• No results found

2. MARC CONCEPTUAL

2.2. Aprenentatge dialògic

Para Bertrand (1972), a paisagem é o resultado da dinâmica dos elementos físicos, biológico e antrópicos, que fazem um conjunto único. Seria um objeto concreto, palpável e perceptível resultante de uma estrutura dinâmica e diversificada (DELPOUX, 1974). A paisagem, portanto, seria resultado da relação entre processos geológicos, geomorfológicos, climáticos, pedológicos, biológicos sob ou sobre um determinado relevo e a ação antrópica ao longo dos anos.

Os fenômenos naturais e sociais da paisagem podem ter variadas origens temporais que se expressam de forma simultânea no espaço. Ao se fazer um recorte espaço-temporal e analisá-lo pelo prisma da geografia, devemos levar em consideração esses processos da paisagem, suas contradições e particularidades, procurando estabelecer para cada recorte espaço temporal, uma escala específica de análise, que esteja de acordo com o objeto específico.

Com isso, o geoprocessamento exerce um papel fundamental na pesquisa da paisagem e na pesquisa sobre o ambiente, pois através das técnicas utilizadas podemos representar cartograficamente os diversos fenômenos presentes na paisagem. A representação cartográfica de paisagens exige um inventário geográfico completo e relativamente detalhado das paisagens. (BERTRAND, 1972)

Tricart (1977), delimita as unidades ambientais baseado na teoria dos sistemas, que considera o ambiente em equilíbrio dinâmico como sendo estável, e o ambiente em desequilíbrio como sendo instável. Sendo assim, este autor classificou três tipos de meios tidos como unidades ambientais: meios estáveis, meios intergrades, e meios fortemente instáveis. Deste modo, a paisagem na cartografia ambiental de síntese é representada, sendo individualizada em unidades ambientais de características distintas e provavelmente homogêneas que são dotadas de formas, funções e comportamentos próprios.

As unidades ambientais são determinadas pelos elementos ambientais e socioeconômicos que compõem o espaço geográfico em níveis taxonômicos, que segundo Pereira (2000) podem incluir diversas graduações de fragilidade.

36

No próximo tópico, mostraremos a importância dos recursos geotecnológicos, as aplicabilidades dos Sistemas de Informação Geográfica na produção do espaço, e os produtos que podem ser gerados. Por isso, torna-se necessário abordar uma questão sobre a metodologia de aplicação do Sistema de Informação Geográfica. Acontece que um grande número de estudos que tem como suporte os Sistemas de Informação Geográfica usa como unidade espacial de delimitação o geossistema. Portanto, faz-se necessário entender esse tipo de abordagem metodológica. Tentaremos apenas mostrar algumas definições usadas por alguns autores que usaram essa categoria nos estudos geográficos.

Nada mais notório começar por uma definição mais ampla de sistema dentro da metodologia científica e logo após mostrar definições mais específicas, nas palavras de Triviños (1987, p. 81):

O enfoque sistêmico parte da idéia de que existem numerosas relações no interior do objeto que se estuda, mas que também está ligado ao meio externo. O enfoque sistêmico dirige a sua atenção especialmente ao estudo dos sistemas altamente complexos [...] Mas também se preocupa com os sistemas técnicos altamente desenvolvidos. (TRIVIÑOS, 1987, p. 81).

Acrescenta-se a isso toda a dinâmica dos fluxos de matéria e energia, as entradas e as saídas, constantes nos sistemas. A análise e o estudo das paisagens foi preocupação de Bertrand (1972 p. 141). Para ele as paisagens (nesse caso o geossistema) são entidades dinâmicas, e são resultados de interações dialéticas entre elementos físicos, biológicos e antrópicos (figura 1).

37

As unidades de paisagens são classificadas segundo uma escala espaço-temporal, que vai de um nível mais abrangente, em que predomina o clima, ao mais restrito, onde as ações antrópicas são mais sensíveis (BERTRAND, 1972, p. 144). São elas: Zona, Domínio, Região Natural, Geossistema, Geofácies e Geótopo. O geossistema, segundo Bertrand (1972, p. 145), é onde estão os elementos mais interessantes para o geógrafo, ou seja, ele é compatível a escala humana. Nessa escala existe uma interação entre fatores geomorfológicos, hidrológicos e climáticos. Essa interação é o “potencial ecológico” do geossistema.

