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LAB and their relation to the flavour development in cheese

2. BACKGROUND, MAIN RESULTS AND DISCUSSION

2.3. ROLE OF THE LAB IN THE DAIRY INDUSTRY

2.3.2. LAB and their relation to the flavour development in cheese

É um facto que, sobretudo a partir dos finais da Idade do Bronze, entre os séculos XII e IX a.C., “…um amplo leque de objectos circulou por um vasto espaço que abrange territórios compreendidos entre a Bretanha francesa e o Mediterrâneo Oriental e existem abundantes testemunhos de que a Península Ibérica, quer meridional, quer ocidental, foi tocada por esse processo.” (Arruda, 2008).

A generalidade dos investigadores considera que o peso “Atlântico” é particularmente significativo durante o Bronze Final, entre os finais do II milénio a.C. e o primeiro quartel do I milénio a.C.. Tratava-se de uma actividade comercial vocacionada, quase exclusivamente para itens de prestígio e mercadorias de grande valor, sobretudo metais. No território português são várias as evidências da influência deste comércio. Podemos citar, entre outras: a metalurgia de cariz mediterrânico de Baiões; a cronologia dos primeiros ferros encontrados no nosso território, a presença de algumas fíbulas, designadamente, as de arco multi-curvilíneo, etc. É sobretudo das regiões do interior de Portugal que provém os principais vestígios de cariz orientalizante mais antigos, vestígios esses que correspondem, maioritariamente, a elementos de adorno, como contas de vidro, fíbulas e pinças (Arruda, 2008: 357), datados entre os séculos XI e IX a.C.. Também o Noroeste Peninsular, de que faz parte a nossa área de estudo, se encontra inserido nesta vasta rede de intercâmbios cuja grande motivação foram, como já referimos, os metais, com particular destaque para o estanho, sobretudo nesta fase mais antiga (Senna-Martinnez, 2010: p.13-26).

Armando Coelho Ferreira da Silva chama a atenção para o papel que as influências e contactos de populações alógenas terão desempenhado na dinâmica evolutiva cultural na região. Como vimos, os estudos deste autor revelam que a etapa de formação da cultura castreja, na transição entre o II e o I milénio está relacionada com o desenvolvimento excepcional da actividade metalúrgica (Silva, 2007: 38) que, como já foi referido acima, parece ter originado uma implantação de povoados ex-novo em pontos estratégicos, maioritariamente em posições elevadas (outeiros e remates de esporões), de altitude média e bom controlo visual da paisagem envolvente. Esta implantação visava, sobretudo, o controlo das bacias fluviais e exploração de recursos naturais, designadamente, os mineiros, com destaque para o estanho e o ouro, e o domínio das principais vias de penetração e comercialização, o que revela a integração das sociedades do noroeste num sistema económico de largo espectro. (Silva, 2007: 38). O objectivo desta alteração estratégica relativamente à realidade conhecida para a fase anterior deveu-se, certamente, a uma necessidade, por parte das elites locais, de domínio do território e dos mecanismos de produção e intercâmbio dos produtos metálicos e dos recursos minerais da região.

Senna-Martinnez (Senna-Martinnez, 2010: p.13-26) constata esta mesma realidade na região da Beira interior, designadamante, no Grupo Baiões/Santa Luzia onde, a partir do último quartel do II milénio a.C., começam a surgir algumas peças e, sobretudo, modelos metálicos de origem mediterrânica, distribuídos por três categorias formais principais: as primeiras fíbulas; os primeiros objectos de ferro e os ponderais.

O principal motivo subjeacente a estes, tão precoces, influxos culturais mediterrânicos seria a, já abordada, procura pelos metais, particularmente, do estanho, necessário para a obtenção de bronze. Houve, certamente, entre as populações do mundo antigo, mediterrânicas e atlânticas, uma necessidade crescente de estanho, devido à generalização da tecnologia do bronze e à escassez ou inexistência deste minério em várias regiões. Tal situação terá conduzido à procura de um abastecimento regular (mesmo que em escala reduzida) deste metal. Refira-se que, sob a forma mineral de cassiterite (óxido de estanho) este metal ocorre nos “placers” aluviais desde as Beiras até ao Noroeste Peninsular (Senna-Martinnez, 2010: p.13-26)

Senna-Martinnez sugere que o desenvolvimento posterior “…da influência orientalizante durante os séculos VIII a VI a.C., de que é um bom exemplo o aparecimento dos “ports of trade” de Santarém e Santa Olaia…” traduzirá um esforço de intensificação de contactos com estas áreas interiores e produtoras de estanho por parte das populações do Mediterrâneo Oriental, à época, os Fenícios.

O desenvolvimento de uma capacidade produtiva de metal local em Santa Olaia (provavelmente, ferro) poderá ser, assim, encarado como uma solução alternativa ao fracasso das intenções iniciais. Se, à capacidade de produzir localmente ferro, se adicionar a possibilidade de captação de escravos como outra das suas actividades no

hinterland, em estreita relação com os seus “clientes” do âmbito litoral, tal torna possível a sua conexão com o processo de colapso deste mundo interior, o qual parece centrar-se nos séculos VII a VI a.C.. Por outro lado, tal facto explicaria por que os povoados litorais, face ao colapso dos interiores, continuam a desenvolver-se na Segunda Idade do Ferro com destaque para os casos do Crasto de Tavarede e Conímbriga (Senna-Martinez, 2010 13-26) e para a generalidade dos povoados da nossa área de estudo.

O estanho, como recurso estratégico no Mediterrâneo, terá, certamente, perdido importância com o desenvolvimento da metalurgia do ferro, situação que, em parte, coincide com o colapso fenício oriental, em meados do século VI a.C..

Esta realidade vai inverter-se no decurso do século V a.C. pois o desenvolvimento da marinha de guerra ateniense irá exigir para cada esporão de trirreme uma quantidade de 500 kg de bronze, que corresponde a cerca de 50 kg de estanho (Senna-Martinez, 2010: 22). A partir do séc. V a.C., segundo Heródoto, os Gregos obtinham a maior parte do estanho de que necessitavam através da colónia ocidental de Massília onde este metal chegava a partir das Cassitérides (Bretanha e Sul das Ilhas Britânicas).

De resto, a pressão grega no Mediterrâneo Ocidental irá colidir com os interesses de Cartago que se vê, também, obrigada a desenvolver a sua armada, voltando a necessitar de estanho.

É, assim, neste quadro de busca dos recursos metalíferos que não abundavam no mundo antigo, em que ainda não haviam tecnologias suficientemente avançadas para possibilitar o alcance de veios minerais mais profundos, que se enquadram os achados, quer de cunho atlântico, quer mediterrânico, que se registam no ocidente peninsular entre os finais do II milénio e os finais do I milénio a.C., de que fazem parte, igualmente, os achados vítreos.

É, efectivamente, a partir do século V a.C., de acordo com o quadro que apresentámos, que se generalizam os achados vítreos na região do Noroeste Peninsular, designadamente, das contas de vidro (González-Ruibal, 2004: 40).

No âmbito do comércio púnico-gaditano com a região galaica, determinados sítios costeiros terão funcionado como verdadeiros emporia, atraindo o comércio de longa distância para a região e filtrando apenas uma parte dos bens para as regiões do interior. Segundo Ruibal e outros autores, estes emporia permitiriam a negociação local dos significados das importações, funcionando um pouco como centros de teste às mesmas, sancionando ou recusando as novidades (González-Ruibal, 2004: 40).