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2 MATERIALER OG METODER

2.5 Lagringsstabilitet og sensorisk kvalitet

Antes de enveredarmos pelas linhas construcionistas, é pertinente admitirmos que traços construtivistas são naturais aos que se apóiam no construcionismo.

O construtivismo, por seus vários autores, pressupõe a interação da produção mental com o meio sócio-cultural, através de atividades significativas como forma de produção de conhecimento, onde há a necessidade de se considerar a maturidade do indivíduo na proposição de conteúdos cognitivos e a importância do meio cultural para o seu desenvolvimento, reconhecendo que o confronto entre conhecimentos cotidiano e o científico interfere e auxilia no entendimento dos significados que esse último pode trazer ao aluno, como uma das formas eficazes de ensino.

A presença construtivista é percebida em algumas das atividades elaboradas para esse estudo, através da integração dos vários recursos didáticos com as ações socializáveis voltadas ao ensino e aprendizagem de um tópico matemático desenvolvidas sob a orientação do professor, ora mediando, ora validando a produção do conhecimento, com objetivo mais audacioso de despertar no aluno a implícita necessidade de argumentar com propriedades matemáticas, contribuindo para iniciá-lo nos processos de demonstração e prova em matemática, tarefa das mais árduas do universo dessa ciência.

4.1.1 Construcionismo:

O construcionismo de Seymour Papert é o alicerce teórico que permite a edificação dessa pesquisa, seja pela condição que analisa e admite o uso da tecnologia, seja pela visão mais ousada de Papert por entender que a matemática pode ser ensinada de forma

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divertida, dura, mas facilitadora e, principalmente, pelo caráter evolutivo de sua teoria em constante desenvolvimento. É esse o enfoque que delineia a concepção do ambiente de aprendizagem que essa pesquisa apresenta como experimento didático.

Maltempi63 escreve em pesquisa de doutorado que o construcionismo é definido, segundo o próprio Papert, em cinco dimensões64:

1. Dimensão pragmática: a sensação que o aprendiz tem de estar aprendendo algo que pode ser utilizado de imediato, e não em futuro distante.

2. Dimensão sintônica: a oportunidade de o aprendiz encarar suas tarefas como projetos pessoais utilizados para expressar um estilo pessoal de fazer as coisas, ou uma estética pessoal. O computador é utilizado para fazer algo que o aprendiz sente como importante e psicologicamente poderoso.

3. Dimensão sintática: a possibilidade de o aprendiz facilmente acessar os elementos básicos que compõem o ambiente de trabalho, e progredir na manipulação destes elementos de acordo com a sua necessidade e desenvolvimento cognitivo.

4. Dimensão semântica: a oportunidade de o aprendiz manipular elementos que carregam significados que fazem sentidos a ele, em vez de formalismos e símbolos.

5. Dimensão social: a integração da atividade com as relações pessoais e com a cultura do ambiente no qual ela se encontra.

Maltempí afirma que, quando todas essas dimensões são estimuladas em um ambiente de ensino-aprendizagem focado no uso do computador, elas favorecem o desenvolvimento cognitivo do aprendiz.

Freire e Prado, pesquisadores do NIED, afirmam através do artigo eletrônico Professores Construcionistas: A formação em serviço, que os princípios da teoria construcionista vêm sendo re-elaborados por Papert, desde o final da década de 60, quando da implementação da linguagem de programação Logo.

O construcionismo é uma teoria que se encontra em plena evolução, inicialmente focado no uso da linguagem de programação Logo, este conceito transcendeu seu fim computacional e adquiriu um viés metodológico centrado na criação de ambientes de aprendizagem e no desenvolvimento de materiais que permitam ao aluno refletir sobre o seu aprendizado. O uso da tecnologia para além do Logo, é segundo Freire e Prado, outro forte fator de influência na transcendência do Logo como metodologia:

trata-se, em nossa concepção, de uma teoria em movimento, resultante de uma ‘meta-reflexão’ de Papert sobre diferentes modos de (re-)construção do Logo (e mais recentemente, da tecnologia de modo geral)por diferentes comunidades escolares, em diversas culturas65

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MALTEMPI, M. V. Construção de páginas web:depuração e especificação de um ambiente de aprendizagem. Tese de Doutorado, 2000.

