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A abordagem desta etapa segue a linha metodológica voltada para a análise integrada de variáveis que compõem o espaço geográfico. Neste sentido, informações de caráter geobiofísico em camadas e escalas articuladas foram integradas em uma base de dados georreferenciados com o objetivo de desenvolver modelos de análise integrada para melhor compreensão dos processos geomorfológicos na área de influência da UC.

Para a caracterização do relevo foi utilizado o Mapa Geomorfológico do Estado do Pará (IBGE, 2008). Este mapa é uma atualização dos dados do projeto RADAM Brasil, com dados compatíveis com a escala 1:1.000.000, e que pode ser acessado no sítio10 do IBGE.

Os dados apresentados incluem as Unidades de Relevo, formas predominantes e densidade de drenagem. Este mapa está disponível apenas em formato pdf. Para que fosse possível a análise destes dados em conjunto com outros no ambiente SIG, o mapa foi georreferenciado e digitalizado manualmente. Como estas tarefas consomem tempo em demasiado, optou-se por fazer a digitalização apenas da área necessária para recobrimento da área de estudo em escala 1: 200.000.

Como base altimétrica, foi utilizado o modelo de elevação do terreno obtido a partir de imagens do SRTM - Shuttle Radar Topography Mission, na versão reamostrada para pixel de 30m pelo projeto TOPODATA, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). São disponibilizados os dados altimétricos e uma série de outros dados referentes à morfologia do terreno derivados do SRTM. Neste estudo foram utilizados os dados de elevação das encostas, que podem ser acessados na base de dados do projeto TOPODATA11.

Para o estudo das altitudes na área da RESEX, foram definidas as seguintes curvas de nível: 0, 5, 10, 15, 25, 30 e >30m (figura 15 e 16). As quais serviram de base para a construção de uma rede de triangulação irregular (TIN), que permitiu a criação do mapa hipsométrico. As faixas altitudinais foram

10 Disponível em ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapas/tematicos/tematico_estadual 11 Disponível em http://www.dsr.inpe.br/topodata

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definidas de acordo como relevo regional e visam representar os diferentes compartimentos geomorfológicos.

Figura 15. Captura de tela mostrando as curvas de nível da Área de estudo (ArcGIS 10).

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Para o mapa de Natureza do Modelado e Formas de Relevo foi utilizado o Mapeamento Geomorfológico do Estado do Pará (IBGE, 2008). O mapa aponta as formas de relevo predominantes na paisagem e os tipos de processos erosivos dominantes. Estes mapas foram adaptados para o estudo conforme explicado acima e também foi base para o cruzamento de informações geomorfológicas.

As bacias sedimentares são importantes geologicamente em face de permitirem a reconstituição do passado da Terra e; economicamente, pelo fato de nelas se localizarem jazidas de petróleo e gás natural, de folhelho pirobetuminoso e carvão mineral.

As rochas sedimentares destas bacias foram formadas por depósitos marinhos e continentais. No momento inicial da separação dos continentes da América do Sul e da África houve sucessivos eventos de derrames de lavas basálticas, documentados principalmente na bacia do Paraná e no tampão de lavas do Rio Grande do Sul.

Ao se chocar com a placa de Nazca, o continente sul-americano sofreu soerguimentos orogenéticos (dobramento de borda) na borda ocidental (Andes) e epirogenéticos (soerguimento continental) no restante do continente. Este soerguimento atingiu o Brasil de modo desigual: algumas áreas foram mais levantadas do que outras. Tanto crátons, faixas de dobramentos e bacias sedimentares sofreram este processo; foi através da epirogênese terciária que as bacias sedimentares atingiram altitudes elevadas. O desgaste erosivo que passou a atuar sobre as bordas das bacias sedimentares originou depressões periféricas.

O desgaste erosivo ocorreu em fases de climas quentes e úmidos, alternados com climas áridos ou semi-áridos. Esses diversos ciclos climáticos, associados às influências estruturais, litológicas e tectônicas, explicam a macrocompartimentação do relevo brasileiro.

Ao longo da história de estudos, diversas classificações foram propostas para dividir o território brasileiro em grandes unidades de relevo. Os critérios

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para cada classificação proposta refletem o estágio do conhecimento geomorfológico da época.

Importantes representantes destas propostas são os trabalhos de Aroldo de Azevedo, nos anos 40; Aziz Ab’Saber, no fim da década de 50; Jurandyr Ross, nos anos 1990 e CPRM/ IBGE nos anos 2000.

O Geógrafo Aroldo de Azevedo utilizou a altitude como critério para classificação das formas. Superfícies aplainadas acima de 200 m de altitude foram classificadas como planaltos, e superfícies aplainadas abaixo de 200 m de altitude foram classificadas como planícies. O Brasil foi dividido em oito macrocompartimentos de relevo: quatro planaltos, que representavam 59% do território, e 4 planícies com representação espacial de 41% do território (figura 17).

