4 Results
4.2 Bacterial growth as affected by preservatives (PURAC solution and liquid smoke)
4.2.1 Lactic acid bacteria
biológica o eixo explicativo central do comportamento humano.
Esta teoria rejeita a motivação racional como capaz de reger a
ação humana e a história. Gustave Le Bon' exemplifica bem
essa corrente. Um dos autores que incorpora o determinismo
inerente ao darwinismo social, Le Bon acredita que o compor
tamento humano seja regido por leis que regulam a constitui
ção mental - fixa e imutável - das raças e vê como inviável
a transplantação de instituições de um povo para outro.
6 Traduzida em dezessees línguas, a obra de Le Bon foe um dos maiores sucessos de públeco em seu tempo. Seu livro maes conhecedo, PsychoJogie des faules, lançado em 1895, teve 31 ediçôes até 1925. Por sua vez, Les 10is
psychoJogiques de l 'évoJution des peuples, publecado em 1894, teve quatorze
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LÚCIA
LIPPI OLIVEIRAAo analisar as forças profundas - a alma - que co
mandam o destino de cada sociedade,
Le
Bon se detém nocomportamento das multidões, guiadas pelo inconsciente. Os in
divíduos isoladamente são capazes de agir guiados pela razão,
mas em multidão passam a ser dominados pelos impulsos. Em multidão, "um homem desce vários degraus na escala da civili zação. Isolado, ele poderá ser um indivíduo cultivado; na multi dão, é um bárbaro - ou seja, uma criatura que age por instin
to"
(Le
Bon, citado por Cohn,1973,
p.20).
Se as multidõessão incapazes de refletir e de raciocinar, por outro lado são al
tamente capazes de agir. Daí a importãncia da chefia que guia
as massas, canalizadas racionalmente para um objetivo, pela elite.
Segundo Thiec
(1981),
Le Bon foi influenciado pela concepção de Taine, que o tomou pessimista em relação à entrada das massas na política; pela psicologia de Ribot, que o fez ver as massas como irracionais; e pela contribuição de Charcot aos avanços da psiquiatria, que o levou a interpretar o comporta
mento das massas como guiado por um processo de sugestão.
Vamos reproduzir aqui a análise de Thiec sobre a relação entre Le Bon e Taine. A visão de Taine sobre as multidões
revolucionárias, presentes em Les origines de la France contem
poraine, pode ser tomada como a antecipação da psicologia
coletiva de
Le
Bon. Taine apresenta duas categorias de revolucionários: os profissionais (canalhas, delinqüentes) e o povo, li gado à revolução em função das paixões que dominam sua natu reza. Expressão de forças irracionais reprimidas, as revoluções provocariam o desaparecimento do homem racional e o ressurgi mento, em seu lugar, do homem primitivo, animal. O homem racional é mais fraco e não consegue controlar os instintos e as paixões. O indivíduo isolado pode ser civilizado; em multi dão, porém, retoma à barbárie, marcada pela espontaneidade, pela ferocidade e também pelo heroísmo. Essas idéias sintetizam
a concepção de natureza humana que inspira
Le
Bon.A multidão, em razão de sua força destrutiva, comporta se como os micróbios, que apressam a dissolução dos corpos enfraquecidos. A condição do homem-massa é teorizada por Le Bon a partir dos movimentos operários, das greves e dos mo
vimentos de rua de Paris dos anos 90. Seu trabalho contribui
para a crítica à sociedade de massas, ao mesmo tempo em que valoriza a elite, única força capaz de garantir a razão e a civi
DECADÊNCIA E SALVAÇÃO 71
Taine atribui a responsabilidade pela revolução a um siste ma que construiu um homem abstrato, universal, livre e destruiu os laços sociais. Le Bon, diferentemente de Taine, não culpa a
razão clássica, e sim a mentalidade mística.
Le
Bon consideraque "o jacobino não é um racionalista, mas um crente"
(Le
Bon, citado por Thiec,
298 1 ,
p.415).
O uso da abordagem psicológica no exame dos fenômenos sociais pertenoe ao pensamento do fun do século. Da mesma
geração
de
Le Bou e de Tarde, Ribot contribui COm seus trabalhos para a tendência a ver o homem como resultante dos ins
tintos e sentimentos, e estes como derivados da vida biológica.
