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Improvement of the gut health via addition of a suitable microbiota

2. BACKGROUND, MAIN RESULTS AND DISCUSSION

2.4. CHEESE AS A CARRIER

2.4.1. Improvement of the gut health via addition of a suitable microbiota

As contas de vidro são objectos que terão servido, essencialmente, como adorno e, certamente, como itens diferenciadores e produtores de identidade pessoal. As características plásticas e estéticas do vidro levaram a que este fosse, desde os inícios, utilizado na joalharia, como substituto de pedras preciosas e semi-preciosas relativamente às quais oferecia, certamente, grande vantagem económica na medida em que podia ser produzido artificialmente, não estando dependente das contingências da extracção natural. Outras vantagens, eram a sua plasticidade quando quente; a maior facilidade de poder ser trabalhado a frio; a grande variabilidade na combinação de cores; o brilho e a transparência. A grande desvantagem do vidro, relativamente às pedras preciosas, era a sua fragilidade, ou seja, a facilidade com que os objectos de vidro se podiam partir acidentalmente.

A par do valor económico, o vidro no mundo antigo possuia uma aura de elemento com poderes mágico-religiosos. Entre os elementos de vidro mais marcadamente associados ao mundo mágico, contam-se as contas oculadas e os pendentes amuleto que teriam qualidades apotropaicas sendo especialmente usados contra o mau-olhado. A crença do poder do mau-olhado, também conhecida por “fascinação” está bem atestada desde os tempos egípcios, e tratou-se de um fenómeno que se espalhou por todo o mundo antigo, subsistindo, ainda hoje, em certas partes do Mediterrâneo onde ainda se utiliza, como principal amuleto protetor, uma conta representando um olho ou, simplesmente, uma conta de cor azul, presas à roupa ou como peças de joalharia.

Maloney (Maloney, 1976: 49) refere, a este propósito, que a cor azul simboliza, em si mesma, protecção contra o mau-olhado, o que poderá explicar que a grande maioria das contas disseminadas pelas áreas de influência mediterrânica, caso do território português, seja de facto dessa cor. Garrison e Arensberg (Maloney, 1976: 311), reforçam ainda mais a importância da cor azul considerando que, para as sociedades do Mediterrâneo oriental, representava a realeza e, consequentemente, implicaria a ideia de protecção por um poder superior, talvez devido à associação entre a realeza e a pedra semi-preciosa azul, lápis lazuli, na sociedade egípcia.

Apesar de haver alguma tendência a associar as contas ao sexo feminino devido à sua conexão ao mundo das jóias e das pedras preciosas, não dispomos de dados contextuais para o Noroeste que nos permitam comprovar essa asserção puramente empírica e um pouco moldada pelo nosso olhar a partir daquela que é a realidade actual.

Apenas podemos tentar chegar a algumas conclusões a este nível pela comparação com outras regiões.

Assim, sabemos que noutras áreas geográficas em que são conhecidos contextos de necrópole, como no caso do sul de Portugal, os espólios e representações associados a sepulturas em que se verifica a presença de contas de vidro parece indicar que em muitos casos se tratam de indivíduos do sexo masculino, eventualmente de guerreiros. Em muitas da sepulturas é frequente a presença, por exemplo, de punhais e pontas de lança (Dias et alii, 1970). No entanto, os recentes dados obtidos na Necrópole de Palhais, Beringel, Beja (Santos et alii, 2009) sugerem que elementos como os punhais podem surgir, amiúde, associados a enterramentos femininos.

O facto é que as contas de colar na generalidade do mundo pré-romano oriental e ocidental aparecem, indiscriminadamente, associadas a homens, mulheres ou crianças, não perecendo que o sexo ou a idade fossem critérios importantes para o seu uso, o que, de resto, do ponto de vista conceptual, está de acordo com o seu carácter e função principal que era a de amuleto, de entidade protectora, com poderes mágico-religiosos.

Mário Cruz refere mesmo um exemplo curioso de utilização de contas por animais em Xanten, no Limes Germanico, onde foram encontrados cavalos enterrados com os respectivos arreios e enfeites, os quais incluiam belos colares compostos, exclusivamente, por contas de pasta de vidro azul-turquesa, as conhecidas contas “meloa”, características de contextos do Alto Imperio.

Regressando ao mundo dos humanos, é sabido que também no Antigo Egipto estes materiais eram utilizados tanto por homens como por mulheres, sob várias formas: colares, braceletes, nos tornozelos, no cabelo, presas no vestuário, etc.

No Egeu, nas necrópoles micénicas, também surgem contas em túmulos de ambos os sexos ainda que sejam mais comuns nos enterramentos femininos e estejam, geralmente, associadas às elites.

No Chipre e na costa Sírio-Palestina também foram usadas contas como cabeças de alfinete.

Uma hipótese que deve ser aqui colocada é a de as contas, independentemente do seu cariz apotropaico, terem uma função algo diferente quando usadas por homens ou por mulheres: no caso masculino poderiam funcionar mais como elemento indicador de um elevado status social que se sobrepunha às questões estéticas, ao passo que, no caso feminino, o seu uso poderia obedecer mais a preocupações estéticas, ainda que, em ambas as situações possuisse essas duas valências, para além de outras, como as propriedades mágicas.

No conjunto dos materiais estudados há uma excepção que demonstra uma eventual associação das contas a contextos considerados mágico-religiosos e a eventuais rituais de purificação. Trata-se da conta encontrada no Blaneário Castrejo de Braga. Em face das características apontadas para estes materiais, parece uma associação lógica e uma situação a rever.

Genericamente, como referimos, os materiais vítreos tendem a ir perdendo o seu valor ao longo do I milénio a.C. até se generalizarem no quotidiano das populações com o advento da técnica do soprado, a partir do séc. I. As contas, em particular as oculadas e, eventualmente, algumas azuis monócromas, terão mantido a sua função mágica, protectora contra o “mau-olhado”, mas as restantes tenderão a ser cada vez mais encaradas, exclusivamente, como objectos de adorno.

Independentemente dos contextos, é seguro, pelos dados indicados, que as peças mais antigas possuiríam um valor que apenas as tornaria acessíveis às elites.

Tendo em consideração a realidade fragmentada e fragmentária do registo – tratam-se de materias provenientes de habitats dos quais, genericamente, não se conhecem os padrões de dispersão - e a ausência de contextos para grande parte dos materiais, não é, de facto, possível, no estado actual dos conhecimentos, ir muito mais além do que o exposto.