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Lønnsspredning etter sektor og forskerstatus

3. Lønnsforskjeller mellom forskere og andre

3.5 Lønnsspredning etter sektor og forskerstatus

O grupo GAIA (Grupo pela Autonomia e Integração do Adolescente) foi nossa epopéia. Uma obra construída por pessoas valorosas e conscientes de sua atuação na história humana.

Através do atendimento isolado, fomos paulatinamente sensibilizando os adolescentes da necessidade do grupo. Nesse processo, toda a metodologia já mencionada foi a engrenagem da ação que levou do individual para o coletivo.

No início eram o técnico e aproximadamente 15 adolescentes. Nada possuíamos de recursos e nos encontrávamos numa sala cedida pela administração da Rodoviária Velha da Cidade de Taubaté.

Vivenciamos ali todo o processo de formação de um grupo, ou seja, desde a identificação entres os participantes até o trabalho operacional de todos. Conseguimos isso porque saímos da situação de indiferença para o estabelecimento de uma relação de igualdade humana, conforme Makarenko.

Das discussões realizadas, ficava clara a todos não só a realidade vivenciada, como também a necessidade de enfrentar os percalços da vida. Mais ou menos ‘o que vamos fazer com o que fizeram conosco’.

Resolvemos formar um grupo de monitores, agentes multiplicadores da formação que estávamos realizando no grupo.

O trabalho árduo e coletivo fortaleceu o grupo e outras pessoas se vieram somar. Vieram uma assistente social, uma psicóloga, uma pedagoga e uma agente da pastoral

do menor. Todas seguiram e começaram a aplicar a metodologia então existente no grupo.

Em todos os encontros, seminários e reuniões, usávamos a maiêutica para o esclarecimento do contexto e do trabalho que estávamos realizando com os adolescentes. Com isso, fomos montando uma estrutura e desmistificando a questão do adolescente em conflito com a lei no município.

Ressaltamos que os adolescentes organizaram internamente o grupo e tomaram consciência de seus papéis em relação à mudança de si e à responsabilidade para com o outro. Um deles chegou até a sugerir que montássemos uma guerrilha como forma de luta. Isso para nós vislumbrava o trabalho que adquiria patamares superiores.

Com isso, íamos obtendo outros recursos e o reconhecimento da comunidade, inclusive do Promotor Dr. Antonio Carlos, que se configurou um parceiro na luta pelos direitos dos adolescentes.

Mais tarde, montamos um roteiro de palestra, nas quais os adolescentes participavam como debatedores. Já expressavam suas idéias de forma clara e precisa. Foram várias palestras realizadas em diversos órgãos do município, tais como escolas, Guarda Mirim, SENAC, SESC, etc.

O roteiro foi fruto da dinâmica do trabalho em si e da compreensão dos adolescentes ao discutir um assunto tão complexo a partir da realidade ocultada pela ideologia dominante. Damos como exemplo o tema “Drogas e Violência, quais os seus significados?”, que aborda as categorias necessárias para um processo revelador das mediações existentes nas relações sociais que permeiam esse mundo. Portanto, assim o construímos:

• O que é droga?

Um apanhado geral do conhecimento dos jovens a respeito das drogas e suas conseqüências. Nesse módulo os jovens são convidados a expressar suas opiniões.

• Propósito da palestra.

Aqui esclarecemos que vamos refletir se existe algo mais complexo a respeito das drogas, alguma coisa que não é perceptível no primeiro momento. Qual o pano de fundo que permeia a questão das drogas.

• O que é a sociedade?

As drogas são um produto social, por isso temos que analisá-las inserido-as no contexto da sociedade.

• O que é necessário para sobrevivência?

Estabelecemos aqui uma relação das necessidades humanas.

• O que é trabalho? Quem trabalha?

Buscamos nesse momento apreender a importância das atividades humanas (o trabalho), que é o elemento criador de toda riqueza material. É a valorização do ser humano trabalhador como o responsável pela preservação da vida.

• O que é divisão da riqueza?

Trata-se de uma reflexão sobre a concentração da riqueza e suas conseqüências sociais.

• O que é o controle social pelo sistema repressivo?

Quem são e como atuam os órgãos responsáveis pela “segurança da população.”

• Quais são os outros elementos do controle social (drogas)?

