblástica composta por epidoto (Ep), hornblenda (Hbl) e plagioclásio (Pl). E) Porfiroblastos de plagioclásio (Pl) com macla Carlsbad típica e emersos em matriz granonematoblástica composta basicamente por epidoto (Ep) e hornblenda (Hbl). F) Grandes cristais de hornblenda (Hbl) e minerais opacos (Opq) em rocha metamáfica afetada por flúidos hidrotermais.
3.2.3 - Unidades Neoproterozóicas (Formação Capelinha – Unidade Superior)
Disposta na direção E-W, nas porções norte e sul da área mapeada (figura 3.2), a unidade metapelítica compreende biotita-quartzo-sericita-granada xistos com estaurolita algumas intercalações de mica xisto (figura 3.10-H) e raras lentes de quartzito micáceo, rochas calcissilicáticas e ocorrências
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de xisto carbonoso na parte inferior da unidade, principalmente na base dessa unidade, na transição com a unidade metapsamítica (inferior) (figura 3.12).
Os xistos (figuras 3.10-A e 3.10-B) de protólito pelítico possuem em sua assembleia mineralógica muscovita (25-30%), quartzo (25-30%), biotita (15-20%), plagioclásio (0-10%), granada (1-5%), cianita (1-3%), estaurolita (0-3%) (figuras 3.11-C, 3.19-B e 3.19-C). Os minerais acessórios comuns são turmalina, apatita, zircão e opacos. Clorita pode aparecer como mineral secundário. Comumente contêm uma clivagem de crenulação (figuras 3.10-C, 3.10-D, 3.10-E e 3.19-A) formada por minerais micáceos como biotita e mica branca. Boudins e veios de quartzo com associações mineralógicas variadas como quartzo, turmalina, granada, estaurolita, feldspato e cianita também são encontrados. A textura predominante é granolepidoblástica, porfiroblástica, poiquiloblástica, (figuras 3.11-A, 3.11-B, 3.11-D) com porfiroblastos de granada (figura 3.11-C), ou ainda de cianita e/ou estaurolita. A xistosidade é definida pelo arranjo planar preferencial das micas e pode se mostrar anastomosada.
Localmente, em direção ao topo, aos biotita-quartzo-sericita-granda xistos se intercalam camadas métricas de xisto carbonoso (figura 3.10-G) com espessuras que variam de milímetros a centímetros. Em determinadas porções, grandes cristais de cianita prismática, azulada, podem se desenvolver nesses xistos.
Os quartzitos micáceos (figura 3.10-F) aparecem esporadicamente em meio aos xistos peraluminosos, às vezes com uma lineação de interseção bem marcada. A sua mineralogia é dada essencialmente por quartzo, biotita e sericita.
As rochas calcissilicáticas, em geral, aparecem como discretas intercalações, centimétricas a decimétricas em espessura, em meio aos xistos. Essas rochas exibem composição diversificada, incluindo quartzo, plagioclásio, carbonato, biotita, muscovita, hornblenda, microlina, granada, titanita e epidoto. A textura dominante é granoblástica, na qual se destacam porfiroblastos esqueletiformes de hornblenda e granada flutuando sobre uma matriz de granulação fina.
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Figura 3.10: A) Biotita-quartzo-sericita-granada xisto com estaurolita que compõem o topo da Formação Capelinha. Essa rocha é composta por biotita e grandes critais de granada e estaurolita. B) Xisto com boudins de quartzo. C) Pedreira localizada a leste da cidade de Capelinha onde afloram xistos peraluminosos com clivagem de crenulação muito proeminente. D) e E) Detalhe para a clivagem de crenulação. F) Quartzito impuro que se intercala aos xistos peraluminosos da unidade metapelítica da Formação Capelinha. G) Xisto carbonoso afetado por dobramentos cerrados. H) Mica xisto com granada e rara cianita.
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Figura 3.11: Fotomicrografias de rochas metassedimentares da unidade metapelítica da Formação Capelinha com ênfase nas assembléias mineralógicas e microestruturas: A) Textura granolepidoblástica do xisto aluminoso. A foliação metamórfica (Sn) é marcada por minerais como hornblenda (Bt), muscovita (Ms) e granada (Grt). B) Grandes porfiroblastos de granada (Grt) emersos em matriz granolepidoblástica composta por quartzo, muscovita (Ms) e biotita (Bt). C) Porfiroblásto de granada (Grt) limonitizado. Note que o grande cristal de granada possui sombra de pessão nos seus entornos, onde cristais de quartzo se recristalizaram. A foliação, composta por muscovita (Ms) e biotita (Bt) circunda o porfiroblasto de granada. D) Textura granolepidoblástica em mica xisto da unidade metapelítica.
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Figura 3.12: Coluna estratigráfica do segmento da Formação Capelinha exposto a oeste da cidade homônima (vide figura 3.2 para localização) enfatizando a intercalação entre quartzitos e mica xistos, bem como a presença de xistos grafitosos.
3.2.4 –Suíte Mangabeiras – G4
Representando a granitogênese pós-colisional G4 do orógeno Araçuaí, afloram a oeste e nordeste do município de Capelinha (figura 3.2), plútons de textura pegmatítica e livres da foliação regional (figuras 3.13-A, 3.13-B e 3.13-D), da Suíte Mangabeiras. Essas rochas possuem composição granítica e parecem ser condicionadas por descontinuidades do embasamento, de direção geral WNW- ESE e que se paralelizam a algumas drenagens principais, como a do Rio Fanado (figura 3.13-C). São corpos arredondados compostos por feldspato, quartzo, muscovita e localmente turmalina e berilo (figura 3.13-F). A foliação das rochas encaixantes é fortemente perturbada e às vezes pode ser sub- verticalizada nas proximidades dos contatos.
Os corpos pegmatíticos encontram-se encaixados nos xistos e quartzitos das unidades metassedimentares Neoproterozóicas do Grupo Macaúbas (figuras 3.2, 3.3 e 3.16).
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Figura 3.13: A) Pegmatito de composição granítica da Suíte Mangabeiras (G4). Note os cristais de biotita (negros) centimétricos. B) Pegmatito da Suíte Mangabeiras. C) Pegmatitos da Suíte Magabeiras que afloram no