Podemos notar uma unidade ecológica para cada geossistema (BERTRAND, 1972, p. 147). Quando a exploração biológica está em equilíbrio com o potencial ecológico no geossistema esse apresenta-se em estado de “clímax”. Todavia o autor lembra que os geossistemas são sempre dinâmicos (BERTRAND, 1972, p. 147). Em algumas vezes existem descontinuidades fisionômicas que podem representar os diversos estágios de evolução dos geossistemas. Essas descontinuidades podem ser representadas pelas geofácies e os geótopos. A exemplo disso Tricart; Cailleux (1978), apresentam um balanço entre pedogênese e morfogênese para definir se os geossistemas estão em biostasia5 ou resistasia6. Contudo para espacializar os geossistemas é necessária uma pesquisa cartográfica (BERTRAND 1972, p.151) que contenha uma pesquisa de campo detalhada, uma revisão bibliográfica especializada e interpretação de fotografias aéreas ou outras imagens do sensoriamento remoto.

No Brasil, a contribuição geossistêmica é proposta por Ab’Saber (2003, p. 9). Segundo ele as melhores escalas para cartografação podem variar entre 1:50.000 à 1:200.000, recomendadas para identificação dos vários geossistemas em complemento ao método coroplético da cartografia temática (MARTINELLI, 2003, p.40).

5 Período durante a evolução geológica, no qual os seres vivos organizados conseguiram atingir o seu clímax e o seu desenvolvimento máximo, devido a ausência de movimentos tectônicos ou vulcânicos e sem modificações climáticas importantes, capazes de provocar o desaparecimento das florestas. (GUERRA, 2011).

6 Período em que houve o desaparecimento de uma floresta devido a uma ruptura de equilíbrio climático e biológico. É uma fase de desequilíbrio; diferente, portanto, da biostasia (GUERRA, 2011).

38

Para entendermos a dinâmica socioambiental da RESEX de São João da Ponta, usaremos a abordagem sistêmica e o conceito de paisagem elencado por Bertrand (1972) onde o autor a define como:

“[...] uma determinada porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução. (BERTRAND, 1972).

Em Santos (2004, p. 40) encontramos um denso estudo sobre o planejamento ambiental, nesse trabalho ela sugere como unidade de estudo as bacias hidrográficas, embora esse não seja a única alternativa de sugestão. Para ela a unidade territorial delimitada pelas bacias hidrográficas têm reconhecimento é de aceitação universal, por que:

O critério de bacia hidrográfica é comumente usado porque constitui um sistema natural bem delimitado no espaço, composto por um conjunto de terras topograficamente drenadas por um curso d’água e seus afluentes, onde as intenções, pelo menos físicas, são integradas e, assim, mais facilmente interpretadas. (SANTOS, 2004, p. 40).

Essa unidade territorial é entendida por Santos (2004, p. 40) como sendo um geossistema, já que para ela: Esta unidade territorial é entendida como uma caixa preta, onde os fenômenos e interações podem ser interpretados, a priori, pelo input e output. Nesse sentido, são tratadas como unidades geográficas, onde os recursos naturais se integram.

As entradas e saídas, bem como a integração entre os recursos naturais são evidências de um geossistema. O que vai definir o tamanho das bacias hidrográficas é a conveniência do planejamento. No caso de um planejamento ambiental, elas podem ser constituídas de rios de ordens mais baixas, como o caso dos rios Mocajuba e Mojuim, até rios de ordem mais alta como o rio Amazonas. Em ambos os casos elas mostrarão a distribuição espacial do fenômeno conforme a escala escolhida. Por isso, saber qual a escala a ser trabalhada é importante para definir o tamanho da bacia.

É evidente que alguns fenômenos sociais, extrapolam a área da bacia. Isso se constitui um ponto negativo das bacias hidrográficas. Todavia, seu valor

39

científico é enorme (SANTOS, 2004, p. 41). Mas com a ajuda das ferramentas da cartografia digital, sobretudo o banco de dados, essa questão é perfeitamente contornada.

A escala é a chave no planejamento territorial e ambiental. Não existe uma escala ideal para execução de planejamento, o que existe é uma constante preocupação com relação ao fenômeno, já que, se for usada uma escala muito pequena pode haver uma generalização dos fenômenos ou se for muito grande podemos perder o continuum (SANTOS, 2004, p. 46).

A utilização do SIG, torna-se uma ferramenta técnica importante, capaz de facilitar o trabalho do geógrafo e de outros profissionais de outra áreas do conhecimento, embora existam diversos caminhos metodológicos possíveis a serem trilhados, ficando a critério de quem o utilizará, escolher a melhor maneira de utilizá-lo, segundo sua consciência crítica e comprometimento com a pesquisa.