Para finalizar discorremos sobre quais são as funções das drogas na nossa sociedade.

A síntese desse trabalho está diretamente relacionada aos esforços e ao amadurecimento do coletivo, que, paulatinamente, ia se consolidando através dos avanços no processo de consciência dos adolescentes. Todos passaram a ser comandantes e comandados nessa experiência de exercer um papel de destaque frente a nossa tarefa de socializar o conhecimento que apreendíamos nas atividades do grupo. O uso coletivo da maiêutica culminou numa poesia que, para nós, foi a expressão do método e de todo o trabalho educativo, além da certeza de que é possível uma atividade profissional criativa e libertadora, mesmo nos ditames das relações capitalistas, desde que estejamos abertos para atuarmos na lógica dialética.

Ser ou não ser Eis a questão. Drogas! Usar ou não usar

Eis a questão. Antes, lhes pergunto: O que são mesmo as drogas?

Ah! Uma substância. Não só uma substância, Algo concreto que eu possa tocar, consumir, usar.

Uma mercadoria que posso comprar. Mercadoria que necessita alguém para fazer E para levá-la ao mercado para ser vendida. Oh! Agora sim, eu sei o que é uma droga.

Droga é dinheiro.

Pois as mercadorias são vendidas Para se transformarem em dinheiro.

Então se eu fumar o dinheiro, não vai ser a mesma coisa, Pois as drogas não são feitas com o objetivo de se ganhar dinheiro?

Meu Deus! Diga-me a verdade. Estou numa confusão,

Preciso saber mais sobre um assunto tão difícil e complexo. Pensei que, ao usar a droga,

Eu estivesse realmente usando uma mercadoria Que satisfaça todo minha fantasia E que por alguns segundos me faça viajar

Mas ao olhar as drogas mais de perto, Percebo que não a uso e sim ela é quem me usa A cada tragada, a cada cheirada, a cada lambida,

Satisfaço em primeiro lugar

A necessidade das drogas de serem vendidas, De serem comercializadas, de enriquecerem pessoas

Entretanto, estes usam aviões e jatinhos particulares Para suas viagens e consomem: chester, peru, caviar....,

As melhores roupas, os melhores alimentos, os melhores vinhos, champanhe, etc.

Com a exposição da experiência e dos resultados obtidos, poderíamos concluir, de certa forma, a validação de nossa pesquisa. Todavia, buscamos demonstrar em seguida, dinamicamente, a aplicação da técnica a um grupo de famílias dos adolescentes inseridos em Liberdade Assistida na Cidade de Santa Branca.

5.5 - OFICINA COM AS FAMÍLIAS DOS ADOLESCENTES

Em primeiro lugar, esclarecemos que esta parte da pesquisa foi realizada na Cidade de Santa Branca com a participação das famílias dos adolescentes inseridos na medida de Liberdade Assistida e as famílias do Programa Renda Cidadã da Secretaria de Assistência Social do Município. Nessa oficina contamos com a presença de 25 pessoas. Desde o início foi solicitada autorização para que filmássemos o curso e para que algumas pessoas pudessem colaborar respondendo por escrito a uma pergunta que seria procedida no final. Salientamos, também, que contamos com o auxilio da assistente social da Secretaria que foi anotando as falas e reações das pessoas durante o curso.

A montagem dessa oficina teve por fundamento a reflexão de que todo conhecimento deriva de uma prática em um contexto concreto, assim como tal prática é parte de manifestações sociais. Assim, uma prática humana, uma ação social concreta, histórica, possibilita uma reflexão, uma abstração teórica, nela baseada, que será também base para futuras ações transformadoras e novas sínteses teóricas. Portanto, trata-se de um processo ininterrupto de ações e sínteses sucessivas.

Para nós, a afirmação, na ação política geral, da anterioridade da prática, é a confirmação do princípio materialista do método, ou seja, da antecedência do concreto em relação à representação abstraída desse concreto na forma de teoria. Dessa maneira, partimos de uma realidade aparente, daquilo que os indivíduos conhecem e

trazem de sua experiência cotidiana, porque a prática educativa é, para nós, um momento da prática política geral. A particularidade desse momento está na sua tarefa específica de refletir, superar a aparência das coisas, buscar compreender a realidade (seja da sociedade ou do movimento ou da organização onde se atua) para transformá- la, produzir saltos de qualidade na eficácia de nossa ação.

