5. Presentasjon av kryssene
5.2 Bergen kommune
5.2.3 Laksevåg
[...] quando a gente forma, a gente ensina o que a gente não sabe. Quando caímos na sala de aula, estudamos para lecionar. Passado alguns anos você ensina o que já sabe. Na hora de
7 Os autores assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ver APÊNDICE A) autorizando a
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aposentar, você ensina o que o aluno precisa aprender (Mairy Barbosa Loureiro dos Santos – Março/2016).8
O encontro com a professora Mairy aconteceu no dia 30 de março de 2016, em sua casa. Logo, referiu-se a sua história como breve, mas, à medida que as lembranças floresceram, muito foi dito e registrado. Mairy reportou-se ao tempo em que grande parte dos membros do grupo trabalhava como consultores de escolas particulares, buscando na fala dos professores de Ciências suas reflexões acerca da prática docente, seja apontando dificuldades, conquistas ou as múltiplas formas de abordar os conteúdos da disciplina. Considerando tais relatos e dados da literatura, a necessidade de integrar as áreas de física, química e biologia passou a fazer parte do discurso. Nesse contexto, os consultores foram cobrados quanto à escrita de um material didático que reunisse as ideias do grupo e disseminasse essa nova proposta para o ensino de Ciências.
A partir de um convite da Secretaria de Estado da Educação para atuar na formação de professores, o grupo produziu blocos temáticos que procuravam uma integração entre as áreas das Ciências Naturais. Esses materiais fizeram parte dos cursos de formação, foram replicados e avaliados pelos participantes. Desse retorno surgiu o desejo de escrever um material didático que fosse condizente com as concepções de currículo e Educação em Ciências defendidas pelos autores.
Para Mairy, os conteúdos precisavam ter recursividade. Era necessário que o aluno tivesse contato com os temas ao longo da sua formação no ensino fundamental e que estes fossem apresentados em vários contextos.
[...] o aluno, ele esquece e você tem que voltar no assunto para que ele possa não só assimilar, mas também começar a fazer perguntas sobre. A primeira vez que você estuda solo, esse solo não se apresenta para você como um todo, muita coisa se perde, se aprende só um tiquinho. Porque a primeira vez que você lê o livro você aprende um pouquinho. Depois você lê de novo, às vezes até tem outro olhar. Depois, quando é a terceira vez, você já vem com dúvidas, sugestões, etc. (Mairy Barbosa Loureiro dos Santos – Março/2016).
Após a discussão de uma proposta para os livros, a editora Scipione interessou-se em produzir a coleção. O grupo era formado por físicos, químicos e biólogos que trabalhavam coletivamente os capítulos, evidenciando em cada um dos temas, abordagens voltadas para as diferentes áreas. O primeiro exemplar produzido, antes 5ª série, agora 6º ano, foi o mais discutido, demandando um esforço conjunto maior, visto a necessidade de definir a sequência
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Na subseção 2.3, optamos por essa formatação para evidenciar que se tratam de relatos dos autores da coleção
58 lógica dos livros. Para Mairy, foram em média três anos dedicados a idealização e escrita da coleção. Essa organização começou pouco depois que os textos direcionados à formação de professores foram produzidos e foi contínua após a assinatura de contrato com a editora, o que significava prazos a cumprir. À medida que escreviam, a editora disponibilizava uma equipe para pesquisas de imagens, correções e diagramação dos textos. A primeira edição foi publicada em 2003, sendo uma coleção sempre bem avaliada nos anos que participou do PNLD.
Mairy referiu-se ao formulário de qualificação dos exemplares como falho. A autora fez críticas aos itens de avaliação do PNLD, uma vez que não são capazes de apreciar as obras submetidas. As propostas mais inovadoras dentro de uma perspectiva de resultados de pesquisas mais modernas e que criticavam velhas práticas do ensino de Ciências, não eram valorizadas pelos pareceristas. A cultura tradicional sobrepunha-se às novas ideias. E a coleção Construindo Consciências contesta(va) muito esse tradicionalismo.
A opção de começar o livro do sexto ano abordando a adolescência, por exemplo, foi muito questionada por professores. Tal escolha foi embasada nas vivências da autora Selma, enquanto docente do Centro Pedagógico da UFMG. Ela defendia que a abordagem desse tema logo no início da primeira unidade facilitava o trabalho do professor por trazer questões que permitiam ao aluno se descobrir e ao mesmo tempo se revelar. Nessa idade eles se comparam, fazem críticas uns aos outros, e era preciso mostrar que mudanças aconteceriam com o passar do tempo.