Le Bon marcha nesta corrente, que afirma a primazia dos sen
timentos sobre a inteligência. Para ele, os grandes acontecimen
tos não se originam na razão, e sim no não-ra
c
ional: "O racional
cria a ciência;mas o irracional
conduz a história"(Le
Bon,citado por Thiec,
1981 ,
p.417).
A história é feita pelos povos,os quais como os indivíduos são guiados pelos sentimentos. O irracional das massas não é, de fato, o inexplicável,
mas sim o desconhecido. Le Bon deixa implícito que a expli
cação do irracional passa por outros caminhos que conduzem à
hereditariedade ou
à
raça. Ele acredita na existência de uma separação entre os atos e sua explicação, que nos leva a imagi nar causas mais ou menos falsas, que por sua vez permitem ao indivíduo pensar que domina aquilo que faz.
Prosseguindo em sua análise, Thiec mostra como Le Bon
faz uso da teoria da sugestão, derivada das experiências de
Charcot com a hipnose. E essa teoria - em Tarde, teoria de
imitação - que lhe permite estabelecer a relação entre as mas sas e seus chefes.
O que importa destacar aqui é em síntese
o fato
de opensamento de
Le
Bon ser construído tomando como objeto aparte nâo-racional da natureza humana. Le Bon considera essa
parte irredutível e localiza nas multidões sua exteriorização. Como observa Hughes, ao comparar a situação da intelectua lidade alemã e franoesa, no final do século, na França a vida cultural é centralizada em Paris e há uma atitude mais favorável dos intelectuais em relação ao governo nacional. Os escritores
franceses assumem a França como o centro do mundo civiliza
do e a sua língua como o mais perfeito instrumento de comuni
cação (Hughes,
1958,
p.59).
E na França que se organiza deforma mais completa esta nova abord�gem do mundo, garan tindo a supremacia intelectual francesa. E em Paris, centro da vida
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intelectual, que se fazem e se desfazem os sistemas. Em Paris os nacionalistas, anti-semitas e sindicalistas vão buscar ensina mentos. Capital espiritual da direita européia, Paris influencia as várias elites que compartilham da herança latina (Zternhell,
1978,
p.23).
A crise do final do século e a revolta contra a razão as sumem na França um forte conteúdo nacionalista. Para os nacio nalistas franceses, a questão é salvar o país da decadência; é lutar contra a herança da Revolução, a crença no progresso, o otimismo racionalista, o igualitarismo rousseauniano. O comba te tem como meta salvar a civilização . O sentimento do trági co e o amor à guerra se inserem neste processo de regeneração que se ergue contra o pacifismo burguês. A luta deve destruir o individualismo que transforma os homens em átomos, em mer cadoria. Neste sentido, o novo nacionalismo opõe-se às premis sas da democracia, enquanto regime guiado pelo homem co mum, indiferenciado.
Vimos também como, sob a égide de um novo determi nismo, a hereditariedade, a raça e o meio passam a ser os componentes fundamentais presentes no inconsciente coletivo dos povos e os fatores explicativos das novas teorias sociais que lidam com as massas.
O que caracteriza este novo pensar é a negação do indi víduo, quer seja do indivíduo-razão ou do indivíduo-emoção. Neste sentido, o novo nacionalismo altera a herança romântica. O indivíduo quantitativo e o qualitativo não têm mais lugar. Não mais se acredita no progresso da razão, quer seja no sen tido de construção de modelos gerais ou de modelos resultan tes do empirismo. Cabe agora à razão a descoberta das leis inexoráveis da natureza, natureza essa concebida dentro de um modelo que tem seu protótipo na biologia.
Uma questão que se desdobra de todos esses pressupostos é a discussão do valor da ação e da energia num mundo co mandado por variáveis determinadas. Podemos supor que, levan do em conta a argumentação dos deterministas, se a ação e a energia são manifestações exteriores dos instintos, elas devem ser entendidas como prova da excelência dos caracteres, dos ins tintos, da alma, de uma raça ou de um povo. O nacionalismo francês acredita, então, em seu sucesso, já que estaria apelando para forças naturais que foram marcantes em seu passado. A grandeza no passado garante o sucesso no futuro. A ideologia nacionalista crê que a França, graças ao seu meio, à sua paisa-
DECADÊNCIA E SALVAÇÃO
gem, não
eode escapar a
um destino gl
orioso
,já d
efmi
do epresente nas gerações passadas.
O esforço