Nesta oficina em que foi tratada a dinâmica da fábrica, partimos de uma pergunta que suscita, em um primeiro momento, que as pessoas expressem seu conhecimento aparente da realidade social. Nosso objetivo é refletir com os participantes quais indicativos a própria realidade apresenta, na sua forma concreta de explicitar. Por isso, a questão – Que país é este? – possibilita respostas e opiniões que devem ser dirigidas por uma didática. Em nosso caso, utilizamos a figura de um extra terrestre que vem visitar nosso país e perguntamos o que ele vai ver ao visitar os locais indicados por nós.

“No meu bairro ele vai ver casas, gente trabalhadora e pobreza”.

“Ele vai ver favelas, muitas pessoas desempregadas, esgoto a céu aberto...”

“Vai ver barracos, miséria, fome e moradores de rua”.

As respostas são trabalhadas no sentido de esclarecer com o máximo de detalhes a forma aparente do que estamos discutindo, portanto, questionamos o que significam as representações que vão surgindo, como: favelas, barracos e pobreza. Bem como, seu contraste:

“Nesse bairro ele vai ver carros importados, mansões e gente bonita”

“Vai ver seguranças, limpeza, gente bem vestido, etc.”

Sendo assim, logo concluímos com os participantes que a realidade social que o ET acaba de ver e discutir trata de um enorme contraste; ao separarmos na lousa as respostas, as pessoas visualizam suas próprias conclusões:

Carros importados Carros velhos Mansões Barracos

Gente bonita Moradores de rua Fábricas Trabalhadores Terras Favelas

Temos de imediato o que buscamos nessa trajetória, a revelação da questão da concentração da riqueza, ou seja, um país de uma enorme desigualdade social. Um fenômeno que as pessoas tentam justificar com seu arcabouço de respostas baseadas no senso comum:

“O país é assim porque as pessoas não sabem trabalhar direito”.

Mesmo não sendo filósofos profissionais e não desempenhando na sociedade a função de intelectuais, todos pensamos a realidade, nem que seja a partir apenas dos limites e das características de uma filosofia espontânea. Essa filosofia reúne de forma acrítica, desordenada e contraditória uma mistura de elementos que incorporam os mais variados aspectos das concepções de mundo, presentes e passadas, de todos os setores sociais.

Ainda no plano das aparências, estamos utilizando do processo de exortação do senso comum e, para tanto, nosso próximo passo é a questão de como se dá o processo de concentração de riqueza, ou seja, como se fica rico. Seguindo o método, perguntamos para as pessoas sobre a história de alguém conhecido, por exemplo, Sílvio Santos. Assim, logo aparecerão as categorias necessárias para a continuidade do processo da maiêutica.

“Ah! Sem dúvida é pela sorte”.

“O que explica alguém ficar rico é porque ele foi inteligente e esforçado”.

O parto do senso comum aqui é algo fundamental para o questionamento dos elementos que compõem a ideologia dominante que justificam e reforçam uma realidade que oculta e naturaliza as verdadeiras causas dos fenômenos sociais. É importante pontuarmos que cada categoria que aparece – trabalho, sorte, inteligência, esforço, herança, roubo – será discutida. É o momento em que, já realizada a exortação do senso comum através do diálogo, vamos colocá-lo em contradição. Isso significa levar as questões que façam as pessoas refletirem sobre suas respostas e verificarem que as mesmas não explicam de fato as causas de uma realidade que, embora se faça aparente, necessita ser analisada.

Diante das provocações, o senso comum tenta resistir e alguns sentimentos aparecem na forma de revolta, orgulho e de posições inconformadas com as novas questões. Como exemplo, ao expormos que milhares de pessoas trabalham, que são tantos os que dedicaram uma vida inteira ao trabalho e hoje estão aposentados, não se tornaram ricas. Outro questionamento que mexe com os participantes é a pergunta: não somos inteligentes e esforçados por não termos ficado ricos?

