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La Educación Emocional en las aulas de infantil

5. Aplicación didáctica

5.1 La Educación Emocional en las aulas de infantil

coordenadores/orientadores do grupo. Eu me encontro atrás do grupo, próximo à janela e quem requisitou a foto ao grupo do qual fiz parte durante o ano de 2008. O ESDE é uma das atividades ligadas a estudo da doutrina espírita e possui implicações importantes com relação a meu trabalho de campo e inserção, além das dimensões rituais e terapêuticas apontadas pelos participantes (foto 2008).

Imagem 11. Roteiro de temas para estudo na casa espírita. O roteiro segue estritamente os temas relevantes para o ser espírita disponíveis na literatura espírita (―Evangelho Segundo o Espiritismo‖).

Nos grupos de estudo o esquema de distribuição de pessoas é a de uma sala de aulas em um colégio convencional. Há um dirigente do estudo, um trabalhador da casa indicado por seu conhecimento da doutrina espírita e histórico de participação, e os demais que se colocam na posição de estudantes. O dirigente controla os atos e as falas durante a reunião além de seguir a pauta de leitura e debate prevista com antecedência. A disposição é circular ou semicircular, porém a posição de controle do dirigente é clara diante do fato de que dá início e indica aos demais os procedimentos rituais adequadas aquela atividade, lhe dá a palavra, que então avalia e comenta.

Há uma leitura inicial de textos da literatura espírita e após este a oração que pode ser feita pelo próprio dirigente ou requisitada por este a algum participante. Após estes passos iniciais, que se considera o início do trabalho, há a leitura de texto das obras básicas

relacionadas à atividade: se ARI, será ―O Evangelho segundo o Espiritismo‖; se ESEM (Estudo Sistematizado da Mediunidade) será a apostila produzida pela FEB (Federação Espírita Brasileira) para o estudo da mediunidade, a partir do ―Livro dos Médiuns‖; se ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita), também apostila da Federação, com conteúdo equivalente ao ―Livro dos Espíritos‖.

Lewgoy (2004)184 apresenta em esforço etnográfico muito bem sucedido um retrato do cotidiano de grupo de estudo espírita. Neste grupo se desenha a autoridade espírita fundada nas ―indicações bibliográficas‖. Apresentam-se muito prontamente as hierarquias da antiguidade e experiência no centro e no trabalho espírita, somadas a elementos como formação geral escolar, capacidade de expressar-se com termos técnicos literários espíritas e frequentemente (superficialmente) científicos, compartilhar de comentários pertinentes durante as exposições doutrinárias espíritas, como bem o percebeu, ao discutir a aquisição da técnica da prece espírita:

A posição subordinada e instrumental do corpo e da linguagem em relação ao espírito e ao pensamento, no Espiritismo, não significa desleixo com os veículos, mas todo um conjunto de preceitos e cuidados: no corpo as interdições de vícios e excessos, na fala um treinamento retórico constante. Retorna aqui a idéia de uma oposição hierárquica, e não equiestatutária entre matéria e espírito. Essa relação permite que se compreenda que, ainda que o mundo espiritual seja modelo e valor para o mundo visível, certas categorias de habitantes do mundo espiritual estão mais próximas da matéria que habitantes do mundo material – de onde uma oposição entre uma espiritualidade superior e uma espiritualidade inferior‖185.

O mobiliário e as disposições no espaço da sala de estudos impõe a disciplina espírita que se apresenta a corpo e espírito como temos descrito.

Depois da leitura o dirigente cometa o trecho lido, apresentando sua posição sobre o tema, que deve ser a posição geral do centro, após o que os demais participantes são requisitados a fazerem perguntas ou participarem com suas opiniões, o debate se dá em forma de diálogo, sempre controlado pelo dirigente a partir de seu conhecimento dos textos espíritas e experiência nas atividades rotineiras da casa espírita. Após este diálogo há o encerramento, que se realiza através de nova oração, e no caso do ARI, que equivale para a casa como um tratamento espiritual, em seguida à oração final de agradecimento, há aplicação de passe e distribuição de água fluidificada, após o que o grupo é dispensado e pode sair. Frequente neste momento de saída que se recomende que saiam em silêncio e evitem conversas

184 Cf. LEWGOY, Bernardo. ―Etnografia da leitura num grupo de estudos espírita‖. In: Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 10, n. 22, jul./dez. 2004, p. 255-282.

―pesadas‖ (sobre assaltos, discussões com outros trabalhadores e frequentadores, críticas às atividades da casa e seus dirigentes, doenças, entre outras) para estenderem a proteção do centro e suas boas vibrações até suas próprias casas.

A água fluidificada é distribuída em determinados momentos rituais como nos dias de estudo, após a distribuição do passe e após a sessão mediúnica. A intensão é reposição de forças através da ingestão da água que teria sido energizada ou imbuída de ―fluídos salutares‖. Pude assistir alguns participantes se referirem a ela como ―remédio‖, destacando sua potencialidade de trazer bem estar.

A água é recolhida do filtro do centro e colocada em uma jarra que será levada à sala na qual ocorrerá a reunião, durante a reunião será requisitado através da oração que a água seja fluidificada pelos trabalhadores espirituais presentes.

O estudo participa da construção da disciplina na vivência religiosa espírita. Através da assiduidade requisitada e controlada, considere-se que há lista de registro de frequência de participação que serve para que possa ascender nas categorias e níveis de grupos de estudo. Os horários de início e fim das reuniões são estritamente controlados e não devem ser modificadas, sejam por outros eventos de caráter pessoal ou mesmo feriados. Os passos rituais devem ocorrer na devida ordem e variações ocasionais devem ser justificadas a partir da doutrina, mas sempre evitadas. A justificativa é de que as atividades da casa têm participação do plano espiritual e os trabalhadores de lá têm horário marcado e tempo ajustado e limitado para participar.

5.4. Biblioteca e livraria (as letras espíritas e seu prestígio)

A biblioteca e a livraria são locais importantes se considerarmos sua existência tanto na União Espírita Paraense (UEP) (Bairro de São Brás), quanto no Centro Espírita Yvon Costa (São Brás) e no próprio Caminheiros. Nestes locais, nos quais pude realizar esforço etnográfico, a disponibilização destes espaços marca a importância da leitura e apreensão da doutrina através deste veículo privilegiado que é a leitura e a cultura literária espírita. Não são somente espaços de comodidade, mas são representativos do caráter de escola moral que direciona a razão salvadora que compõe a identidade pretendida pelo Espiritismo, mas efetivamente relacionada à construção da vivência espírita com implicações à doutrina da

disciplina espiritual com implicações para o corpo, se consideramos que a leitura implica em rotinas, práticas e posturas corporais específicas.

É interessante destacar que um dos eventos de maior visibilidade pública de atividades espíritas é a ―Feira do Livro Espírita de Belém‖ (organizada desde 1990), patrocinada pela União Espírita Paraense, feira muito divulgada realizada na Praça da República, no centro de Belém, no mês de dezembro, com público de frequentadores bem significativo, sendo espaço mesmo de encontro da comunidade espírita em torno dos livros produzidos em nome da chamada doutrina dos espíritos.

Foto 31. A biblioteca do centro espírita. A biblioteca nesta foto está arrumada para que durante