4 Discussion
4.2 Lamprophyre relation of porphyritic hbl dyke
Todos os bolsistas entrevistados frequentaram a educação infantil. Alguns ingressaram aos 2 anos, outros aos 3 anos. Apesar da não obrigatoriedade legal da pré-escola, nota-se que o ensino infantil é um elemento imprescindível da escolarização deste grupo.
Paralelamente à educação infantil, os pais utilizavam algumas estratégias para alfabetização dos filhos. Em um dos casos, a mãe – professora do ensino básico – ensinou o filho a ler antes de seu ingresso na pré-escola, em outro, a mãe estabeleceu uma rotina de estudos com a filha para reparar o tempo perdido, já que a escola anterior não foi eficiente na alfabetização, conforme relatos abaixo:
Eu comecei a estudar bem cedo, ela [a mãe] me ensinou a ler. Engraçado que eu sabia ler, mas não escrever. Quando fui pra escola a professora disse: como assim, como pode?! Tem que saber ler e escrever, não tem como. É que eu aprendi com ela, com 3 anos (Carlos, bolsista do curso de Ciências Biológicas).
Eu estudei no Colégio Vinícius de Moraes, quando eu morava lá perto do Coração Eucarístico, que não era boa, não mesmo – por que quando mudei para o bairro Cidade Nova eu fui para outra escolinha, quando cheguei lá todo mundo sabia escrever, menos eu, na minha escola não tinham me ensinado. Então tive que correr muito atrás, tinha que fazer exercício extra, minha mãe tinha que me ajudar, por que eu estava atrasada (Cristina, bolsista do curso de História).
A totalidade dos entrevistados ingressou na 1ª série do ensino fundamental em idade regular, próximo dos sete anos. Destes, três estudaram todo o ensino fundamental em escola particular, e três apresentaram percurso “misto”, ou seja, estudaram parte do ensino básico em escola pública, parte em escola privada. Deste último grupo, Carlos estudou até a quinta série em escola particular e o resto do ensino fundamental no Colégio Tiradentes60. Cristina estudou na Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo, conhecida por ter um IDEB
60 O Colégio Tiradentes da Polícia Militar é uma instituição de ensino pública que atende aos filhos de militares.
Este colégio possui bons resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB e no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM (quarta maior nota entre as escolas públicas de Minas Gerais). Informações extraídas da página virtual do INEP: <http://ideb.inep.gov.br/> e <http://sistemasenem2.inep.gov.br/ resultadosenem/>. Acesso em 3 de julho de 2012.
muito superior à média das escolas públicas61, depois se transferiu para um colégio particular. E Marcelo passou por várias escolas, iniciou a primeira série em escola pública, na terceira série foi transferido para uma escola particular onde sua mãe começou a lecionar. Ao se mudar para Belo Horizonte com a família, ele voltou para uma escola pública e, na oitava série, começou a frequentar uma escola particular a fim de se preparar para o processo seletivo das escolas técnicas federais (CEFET e COLTEC). Apenas um aluno dos sete entrevistados estudou todo o ensino fundamental em uma escola estadual próxima a sua casa.
Dos sete bolsistas, quatro mudaram de escola durante o ensino fundamental, em alguns casos, mais de uma vez. Os principais motivos para a troca de escola estão ligados à qualidade das mesmas. No caso de Marcelo, citado logo acima, era a percepção de que precisaria de uma escola melhor para ser aprovado no teste de admissão das escolas técnicas federais. Em outros dois casos era a baixa exigência da escola e, em outro, a possibilidade de estudar em uma escola bilíngue:
Fica perto da minha casa e lá eles tinham um projeto bilíngue, era uma escola espanhola e eu gostava, tinha interesse em aprender espanhol, aprender sobre a cultura da Espanha. Acabou não sendo o que eu imaginava. O projeto mesmo, com a história e a geografia da Espanha, eu já não conseguiria mais pegar, pois entrei lá muito velha, eu tinha que ter entrado lá aos 8 anos de idade, então não serviu, mas a motivação foi essa (Cristina, bolsista do curso de História).
Fiquei lá [colégio que estudou grande parte do ensino fundamental] até a 7ª. série e nunca tive problemas, saí de lá justamente por ser um colégio fraco. Eu fui para o Colégio São Bento, que é hoje o Colégio Santa Maria - Coração Eucarístico, lá foi um pouquinho mais puxado e na 8ª tive que começar a estudar. (Flávia, bolsista de Engenharia Elétrica).
A troca de escola continua no ensino médio. Quatro dos sete alunos buscaram outros colégios. Destes, dois já haviam sido transferidos também no ensino fundamental. Nesta etapa de seus percursos surge uma forte preocupação com o vestibular, sendo este um dos principais motivos para a troca de escolas, tal como o depoimento abaixo:
Sempre gostei de estudar, eu queria aprender as coisas e quando estava na escola pública realmente o ensino não era de uma qualidade muito boa. As pessoas com quem eu convivia, o círculo social, era todo mundo igual, até que um primo meu - que morava no interior e também tem pai militar e mãe professora e tal - estudou em escola particular a vida inteira e veio [para Belo Horizonte] para fazer um bom ensino médio no Colégio Santo Antônio, eu acho, e ele não passou na prova - e olha que ele era considerado aluno gênio – “Nossa, Fabrício (nome fictício) era aluno brilhante,
inteligente!” - e ele veio pra cá já pensando em vestibular. Meu avô, que era muito
preocupado com essa coisa de educação, falou: se o Fabrício não passou, imagina os filhos do Luiz (nome fictício), meu pai, que estudam na escola pública... então temos
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O IDEB da Escola Municipal Professora Maria Modesta Cravo em 2009 era igual a 7,1, a média para o Brasil é de 4,6 e para Minas Gerais, de 5,6. Informação extraída da página virtual do INEP: <http://ideb.inep.gov.br/>. Acesso em 3 de julho de 2012.
que tirar da escola pública e colocar numa particular. Então eu e minha irmã fomos prestar o vestibular do Colégio Bernoulli ao mesmo tempo, minha irmã que escolheu a escola, e o Bernoulli, na época que eu estudei lá era o que mais aprovava para as escolas de medicina (Carlos, bolsista de Ciências Biológicas).
Assim, se no Ensino Fundamental, quatro dos sete alunos passaram por escolas da rede pública, apenas um permaneceu no sistema público no ensino médio, mas em colégio pertencente à rede federal de ensino e incorporado à Universidade Federal de Minas Gerais, sendo considerado um colégio de excelência. Entre as escolas particulares, a mais frequente no ensino médio foi o Colégio Santo Antônio – uma escola confessional muito tradicional que se localiza em bairro nobre da cidade de Belo Horizonte – que recebeu três dos seis alunos que realizaram o ensino médio em escola particular. Aliás, o único caso de permanência na mesma escola durante todo o ensino básico se desenvolveu neste colégio.
Portanto, nota-se, neste grupo, situação similar à observada por Nogueira (2000) entre os filhos de professores universitários: na medida em que se avança no percurso escolar, tende a haver uma forte concentração dos entrevistados em escolas particulares. A exceção a esses casos são aqueles que frequentam o ensino médio em escolas federais. O principal motivo dessa concentração na rede privada é a busca por melhor qualidade de ensino dada a proximidade do vestibular.