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7. Kvalitativ analyse

7.4. Rektorene – implementeringsansvarlig på skolen

7.4.1. Lærerne: Fra instruks til oppslutning

passado e começo desse século trouxe a necessidade do surgimento de grandes centros hospitalares que passaram a monopolizar não só o trabalho médico, mas também, as pesquisas clínicas da área médica. Por conta dessa tecnologia e do aparelhamento adequado dos hospitais, puderam os médicos cirurgiões se atrever a cirurgias de maior amplitude e risco, bem como os clínicos a tratar patologias que exigiam controles mais intensos e mais intervencionistas.

Por volta dos anos 20 nos Estados Unidos e dos anos 30 na Alemanha, surgiram nos hospitais as chamadas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), inicialmente destinadas a dar suporte pós-operatório aos doentes submetidos a neurocirurgias. A mola propulsora dessas unidades de terapia intensiva foi o aparecimento dos respiradores artificiais ou de respiração assistida que resolviam o problema da insuficiência respiratória, comum em uma série de complicações decorrentes de doenças graves, e grande ameaça à vida do doente. A necessidade

de controle sistemático desses aparelhos acabou levando ao surgimento da UTI, hoje fazendo parte do cotidiano tanto do médico quanto do doente.

Em função de seu objetivo primordial – atenção ininterrupta do paciente vinte quatro horas ao dia – as UTIs apresentam uma série de características que as diferenciam do restante do hospital. Suas instalações são desenhadas de forma a destinar a cada doente um espaço restrito, de fácil acesso, voltado para uma central de controle da enfermagem. O ambiente é barulhento por conta da movimentação contínua de profissionais e do ruído próprio dos aparelhos que se mantém ligados continuamente; a luz permanece acesa 24 horas ao dia, impossibilitando, muitas vezes, o paciente de ter ciclos regulares de sono ou mesmo distinguir o dia da noite. A maioria dos pacientes chega a perder a noção do tempo e mesmo da temperatura mantida, aliás, artificialmente dentro de limites exigidos para o bom funcionamento dos aparelhos.

A necessidade de trabalho em equipe envolvendo profissionais das mais diversas origens e formação é apanágio do atendimento em UTI Conflitos de interesses e mesmo vivências e percepções diferentes dos profissionais podem acabar gerando mal-entendidos e mesmo agressividade, manifesta ou não.

Di Biaggi (2001), em tese de mestrado, aponta que as relações humanas dentro das terapias intensivas também se dão de forma diversa do que no restante do hospital. O doente internado na UTI é sempre um paciente grave e em risco, o fantasma da morte ou da seqüela está sempre presente. Muitas vezes sedado, em coma, desacordado, com dores intensas, sem poder se mexer ou até sentar-se, entubado ou em respiração assistida, privado de água e de alimentação por boca, sem mesmo entender direito o que está acontecendo, com privação de sono, com cânulas endotraqueais, monitorização permanente sonora, desconfortável, o doente

está literalmente impossibilitado de manter um contato médico-paciente através da fala, o que, em geral, traz grande desconforto ao médico assistente e mesmo aos outros profissionais da unidade. Em outras ocasiões, o contato médico-paciente é, ao contrário, muito mais intenso que nas internações em outras partes do hospital, dado que o médico só abandona a UTI, na medida que outro médico o substitua. Vinte quatro horas ao dia o paciente tem médico e todo staff da terapia à sua disposição. A família, por sua vez, participa ativamente de todo movimento da UTI Ao paciente cabe entregar corpo e tudo mais que significa controle da existência para a equipe de saúde. Os profissionais assumem esse paciente e passam a responder por ele. A família, cuidadora oficial, entregará, de forma muitas vezes não muito amistosa, o paciente, mudará seu rumo de conduta e terá de se adaptar à nova situação. A família ressente-se da “perda” imediata e a equipe tem que se responsabilizar pelo “paciente grave”. Cabe ao paciente, por sua vez, ter uma relação de confiança e respeito com o médico intensivista e enfrentar uma experiência que o obrigará a viver condições de difícil tolerância psicológica. A relação médico-paciente-família e o reconhecimento do paciente como “ser humano” passam a ser prioritários na prevenção de seqüelas emocionais importantes.

Di Biaggi (2001), se reporta a Bongard e Sue (1994), para se referir a um trocadilho em inglês com a denominação Intensive Care Unit, , transformada por médicos americanos para Intensive Scare Unit, ou seja Unidade de Medo Intensivo.

A mesma autora, citando Hansen-Flaschen (1994), chama a atenção que alguns intensivistas, ao priorizar o trabalho de “salvar vidas” no seu cotidiano médico, acabam menosprezando o desconforto e o sofrimento pelo que passam os pacientes, o que os leva a sedar os pacientes sem critérios muito definidos. Dessa

forma, a leitura do processo de sofrimento passa a ser mais física, negando os aspectos mais subjetivos e emocionais relatados pelo paciente.

As UTIs pediátricas e neonatais surgiram a partir dos anos 60 frente à necessidade de se prestar atendimento especializado a crianças gravemente enfermas. Da mesma forma que no caso dos adultos, e talvez de maneira mais intensa, a criança internada em UTI experimenta grande sofrimento físico e psicológico causado pela doença aguda vigente. A separação de seus pais e a internação em ambiente estranho geram medo e angústia que podem ser atenuados por uma relação médico-paciente-família aberta e de boa qualidade. Ansiedade, depressão, delírio, embotamento afetivo em pacientes pediátricos hospitalizados em terapia intensiva são mais intensas do que naqueles internados em enfermarias. Daí, inclusive, a proposta de se fazer com que a UTI se pareça o mais possível com as enfermarias comuns. A negação da doença do filho, a busca de soluções irreais e fantasiosas, a necessidade de elaborar, algumas vezes, o luto decorrente da morte da criança, fazem parte do cotidiano da UTI, a que estão submetidos família e corpo clínico. A própria solidão da UTI, o afastamento da criança de seu meio e família, a sina do homem moderno de morrer longe dos seus, acaba gerando dificuldades na elaboração do luto e na aceitação de morte inevitável.

Para Baldini (2001), a necessidade premente do médico de estabelecer o mais rápido possível o diagnóstico e elaborar uma estratégia terapêutica urgente, especialmente nas UTIs, faz com que os médicos tenham, cada vez mais, dificuldade de se relacionar, observar, ouvir o paciente. Acrescentam-se a isso a falta de privacidade de médicos, famílias, paciente na UTI; o pouco espaço disponível para acomodar a família; e, às vezes, os contatos com múltiplos

“responsáveis” pela criança. São todos esses fatores que compõem o cenário de dificuldades da comunicação médico-paciente- família nas UTIs pediátricas.

A partir dos anos 80, afirma Baldini, (2001), vários autores passaram a desenvolver pesquisas e intervenções sobre a humanização no atendimento de UTIs. Por exemplo, foram criados “grupos de pais” e outras modalidades de maior participação das famílias no cotidiano dos filhos gravemente enfermos de UTIs. Começa-se a considerar que o papel dos pais durante a internação do filho é valioso e insubstituível e que há necessidade de inclui-los em ambientes de UTI pediátrica e neonatal humanizados, na perspectiva de aliviar o estresse da criança e da sua família.