6. GENERAL DISCUSSION
6.2 EFFECT OF INTERVENTION
No dia 24 de fevereiro, teve início o 2.º semestre letivo, como tal nesse dia iniciei a minha prática pedagógica, em contexto de 1.º Ciclo, inserido no Mestrado em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Tendo realizado, no 1.º semestre prática pedagógica num 4.º ano de escolaridade, desta vez vou estar inserido numa turma de 2.º ano. Esta mudança de ano de escolaridade, constituiu a primeira grande alteração, que encarei com expectativa, pois a curiosidade, sobre que realidade viria a encontrar e como iria ser a adaptação ao contexto, era muita.
Esta primeira fase do estágio, foi dedicada à observação da turma, da escola, do meio e da comunidade educativa. Inicialmente a minha expectativa era grande, pois, quando se chega a um novo contexto, não sabemos o que nos espera, como vamos ser recebidos e como nos vamos adaptar ao contexto, no seu todo. Além da expectativa, existem também alguns receios, o meu maior receio tem a ver com a mudança de ano de escolaridade, pois, no 4.º ano os alunos são mais velhos, tem, por exemplo, maior responsabilidade e mais autonomia de trabalho, e no 2.º ano os alunos são menos autónomos, necessitam de uma maior atenção por parte do professor, e a abordagem tem que ser um pouco diferente.
Tendo em conta a mudança de contexto, o período de observação é bastante importante, na medida em que nos permite ter um contacto maior e mais próximo com a comunidade educativa, nomeadamente com os alunos, e onde temos oportunidade de nos integrarmos na turma. Desta forma, Estrela (2008, p. 57) “a observação continua a ser um dos pilares da formação de professores”, auxiliando o professor a:
i) reconhecer e identificar fenómenos; ii) apreender relações sequenciais e causais; iii) ser sensível às reacções dos alunos; iv) pôr problemas e verificar soluções; v) recolher objectivamente a informação , organizá-la e interpretá-la; vi) situar-se criticamente face aos modelos existentes; vii) realizar a síntese entre a teoria e a prática (p. 58).
Nesta fase de observação, optei por recorrer às notas de campo, a fim de registar as rotinas da turma, a forma de abordagem aos conteúdos por parte da professora cooperante e também sobre os alunos e as suas necessidades. Estes dados recolhidos foram importantes, tendo também em vista a caracterização que foi realizada sobre a escola e o meio em que está inserida.
Ao longo deste período de observação, foi possível perceber que os alunos têm muita liberdade em sala de aula, algo que foi novo para mim, pois no anterior contexto isso não se verificava. Neste contexto, os alunos com alguma frequência levantam-se do seu lugar para interpelar a professora, por exemplo, quando os alunos estão a realizar uma atividade individual, sempre que tem alguma dúvida ou terminam o trabalho, levantam-se do seu lugar e vão junto da professora para que o seu trabalho seja corrigido. Esta foi uma das aprendizagens que efetuei, e que me levou a refletir, pois enquanto aluno interveniente, terei de saber gerir esta liberdade dos alunos, terei
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de me adaptar à realidade em que estou inserido, de modo a que os alunos possam evoluir na sua aprendizagem.
Outro facto que constatei, e que se revelou uma aprendizagem, foi a necessidade de atenção que os alunos, nesta idade necessitam, no contexto anterior este facto também se verificava mas não de forma tão marcada como nesta turma. Este facto também me levou a refletir sobre como dar a devida atenção a todos os alunos, uma vez, que a turma é constituída por 26 alunos e por vezes é difícil dar a devida atenção a todos os alunos. Numa turma, não existem dois alunos iguais, cada um na sua individualidade, tem necessidades e interesses diferenciados e responder a todas essas necessidades, revela-se uma tarefa muito difícil, pois, como referem Gonçalves e Trindade (2010),
“Os professores devem ser sensíveis e abertos às características de cada aluno, de modo a proporcionar-lhes respostas diversificadas, para que todos consigam ter uma igualdade de oportunidades. Mas a igualdade de oportunidades pressupõe uma igualdade de acesso ao currículo e isso exige que os professores privilegiem uma diferenciação curricular e pedagogia diferenciada, ao longo de todo o processo ensino-aprendizagem do 1.º ciclo do Ensino Básico.” (p. 2063)
Assim, enquanto aluno interveniente terei de encontrar as estratégias adequadas, de forma a poder dar resposta às diferentes necessidades e interesses dos alunos, para que estes se sintam motivados e interessados na sua aprendizagem.
Ao longo deste período de observação, tive a oportunidade de interagir com os alunos, pois desde o primeiro dia a professora cooperante deu-nos liberdade para auxiliar os alunos na realização de tarefas e, esta interação permitiu-me conhecer melhor cada um dos alunos, percebendo quais aqueles que tem maiores dificuldades, os que tem menos dificuldades, de que forma interagem entre si, e foi uma aprendizagem constante este contacto, pois, por vezes os alunos necessitam de acompanhamento para terem mais confiança em si e no trabalho que estão a desenvolver. Relativamente aos restantes intervenientes, senti-me muito bem recebido por todas as pessoas, em particular pela professora cooperante, pois, é quem comigo tem maior contacto, colocou-me sempre à vontade para qualquer esclarecimento.
Por fim, estas duas semanas foram dedicadas à observação, sendo apenas o início de uma caminhada, que ainda tem muito por descobrir e aprender, pois, todos os dias haverá algo novo por descobrir, e como professor há sempre muito a aprender com as crianças.
Referências bibliográficas:
Estrela, A. (2008). Teoria e Prática de Observação de Classes: Uma Estratégia de Formação de Professores (4ª edição). Porto: Porto Editora.
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Gonçalves, E. & Trindade, R. (2010). Práticas de Ensino Diferenciado na Sala de Aula: “Se diferencio a pedagogia e o currículo estou a promover o sucesso escolar de alunos com dificuldades de aprendizagem». In Debater o currículo e seus campos: políticas, fundamentos e práticas: actas do IX colóquio sobre questões curriculares/V colóquio Luso-Brasileiro. Acedível em (http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/35075/2/69716.pdf).
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