Segundo Mairy, os professores ficaram resistentes a adoção dos livros devido a sua proposta pedagógica diferenciada, comparada aos exemplares disponíveis no mercado editorial. Mairy atribuiu parte disso às falhas na divulgação. Para ela, a editora não trabalhou na disseminação da ideia. Era necessário apresentar aos professores a proposta pedagógica, e, a partir da compreensão de como a coleção estava organizada, estimular a adoção. Afinal, o
Construindo Consciências não era um livro ancorado no modelo tradicional de ensino.
A autora tinha conhecimento de escolas que não adotaram o livro, mas que xerocavam fragmentos da obra e distribuíam aos alunos. Nesse momento, Mairy referiu-se às imagens da coleção como ruins e à falta de capricho por parte da editora. Estendeu-se citando as avaliações do PNLD, por conter ressalvas quanto ao projeto gráfico e por apontar no esquema de cores de qualificação essa inconformidade.
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[...] é a primeira coisa, mais importante é o manual do professor. O professor que entendeu a proposta pedagógica ele sabe onde está pisando. Porque ele pensa assim, isto está assim, desta forma, tem uma lógica, é por causa disso e disso. O manual do professor é importantíssimo ele ler para entender. Eu acho que o nosso manual do professor é melhor que o livro. Porque ele tem muita informação sobre resultados de pesquisas em ensino de ciências (Mairy Barbosa Loureiro dos Santos – Março/2016).
A primeira coleção publicada era acompanhada de um manual a parte com informações de todos os anos, e não ao final de cada exemplar como atualmente. Mairy disse gostar mais do formato anterior pelo fato do professor ter em mãos o conteúdo como um todo.
Segundo ela, uma dificuldade do grupo foi eleger os saberes que seriam abordados na coleção, visto a diversidade de temas para o ensino de Ciências. Pensando nisso, foram tratados conceitos fundantes que dariam subsídio para o aluno discutir qualquer questão. A palavra deve ser compreendida no contexto que foi apresentada e não o seu significado. Essa foi uma discussão constante entre autores e editora.
Partiu da editora a decisão de não produzir mais a coleção, o que não foi visto como ruim pelos autores. A relação entre as partes estava desgastada. Muitos professores que solicitaram a coleção receberam outras e a divulgação dos livros não era feita de forma satisfatória. Com o rompimento aconteceu um movimento em busca de uma nova editora, mas a equipe acabou se dispersando e a Mairy acredita que dificilmente darão continuidade a esse projeto: “É uma pena, porque eu acho que tem que ter alternativas assim no mercado, e assim ainda não tem”.
Com alguns exemplares em mãos, à medida que folheava, Mairy tecia comentários sobre os temas. Por ora, evidenciou a importância de se inserir os símbolos químicos ao tratar dos elementos, para que o aluno se familiarizasse com os termos e aprendesse desde os primeiros anos do ensino fundamental II essa simbologia; e de priorizar no ensino de física o entendimento dos fenômenos, e não os cálculos matemáticos. Os contextos escolhidos pelos químicos e físicos para as diversas abordagens nessas áreas do conhecimento foram elogiados por Mairy. O aluno deve ater-se aos conceitos fundantes e ao contexto para compor seu raciocínio.
[...] ele precisa entender o mundo, entender a diversidade, entender os processos. Esse negócio de ficar decorando nome é bobagem. Você saber nome não significa que você aprendeu. Por exemplo, você falar briófita não significa que você sabe o que ela precisa, como ela reproduz, como cuidar de uma briófita. É muito diferente de você ter um musgo e saber onde você vai usar, para que aquilo serve na natureza ou como que aquilo reproduz ou que bichos comem aquilo. Precisam saber que chamam briófitas? Ou samambaias? (Mairy Barbosa Loureiro dos Santos – Março/2016).
60 A abordagem dos conteúdos das Ciências naturais, para Mairy, deve ser tratada a partir de contextos e do conhecimento prévio do aluno, para que o professor tenha a percepção se novos conceitos foram construídos ou se as ideias anteriores se mantiveram. A ecologia, a genética e a evolução estruturam o pensamento biológico, sendo a interdisciplinaridade uma aliada para o entendimento de como as coisas de fato funcionam. Mesmo que outras teorias expliquem o mundo e seus infinitos fenômenos, a autora foi enfática: nas aulas de Ciências, as situações dadas serão abordadas à luz do conhecimento científico.
Ao longo da conversa, a autora compartilhou suas experiências e crenças, e como acredita que o ensino de Ciências deve ser conduzido. Ressaltou sua trajetória enquanto formadora de professores e o quanto foi difícil esse trabalho quando encontrou pelo caminho pessoas sem perspectivas de mudanças.