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Betydningen av fagfelt og geografi for

3. Lønnsforskjeller mellom forskere og andre

3.3 Betydningen av fagfelt og geografi for

Para Baptista (2006), no decorrer da história dos profissionais assistentes sociais ocorre um acúmulo de conhecimentos teórico-científicos, acumulando um patrimônio específico de técnicas e de instrumentais. Constitui-se então um saber, produzido no âmago da profissão, que vai desde as ações individuais dos profissionais à construção coletiva desse saber.

Não poderia ser diferente o que apresentamos nesse trabalho; trata-se de uma experiência acumulada durante anos de prática no acompanhamento de adolescentes

em conflito com a lei. Nesse sentido, é através do relato dessa prática que buscaremos demonstrar o processo em que vamos apropriando e transformando o método socrático.

Em meados do ano de 1998, assumimos o trabalho com 80 adolescentes e seus familiares na Cidade de Taubaté, onde atendíamos numa pequena sala na rodoviária velha. Não havia qualquer tipo de recurso e tudo necessitava ser construído. Ali iniciava o desafio de um técnico diante de uma realidade intensa, permeada pela cultura da indiferença e da desresponsabilização do Estado frente à política de atendimento a esses adolescentes.

Por outro lado, não podemos nos eximir de colocar que, além do contexto social, tínhamos a “colaboração” de uma técnica, também assistente social, que tentou nos moldar à sua velha forma de atendimento, pautada na mais clara expressão do que Gramsci chamou de visão conservadora, bizarra e desagregada. Era uma verdadeira prática do vigário, com direito a sermões e absolvições do ato cometido pelo adolescente. Como a sorte pode piorar, essa técnica mais tarde veio a se tornar coordenadora, dando origem a um período de dinastia no posto.

Tudo bem! Hegel já falava que na história humana teríamos muitos momentos em que seríamos governados por meliantes, que dirá na sociedade capitalista, onde a prostituição é deliberada no cerne das relações de poder. Dessa forma, tivemos ainda alguns personagens na direção que vieram completar o cenário da festa capitalista, ou seja: um “palhaço”, um “caubói” e algumas “colombinas”.

Em contrapartida, tivemos companheiros valorosos. Cito, por exemplo, o técnico Analto Galvão, fundador da Liberdade Assistida Comunitária no Vale do Paraíba. Foi um grande aliado nas discussões, percorrendo durante um período os mesmos caminhos e trajetórias, como também, e sobretudo, as mesmas perseguições políticas.

É importante registrar essas passagens, pois têm forte influência no nosso processo de formação política e, conseqüentemente, no fortalecimento cada vez maior de nossa convicção frente à necessidade de contrapor o racionalismo tecnocrático ao trabalho com os adolescentes. Por isso, raros foram os momentos em que fomos reconhecidos na Fundação Casa. Dentre esses momentos podemos citar o período em

que trabalhamos na Cidade de Guarulhos, onde os técnicos e a coordenadora compreenderam nossa intransigência em enfatizar o aspecto socioeducativo.

Toda essa vivência implica em concluirmos que a transformação da realidade, e até mesmo da vida pessoal, está condicionada ao trabalho. É no processo de trabalho que o homem transforma o meio em que vive, como também se transforma, sendo esse movimento o fator que possibilita ao ser humano a superação de suas próprias criações.

No tocante ao trabalho direto com os adolescentes, podemos citar que nossa prática sempre teve como pilar a filosofia Makarenkiana, determinando em todos os sentidos as intervenções técnicas e pedagógicas. Era o contraponto para resistirmos ao controle social e repressivo do Estado capitalista.

Mas como transmitir e proporcionar um espaço nessa direção? Como efetivar o protagonismo dos adolescentes frente à realidade atual, numa perspectiva Makarenkiana? Isto foi um processo gradativo que vivenciamos a cada dia de trabalho com esses notáveis seres com inesgotáveis potencialidades.

A cada entrevista identificávamos a necessidade de uma abordagem crítica e política. O diálogo com os adolescentes e familiares apresentavam sempre cenários comuns de violência e marginalização. Percebemos a importância do que conversávamos com as pessoas e como conversávamos! Questionávamos o que os profissionais realizavam efetivamente em seus atendimentos. Concebíamos que uma intervenção sem a intermediação da situação vivenciada a um contexto maior e complexo, não contribuía para o amadurecimento e a emancipação humana.

Ao trabalhar com adolescentes em conflito com a lei, cabe ao educador desenvolver ações educativas numa perspectiva solidária – não apenas pessoal, mas também e, fundamentalmente, social – com o educando. Essa solidariedade está estritamente vinculada à sua dimensão política e, por seguinte, à sua dimensão histórica. (COSTA, 2006, p. 76).

Participamos de inúmeros encontros, seminários e cursos, sem esquecer das Conferências dos Direitos da Criança e do Adolescente. As discussões giravam em torno do que era prioridade, por exemplo, o combate à violência, a educação, o trabalho, etc. Contudo, nunca se tocou efetivamente nas questões relativas às

estruturas sociais e às relações de poder – não é surpresa o esvaziamento político que perdura no dia-a-dia do trabalho com os adolescentes.

Durante esse tempo, percebemos que nunca houve um projeto pedagógico na Fundação. Nunca o atendimento aos adolescentes foi priorizado. Todos os encontros e discussões correspondiam à racionalização burocrática e legalista, as coisas eram postas na lógica formal. Pouco se mudou nos dias atuais; vemos muitos tecnocratas discursarem meios para a organização, ou seja, a maneira mais eficaz de controle social, uma tautologia fundamentada em leis que não garantem há décadas os direitos dessa população.

Sabemos que o trabalho com o ser humano deve ser extremamente pedagógico e criativo. A formação do homem traz em si mesmo a impossibilidade de um trabalho que não seja na direção da libertação de sua alienação.

Através de uma teoria social revolucionária, com a aplicação de um método que viabilize um processo pedagógico libertário, é possível criar estratégias e instrumentais que possibilitem ao indivíduo realizar um processo de avanços para uma consciência crítica que, para nós, significa o processo de consciência de classe.

Por exemplo, a interpretação da medida socioeducativa é um procedimento obrigatório para os educadores que trabalham com os adolescentes. É na sua essência o primeiro contato com o adolescente e sua família, portanto, tem suma importância para o todo do atendimento que se estenderá por seis meses ou mais.

Não é exagero apontarmos a padronização legalista e formal em que tem acontecido essa etapa do atendimento. Infelizmente, muitas vezes tal prática se resume apenas no esclarecimento da medida, na apresentação do projeto e no preenchimento de dados.

Para nós, é imprescindível iniciar o acompanhamento do adolescente diferenciando essa ação das outras situações pelas quais que ele passou, por exemplo, o espancamento na polícia e os sermões que ocorrem no Fórum.

Nesse sentido, através de uma teoria social crítica e de um método também crítico, demos uma forma dinâmica ao processo de realizar a interpretação da medida. A utilização da maiêutica, buscando superar o senso comum, colocava desde início um

movimento emergente que fazia todos participarem de um diálogo em que as contradições do contexto social vivenciado eram colocadas à tona.

5.3 - A INTERPRETAÇÃO DA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA: UM EXEMPLO DA