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L’estudi de les seqüències seques i el seu abast territorial

Antecedents i estudis genèrics

5. L’estudi de les seqüències seques i el seu abast territorial

Os spin doctors possuem geralmente duas origens: ou provêm da política ou do jornalismo. Os primeiros conhecem melhor os partidos e o seu funciona- mento, enquanto os segundos estão mais familiarizados com os media e o seu funcionamento. Ambos os back-grounds são importantes para a função.

Os jornalistas que cobrem a política são, em geral, cépticos acerca dos spin doctorsmas sabem que precisam deles para poderem penetrar nos bastidores de uma campanha. Os spin doctors, por seu turno, pretendem controlar a informação publicada.

Estudos realizados por Esser et al. (2007) e Jones (1996; 1997) identifi- caram referências a spin doctors em notícias sobre campanhas eleitorais no Reino Unido e, em muito menor escala, na Alemanha. Nesses estudos, os au-

tores apontam diferenças na comunicação política e na cultura jornalística dos dois países relativamente à importância e influência dos spin doctors, maior no Reino Unido do que na Alemanha.

Para Esser et al. (2007), um dos sinais de presença de spin doctors é a existência de notícias políticas sem menção da fonte. Em Portugal não exis- tem estudos que permitam identificar a presença de spin doctors explicita- mente mencionados como tal, sendo igualmente rara a referência a agências de comunicação como fonte de notícias e, embora menos rara, a assessores como fontes de matérias publicadas.1 Contudo, alguns dados sobre a cober-

tura da actividade política em Portugal, em período eleitoral e fora dele, per- mitem extrair algumas ilações sobre a presença ou influência desses agentes de comunicação. Dados obtidos em análises de conteúdo dos principais blo- cos informativos dos três canais generalistas de televisão – RTP, SIC e TVI – relativas a 2008, mostram que as fontes oriundas da área política nacional são a principal fonte de informação dos três blocos informativos2

Por outro lado, a informação não atribuída, no sentido em que não menci- ona explicitamente qualquer fonte de informação, é também saliente no con- junto dos três canais.3

No que respeita à imprensa, um estudo realizado por Serrano (2006: 361), abrangendo a cobertura de campanhas presidenciais de 1976 a 2001, num total de sete actos eleitorais, mostra que os staffs das candidaturas (sem identifica- ção em concreto) são a fonte mais frequente em todo o período analisado, chegando a ultrapassar 50%.

Ainda na imprensa e no que respeita a períodos não eleitorais, dados rela- tivos a 2006 mostram tendência idêntica em dois diários e dois semanários de

1Em Portugal, as referências à figura do spin doctor surgem geralmente em peças específi-

cas sobre agências de comunicação e assessores ou em artigos de opinião, onde a sua influência no jornalismo é reconhecida pelos jornalistas. Porém, no contexto de uma peça noticiosa rara- mente ou nunca são citados como tal.

2Essa tendência é ligeiramente mais acentuada na RTP1 e na TVI (correspondendo respec-

tivamente a 21,3% e 20,5% das fontes identificadas) e menos acentuada na SIC (14,3% das fontes do Jornal da Noite). In Relatório de Regulação 2008 (2009), Entidade Reguladora para a Comunicação Social, disponível em www.erc.pt.

3Essa tendência é menos comum na TVI (correspondendo a 13,1% das peças do Jornal

Nacional) e na RTP1 (16,1% das peças do Telejornal) e mais acentuada na SIC (26,8% das peças do Jornal da Noite). In op. cit.

referência – Diário de Notícias, Público, Expresso e Sol4. Estes dados, embora

não permitam identificar a presença e a influência de spin doctors nas notícias, apontam, por um lado, para um volume significativo de fontes não atribuídas na cobertura da política, indiciador da presença de spin doctors, e, por outro, para um jornalismo político muito dependente de fontes oficiais com capa- cidade para marcarem a agenda jornalística em período eleitoral e fora dele. De facto, como mostram os autores supra citados, a presença de spin doctors traduz-se quase sempre através da sua não identificação como fonte ou origem das notícias, levando os jornalistas a assumirem como suas as interpretações e enfoques que lhes são sugeridos ou, o que não é raro em Portugal, citando em discurso directo fontes não identificadas, quer através de reprodução ou citação (frase reportada em discurso directo) quer de transformação (o dis- curso não é reproduzido tal como foi produzido, sendo substituído por um enunciado próprio do jornal) (Serrano, 2006).

No já citado estudo de Serrano (2006: 356) sobre a cobertura das cam- panhas presidenciais, as peças sem citação dos candidatos crescem de 1976 a 2001, sendo que na segunda volta da eleição presidencial de 1986 o número de peças sem qualquer citação directa dos candidatos atinge 50%, aumentando na eleição seguinte e mantendo-se elevado até 2001, o que sugere que nas pe- ças jornalísticas a voz dos candidatos é substituída pela voz dos jornalistas, podendo admitir-se que os enquadramentos publicados correspondem à in- fluência de spin doctors (enquadrados ou não em agências de comunicação).

Porém, isso não significa que a voz dos candidatos tenha desaparecido das notícias, uma vez que ela surge em discurso directo quer em peças exclusiva- mente preenchidas com excertos de frases suas, sem qualquer enquadramento, quer em títulos que recorrem a metáforas de guerra, a acusações e a expressões depreciativas (Serrano, 2007: 366).

4Nos semanários, cerca de um quarto dos artigos do Expresso e do Sol tem informação não

atribuída no que se refere às fontes de informação, enquanto das fontes identificadas a grande maioria pertence à área da política nacional – 23,5% no Expresso e 19,6% no Sol.

Nos diários, as fontes identificadas mais frequentes são, no Diário de Notícias (21,9%), fontesda política nacional, a grande distância da segunda categoria de fontes – comunicação (10,2%) e das seguintes – economia, finanças e negócios (em 8%) e sociedade (em 7%). No Público, as mais frequentes pertencem por igual às áreas da política nacional, da comunicação (nomeadamente outros órgãos de comunicação social), da cultura e da ciência e tecnologia (cada uma com 13% de incidência sobre o total da amostra do jornal).In Relatório de Regulação 2006 (2007), Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Lisboa, Colibri.

4. A campanha eleitoral para autarquia de Lisboa em