73 Figura 17. Representação Esquemática das unidades de relevo propostas por Aroldo de Azevedo em 1940.

Segundo o geógrafo Aziz Ab’Saber, no desenvolvimento da geomorfologia climática, dando ênfase aos processos erosivos para definição das formas do relevo, propôs uma nova classificação das unidades de relevo do Brasil em 1958 (figura 18). Em planaltos correspondentes às superfícies aplainadas predominam os processos de destacamento e transporte de sedimentos, enquanto em planícies predominam os processos de deposição. Nesta compartimentação do relevo foram identificados sete planaltos (75% do território) e três planícies (25% do território). As bordas de planaltos são compostas por declives e as bordas de planícies por aclives.

74 Figura 18. Representação esquemática das unidades de relevo propostas por Aziz Ab’Saber em 1958.

Uma classificação mais recente foi elaborada (1989) pela equipe do geógrafo Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da USP, e publicada amplamente a partir de 1995 (figura 19). Para esta classificação, utilizou-se como critério para macrocompartimentação do relevo a integração do conhecimento sobre processos erosivos, evolução e estrutura geológica do terreno e altimetria. Trabalhos anteriores e o Projeto RADAM Brasil serviram como base de dados para integração e análise. Segundo Ross (1995), o relevo brasileiro apresenta três tipos de unidades geomorfológicas, que refletem sua gênese: os planaltos (relevo com altitude superior a 300 m de altitude, 42% do relevo brasileiro), as depressões (superfícies entre 100 e 300 m, ou 35,7% do

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relevo brasileiro) e as planícies (com altitudes entre 0 e 100 m, 22,3% do relevo brasileiro). Nesta nova macrocompartimentação do relevo brasileiro foram identificadas 28 unidades, sendo 11 planaltos, 11 depressões e 6 planícies.

Figura 19. Representação esquemática das unidades de relevo propostas Jurandyr Ross em 1989. Adaptado de Ross (1995)

Em nossa área de Estudo (RESEX) foi possível identificar a presença dos tabuleiros costeiros e das planícies litorâneas, os quais serão classificados a seguir.

Os tabuleiros costeiros, segundo o IBGE (1996), têm distribuição irregular ao longo da costa terciária brasileira, dos estados do Amapá ao Rio de Janeiro, ora em faixa largas, ora em faixas estreitas, em posição continental e insular, tal como na área onde se desenvolve a região metropolitana de Belém,

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e no sistema foz do Amazonas. Esta topografia foi desenvolvida, na sua maioria em depósitos de coberturas sedimentares cenozóicas pleistocênicas da formação Barreiras, mas também nas formações Macacu e Caceribu, no ambiente costeiro da Baia de Guanabara (RJ).

O material que origina a formação Barreiras é susceptível à erosão, apresentando fáceis arenosas ricas em caulim e lateritas. Os movimentos de massa e desmoronamentos predominam em trechos de cortes de estradas, exploração mineral e desmatadas para exploração mineral e desmatadas para exploração de lenha e expansão urbana. (IBGE, 1996)

Feições de falésias e paleofalésias delimitam as superfícies dos Tabuleiros Costeiros, que evoluíram por ação da dinâmica de morfogênese continental e processos marinhos, em geral, apresentam uma topografia costeira caracterizada por escarpas, esculpidas pelo solapamento da base por abrasão12.

As Planícies Costeiras compreendem toda a faixa costeira da foz do rio Oiapoque no estado do Amapá, à costa leste do Pará, dividida nos trechos de planícies de vasa ou lamosas; Planícies do Estuário em Delta do Amazonas e Planícies de Rias13. Nestas planícies, pode haver ocorrência de terraços fluviomarinhos, limitados pelas costas abruptas em falésias e palofalésias, talhadas em terrenos da formação barreiras e podem apresentar acreção lateral de cordões fluviais areno-argilosos, formando bancos lamosos submerso, evidenciando o processo de progradação das ilhas em direção ao continente e servindo de base de fixação e expansão de manguesais, configurando ambientes ricos para a complementação alimentar de populações tradicionais (IBGE, 1996).

Do ponto vista das unidades geomorfológicas a região onde esta localizada a UC se caracteriza pela presença de Tabuleiros Paraenses de topografias planas, sedimentares e de baixas altitudes; As Planícies Aluviais e

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Trabalho destruidor do mar na zona costeira (GUERRA, 2011).

13 Originadas de uma imersão do litoral com a consequente invasão do mar nos vales modelados pela erosão fluvial (GUERRA, 2011).

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as áreas litorâneas caracterizadas pela presença de mangues e rias (Figura 19).

Figura 20. Mapa Geomorfológico do entorno do município de São João da Ponta, com destaque para a RESEX em estudo.