Uma vez esvaziadas as indagações e as certezas, o grupo se vê diante de uma realidade para a qual não tem resposta e se pergunta: se não é isso, o que é então? Nessa hora abre-se o diálogo sobre a necessidade de estudarmos, de analisarmos a realidade e o fenômeno da desigualdade social. Aplicamos então a dinâmica do triângulo, em que perguntamos quantos triângulos possui a figura ilustrada abaixo:

Mediante várias respostas, desenhamos o triângulo na lousa e destacamos aqueles que possivelmente não foram encontrados, concluindo que existem 47 triângulos explicando como chegar a eles. Concluímos com o grupo que a única maneira de chegarmos aos 47 triângulos é refazendo toda a figura, ou seja, decompondo e recompondo cada triângulo, de forma a entender todo o processo em questão. Assim devemos fazer para buscar resposta sobre: como surge a riqueza nas mãos de poucos e a maioria permanece sem nada ou com quase nada? Propomos, então, a dinâmica da fábrica.

Propomos um personagem (o bom patrão) para tentar investigar como ele ficou rico. Supõe-se, então, que ele vai montar uma fábrica. Exortamos as pessoas a indicarem os elementos necessários para a construção de uma fábrica de sapatos. Logo aparecem os três elementos necessários para a fábrica: o prédio, a matéria-

prima e as máquinas.

A partir do exposto, dividimos a turma em três grupos e pedimos que cada grupo descreva a história de cada um dos elementos necessários para que a fábrica funcione. Durante a exposição dos grupos vamos reforçando a idéia de que, em toda a passagem (por exemplo, do barro para o tijolo, do tijolo para o prédio, etc) há sempre trabalhadores. Se algo foi feito, alguém fez. Destacamos afirmações do tipo – “o minério saiu da terra”, “o produto foi levado” – mostrando como na voz verbal passiva desaparece aquele que trabalhou, oculta-se seu real ‘agente’. Passamos o vídeo “Origem da riqueza” reforçando a percepção de que:

• A riqueza é fruto do trabalho;

• Tudo o que tem valor vem do trabalho;

• A riqueza que o patrão diz que ele tem para começar a fábrica é o trabalho de muitos que foi parar na mão dele.

Considerando que se trata de um público iniciante, passamos então a colocar alguns pontos chaves para a definição do valor.

• Valor é a quantidade de trabalho abstrato socialmente necessário para a produção de mercadorias;

• Quanto mais trabalho, mais valor;

• O valor de uma coisa se mede pela quantidade de trabalho que ela possui;

• A quantidade de trabalho se mede por horas, o que, na nossa sociedade é expresso por dinheiro.

Visto isso, assumimos a figura do patrão, questionando as explicações dadas por alguns que vincularam a acumulação de riquezas ao roubo e à sacanagem. Por isso propomos a história de um empresário extremamente “honesto” e pessoalmente muito bom, que:

− não rouba ou infringe qualquer lei;

− cumpre os compromissos assumidos;

− realiza uma gestão transparente e participativa com seus funcionários.

Como parte da turma acreditava que tinha resolvido o problema com a afirmação do roubo, afirmamos que, em verdade, existem aqueles que acabaram ricos comprando mais barato e vendendo mais caro, sendo esta, aliás, uma forma que o senso comum vivencia a cada dia no comércio, por exemplo. Mas isso seria desonesto, pois implica em vender algo acima de seu valor, ou pagar menos do que uma coisa vale. Fechamos com o grupo que em nossa história havia um princípio:

“Comprar pelo valor e vender pelo valor”

Estamos prontos para fazer funcionar nossa fábrica e nos propomos a empregar os participantes; pedimos que eles realizem uma assembléia e que definam em que condições desejariam trabalhar. Abre-se uma negociação a respeito de qual deve ser o valor da força de trabalho, dos benefícios e da jornada de trabalho. É interessante observar algumas posturas durante os exercícios. Enquanto alguns reivindicam calorosamente um salário alto, outros se conformam com um salário base

para uma linha de produção. Começamos com a negociação dos benefícios e acatamos tudo o que o grupo pediu: vale transporte, vale refeição, convênio médico (com a intermédica) e bolsa de estudo. Discutimos o assunto e acrescentamos creche e participação nos lucros. As respostas foram imediatas:

“Esse patrão é muito bonzinho”.

“Você está querendo alguma coisa, até lembrar a gente de coisas você lembrou”.

