• No results found

4. SUBJECTS AND METHODS

4.3 L ABORATORY ANALYSES OF BIOMARKERS

Tendo em conta a importância do aluno desempenhar, em sala de aula, um papel ativo na construção da sua própria aprendizagem, considerando-se que, quando chega ao contexto escolar, já é portador de ideias e conhecimentos, fruto das suas primeiras vivências, a presente investigação, procurou identificar as ideias dos alunos acerca das Plantas e compreender de que forma uma proposta pedagógica, constituída por atividades práticas e experimentais, pôde ajudar os alunos a evoluírem para ideias cientificamente mais corretas e completas, procurando-se responder à questão: “Qual a influência das

atividades práticas e experimentais nas ideias dos alunos do 2.º ano de escolaridade sobre Plantas?”.

Assim, os dados parecem mostrar que as atividades práticas e experimentais foram importantes para a aprendizagem dos alunos acerca das Plantas (diversidade de sementes, constituição da semente, influência da água e da luz na germinação de sementes, partes da planta e influência da água e da luz no crescimento de plantas) pois, verificaram-se que algumas das suas ideias evoluíram para ideias cientificamente mais corretas e completas.

No que concerne à diversidade de sementes, embora alguns alunos ainda confundam a parte com o todo (semente/planta), todos evidenciaram conhecer uma maior diversidade de sementes, bem como a sua forma, cor e tamanho, após a implementação da proposta pedagógica, o que parece revelar o impacte da mesma nas ideias dos alunos. Contudo, seria importante continuar a desenvolver estas atividades para que se pudesse ajudar os alunos a clarificar as suas ideias quanto às pequenas confusões entre nome da planta e nome de semente, característica identificada em alunos desta faixa etária, tal como nos refere Martins et al. (2007b).

94

Quanto à constituição da semente é de salientar que, no prés-teste, os três alunos, pareceram mostrar que não conheciam o interior de uma semente, nem identificavam as suas partes constituintes. No pós-teste, dois dos alunos apresentaram o desenho do interior da semente, identificando os termos cientificamente corretos, aquando da legendagem do seu desenho. Apenas um dos alunos manteve a sua ideia inicial, o que leva a uma reflexão acerca do que poderá não ter sido significativo, durante a realização da atividade, para este aluno. Talvez a observação do interior de uma semente não tivesse muito significado para este aluno, bem como a utilização dos termos cientificamente corretos para designar as partes constituintes da semente.

No que se refere à germinação, a proposta pedagógica parece ter tido efeito na compreensão deste conceito por parte de dois dos alunos. Contudo, realça-se a confusão existente entre germinação de sementes e crescimento de plantas, por parte das crianças, ao longo da proposta pedagógica. Apesar da evolução verificada nas ideias de alguns dos alunos, parece que este conceito poderá não estar claro para estes. Teria sido importante que, durante a proposta pedagógica, se comparasse, através da observação, o processo de germinação e o processo de crescimento de uma planta, onde as crianças enumerassem as principais diferenças e semelhanças entre estes dois processos.

Quanto aos fatores que influenciam a germinação de sementes é importante destacar que, após a implementação da proposta pedagógica, todos os alunos identificaram a água como fator indispensável à germinação. Relativamente ao fator luz, apenas um dos alunos o continuou a referenciar como sendo um fator necessário à germinação de sementes, apesar de se ter desenvolvido uma atividade experimental relativa à questão-problema “Será que a luz influencia a germinação de sementes?”. Estes resultados parecem estar de acordo com Martins et al. (2007b) que indicam que uma das conceções alternativas mais difíceis de alterar, se relaciona com o fator luz, como sendo um fator necessário à germinação. Relativamente aos materiais a utilizar para dar resposta a uma questão-problema dada, bem como o respetivo procedimento, importa realçar que todos os alunos identificaram mais material necessário à realização da experiência, no pós-teste, embora de forma incompleta. O procedimento a elaborar para dar resposta à questão-problema dada já evidenciou o controlo de variáveis por parte de dois dos três alunos. Estes resultados parecem mostrar que dois dos alunos conseguiram mobilizar um dos processos da ciência mais exigentes do ponto de vista cognitivo (identificação e controlo de variáveis), embora

95

se deve continuar a privilegiar o trabalho experimental em sala de aula. Importa referir que foi a primeira vez que a turma realizou atividades experimentais, no âmbito desta investigação.

No que respeita à planta e às suas partes constituintes, inicialmente, os três alunos desenharam uma planta. Contudo, os três alunos não apresentaram a legenda de todas as partes da planta, numa fase inicial. Após a implementação das atividades práticas, todos os alunos evoluíram nas suas ideias, pois legendaram todas as partes da planta, exceto um dos alunos que não legendou a flor. Talvez fosse importante, a existência de mais atividades práticas que possibilitassem aos alunos a observação de cada uma das partes da planta, bem como o seu desenho e respetiva legenda.

Quanto aos fatores que influenciam o crescimento das plantas destaca-se que todos os alunos, antes da proposta pedagógica, já identificavam a água e a luz como sendo essenciais ao crescimento da planta, parecendo que este conhecimento poderá advir de uma situação que os alunos vivenciam no seu quotidiano.

Concomitantemente às ideias anteriormente expressas, poder-se-á afirmar que as atividades práticas e experimentais parecem ter contribuído para a aprendizagem dos alunos, uma vez que, após a implementação das mesmas, as ideias dos alunos evoluíram para ideias cientificamente mais corretas e completas, tal como se explicitou anteriormente. Além disso, a realização destas atividades proporcionou aos alunos momentos, em sala de aula, onde estes tiveram oportunidade de desempenhar um papel ativo na construção da sua aprendizagem e desenvolverem não só os seus conhecimentos, mas também os processos científicos e as atitudes científicas (Afonso, 2008). Ao realizarem estas atividades, os alunos tiveram oportunidade de experimentar, manusear, pensar, refletir e expor as suas ideias acerca dos conteúdos que estavam a abordar, tendo- se mostrado bastante motivados com as atividades implementadas.