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PAPERT apud MALTEMPI, idem, p. 14 65

FREIRE, F.M.P., PRADO, M.E.B.B., Professores Construcionistas: A formação em serviço. Disponível na Internet em: http://www.niee.ufrgs.br?ribie98?CONG_1996?CONGRESO_HTML/64/FORMSERV.HTML. Acesso em jan. 2007

Concordamos com Valente e sua interpretação mais abrangente da questão do uso do computador, quando afirma que o aprendiz, ao utilizar o computador para fins didáticos, manipula conceitos e, conseqüentemente, influencia em seu desenvolvimento mental:

Entretanto, na minha opinião, o que contribui para a diferença entre essas duas maneiras de construir o conhecimento é a presença do computador _ o fato de o aprendiz estar construindo algo através do computador (computador como ferramenta). O uso do computador requer certas ações que são bastante efetivas no processo de construção do conhecimento. Quando o aprendiz está interagindo com o computador ele está manipulando conceitos e isso contribui para o seu desenvolvimento mental. Ele está adquirindo conceitos da mesma maneira que ele adquire conceitos quando interage com objetos do mundo, como observou Piaget.66

Sintonizamos com esses autores, por entender que há uma expressa concordância e contida admiração com a ousadia de Papert, antes por sua humildade em perceber e aceitar transformações que surgem das bases da educação, depois pela postura firme em propor o ensinamento da matemática por vias “prazerosas”, que muitos teimam em confundir como não rigorosa, não matemática, próxima da forma que descrevemos a seguir, testemunhada pelo próprio Papert:

Um exemplo do que quero dizer foi-me trazido por um professor que recusou a idéia de que as crianças devem poder escrever sobre o que gostam. “Quando forem trabalhar terão que fazer o que lhes for dito”. Aqui está a origem do fracasso de muitas crianças em aprender a ler e escrever. Naturalmente devemos ensinar às crianças a ter o autocontrole necessário para cumprir ordens. Contudo, ao se confundir aprender essa capacidade com aprender a escrever, frustra-se os dois propósitos.67 A postura de Freire e Prado é condizente com a de Valente, ambos admitindo o viés pedagógico do Logo. Valente indica o que deve ser enfatizado na criação de ambientes de aprendizagem.

A primeira referência é relacionada ao controle do processo de aprendizagem pelo aprendiz, explorando o “objeto computador” ao seu modo, despertando e mantendo o interesse em resolver o “seu” problema. A atuação do professor se dá pela mediação, pelo oportunismo e pertinência de suas perguntas e apontamentos de “erros”, erros que nessa concepção apresentam ao aprendiz a oportunidade de entender melhor o conceito e corrigir suas formulações, ao avaliar o que não deu certo e buscar formas de melhorar. O segundo

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VALENTE, J.A. Porquê o Computador na Educação? Disponível na Internet em: < http://www.nied.unicamp.br/publicações/separatas/Sep2.pdf > . Acesso em out. 2006 p.12 67

PAPERT, Seymour. Diversão Trabalhosa. Tradução por Léo Silva, Disponível na Internet em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/tecnologia/tec15.htm. Acesso em mar. 2007

papel é “ a chance de aprender fazendo”, conforme escreve Valente sobre ambiente de aprendizado:

É justamente este aspecto do processo de aprendizagem que o logo pretende resgatar. Um ambiente de aprendizado onde o conhecimento não é passado para a criança, mas onde a criança interagindo com objetos desse ambiente, possa desenvolver outros conceitos...68

A versão sobre ambiente de aprendizagem de Prado e Freire:

A criação do ambiente de aprendizagem possui certas características que, segundo Papert, colaboram no sentido de desencadear a aprendizagem: a escolha, a diversidade, e a qualidade da interação que se estabelece no ambiente em questão.69

O ambiente de aprendizagem deve ao mesmo tempo, propiciar a autonomia por parte do aprendiz e dispor de uma “rica fonte de sugestões”, atendendo a diversos tipos de interesses por parte dos aprendizes; a diversidade deve considerar a ampla gama de aprendizes, que “ constituem o ambiente”, seja pela formação, pela experiência, enfim, considerando a heterogeneidade dos aprendizes; e a qualidade diz respeito à interação entre os sujeitos, a “aprender com os outros”:

... aprender com o outro não é uma atividade puramente intelectual, impessoal. [...] Busca-se através do trabalho coletivo, um sentido real para sua realização, destacando-se a importância da contribuição e do envolvimento de cada integrante do grupo.70”

Ao concordarmos com esses pesquisadores, admitimos a complexidade em definir uma teoria em evolução, embora seja esse um dos fatores que nos estimulam na contínua busca de novas maneiras de se fazer matemática.

O construcionismo engloba em grande parte as premissas do construtivismo que expressamos anteriormente, e Papert vai além, ao nos apresentar o conceito hard fun (diversão trabalhosa) que a matemática pode proporcionar, ao conceber o ensino e a aprendizagem da matemática como uma forma reacional, desafiadora e que completamos acrescentando que a matemática não precisa ser sisuda, pode acontecer como se fosse uma laboriosa e divertida tarefa, intencionalmente didática e convidativa!

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VALENTE, J.A. op. cit 69

FREIRE, F.M.P., PRADO, M.E.B.B., op. cit. 70