Para finalizarmos, negociamos então o salário e a jornada de trabalho. O grupo decidiu por um salário de R$1.500,00 e uma jornada de 08 horas diárias. No entanto, houve controvérsias entre pessoas que acharam que o salário deveria ser de R$ 800,00, pois se trata de uma linha de produção e é isso o que estão pagando no mercado. O grupo reagiu espantado quando fechamos com um salário de R$3.000,00 e uma jornada de 06 horas.

“Eu não disse que este patrão está com história?”

“Não vai dar certo, a fábrica vai falir”.

“Minha vida vai mudar completamente com este salário, mas eu não acredito que o patrão vai conseguir”.

Feito isso, as pessoas da turma se converteram em trabalhadores em um dia de trabalho. Distribuímos, então, uma folha em branco; para cada um esta folha representava a matéria prima a ser trabalhada naquele dia. A folha foi dobrada e cortada de tal maneira que saíram 20 retângulos. Cada um representando um par de sapatos. Definimos com o grupo o valor do par de sapatos. Em nosso caso, avaliamos com os participantes quanto vale um bom par de sapatos, lembrando que deve ser tão

bom, ou melhor, do que aqueles que têm no mercado, mas ser vendido a um preço menor para ganharmos a concorrência. Assim, concluímos pelo valor de R$50,00.

Cada um ia dobrando e cortando os pedaços de papel. A produção ia sendo recolhida em sacos não transparente (para que os participantes não tivessem a idéia do total produzido, pelo menos visualmente) reafirmamos a condição de “bonzinho”; se queriam música enquanto trabalhavam; que não deveriam correr, que deveriam fazer um produto bem feito, pois não tínhamos pressa: que somos parceiros e não somos capitalistas selvagens...etc. Buscamos ouvir novamente os comentários que surgiam... “não vai dar certo”... “vai falir”. Patrão assim não pode existir.

Depois de recolher tudo, destacando e elogiando os que iam acabando primeiro, aqueles que cortam e dobram com mais cuidado, recomendando que fossem solidários e não competitivos, reafirmamos nosso compromisso de transparência abrindo a contabilidade.

Começamos por mostrar o saco que continha 30% da produção, o que correspondia ao capital constante, ou seja, à parte necessária para repor a matéria prima, o desgaste do prédio e das máquinas, enfatizando que tal porcentagem eram dados de pesquisas realizadas no mercado por grandes empresas, como a Embraer.

Passamos, então, ao pagamento dos salários, entregando a cada ‘trabalhador’ dois pares de sapatos que correspondiam a R$100,00 que, no final do mês, seria o equivalente a um salário de R$3.000,00.

Antes de abrirmos o terceiro saco, perguntamos ao grupo, o que eles fariam com um salário desse?

“Eu compraria um carro”.

“Eu compraria uma casa”.

“Eu iria viajar, comer bem, vestir bem, dar uma boa educação para meus filhos”.

Pois bem! Como prometido, começamos a tirar os papéis do saco, um montante de dinheiro que deixava claro o contraste do lucro do patrão com relação aos seus

salários. Fomos mencionando que o patrão com todo aquele dinheiro poderia comprar todos os bens que eles disseram e ainda mais. Poderia também montar outra fábrica para aumentar seu lucro. Cabe ressaltar, que as reações foram diversas, dentre elas, notamos: revolta, desânimo, perplexidade, etc...

Como se trata de um seminário básico sobre o funcionamento da sociedade, buscamos explicar a essência do que aconteceu. Dizemos que o trabalhador, ao utilizar os instrumentos e meios de trabalho transformando a matéria prima, transferiu seus valores ao produto final. Mas para fazer isso, despendeu uma nova quantidade de trabalho gerando um valor novo. Esse valor novo é muito maior do que o valor da própria força de trabalho. Assim:

“A força de trabalho é capaz de gerar mais valor que o seu próprio valor”

Na jornada de trabalho o trabalhador produziu o valor de sua força de trabalho e continuou trabalhando, pois sua jornada era de 6 horas. Essa diferença entre o valor da força de trabalho e o valor que essa força é capaz de produzir gera um valor a mais que recebe o nome de mais-valia.

Por último explicamos que o sapato foi vendido pelo valor, pois a força de